ANO III  Nº 27  JUNHO 2000
Director : Armando Moreira Fernandes

 


 

 

 O SAMEIRO NO LARGO D´AJUDA
D. Fayão
 

Penafiel não é uma grande cidade - em termos de dimensão, entenda-se -pelo que ninguém que cá more terá dificuldades em saber onde se encontra, e de se orientar.

No entanto, como ela não vive só dos seus habitantes, mas também dos que por Arrifana passam, pareceu-me acertada a decisão tomada pelo Pelouro do Turismo, de aproveitar alguns dos MUPI’S existentes, para mandar instalar neles plantas cartográficas da cidade, à semelhança aliás do que se passa na maioria das localidades deste País. Bem vistas as coisas, os forasteiros que nos visitam não têm obrigação de saber onde fica a estação dos caminhos de ferro, o Museu e a Biblioteca Municipal, ou onde se localizam os nossos monumentos históricos, sendo à autarquia quem compete promover e divulgar esse conhecimento. Por outro lado, como os bancos de dados electrónicos que deveriam ter uma informação mais pormenorizada, se encontram tantas vezes fora de serviço, os mapas da cidade ainda mais têm toda a razão de ser.

O que já não me parece ter razão de ser é que um mapa, cuja informação deveria ser rigorosa e fidedigna, apresente erros grosseiros de palmatória, que possam induzir em erro quem o consulta, e é isto que se passa com um deles.

Na verdade se a informação constante nos mapas existentes nas Avenidas Sacadura Cabral e Egas Moniz, pela rápida vista de olhos que lhes dei, não parece enfermar de qualquer erro, já o mesmo não se poderá dizer da que consta na carta situada na Av. Gaspar Baltar, no Sameiro.

Quem vindo de fora, o que acontece com muita frequência já que aquele local é considerado o cartão de visita da cidade, se dirige áquele mapa com intenção de se situar ( que é para isso que servem os mapas ), é informado de que não está na Avenida Gaspar Baltar, mas sim... no Largo d’Ajuda ( ! ), em pleno centro da cidade - se calhar, alguém anda empenhado em fazer incluír o Sameiro na dita zona histórica, e em fazer beneficiar os comerciantes da Avenida, com as verbas do PROCOM.  Pelo menos, é o que taxativamente lá diz o círculo negro ( você está aqui ) quando na realidade está a cerca de 1 quilómetro daquele largo. E é claro, tal informação errada é susceptível de fazer alterar todo o percurso que qualquer turista, para sua recreação, tivesse decidido fazer.

Por exemplo, quem depois da consulta daquele mapa decida visitar o miradouro da Senhora da Piedade, que fica escassos metros à frente, pensará que tem de voltar para trás, pelo que provavelmente irá ter a Santa Marta, mas não ao miradouro pretendido.

Provavelmente tal lapso deve-se ao facto de o mapa ter sido concebido para ser exposto no Largo d’Ajuda, e não na Av. Gaspar Baltar. Mas então das duas, uma: ou se o coloca na artéria assinalada, ou se o substitui por outro com a legenda correcta. Deixar subsistir uma gralha deste tipo é que não ! Porque nos embaraça a todos, que somos filhos da terra. É que, como poderemos nós querer que os turistas conheçam os nossos locais mais relevantes, se nem somos capazes de lhes indicar com exactidão a rua onde eles se encontram ?

Para isto não valia a pena pôr lá  mapa algum. Porque pelo menos quem não soubesse onde ficava determinado local, perguntava. E como diz o povo, quem tem boca, vai a Roma. Agora com mapas destes, é que se não vai a lado nenhum.


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Jornal o Arrifana - A vez e a voz dos penafidelenses
Penafiel - Junho 2000

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