Simão da Cunha Pereira, Capitão de Dragões

 

pai: José da Cunha

mãi: Maria da Cunha

n.: Quinta da Cachada, freguesia de Infesta, conselho de Coura, província do Minho, Portugal, ±out/1700.

bat.: freguesia de Infesta, conselho de Coura, província do Minho, Portugal, 02/nov/1700.

f.: Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 19-20/fev/1774.

sep.: "foi depositado na Igreja dos Reverendoz Religiozos e encomendado pellos mesmos com assistencia da N. V.el Ordem 3ª e sepultado na Via Sacra Sepultura Nº 15", no dia 21/fev/1774, na Capela da Venerável Ordem Terceira de N. Sra. do Monte do Carmo, do Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

c.1n.: Lisboa, Portugal, ±1726

c.2n.: Arraial do Tejuco, MG, Brasil, ±1748.

c.1n.c.: Josefa Maria de Figueiró (n. Lisboa [?], Portugal, ±1710; f. Lisboa [?], Portugal, ±1728), filha de ? e de ?.

c.2n.c.: Ignácia Mendes Ramos (n. Arraial do Tejuco [?], MG, Brasil, ±1735-37; bat. Arraial do Tejuco [?], MG, Brasil, ±1735-37; f. Vila do Príncipe, MG, Brasil, 27/abr/1819, com ±84 anos de idade), filha de ? e de ?.

escolaridade/formação: Teria pelo menos as "Primeiras Letras", pela observação da correspondência que trocou com o Governador e Capitão General da Capitania das Minas Gerais, se não soubesse também "Contar" e "Latim", mas ignora-se qual escola militar cursou.

profissão/atividades: Ainda em Portugal, serviu como soldado infante na Província do Minho, por quatro anos, três meses e seis dias, continuados de 30/jan/1712 até 11/jun/1716. Chegou ao Brasil, vindo de Lisboa, Portugal, cerca de nov/1729, com o posto de Tenente de Dragões, na Companhia de Dragões de Minas Novas, de que era comandante o Capitão Belchior dos Reys e Mello, onde serviu desde 08/dez/1729. No ano de 1736, encontrava-se emprestado e cumprindo missões do Governo da Capitania de Minas Gerais, na Demarcação Diamantina, embora ainda pertencendo à Companhia de Minas Novas. No ano de 1737, ainda nesse posto, foi transferido e passou a comandar a Companhia do Arraial do Tejuco, MG, Brasil, desde o dia 03/fev/1737. Por Carta Patente do Rei Dom João V, datada de Lisboa, Portugal, em 28/mar/1743, foi promovido ao posto de Capitão de Dragões, da mesma Companhia. Sentou praça, como Capitão de Dragões, isso é, foi matriculado neste posto, no Livro de Assentamento de Oficiais e Praças da Companhia de Dragões, com soldo de 80$000 réis por mês, em Vila Rica, MG, Brasil, em 11/jul/1743. Entre seus feitos, consta um da entrega, em 14/jul/1745, de 15 diamantes, pesando 4 quilates, confiscados ao Guarda Mor Domingos Correa Gomes. Em 1746, solicitou ao Rei "lhe faça merce conceder-lhe licença por tempo de hú anno, pª acudir as dependencias da Sua caza, e outras mais, q' tem nesta Corte.", tendo-lhe sido concedida a licença de 1 ano, sem remuneração, para ir a Lisboa, Portugal. Ainda durante o ano de 1746, foi réu do crime de "ofensa e injúria à Justiça", acusado de mandar dar "palmatoadas" num Oficial de Justiça, que o teria citado indevidamente, num outro processo, de "cárcere privado", em que era ré Dona Branca de Almeida, mulher de Felisberto Caldeira Brant, Contratador dos Diamantes, tendo sido julgado e absolvido integralmente, por falta de provas, e agravou contra o Ouvidor Geral do Serro Frio, o qual foi substituido. No ano de 1749, solicitou o pagamento da diferença de soldo no posto de Capitão de Dragões, desde o dia em que foi promovido, 28/mar/1843, até 10/jul/1743, por lhe terem dado praça em 11/jul/1743, no que parece ter sido atendido, por ordem do Conselho Ultramarino, no ano de 1753. Por mandado de 03/jun/1753, foi ordenado o pagamento de sua menestra desde 01/out/1752 até 07/set/1753, data "em que marchou para o Rio de Janeiro" a quantia de 10$260 réis, último pagamento que recebeu, antes de sua prisão, no Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Em 1753, foi formalmente acusado, pelo Ouvidor Geral do Serro Frio, MG, Brasil, José Pinto de Morais Bacellar, de ter aberto um saco e uma caixa com diamantes, que aparentemente eram de contrabando, apesar de ter sido usado o nome do Intendente dos Diamantes, como remetente, sendo julgado e sentenciado pelo Tribunal da Relação, do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, ficando preso na Ilha das Cobras pelo menos até o ano de 1757, quando num pedido de piedade e clemência, feito ao Rei de Portugal, expunha a gravidade de sua situação pessoal, "o q' tem padecido o suppte com detrimto da sua caza, fazenda, honra, e vida, ...", foi sentenciado a "perdimento do posto e 10 anos de degredo em Angola", mas poderá ter sido ou anistiado, ou indultado, ou tido comutada sua pena, quando poderá ter sido libertado. Seus últimos requerimentos, em 1773 e 1774, antes do falecimento, cujos conteúdos se ignora, não parecem ter tido eco entre as autoridades, pois ou não tiveram despacho ou tiveram despacho negativo.

serviço militar: Era um militar profissional.

honrarias/mercês: Recebeu, do Rei Dom João V, diversas mercês, entre 1741 e 1746. Em 06/mar/1741, recebeu uma Carta Régia de Padrão de Tença e, em 29/abr/1741, outra, da Ordem de Christo. Em 05/mar/1746, foi nomeado por Alvará Régio, do Rei Dom João V, como Escudeiro e, logo, Cavaleiro da Casa Real.

religião/confrarias: Era católico apostólico romano. Professou, como irmão da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, do Rio de Janeiro, RJ, nas Minas Gerais, Brasil, em março de 1748, de que apresentou certidão em 18/dez/1757, pagou sua dívida para com a Ordem, até 15/out/1758, no valor de 10$160 réis, no dia 22/fev/1758, restando o saldo, desta data até seu falecimento, 15$360 réis, e tudo indica que, no ano de 1758, estava libertado e morava "ao pé da Sé nova" (atual Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, sita à Rua Uruguaiana, em frente à Rua do Rosário, no Centro).

escravos: Quando ainda se encontrava em Minas Novas, em 1735, pagou o imposto sobre um (1) único escravo. Mas logo no ano de 1736, segundo suas próprias palavras, tinha quatro (4) escravos, número esse que parece ter mantido nos anos seguintes, pelo menos até o ano de 1741, embora tenha recebido o reembolso da capitação de um (1) único escravo no ano de 1743, e de apenas dois (2) deles em cada um dos anos seguintes, de 1744 e 1745. Mas, deve-se considerar que alguns dos seus escravos ou ex-escravos tiveram descendentes, e podem ter sido alforriados. Entre aqueles escravos que foram identificados nominalmente estão: Luiz da Cunha Pereira, Clemência da Cunha Pereira, Joaquim da Cunha Pereira (filho de Clemência), e João da Cunha Pereira. Note-se que seus escravos puderam assumir o sobrenome da família Cunha Pereira. Em particular, Luiz da Cunha Pereira parece ter sido o mais favorecido, pois foi feito Mestre Ferrador e Alveitar do Destacamento de Dragões do Arraial do Tejuco, com autonomia inclusive para assinar termos com valor jurídico, no ano de 1744, e exerceu essa atividade até estimadamente o ano de 1753.

diversos: Encontram-se referências ao Tenente e depois Capitão de Dragões Simão da Cunha Pereira, assim como ao irmão dele, Padre Frei Dom Braz da Cunha Pereira, na correspondência de Gomes Freire de Andrada, publicada na Revista do Arquivo Público Mineiro, em diversos números, com os títulos: "Motins do Sertão", ano 1896, vol. I, 2ª parte, fls. 649-672; "Correspondência de Gomes Freyre de Andrade", ano 1911, vol. XVI, fls. 239-460; e "Demarcação do Sul do Brasil", ano 1928, vol. XXII, fls. 201-324. Muitas referências ao nome dele também podem ser encontradas no livro de VASCONCELLOS, Diogo, História Média das Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Itatiaia, 1974, 267 pp.

residência: Embora tenha afirmado em uma carta ao Governador e Capitão General da Capitania das Minas Gerais, datada de "S. Romáo 31 de 8.brº de 1736", "eu nao tenho mais Caza q' o meu cavallo e quatro negros q' me acompanháo", residiu em Salvador, BA, Brasil, em Minas Novas, MG, Brasil, na freguesia de Santo Antônio do Arraial do Tejuco, MG, Brasil, e no Rio de Janeiro, RJ, Brasil, na freguesia da Sé Catedral (na Capela de N. Sra. do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos do Rio de Janeiro).

filhos: Com Josefa Maria de Figueiró, em Lisboa, Portugal (1 ou +): Dionísio Caetano da Cunha Pereira. Filhos com Ignácia Mendes Ramos (2 ou +): Anna Fortunata da Cunha Pereira e Marianna Luciana da Cunha Pereira.

 

Uniformes das Companhias de Dragões das Minas Gerais, 1730 - Gravura de José Washt Rodrigues, para o livro Uniformes do Exército Brasileiro, de Gustavo Barroso, Obra Commemorativa do Centenário da Independência do Brasil, Edição Especial do Ministério da Guerra, Rio de Janeiro e Paris, 1922, estampa I. Por gentileza de Franz Holstein Ligório da Fonseca, Sargento do Exército Brasileiro, Pesquisador de História Militar. Pela tradição militar portuguesa, o nome "Dragões" nomeava sempre uma tropa de Infantaria montada, isso é, transportada a cavalo. As duas primeiras Companhias de Dragões foram formadas em 1719. Em 1735 criou-se uma terceira, que foi extinta pouco depois, em 1739, transferida para a fronteira Sul do Brasil, para formar o Regimento de Dragões da Colônia do Sacramento (hoje, cidade de Sacramento, no Uruguai), depois transferido para o Rio Grande de São Pedro. A Capitania de Minas Gerais só incorporou novamente uma 3ª Companhia, que se encontrava em Minas Novas, depois de 1757, quando esta foi desligada do Governo da Bahia. O Tenente de Dragões Simão da Cunha Pereira pertenceu inicialmente à Companhia das Minas Novas, desde o ano de 1729, quando chegou ao Brasil, foi emprestado ao Governo de Minas Gerais, por volta de 1735, e definitivamente transferido para uma das Companhias das Minas Gerais, no ano de 1737, sendo mais provável que tenha assentado praça então na 1ª Companhia de Dragões.

 

Centro Histórico do Rio de Janeiro, em 1776, vendo-se indicada pela letra "E" a Catedral Nova (abandonada, nunca foi acabada, em 1808 estava em ruinas, hoje, é o prédio da FAFICH/UFRJ, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Largo de São Francisco, no Centro) - Detalhe do Mapa: "Plano da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e Porto do Rio de Janeiro, situados a 23º de latitude sul e 334º 26' de longitude meridiano de Tenerife, segundo D. Esteban Alvarez Fierro e extraído por D. Manuel del Canto". Gravado por Joseph Rico. Com carta de Manuel Del Canto, de Cádiz, em 17 de Junho de 1777, MP, Buenos Aires - 27,5 x 45 cm - apud: As Relações Luso-Espanholas no Brasil Durante os Séculos XVI ao XVIII, Espanha, Ministerio de Educación, Cultura Y Deporte, Secretaria de Estado de Cultura, 87 pp., à p. 47. - As legendas indicam, por letras maiúsculas: entre os "A" se situa a cidade; em "B", à direita, o Palácio do Arcebispo e o Forte da Conceição, no Morro desse nome; em "C", na parte inferior, Praça, Palácio do Vice-Rei, Casa da Moeda e Audiências (hoje, Praça XV de Novembro e Museu do Paço Imperial); "D" indica o Mosteiro de São Bento, no Morro desse nome; "E", a Catedral Nova (hoje, é o prédio da FAFICH/UFRJ, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Largo de São Francisco, no Centro); "F", o Morro de Santo Antônio; "G", o Morro de Santa Tereza; "H", as baterias de N. Sra. da Conceição; "I", o Morro da Misericórdia e Castelo de São Sebastião (Morro do Castelo, demolido); "N", à esquerda, indica o aqueduto que trazia água de Santa Tereza até Santo Antônio e, daí até a Praínha (hoje, Praça Mauá), corria uma "vala" pela rua depois batizada de Rua da Vala (hoje, Rua Uruguaiana); e "O" designa o Campo de São Domingos, onde havia um charco e uma lagoa, (do qual havia sobrado o antigo Largo de São Domingos, que desapareceu com a abertura da Avenida Presidente Vargas, restando a atual região comercial do "Sahara", limitada pelo antigo Largo da Lampadosa, hoje Praça Tiradentes, interligados pela Rua da Lampadosa, hoje Avenida Passos). Os retângulos representam quadras ou quarteirões construídos, ocupados por prédios. Paralelamente e a pequena distância além da "vala", corria o "muro", que foi construído para evitar invasões, depois dos saques franceses, de 1710 e 1711, posteriormente demolido. O Capitão de Dragões Simão da Cunha Pereira poderia estar morando, desde cerca de 1758, além da "vala" (e do "muro"), no Campo de São Domigos, ou, mais provavelmente, antes desta, por exemplo, na Rua dos Latoeiros (atual Rua Gonçalves Dias).

 
Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, ao lado da Igreja do Carmo (ex-Sé) e após esta, na antiga Rua Direita, atual Rua 1° de Março, local em que, acompanhado pela Ordem, foi encomentado e sepultado na sepultura n° 15 da Via Sacra, o Capitão de Dragões Simão da Cunha Pereira, no dia 21/fev/1774, em imagem do lado esquerdo de uma estereoscopia de Rodrigues & Co., Rua do Ouvidor, 57, Rio de Janeiro, RJ, Brasil - Arquivo: Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, estereoscopia, foto n° 02/FOT-444.14 - copyright: © 1999, 2005, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil - Só é permitida a reprodução com a autorização do dono da imagem.
 

 

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