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O primeiro grande astro do rock and roll, o homem que criou a música na qual milhões de adolescentes do mundo todo ficaram ligados, tinha quase 30 anos, quando atingiu a fama. Era casado e tinha cinco filhos. Por ironia, esta música inspirou a rebelião de uma geração contra os mais velhos. A canção que começou tudo era, originalmente, um fox-trot tradicional, escrito por dois membros de Tin Pan Alley, reduto do show business e da música comercial - um dos quais tinha 63 anos de idade Desse improvável começo, nasceu o rocknroll, e é certo que os três principais personagens dessa história não tinham idéia do monstro que estavam criando,
O primeiro astro do rock’n’roll foi Bill Haley e a canção que o tornou famoso, Rock Around The Clock. Como é que um cara como ele e uma canção dessas conseguiram conquistar o coração inquieto dos garotos?
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Bill Haley e seus Cometas em apresentação |
Bill Halley nasceu num subúrbio de Detroit, em 1927. Desde cedo destinava-se à carreira musical mas, à medida que passavam os anos, ficava evidente que Bill jamais seria um astro. Bastaria uma olhadela para sacar que aquele sujeito atarracado, gordinho e com cara de lua não tinha nada de star. Aos treze anos ele tocava guitarra no estilo country & western em shows ambulantes e em rádios do interior, intitulando-se The Rambling Yodeller. Nas pequenas cidades dos Estados Unidos, artistas desse tipo fazem parte da paisagem, tanto quanto os cartazes de Coca Cola e as casas na beira da estrada. O rádio ofereceu-lhe um emprego estável e Bill tornou-se Diretor de Programação de uma emissora independente da Pensilvania. Ao mesmo tempo, organizava bandas hillbílly (caipiras) com nomes originais como The Four Aces of Western Swing e The Saddlemen. O lugar mais confortável onde tocavam eram os palcos de colégios.
Mas Haley tinha, como Alan Freed, um bom ouvido. Sempre ligado no que acontecia à sua volta, observava o interesse crescente dos adolescentes brancos pelos programas de estações dos negros e suas escapadas noturnas para os guetos, para aprender a dançar e falar de uma forma desconhecida em seus lares. Ele analisava o ritmo, a melodia, o apelo. Começou, então, a experimentar, juntando aqueles ritmos ao seu repertório básico de country. "O que tocávamos" - ele disse - "era uma mistura de country, dixieland e rhythm and blues."
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Cartaz do filme Rock Around the Clock |
Mistura de Sons
Haley explicou que seu novo estilo consistia, fundamentalmente, na utilização de instrumentos de corda para obter o mesmo efeito de metais e palhetas. O resultado foi a excitação que levou multidões de adolescentes a rasgar poltronas, dançar nos cinemas e provocar pancadaria nas ruas. Essa qualidade de sua música não foi notada por Haley que, apesar disso, tentou defini-la. "Por volta dos anos 50" - ele contou -, "o mundo musical começara a procurar algo novo. Os dias dos vocalistas e das grandes orquestras já eram coisa do passado. A única coisa que fazia algum barulho no ar era o progressive jazz, mas era algo muito acima da compreensão do ouvinte médio. Senti que, se pudesse criar um ritmo que fizesse as pessoas dançar e bater palmas, o resto seria muito mais fácil..."
O que Haley fez foi pegar duas formas conhecidas - country e R & B e fazer uma síntese que surgiu como um novo ritmo. As coisas não foram tão fáceis quanto ele queria. Inicialmente, houve dificuldade: nem todo mundo se deixara influenciar pela nova idéia de Haley. Mas as dúvidas desapareceram quando Crazy, Man, Crazy passou a ser a primeira canção de rock’n’roll a figurar na lista nacional dos discos mais vendidos de 1953. Começava a brilhar um pequeno farol, iluminando o caminho a seguir. Em 1954, apareceu o primeiro grande sucesso: Shake, Rattle and Roll permaneceu 14 semanas entre as Dez Mais. No mesmo ano, Haley lancou Rock Around The Clok. Mas isso ainda não era tudo: o rock’n’roll ainda estava em gestação.
O parto ocorreu provavelmente com o lançamento do filme Blackboard Jungle (Sementes da Violência), que usava Rock Around The Clock como tema musical. Depois disto, Bil Haley estava feito. Com espantosa rapidez, foi transformado em astro, fazendo filmes, moldando sucessos e sendo adorado por milhões de adolescentes.
A ascenção de Haley, a partir de 1955, foi meteórica. Ele criou o rock’n’roll, Alan Freed deu o nome à criatura e, em seguida, ele mesmo a levou à América inteira, por todos os meios: rádio, disco, TV e cinema.
Depois, foi conquistando o mundo.
Desde então a juventude americana encontrou a sua música mais tarde também adotada na Europa e outros lugares.
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Bill Haley e seus Cometas |
Com mais alguns sucessos, Haley foi atirado à crista de uma onda enorme e acabou ficando totalmente desorientado com o próprio sucesso. Enquanto a garotada aprontava a maior confusão, destruindo cinemas e tumultuando as ruas, Haley conseguia apenas esboçar um sorriso muito sem graça e dizer: "Eu sou apenas um rapaz de roça". Na verdade, era um Frankstein inconsciente, criador de um monstro de proporções terríveis.
O Pai do Rock
isso não podia continuar é óbvio.
Depois do filme, Haley foi à Inglaterra. O grande aparato publicitário transformou sua chegada a Southampton e a viagem até Londres em pura histeria. Aparentemente, a excursão foi um sucesso mas, como disse um comentarista: "Haley matou a própria imagem, ao atravessar o Atlântico. No filme, ainda é possível ignorar mas, em carne e osso, tornou-se dolorosamente óbvio que esse gordo suarento é um velho. Um deles querendo passar por um de nós."
Tão rápido quanto começou, Haley acabou. Seu nome ficou em discos, livros, fazendo dele uma figura de arquivo. Mas seu papel na história do rock é muito importante. Foi o responsável pelo impulso inicial e pelo reconhecimento público para a nova música que surgia. Todos os que se seguiram devem ser gratos a ele, por seu "bom ouvido", sua sensibilidade. Talvez Haley seja mesmo o Pai do Rock'n'roll. Seu único problema foi que exerceu a função paterna com excesso de zelo.
Mesmo assim Haley continuou durante mais de 20 anos excursionando por todo o mundo com o mesmo visual e as mesmas músicas.
Em 1981, depois de um ataque cardíaco Haley morre aos 55 anos. Mas sua banda, The Comets, continua se apresentando até os dias atuais.
Fonte: Revista Rock Espetacular – Rio Gráfica Editora 1976/77
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