A palavra karma tornou-se t�o familiar que a usamos livremente, muitas vezes sem saber o que realmente significa e tudo o que est� por tr�s dela. No Ocidente, confunde-se karma com destino. Nascer com um bom karma � sin�nimo de sorte, mas ai de quem � premiado com um mal karma. Dentro dessa vis�o, os seres humanos estariam irremediavelmente presos � sua sorte e nada poderiam fazer para escapar. Na verdade, o karma n�o � nada disso.

Karma quer dizer a��o, em s�nscrito. Para o budismo, � a influ�ncia que as a��es dos indiv�duos t�m sobre tudo que acontece em suas vidas. O karma "n�o nasce de uma vontade divina (...) nem pode ser atribu�do ao azar: � fruto de nossos atos (...) e, por atos, entendemos pensamentos, palavras e a��es f�sicas, negativas ou positivas", afirma o monge franc�s Matthieu Ricard, no livro O Monge e o Fil�sofo.

Um exemplo cl�ssico entre os mestres budistas � comparar o karma a uma pedra jogada em um tanque de �gua. Os c�rculos conc�ntricos que se formam quando a pedra cai batem na margem e voltam para o centro. Conosco acontece a mesma coisa. S� que, na maioria das vezes, n�o percebemos que aquilo que estamos vivendo � resultado do que n�s mesmos criamos e que nossas rea��es produzem novos c�rculos na �gua e assim incessantemente.

Do ponto de vista psicol�gico, a no��o de karma baseia-se na id�ia de que toda a experi�ncia fica registrada no nosso eu mais profundo sob a forma de energia, positiva ou negativa. Voc� pode n�o ter consci�ncia disso, mas, cedo ou tarde, essas energias v�o afetar seu comportamento. Se voc� trai a confian�a de algu�m, por exemplo, um dia o impacto negativo dessa a��o se voltar� contra voc�. Da mesma forma, o efeito ben�fico do que fazemos tamb�m acaba respingando em n�s.

Bem e mal tamb�m n�o devem ser considerados absolutos. Matthieu Ricard lembra que "pensamentos e atos s�o considerados bons ou maus em fun��o da motiva��o que os originou ou de seu resultado -- o sofrimento ou a felicidade que causam, a n�s ou aos outros".

O karma � a for�a que nos impulsiona -- e, n�o apenas nesta vida, mas em todas as outras que j� vivemos ou que ainda vamos viver. Para os budistas, estamos condenados a renascer para corrigir nossos erros e alcan�ar o nirvana, quer dizer, a ilumina��o. "O karma � a din�mica que impele a alma � reencarna��o e, (...) de encarna��o em encarna��o, o ser � conduzido para sua realiza��o", explica Patrick Drout, em seu livro N�s Somos Todos Imortais. Por isso, o melhor conselho �: pare de se sentir uma v�tima das circunst�ncias e comece a lidar com seu karma.

Aprenda a fazer melhores escolhas
� Pratique a generosidade. Se n�s colhemos o que semeamos, o bem que fizermos voltar� para n�s... e o mal tamb�m. Agir com generosidade, compaix�o e bondade � um excelente investimento de longo prazo.
� Preste aten��o nas suas decis�es. Segundo as leis do karma, tudo o que acontece no presente � resultado direto de nossas escolhas passadas. A maior parte do tempo, no entanto, tomamos decis�es de forma t�o autom�tica que nem paramos para refletir sobre seu valor. E essas escolhas contam para efeitos de melhorar nosso karma, e muito! Por isso, � bom estar sempre consciente na hora de agir ... ou de se omitir! Antes de dar o passo, pergunte quais seriam as conseq��ncias e como poderiam afetar, para o bem ou para o mal, os seres que est�o � sua volta.
� O poder do cora��o. Em d�vida, ou�a seu cora��o. Fomos acostumados a pensar que as decis�es tomadas com o cora��o s�o fr�geis e sentimentais. Na verdade, s�o hol�sticas, intuitivas e fortes! Esse lado da psique que chamamos cora��o � um recurso valioso e desenvolv�-lo vai ajud�-la a tomar decis�es mais afinadas com os seus pr�prios sentimentos e os das outras pessoas.
� Exercite a sensa��o. Para saber se voc� fez aquilo que era correto ou n�o, aprenda a sentir. Se o seu corpo transmite uma sensa��o de paz e de serenidade ou um profundo bem-estar isso � um sinal de que a decis�o foi acertada.
� N�o se culpe. Tire partido de seus erros e corrija sua conduta, em vez de se sentir culpada. "A culpa bloqueia totalmente a energia do aprendizado", adverte o psic�logo Arnaldo Bassoli.
O karma n�o � apenas individual. Tamb�m est� relacionado com o grupo ao qual voc� pertence: fam�lia, na��o, ra�a.

Voc� e os seus: karma coletivo
Fam�lias, na��es ou grupos que compartilham a mesma maneira de viver, de lidar com novas experi�ncias ou est�o unidos por convic��es religiosas comuns compartilham um mesmo karma. Mas a �nfase aqui � na uni�o verdadeira entre as pessoas do grupo e em uma profunda identidade de ideais, cren�as e metas "...de forma que as energias de cada um se fundem para converter-se em energia grupal, que, ali�s, nem sempre � positiva", assinala Arnaldo Bassoli. A forma como um grupo aplica essa energia, ou seja, as a��es que pratica ou endossa, tamb�m obedecem � lei do karma.

N�o tenha medo do seu karma
Voc� pode aceitar seu karma, transform�-lo ou recicl�-lo.
� N�o fuja dos seus conflitos. Quer dizer, aceite aquilo que acontece como parte do seu destino humano. Mas n�o traduza aceita��o por passividade. "Se o sofrimento faz parte da condi��o humana, a melhor forma de enfrent�-lo � aprender a lidar com ele e n�o fugir ou se esconder", ensina Arnaldo Bassoli. Nenhuma d�vida do universo fica sem ser paga e o nosso sofrimento pode, sim, estar relacionado a erros cometidos em outras vidas, por�m o que realmente importa � a maneira como reagimos � dor. Perseguir sentimentos de paz, amor e perd�o tem influ�ncias ben�ficas no nosso destino.
� Descubra o que est� por tr�s dos acontecimentos. Quando, diante de uma situa��o de sofrimento, por exemplo, voc� faz um esfor�o para refletir sobre a mensagem que o universo lhe envia atrav�s dela, est� transformando positivamente seu karma. Muitas vezes essa pergunta parece tola, mas devemos ter em mente que tudo que acontece conosco, seja bom ou mal, nos ensina algo sobre n�s mesmos.
� Experimente n�o se apegar tanto �s coisas. Uma grande fonte de sofrimento � o apego excessivo que temos aos prazeres, �s posses e a nossa reputa��o, por exemplo. Por isso, para os mestres budistas, a pr�tica do desapego leva � sabedoria. "Ficar apegado � uma maneira de estar sujeito ao karma e nosso maior objetivo � sempre o dharma, quer dizer, a libera��o ou a descoberta do nosso verdadeiro prop�sito. Dasapegar-se das coisas materiais n�o quer dizer se isolar do mundo. O monge Matthieu Ricard explica: "Subtrair-se � realidade n�o resolve nada. O nirvana � exatamente o oposto da indiferen�a para com o mundo; � ter compaix�o e amor infinito pela totalidade dos seres. (...) Aquele que est� livre de todo o apego pode usufruir da beleza do mundo e dos seres (...) sem ser o joguete das emo��es negativas e, ent�o, desenvolver uma compaix�o ilimitada". Dessa forma o karma se recicla.

Caminhe em busca do seu Dharma
Dharma � uma palavra s�nscrita com muitos significados e um deles � prop�sito. A lei do dharma diz que nos manifestamos fisicamente na Terra para cumprir um prop�sito e que cada um de n�s tem um talento que devemos explorar. Essa � a �nica raz�o para estarmos no mundo. Existe alguma coisa que sabemos fazer melhor do que qualquer outra pessoa e � nosso dever descobri-la para poder ajudar o mundo com nossa sabedoria. "Seguindo a mesma interpreta��o psicol�gica, se o dharma � a realiza��o do potencial inato de cada indiv�duo, o karma � exatamente o jogo de a��o e rea��o que, quando n�o inspirado por essas a��es dh�rmicas, acaba por nos tornar prisioneiros de pessoas, bens ou h�bitos, dos quais precisamos nos desapegar se quisermos conseguir nossa libera��o", explica Arnaldo Bassoli. Quanto mais sintonizados estivermos com nosso prop�sito, mais chances teremos de modificar o karma a nosso favor.
KARMA
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