O serviço de normatização em nossas fileiras é urgente mas não apressado. Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define objetivos a que devemos todos visar, mas não é apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma. Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome da Umbanda apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que, reduzido, para análise. Nós que nos empenhamos carinhosamente a todos os tipos de realização respeitável que os nossos princípios nos oferecem, não podemos esquecer o trabalho do raciocínio claro para que a vida se nos povoe de estradas menos sombrias.

A Umbanda possui seus aspectos essenciais representados pelas suas diversas formas de culto. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe aos rituais de origem africana que o cultive em sua dignidade, quem se devote aos postulados do Primado ou do Caboclo

das 7 Encruzilhadas, etc., que lhe engrandeça o seguimento e quem se consagre aos ensinos da Religião Brasileira que lhe divinize as aspirações, mas que a base da seriedade, do respeito e da caridade cristã permaneça em tudo e todos, para que não venhamos perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se levanta a religião.

Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos da legítima fraternidade que a Umbanda

preconiza, através de suas entidades, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações em que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos

o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da verdade.

Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.

Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao bem comum e instrução do povo, em todas as direções, sobre as Verdade do Espírito, imutáveis e eternas.

Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades.

Em cada Templo, o mais forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido a luz para os menos esclarecidos. Lembremos que ninguém edifica sem amor, ninguém ama sem lágrimas.

Porque existe tanto fanatismo e sectarismo por parte dos diversos segmentos dentro da Umbanda.

Segundo o nosso ponto de vista, existem vários fatores que levam os dirigentes de culto a se considerarem donos da verdade, não admitindo nenhum ritual, senão o que professam, como caminho capaz de nos levar ao reencontro com o Pai.

É a vaidade humana que não permite, à maioria, enxergar outros caminhos que nos possam levar ao mesmo objetivo, ao mesmo fim, a não ser aquele determinado por eles.

A Casa do Pai há muitas moradas, .A propósito usamos a história de Ramakrishna que repetimos aqui: No oco de uma montanha, há um grande reservatório onde os moradores da região se abastecem. Para chegar, porém, ao local, existem inúmeras escadas. Umas de pedra bruta, outras de mármore, outras de granito, algumas de ouro, prata, cobre, madeira e dos mais diversos materiais. Cada pessoa desce

pela escada que deseja, para se abastecer da mesma água, de acordo, também, com o tamanho de seus recipientes".

Dizia ele que a água é Deus e que as várias escadas são os caminhos que nos levam a Ele. O volume de água que recolhemos em nossos vasilhames, ou seja, nossas mentes, está na capacidade de percepção de cada um.

Se Paulo disse aos Coríntios: "Não sabeis vós que sois o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" como podemos pensar, em sã consciência, que a divindade está apenas em nós? Evidentemente que está em todos nós, e se O buscarmos por caminhos e formas diferentes devemos supor que uns O encontraram mais rapidamente do que os outros.

Quando eliminarmos a vaidade e nos voltarmos para dentro de nós verificaremos que o melhor caminho é o amor puro e impessoal, que nos faz ver em cada criatura um irmão, uma manifestação de Deus,.

E esse amor nos foi dado pelo Amado Mestre Jesus, quando , por ocasião da última ceia, disse: "Um novo mandamento vos deixo, um novo mandamento vos dou; que vos ameis uns aos outros, tanto quanto eu vos tenho amado".

Assim, nossa atitude deveria ser sempre a de ajudar os outros a seguirem seus caminhos, nem tentarmos trazê-los para o nosso, amando-nos e respeitando-nos em suas práticas ritualisticas

desde que sinceras e moralizadas, pois só há um Deus, embora o chamem de Tupã, Olorum, Zambi, Pai Supremo, Energia Cósmica e muito outros nomes, segundo a crença que cada pessoa professa, segundo sua elevação espiritual.


Colaboração do irmão e dirigente de Umbanda Jair Tavares.

Tenda Espírita São Lázaro.

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