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Chuck Berry
Chuck Berry permanece, ao lado de Elvis Presley, dos Beatles e de Bob Dylan, como uma das figuras decisivas da história do rock. Sua carreira estabelece uma ponte entre o rock'n'roll dos anos cinqüenta com o atual rock branco, ligando os blues ao pop e levando a música negra às platéias brancas. Além da influência renovadora de seu estilo, suas letras definem o espírito do rock'n'roll de forma mais brilhante e definitiva do que qualquer outro intérprete. '
A Estrada do Rock
A data de nascimento de Chuck Berry nunca foi determinada com precisão. Sabe-se apenas que foi num dia 18 de outubro. O ano não foi registrado. O lugar foi Saint Louis, Missouri. Sua formação é a mesma de tantos outros artistas negros que pegaram a estrada do rock. Começou tocando num coro de igreja, aos seis anos - a "idade mística", segundo Berry.
Ainda na escola secundária, começou a aprender guitarra e, no início dos anos 5O, formou um grupo cuja primeira apresentação "profissional" aconteceu na sociedade coral do colégio. Tocaram Confessin' the Blues, arrancando ruidosos aplausos dos espectadores.
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Chuck Berry em uma de suas apresentações |
O passo seguinte também foi típico da evolução dos músicos negros: Chicago. Nos anos 40 e 50, muitos dos grandes bluesmen do sul incorporaram-se à corrente migratória negra rumo às grandes cidades industriais do norte dos Estados Unidos, principalmente Chicago. Para lá foram Muddy Waters, Elmore James, Howlin' Wolf e outros que transformaram os estilos rurais de blues naquele som amplificado e rouco, de ritmo bem marcado chamado rhythm and blues.
União de Tradições
Chuck Berry tocou com Muddy Waters e sua banda, num dos bares da cidade, em 1955. O veterano gostou da maneira de tocar do principiante e recomendou que ele procurasse Leonard Chess, o cérebro da Chess Records, onde gravavam todos os astros do blues local. Ao ouvir as fitas levadas por Berry (que incluiam Maybellene e Wee Wee Hours), conratou-o imediatamente. Duas semanas mais tarde, Berry fez sua primeira gravação na Chess e seu primeiro disco, Maybellene, atingiu o quinto lugar nas paradas, vendendo um milhão de cópias.
Apesar de suas raizes, Maybellene não, um blues, mas um exemplo notável de como as tradições musicais de negros e brancos se uniram para criar o rock'n'roll. Foi composta por um negro, no estilo branco do country and western - daí o nome do título, tipicamente caipira. Sobre as origens da canção, Berry explicou: "... a única Maybeilene que conheci era uma vaca". Sua maneira de interpretá-la era uma versão mais rude do estilo rockabilly, adotado então pelos artistas brancos contratados pela Sun Records.
Olho no Faturamento
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Os discos que vieram depois (Thirty Days e No Money Down) estavam mais próximos do espírito do blues, e falavam mais de perto ao coração de Berry, mas não marcaram pontos nas paradas de sucessos. A verdade é que as interpretações clássicas de Berry ficariam desconhecidas, sem atingir a área de agrado dos brancos. O próprio Chuck Berry teria dito,
muitas vezes, e "o dinheiro determina que tipo de música deve ser composto". A Presença de Alan Freed, o disc jockey responsável pela divulgação da música negra entre os jovens brancos, na gravação de Maybellene, confirma que Chuck Berry estava de olho no faturamento.
De 1956 a 1959, Berry desenvolveu uma forma de conciliar sua criatividade com as exigências do mercado. Roll Over Beethoven alcançou relativo sucesso e estabeleceu o padrão que, a partir de 1956, marcaria as apresentações de CB. Era um ritmo balançado, baseado na mudança rápida de acordes, com os sons lamentosos e metálicos da guitarra principal combinados com solos em alta velocidade, ritmos em stacatto e vocais enunciados de maneira clara e macia.
A claridade sinuosa e sutil da voz de Berry era um fator importante de sucesso. Significa que suas palavras eram audíveis na maioria das vezes, o que o aproximava mais dos ouvintes brancos - cuja maior reclamação contra os cantores negros era da forma ininteligível com que dizem as letras.
Filosofia Rebelde
Em 1957, Berry figurou na relação das Dez Mais Vendidas, com School Day e, meses depois, Rock and Roll Music. O ano seguinte foi demais: estouraram Sweet Little Sixteen, Johnny B. Goode e Carol. Todas essas músicas seriam lembradas depois, nos anos 60, como grandes influências sobre toda a música pop posterior, ao lado de Beautiful Delilah, Sweet Littíe Rock and Roller, Jo Jo Gunne, Almost Grown, Little Queenie, Back in USA, Too Pooped to Pop, Let it Rock, Bye Bye Johnny, Jaguar and the Thunderbird, Talkin' Bout You e Come On. Não há dúvida que Berry é um compositor prolífico e muitas de suas melhores criações não foram gravadas como lado A, canções como Brown Eyed Man, Rookin' and Rockin' e Memphis, Tennessee.
Ao escrever suas canções, Berry procurava atingir o novo público formado por adolescentes brancos. Sua proposta era de um estilo de vida desenvolvido em torno da música. Ele criou uma série de "hinos" que celebravam a velocidade, o sexo e a dança: a vida é diversão é a exaltação dos sentidos. As canções sobre carros eram as mais comuns, pois o carro era um território individual, capaz de proporcionar momentos de sexo, de ouvir rock e permitia ir a qualquer lugar. Tratava-se de uma visão essencialmente anti-puritana, anti-romântica e totalmente baseada na vida urbana. Era também uma filosofia rebelde, pois as canções localizavam muito bem o inimigo:
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trabalho, escola, leis, os pais e as pessoas mais velhas. School Days é a essência dessa maneira de pensar: Soon as three o'clock rolls around / you finally lay your burden down / Close your books, get out your seat / Down the hall and into the street / Up the corner and round the bend / Right to the juke joint you go ín / Drop the coin right into the slot / You gotta hear something thats really hot Wíth the one you love youre making romance / All day long you've been wanting to dance / Feeling the music from head to toe / Round and Round you go... / Hail, hail rocknroll Deliver me from the days of old!
Em 1960, o rock'n'roll começou a declinar. Elvis estava no exército, Little Richard voltara à igreja, Buddy Holly e Eddie Cochran estavam mortos e Jerry Lee Lewis voltara às baladas caipiras, depois que sua reputação ficara estremecida com o caso de sua "noiva menor de idade". Chuck Berry sofreu um destino semelhante, pressionado pelo puritanismo intolerante dos sulistas. Acusado, em 1959, de "transportar uma menor para fins imorais", foi julgado e condenado.
Sumindo do Mapa
A versão mais comum da história é que a garota, uma índia do Texas, foi trabalhar com Berry como auxiliar de guarda-roupa e vendedora do níght club do artista em Saint Louis. Quando foi despedida, ela se dirigiu à polícia e contou que tinha só 14 anos.
Durante o período do processo, Berry diminuiu o volume de gravações. De acordo com os registros do tribunal, o caso acabou com a condenação do cantor a dois anos de prisão, iniciados em fevereiro de 1962. Berry nega tudo, afirmando que foi absolvido. De qualquer maneira, o fato é que, enquanto a água-com-açúcar dominava o rock, no início dos anos 60, Chuck Berry sumiu do mapa.
Herói do Rock
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Quando voltou, a situação era outra. O rock inglês estava em plena força - e Berry era o seu herói. Sua influência era clara porque a maioria dos grupos ingleses surgidos por volta de 1963, eram bandas de rhythm’ n'blues. Os Beatles usavam Too Much Monkey Business em suas apresentações, gravaram Roll Over Beethoven no segundo LP e Rock and Roll Music no terceiro. Os Rolling Stones fizeram mais: começaram a carreira gravando Come On e incluiram Carol e o arranjo de Berry para Rota 66, no seu álbum de estréia. Depois, gravaram Round and Round e outros números de Berry, inclusive Johnny 8. Goode e Little Queenie, pontos altos de suas apresentações ao vivo.
Qualquer tentativa de explicar a penetração da música de Berry deve ir além dos motivos puramente musicais e poéticos. Sua grande força está no apelo a diferentes platéias. Grupos como os Beatles e os Stones o consideravam um dos grandes rockers do passado e seduziam as multidões tocando seus sucessos. Ao mesmo tempo, os amantes das raízes o encaravam como um grande bluesman, seguidor da pura tradição negra.
Aproveitando o interesse que despertava, Berry reapareceu com uma série de músicas que logo viraram sucesso, a primeira, Nadine, em 1964. No fundo, eram reedicões dos antigos êxitos. A letra de Nadine era uma continuação colorida de Maybellene, enquanto a música era mais lenta e mais funky. Particular Place to Go não passava de School Day, com palavras novas e Little Marie continuava onde Memphis acabava. Agora, as letras eram mais suaves e a ênfase era no seu calor e humor incomum. You Never Can Tell é o melhor exemplo dessa fase: They had a hí-fi phono, boy, díd they let it blast / Seven hundred líttle records,, all rockin', rhythm and jazz / But when the sun went down, the rapid tempo of the music falll C'est la vie, say the old folks / lt goes to show you, you never can tell.
Berry também influenciou muitos grupos da era posterior aos Beatles e não foram poucas as bandas que o homenagearam. Os efeitos maiores foram nos Estados Unidos: os Beach Boys basearam sua carreira no material criado por Berry, adaptando a letra de Sweet Líttle Sixteen para fazer Surfin' USA, copiando seus truques de guitarra e transpondo toda a mitologia carro/garotas/rock para a afluente Califórnia.
Mais importante, talvez, é a dívida de Bob Dylan. Ele incluía canções de Berry em suas apresentações ainda na escola e, quando resolveu gravar um disco de rock, o resultado foi Subterranean Blues, um desenvolvimento de Too Much Monkey Bussiness, tanto na letra quanto na música - o que leva a uma interessante comparação: a queixa de Berry, Working at thé fillíng station, transformou-se em twenty years of schooling and they put you on the day shíft. Até o padrão métrico é quase o mesmo: Berry cantava blond haired good looking, trying to get me hooked e a letra dos 60 ecoa get sick, get weil, hang around the ink well.
Depois de 1966, a carreira de Chuck Berry diminuiu de ímpeto, apesar do contrato de 150 mil dólares com a Mercury. Em 1969, de volta à Chess Records, ele gravou dois novos LPs: Back Home e San Francísco Dues, que alcançaram grande sucesso, recomendando sua permanência na casa. Nesses discos, a raiz do blues aparece firme, em música da melhor qualidade.
Mito e Nostalgia
Apesar dessa qualidade, entretanto, Berry já era considerado por muitos como uma figura do passado, sem novas conseqüências para o desenvolvimento do rock. Mas, no começo de 1972, ele fez uma visita à Inglaterra. Naquele momento, surgia uma forte tendência para uma revalorização das raizes negras do rock, uma espécie de tomada de consciência das tradições do gênero. Talvez se tratasse de simples nostalgia mas, de qualquer maneira, Berry foi recebido com grande entusiasmo pela platéia. O mito parecia finalmente renascer.
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Desde os primeiros compassos de Sweet Líttle Sixteen, seu número de abertura, a platéia cantou junto com Berry, ao ponto de abafar completamente a sua voz. Berry estava espantado - e deliciado também. Cantou outros sucessos e o barulho que o público fazia era tão grande que muitas fitas com a gravação do concerto não puderam ser aproveitadas em disco. Berry, que tem o hábito de sempre pedir o seu cachê adiantado e de tocar apenas quarenta e cinco minutos, ultrapassou em muito esse tempo, com tal animação que transformou o acontecimento num dos concertos mais memoráveis de toda a história do rock.
Alegria e Malícia
Alguns números puderam ser usados em disco, principalmente My Ding-a-Líng, sua primeira música em muitos anos a atingir novamente o primeiro lugar nas paradas de sucesso. O próprio Berry já havia gravado uma versão um pouco diferente da mesma canção, com o título My Tambourine - e o número era apresentado de várias maneiras, por artistas negros, desde os anos cinqüenta. Mas a nova versão de Berry tinha uma malícia e uma alegria simplesmente insuperáveis. A música alcançou o primeiro lugar tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra e Berry aproveitou para lançar uma nova versão, também mais alegre e maliciosa, de Reelin’And’Rockín, que também vendeu muito bem. E, mais importante do que isso, todo mundo voltou a gravar músicas de Chuck Berry. A nova versão de Roll Over Beethoven gravada pela Eletric Light Orchestra, chegou em seguida às paradas de sucesso, dezessete anos depois que a canção foi escrita.
Esses desenvolvimentos, junto com o relançamento de suas antigas gravações para a Chess, além de sua apresentação no Festival de Rock And Roll de Londres, fizeram de 1972 o ano mais importante da carreira de Chuck Berry. Ele tinha voltado e estava de novo no primeiro time. Berry e o rock parecem ligados para sempre, conforme ele próprio afirma na letra de uma de suas músicas: I may go down sometimes but I always come back rocking. Ele pode sumir e ficar por baixo, mas enquanto existir rock'n'roll, estará cantando e tocando a sua guitarra.
Uma das marcantes características de CB é que ele viaja sozinho com sua guitarra e deixa aos produtores locais a responsabilidade de arranjar um grupo de músicos para o acompanhar no palco e Berry raramente ensaia com o grupo antes do show, por conta disto as apresentações variam de grandes e interessantes apresentações e também outras bem fracas devido aos músicos locais serem de baixa qualidade.
O ídolo de Lennon
Logo depois do sucesso em Londres, Berry voltou para os Estados Unidos - e as coisas estavam mais uma vez um pouco diferentes. Desta vez, porém, a seu favor. Seus concertos entraram em moda, atraindo cada vez mais as novas gerações, que constituíam o público do rock dos sessenta. Finalmente, veio a consagração. O próprio John Lennon foi assistir uma apresentação sua em Nova York e, no final, foi abraçá-lo, chamando-o de "meu ídolo". Todos os jornais publicaram e, agora, todos os fãs dos Beatles queriam conhecer quem era o ídolo de John Lennon.
A sobrevivência artística de Berry, depois de tantos anos, é um fenômeno. Ele voltou a fazer sucesso com sua música simples, numa época em que o rock já tinha atingido a sofisticação de se envolver com sons espaciais, experiências psíquicas e pesquisas de todo o tipo. Em face de tanta complexidade, ele por certo representa um retorno à espontaneidade instintiva que é o verdadeiro espírito do rock’n’roll.
Em junho de 2008, eu tive a honra de assisitir ao vivo a um show de Chuck Berry, na casa de shows Vivo-Rio, no Rio de janeiro, foram apenas 50 minutos de show, achei pouco, mas desconto pela idade do Chuck, 81 anos, no final ele pediu a sixteen girls que subissem ao palco e o que se viu foi uma enxurrada de boys and girls no palco, acho que ele não gostou da falta de educação e terminou o show mais cedo.
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Chuck Berry no Vivo Rio 2008 |
Ele iniciou o show cantando em espanhol, mas disse que só fez dois anos de espanhol no colégio e não mandava muito bem, a seguir cantou pérolas como Seet Little Sixteen", "Nadine" e outras memoráveis, para a idade até que ele mandou bem, fez até o famoso “passo do pato”, com sua inseparável semi-acústica, durante a canção “Johnny B. Good”.
Tentou cantar "Yesterday", mas parou no meio, dizendo ser uma grande canção mas não era para a voz dele naquele momento.
Qdo iniciou o show, se viu uma multidão de celulares e camerinhas na frente do palco e é claro, eu com minha 75/300 armada na câmera também no bolo, os seguranças após um minuto tiraram todos, menos eu e outros dois fotógrafos com câmeras profissionais.
Para min foi uma experiência sem igual, conheço o Chuck há mais de 30 anos e pude ver ao vivo o que sempre vi em videos e na TV.
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Chuck Berry no Vivo Rio 2008 |
A luz não era boa, mas fiz algumas fotinhas, descontem por favor a qualidade da lente, a luz fraca e a emoção que me fez tremer um pouco.
Fonte: Revista Rock Espetacular – Rio Gráfica Editora 1976/77
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