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Dando Limites
- O Acidente da Lagoa
Evelyn Rogozinski |
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Finalmente
saímos da inércia, finalmente surgem idéias, debates, planos de
ação para proteger nossos jovens. Que pena que precisou custar a
vida de cinco quase-crianças para que começássemos a agir.
Políticos, donos de boates, policiais estão discutindo e revendo
condutas e regras que possam oferecer um universo mais seguro no
qual os jovens possam estar pelo menos um pouco protegidos de
sua ânsia de viver perigosamente enfrentando desafios que põem a
prova sua capacidade. Pois esta sempre foi e creio que sempre
será uma característica de quem tem menos de 20 anos. O mundo
lhes pertence, sentem-se invencíveis �não tenho medo de nada� e
acham que podem tudo. Estão cumprindo seu papel de adolescentes.
Mas, estaremos nós cumprindo o nosso papel de adultos?
Fico com
vontade de contribuir com esse esforço de dar limites mais
adequados aos jovens. Como mãe, avó, pedagoga e terapeuta de
família tenho alguma experiência
em educação. Talvez minhas
observações e sugestões possam ajudar alguns pais a se sentirem
mais seguros de dizer não aos filhos. Esta é talvez a sugestão
que considero mais importante. Você pode dizer NÃO aos seus
filhos. Ê importante para você e para eles. É
importante para a relação de vocês e para a relação de seus
filhos com o mundo. Mesmo que eles fiquem momentaneamente
chateados com você. Mesmo que façam malcriação e tentem
retaliar. Se você tiver um parceiro ou parceira na educação de
seus filhos faça uma aliança com ele ou ela para ter mais
firmeza ao dar limites. Mas não deixe de
acreditar na sua experiência de vida e diga NÃO com convicção
quando achar que isso é o certo para seu filho.
Percebo que alguns pais hoje têm medo de seus filhos. Já houve
época em que se dava o contrário: os filhos é que tinham medo
dos pais. Seria melhor? Acho que não. Mas a idéia de ser �amigo�
do filho também não funciona. Os adultos devem ser os
orientadores da criança; a criança espera que eles saibam o que
é melhor para ela e que a coloquem no bom caminho. Que não
necessariamente é feito só de doces, brinquedos e vídeo games.
Que precisa incluir tomar banho, escovar dentes, fazer dever de
casa. Seu filho precisa entender desde criança que existem
regras de convivência que ele precisa respeitar como os pais
também precisam se instruir para saber o que é adequado esperar
de cada filho na idade em que ele se encontra.
Creio ser esta uma sugestão que você possa aproveitar: pense no
que você aprendeu na sua família de origem. s O que você
gostaria de manter? O que não? Por quê? Discuta essas questões
com quem esta lhe ajudando a educar seus filhos.
Faltam informações? Vocês gostariam de saber mais sobre o
desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Procurem se informar.
Não nascemos sabendo ser pais, mas temos como aprender. Mexa-se.
A vida de seu filho pode estar em perigo.
Fonte: Evelyn Rogozinski é Pedagoga e
Terapeuta de Família. É membro da ATF e integrante da Comissão
Científica do VIII Encontro Regional da Família
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