Obá foi a terceira esposa de Xangô, um deus iorubano que passou a vida em guerras e com muitas mulheres. Salomão da África, Xangô deixava Obá sozinha, insegura do amor do companheiro.
Tudo o que desejava era agradar seu amado, e na época seu nome Obá era uma palavra mágica que enfeitiçava o coração das mulheres apaixonadas na África. Seu nome agora me desperta e instiga.
Seu sincretismo é com Santa Catarina ou com Santa Joana D’Arc ( que vi em estátua dourada em Orleans na França). Outros autores a unem à Santa Tereza D’Áustria. Mas para mim ela é Obá, senhora do rio do mesmo nome na sofrida África Negra de onde todo ser humano veio, no começo da vida na Terra.
Vivia muito em sua casa, às vezes amargurada. Ela esperava seu amado regressar da guerra. Era brava, quase masculina para enfrentar as demandas, mas no amor, oh doçura!
Assim são os filhos de Obá. Guerreiros, mas caseiros. A lenda mais conhecida de Obá fala de uma vez em que morta de ciúmes pede a Oxum que lhe ensina a fazer comidas que agradem ao rei de Oyó.
Ardilosa, a bela e dengosa Oxum, envolve a cabeça em um turbante e diz à crédula Obá que ela tinha feito uma sopa com uma de suas orelhas e que Xangô adorou.
Movida pelo desejo de agradar a Xangô, ela corta uma de suas orelhas e prepara o filtro de amor para ele. O rei se enfurece e em cólera a expulsa de seu convívio e de seu harém.
Desde então, as duas, Obá e Oxum tornam-se inimigas e passam o tempo se implicando, assim os eluôs (adivinhos). As filhas de Obá às vezes têm ira, sentem-se repudiadas e incompreendidas.
Não é difícil agradar Obá. Devemos cultuá-la com carinho. Poderosa lutadora, mártir, deusa mutilada por paixão, ela nos entende quando estamos apaixonadas. Como em Santa Catarina o amor às vezes nos traz martírios e aflições, somos cobertas de estigmas (feridas), manchadas de sangue em nosso coração. O vermelho de Obá é sangue derramado como o de Sta. Catarina com estigmas nas mãos e pés. Mártires e visionárias, as Catarinas são protegidas por Anjos de luz, sem dúvida. Obá é o único Orixá feminino que leva na cabeça um capacete e que tem o corpo protegido por uma armadura de metal, paramentos comparáveis apenas aos de
Ogum, o deus da guerra. Mas que preço ela pagou pelo desejo de vencer!
Maria Helena Farelli - lançadora do Tarô e da imagem de Santa Sara no Brasil.
Iniciadora do culto cigano no Brasil
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