OS CINCO EST�GIOS DA ALMA

Quando nos habituamos ao mundo que nos cerca, acabamos ignorando os prazeres simples da vida  e deixando de lado as pequenas alegrias. Contra esse processo, que pode nos levar a um envelhecimento psicol�gico mais r�pido, recomenda-se a aten��o cuidadosa. Como acad�mico e administrador, trabalhei no campo do envelhecimento por quase metade da minha vida. Contudo, ainda fico extremamente confuso sobre o que, psicologicamente, nos seres humanos, os faz envelhecer. Quando esse processo realmente come�a? 
Um colega meu, o psic�logo dr. Robert Kastenbaum, tamb�m ficou intrigado com essa quest�o. T�o intrigado que desenvolveu uma teoria bastante surpreendente para explic�-la. Ele acredita que o envelhecimento psicol�gico come�a na inf�ncia. O que o dr. Kastenbaum quer dizer com essa estranha afirma��o � que, quando ficamos mais velhos, desenvolvemos uma diminui��o gradual de rea��o � estimula��o persistente, um processo que ele chama de ficar habituado.  
Em termos psicol�gicos, ficar habituado significa tornar-se gradualmente desatento a um est�mulo repetitivo, o tique-taque de um rel�gio, por exemplo, ou o som de p�s se arrastando no apartamento   do andar de cima. No in�cio, esses sons nos perseguem durante o dia e nos mant�m acordados � noite. Depois, um filtro passa a funcionar nos nossos c�rebros e, com o tempo, come�a a bloquear os sons. Um dia despertamos e percebemos que nos tornamos t�o acostumados a esses ru�dosque, para todos os efeitos, eles n�o existem mais.
Essa �v�lvula mental de redu��o�, como Aldous Huxley � ela se referia, � essencial no que diz respeito � nossa vida e � nossa lida cotidiana; sem ela, ficar�amos extremamente distra�dos com as milhares de impress�es irrelevantes que atingem os nossos sentidos a cada momento.
Contudo, o ficar habituado de que fala Kastenbaum � um grau mais sutil do que a pura rea��o f�sica.
� uma redu��o da nossa consci�ncia, bem como dos nossos sentidos, um processo no qual, com o tempo, os est�mulos comuns da vida, os prazeres simples e as pequenas alegrias, perdem a qualidade por for�a da simples  repeti��o. 
Esse processo se inicia na inf�ncia, no momento em que come�amos a observar o mundo. Em princ�pio, tudo o que nos rodeia � brilhantemente vivo e animado � o gorjeio do pardal, o gosto do sorvete, a vis�o das nuvens de ver�o. Ent�o, os anos se passam. Quando escutamos o gorjear de milhares de pardais,  quando lambemos a nossa d�cima mil�sima casquinha de sorvete, quando vemos a milion�sima nuvem passar sobre a nossa cabe�a, a imedia��o da nossa rea��o a esses est�mulos diminui.
Finalmente, ficamos insens�veis � sua beleza. O ficar habituado se estabelece e, com ele, uma sensa��o de nos tornarmos r�gidos,  endurecidos - mais velhos.

(*) O Texto aqui apresentado � um excerto do cap�tulo 5 do livro Os Cinco Est�gios da Alma, de Harry R. Moody e David Carroll, lan�ado recentemente pela Nova Era.
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