CONTANDO ESTÓRIAS


Estória e lendas sempre serviram para levar conhecimento e sabedoria à humanidade. Estórias são contadas por muitos e muitas. Vamos ouvindo-as muitas vezes, A cada momento que as ouvimos, sendo contadas por diferentes contadores, em momentos distintos de nossas vidas, alguns aspectos da estória são reforçados. Outros, revelados....outros percebidos, de acordo com nosso ouvido, olhar e percepção da realidade, de acordo com nossa história pessoal...e ainda assim, é a mesma estória.

...O Poder de Iansã...

Havia em um lugar que não nesse mundo, um reino. Nele todos os que o habitavam tinham um poder, uma força que dava equilíbrio e permitia superar todas as questões que poderiam acontecer no reino. Seus habitantes eram chamados Orixás. Cada Orixá tinha um nome...

 

Ogum detinha a força de conquistar novos territórios para o reino e aqui não era só uma questão de terras, mas de conquistar novos conhecimentos também. Era também Ogum que zelava pela segurança do reino a qualquer ameaça externa. Xangô exercia a direção do reino e de cada conquista, primando sempre pela Justiça. Oxum permitia que tudo prosperasse, com seu poder de fecundar e dar vida ao reino, trazia o amor e a fartura a todos. Obaluaiê detinha o poder da saúde e da doença, da vida e da morte, estando no restabelecimento da saúde e também zelando a passagem para a morte, para uma outra vida.

Iansã era responsável pelo mundo dos mortos. É com sua força, seu vento, que os encaminha...

E haviam tantos outros...Exú, Iemanjá, Nanã, Oxumaré, Oxóssi, Ossanha...Ossanha detinha o poder e segredo das folhas...as folhas nesse reino eram um grande poder. As folhas eram alimento, permitiam a purificação, o restabelecimento do equilíbrio, da saúde...as folhas trazem calma, vigor, sorte, glória...e com isso Xangô, esposo de Iansã não se conformava...fala sobre isso a Iansã. Como um poder desses na mão de um só?

Iansã é o vento...ele surge. Ora é brisa, ora é vandaval...Iansã é o vento...

Todos concordam, menos Ossanha: - "Que poder teria eu?" - "Ser guardião do segredo das folhas, respondem todos" Ossanha não se convença...o vento de Iansã chega. O vento de Iansã sopra mais forte, torna-se um vendaval.

O vento é forte, Iansã é forte...Iansã é o vento, é redemoinho...Osanha guarda o segredo das folhas numa cabaça pendurada numa árvore. A cabaça balança no galho do Irokô...a cabaça com as folhas poderosas...a cabaça cai da árvore e se espatifa no chão. Todas as folhas de Ossanha são espalhadas, são levadas no vento...e cada Orixá pode ter algumas. Foi assim que o poder das folhas foi socializado nesse reino. Cada Orixá deteve o poder de um punhado de folhas...

E Ossanha? Ficou sem nada? Lógico que não. Iansã não usou seu vento, sua força para isso. Não se prestaria a usar

seu vento para destruir um poder, por ser poder.

Não era esse o entendimento de Iansã. Ela sabia da importância do equilíbrio de todas as forças...Ossanha permaneceu o senhor do segredo das folhas, é o único conhecedor das palavras a pronunciar para que as folhas façam efeito.

E assim foi vivendo esse reino...às vezes harmonioso...às vezes nem tanto...em alguns momentos havia disputa e tentativa de tomar o poder...como em todos os reinos...


Tania Jandira R. Ferreira

Psicóloga com atuação Clínica e Social.

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