CONTANDO ESTÓRIAS
O conhecimento e sabedoria da humanidade sempre foi passado através de estórias e lendas. Cada contador que conta uma estória e uma lenda, a reconta segundo sua história pessoal e histórias da humanidade em que está inserido. A cada momento e a cada contador um aspecto da estória se revela....
O poder de Oxum...
Havia há muito tempo um reino que não era desse mundo. Esse reino se chamava Orun. Nele, cada um de seus membros detinha um poder, uma força própria, singular, que permitia a harmonia do reino. Seus membros eram chamados Orixás.
Apesar da harmonia do reino depender do equilíbrio entre todas as forças, quando os Orixás chegaram à Terra organizaram reuniões que decidiam sobre a vida do reino, onde os Orixás masculinos proibiram a participação dos Orixás femininos. Estavam cegos pela tentação e ilusão, de assim deterem o poder absoluto do novo reino na Terra.
As mulheres se reuniram e decidiram que Oxum usaria a sua força, seu poder de fecundidade, o retirando do reino, e com ele, sua doçura e amor que permite que a vida fecunde. Dessa forma foi feito.
Com isso, o reino não progredia. A Terra não dava mais seus frutos, as mulheres também não...não havia mais flores...nem alegria ou diálogo. Tudo foi ficando seco e duro...a terra, as pessoas, o ar...
Os homens foram ficando desesperados. Foram a Olodumaré e disseram que por mais que discutissem e tomassem decisões nas assembléias o reino não progredia, e nada acontecia.
Olodumaré disse que haviam esquecido que o poder da criação, da fecundidade, importante a qualquer empreendimento era de Oxum. Quando a retiraram das decisões, não permitiram que a vida germinasse.
Os homens então viram que não havia jeito e resolveram chamar Oxum e as mulheres para discutir a vida e os caminhos do reino.
As mulheres foram...iam iniciar sua participação nas reuniões com o poder...mas isso em nenhum momento fez com que quisessem tomar o poder do reino.
Elas em sua sabedoria conheciam a importância do equilíbrio para o reino entre essas duas forças, a do masculino e a do feminino.
Conheciam a importância de cada força singular de cada membro do reino. Em sua sabedoria conheciam a importância da diferença e da sua singularidade...usaram a força feminina para socializar o poder e repartí-lo.
E assim foi vivendo o reino... em alguns momentos em calmaria, em outros em turbulência, às vezes ocasionados por forças externas, às vezes internas, mas por um bom tempo o reino foi governado pelas forças femininas e masculinas que o habitavam...
Tânia Jandira R. Ferreira
Psicóloga com atuação Clínica e Social