José Telles de Menezes

 

pai: ?

mãi: ?

n.: Salvador [?], BA, Brasil, ±1750.

bat.: Salvador [?], BA, Brasil, ±1750.

f.: Taquaraçu [?], MG, Brasil, > 1770.

sep.: Taquaraçu [?], MG, Brasil, > 1770.

c.: Taquaraçu, MG, Brasil, ±1770.

c.c.: ? [da Costa], filha de ? e de ?.

escolaridade/formação: Teria as "Primeiras Letras".

profissão/atividades: Foi um grande fazendeiro. Era dono da "Fazenda da Serra", hoje em Jaboticatubas, MG, Brasil, de que foi o segundo proprietário. Sobre a "Fazenda da Serra", encontramos extensas referências no livro de AFONSO, Leônidas Marques, HISTÓRIA DE JABOTICATUBAS, publicação do autor, Jaboticatubas, 25/mar/1957, 70 pags. Essa fazenda se originou de uma sesmaria doada ao ermitão Felix da Costa, por resolução de 28/jul/1728, para constituir o patrimônio do Recolhimento das Macaúbas, que seria fundado mais tarde. À página 3 encontramos: "AS SERMARIAS // ... Elas foram concedidas ao notável Ermitão no lugar então denominado - 'Serra da Montanha' - conforme a expressão do oficial, que lavrou o termo desta concessão. // Esta denominação nos leva à conclusão de que as ditas terras eram situadas nas nascentes do ribeirão das Jaboticatubas, lugar este que ainda hoje, conserva o nome de "Serra". // Até 1910, ainda existia o velho e desgracioso casarão, em que, na nossa opinião, residiam os administradores desta propriedade. Foi, depois, reconstruída e melhorada por Benfica Moreira Marques, que dela fez a sua residência. Esta ainda existe na Fazenda da 'Serra'. ..." Às páginas 16-17, lemos: "FAZENDA DA SERRA // Este estabelecimento se acha situado, mesmo ao sopé da Serra do Espinhaço, nas nascentes do ribeirão Jaboticatubas. Foi reconstruída pelo seu segundo proprietário, José Teles, nos meados do Século 18. // O nome completo deste fazendeiro, se não nos enganamos, era José Teles de Menezes. // Hoje, desta fazenda aí existem as ruínas e algumas casas mal conservadas. Das máquinas, apenas existe o velho moinho de fubá. // No local que serviu de terreiro à velha fazenda, há ainda um cruzeiro feito de aroeira, no qual se acha, gravada, a formão, a data de 1809. Apesar de já ter atravessado mais de um século, exposto ao sol e à chuva, o resistente madeiro se acha em perfeito estado de conservação. Esta fazenda foi muito próspera. Aí se cultivavam cereais e cana de açúcar. Para a moagem desta, havia lá um bom engenho, movido a volumosa aguada, que era captada, em uma cachoeira existente nas suas proximidades. // O estabelecimento, que se achava situado em lugar muito aprazível, tinha, naqueles tempos, grande movimento, tanto que, em meados do século 19, aí já havia uma casa comercial bem servida, em que se abasteciam os moradores destes sertões. // Depois de José Teles, esta fazenda passou a pertencer ao Capitão Joaquim da Costa Vianna e depois ao seu filho, Padre João da Costa Viana. // O lugar, onde dever ter sido o curral, que pertenceu a Felix da Costa, ainda conserva o nome de - Retiro." Na página 17, quando descreve outra fazenda, cita: "FAZENDA DO CAPÁO GROSSO // Enquanto José Teles organizava a Fazenda da Serra, na mesma época, o Padre Antônio da Silva Vinagre estabelecia-se, nas suas vizinhanças, fundando uma fazenda no sítio hoje denominado - Resfriado".

religião/confrarias: Certamente, era católico apostólico romano.

diversos: Sobre a origem de José Teles existe uma interessante lenda que o mesmo autor narra nas páginas 26-27 do mesmo livro [ver: AFONSO, Leônidas Marques, HISTÓRIA DE JABOTICATUBAS, publicação do autor, Jaboticatubas, 25/mar/1957, 70 pags.]: "VI - JOSÉ TELES // José Teles de Menezes, segundo proprietário da Fazenda da Serra, era natural da Bahia, conforme afirmavam pessoas antigas, que isto ouviram dos seus antepassados. // Antes de adquirir a fazenda acima mencionada, residia em outra que lhe pertenceu, a qual tem o nome de Seio de Abraão, ainda existente no vizinho distrito de Taquaraçu. // Este varão contraiu matrimônio, em uma família de Costas, existente na região, da descendência, talvez, de João da Costa Soares. Não é conhecido o nome de sua esposa. Deste matrimônio teve diversos filhos, dos quais são conhecidos os seguintes: Ana Maria Teles e José Teles Bernardino. // Reza uma tradição existente entre os descendentes de sua família que José Teres era um escravo foragido. Segundo tal tradição, deu-se, na Serra, o seguinte acontecimento: // José Teles voltava, um dia, de sua lavoura e, ao entrar no terreiro, viu na varanda de sua casa, dois indivíduos desconhecidos naquele lugar, mas que ele reconheceu logo. // Apeando da sua cavalgadura, José Teles subiu as escadas e foi cumprimentar, com todo respeito e cortesia, aqueles dois homens, que ninguém ali conhecia. Entrando no interior da casa, o fazendeiro recomendou à esposa que tratasse aqueles hóspedes da melhor forma possível. // Este carinho e fidalgo acolhimento dispensado, pelo seu marido, aos dois desconhecidos, que mostravam não ser personagens de grande importância, despertou na dita senhora a curiosidade de saber quem eram eles e a suspeita de que, entre os três homens, havia algo de misterioso. Ela passou a observar tudo que eles faziam e diziam. // À noite, José Teles entrou com os seus hóspedes para um quarto, que lhe servia de escritório. A sua esposa, levada pela curiosidade, foi postar-se por detrás de uma porta, a fim de ouvir o que estavam conversando ali. // José Teles fez, então, um pedido de clemência àqueles dois homens. Eram eles os seus senhores-moços aqui tinham vindo com o intuito de capturá-lo. José Teles pediu-lhes que não o envergonhassem, porque, aqui, ele era grande e conceituado e propôs aos mesmos o resgate da sua liberdade, por qualquer preço que pedissem. Os homens, bondosos e enternecidos, acederam ao seu pedido e resolveram levar o dinheiro, em vez do escravo, prometendo a ele que nada diriam a ninguém. Ficava assim solucionado o caso, da melhor forma possível e José Teles continuaria a desfrutar e a gozar do mesmo conceito e prestígio. // Tudo, porém, ficou baldado, porque a sua esposa, que ouvira a conversa, contou o caso aos parentes e às pessoas de suas relações. // José Teles, apaixonado, veio a morrer, em conseqüência destes aborrecimentos. // Afirmam uns que Ana não era filha de José Teles, mas sim uma enjeitada, por ele criada e adotada, como filha. Esta, porém, usava o nome do mesmo, pois assinava-se Ana Maria Teles."

residência: Residiu na Fazenda Seio de Abraão, em Taquaruçu, MG, Brasil, e, depois na Fazenda da Serra, atualmente no município de Jaboticatubas, MG, Brasil.

filhos: (2 ou +): José Telles Bernardino e Anna Maria Telles [adotiva, exposta].

 

 

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