NOVAS VISÕES DA UMBANDA


Prezados irmãos!

Está tornando-se bastante comum, nas discussões em fóruns, rodinhas e bate papos em geral, tanto pessoais como virtuais, as tentativas de se caracterizar a Umbanda nesta ou naquela linha, nesta ou naquela sub-divisão, e associado a isto, demonstram também muitas curiosidades sobre como se portam as Entidades, o que bebem, o que fumam, como são riscados e cantados seus pontos, como era a vida da entidade quando encarnada, etc.

Aspectos denominativos como histórias, das mais pomposas às mais esdrúxulas, adjetivam e compõem o cenário da prática de Umbanda nos dias de hoje.

Pergunto-me sempre qual a real necessidade de sabermos como se risca um ponto de uma entidade se ele própria ainda não o riscou. Será que uma mesma identidade poderá ser a mesma de todas as entidades apenas porque declinaram um mesmo nome?

Ou será que devemos ou podemos criar a nossa própria entidade, baseados apenas nas informações de como se manifestam as entidades em outros médiuns?

É preciso entender que as entidades espirituais são únicas e apesar de utilizarem nomes semelhantes, manifestar-se-ão, particularmente, em cada um de seus médiuns, da forma de suas próprias vontades e necessidades forem determinantes para a prática da caridade. Nossa participação deverá ser a mais impregnada de boa vontade, mas com a humildade de nos reconhecermos intermediários na questão e não os verdadeiros responsáveis pelo trabalho.

Será, ainda, que definindo a Umbanda como Cabula, Almas e Angola, Umbandolé ou Umbandomblé, Pura, Traçada, sem contar as mais contemporâneas, como as Esotérica, Iniciática, Popular, e tantas outras, fará com que o ideal maior da caridade seja mais bem aplicado?

Ou será que precisamos criar, cada vez mais, cultos diferentes para que possamos sentirmo-nos mais capazes e melhores?

Será que o médium (um intermediário que deveria ser e, efetivamente, assim sentir-se), será mais ou menos evoluído, mais ou menos capaz, mais ou menos caridoso, se antes mesmo de que as

entidades espirituais se manifestem através de sua matéria, já tenha escolhido uma vertente, ou pior, dado nomes às suas próprias em especial?

Não seriam as entidades que acabariam por fim nos levando a onde exatamente gostaria, ou melhor, deveriam, manifestarem-se e praticarem os seus trabalhos?

Notam-se hoje em dia, irmãos pretendendo evoluir as próprias entidades. Irmãos que através de práticas velhas com nomes novos. almejam elevarem-se às condições das próprias entidades espirituais, com a justificativa de que assim as estariam auxiliando.

São discussões intermináveis sobre se os Orixás são ou não verdadeiros; se são ou não possíveis de existir ou passíveis de manifestarem-se aqui ou acolá.

Hoje, o homem, ou pelo menos alguns, sentem-se capazes de definirem se um ponto cantado foi trazido pela entidade ou criado aqui mesmo na Terra. Pergunto-me como? Apenas porque determinada entidade manifestada nele próprio ou em outro irmão, assim afirmou?

Ou poderiam esses irmãos, numa demonstração de poder maravilhoso, manterem, em segredo, contatos pessoais com divindades ou com as próprias entidades espirituais?

E quando então fez esse contato? Sob que aspectos? Qual a credibilidae do médium? Da sua afirmação? Da sua integração com a religião?

Tanto falam em evolução, em evangelização, em aprendizado, cadê então o Orai e Vigiai?

Orai para crescerdes, mas Vigiai a si próprios!

Busquemos, antes de tudo, a humildade. Religião não é uma questão matemática, não há lógica no amor, não há equação no sentimento.

A Umbanda não carece de doutores, mas de filhos, irmãos e seres de boa vontade. Doutores serão bem vindos, quando entenderem que suas condições humanas não só sobrepõem a qualquer outro irmão que esteja sob qualquer outra condição cultural, social ou racial que seja diferente das suas.

Da mesma forma que o Preto Velho, negro, escravo e humilde, mas ainda assim, reconhecido como o psicólogo ou médico dos pobres, dos necessitados, dos humildes, o qual age poderosamente, mas humildemente, mesmo sob a carapinha encaracolada, sob a pele negra cicatrizada pelos maus tratos e através dos olhos tristes, mas atentos e iluminados de esperança, assim deveríamos todos ser:

Nos darmos à religião muito mais com o coração e boa vontade do que com nossa tentativa de erudição e modificações sociais do culto.

Que Oxalá nos encaminha ao bem do próximo.


Abraços.

Colaboração do irmão Solo- Recife-PE

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