N�o basta ser pai

Pesquisadores americanos e brasileiros salientam a import�ncia da presen�a paterna no desenvolvimento dos filhos

Depois de uma exaustiva jornada de trabalho, ele se anima com a perspectiva de brincar com os filhos, ajud�-los a fazer a li��o da escola e bot�-los para dormir, lendo um gostoso conto infantil. Esse modelo de pai participativo � cada vez mais valorizado pelos cientistas. Estudos recentes feitos nos Estados Unidos e no Brasil mostram que a presen�a paterna � fundamental para o desenvolvimento das crian�as.
Segundo um trabalho da Universidade de Maryland, a meninada que conta com o envolvimento dos papais no dia-a-dia tem maior auto-estima, aprende melhor e apresenta menos sinais de depress�o.
Por aqui, a psic�loga Vera Resende, da Universidade Estadual Paulista, chegou a conclus�es semelhantes ap�s acompanhar, por tr�s anos, crian�as com problemas emocionais. "Em 80% dos casos, elas n�o est�o doentes. S� expressam dificuldades nas rela��es com a fam�lia, sobretudo em rela��o � aus�ncia paterna", avalia Vera.

A cumplicidade paterna � fundamental
Os pesquisadores de Maryland entrevistaram 855 crian�as. As que se sa�ram melhor em testes de aprendizagem foram justamente aquelas que contavam com maior participa��o paterna. At� a� n�o h� novidade � n�o � preciso uma pesquisa para apontar que pai � coisa s�ria. A surpresa veio do fato de todas viverem em ambientes de instabilidade emocional. Portanto, elas n�o viviam em clima de lar, doce lar. Entre tantos conflitos, a aus�ncia do pai teve peso enorme.
Assim, os cientistas conclu�ram que faz a maior diferen�a a presen�a do pai ou de uma figura paterna � algu�m que n�o � o pai biol�gico mas que seja encarado como tal. Segundo eles, o contato pode at� ser espor�dico, desde que haja muito envolvimento afetivo.
J� a psic�loga Vera Resende, da Unesp de Bauru, no interior paulista, acompanhou 76 pequenos. Eles tinham dist�rbios como hiperatividade, inseguran�a, dificuldades de relacionamento e depress�o. E veja s�: na maioria das vezes, a raiz desses transtornos estava na omiss�o paterna. "Isso ter� impacto na vida adulta deles", prev�. "A forma como se manifestar� � que vai depender de como cada um enfrenta esse vazio."

� preciso um modelo masculino por perto
Que fique claro: embora os dois estudos enalte�am a figura paterna, isso n�o significa que os pequenos criados somente pela m�e estejam necessariamente condenados a transtornos emocionais. A pr�pria pesquisa da Universidade de Maryland reconhece que crescer numa fam�lia com essas caracter�sticas, cada vez mais comuns nas sociedades modernas, pode ser bem saud�vel.
Isso acontece quando, em primeiro lugar, a m�e t�m plena consci�ncia de que cabe a ela toda a responsabilidade pela forma��o infantil � sem estar se queixando ou salientando por meio de atitudes a aus�ncia do parceiro.
Al�m disso, a crian�a precisa de um modelo masculino forte por perto � assim como de um feminino, que no caso � o da m�e. "Todos n�s temos esses dois lados. Na inf�ncia, precisamos de modelos de cada um deles para nos ajustar", sustenta a psic�loga e terapeuta familiar Maria Rita D'�ngelo Seixas, da Universidade Federal de S�o Paulo. Segundo ela, nesse papel a figura paterna pode ser substitu�da por outra � um av�, um tio ou aquele velho amigo, n�o importa. O que a crian�a precisa � de um homem que lhe d� carinho, amor e muita aten��o.

Pais ativos, filhos equilibrados

Todo mundo j� ouviu falar que nos primeiros meses de vida a crian�a precisa exclusivamente dos cuidados da m�e. Nada mais falso. De acordo com a psic�loga e terapeuta familiar Maria Rita D��ngelo Seixas, da Unifesp, a crian�a necessita da presen�a paterna desde o nascimento.
"O pai deve entrar no cotidiano do filho quando ele � beb�, pois, do contr�rio, ficar� mais dif�cil fazer isso � medida que o pequeno cresce", explica. "Com a aus�ncia dele nessa primeira fase da vida, a crian�a cria um v�nculo muito forte com a m�e e, depois, pode ter dificuldades em aceitar a figura paterna, nessa altura praticamente um desconhecido para ela", completa.
A psic�loga Elizabete Alves Mergulh�o, da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, vai mais longe. Para ela, a presen�a do pai � importante desde a concep��o � id�ia hoje compartilhada pela maioria dos especialistas.
"Por isso, � saud�vel que ele participe ativamente da prepara��o para a chegada do rebento, ajudando a montar o quarto, a comprar o enxoval e acompanhando cada etapa da gravidez da parceira", diz Elizabete.
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