AMIGOS DO HARI
PODE SER COMUNICA��O TELEP�TICA. MAS NEM SEMPRE.

Enquanto Muldoon passava por suas estranhas aventuras nos Estados Unidos, um ingl�s descobria que possu�a poder semelhante. Oliver Fox (um pseud�nimo) descobriu que tinha um "duplo" que podia abandonar seu corpo. Contou suas experi�ncias em v�rios artigos, depois transformou-os no livro "Proje��o Astral". Descobriu que, muitas vezes, quando estava sonhando, compreendia que estava sonhando e, controlando seus sonhos, podia for�ar o estado fora do corpo. (M�todo semelhante foi descoberto por uni experimentador holand�s, Frederick van Eeden.)

Certa vez Fox acordou em estado de semitranse. Compreendendo que estava passando por uma experi�ncia fora do corpo, apenas desejou sair da cama. "Simultaneamente me sentia deitado na cama e de p� a meu lado. Andei devagar pelo quarto, at� a porta; a sensa��o de dualidade diminu�a � medida que me afastava do corpo; mas, quando ia sair do quarto, meu corpo foi puxado para tr�s

Como Muldoon, Fox tinha uma infinidade de dados sobre a experi�ncia.

Gabando-se de seu poder diante de uma amiga, ela disse que ia projetar-se no quarto dele naquela noite para mostrar que tamb�m tinha o mesmo poder. Quando estava na cama nessa noite, Fox percebeu o vulto de Elsie no quarto. No dia seguinte Elsie descreveu com exatid�o o quarto de Fox, onde nunca tinha estado.

Seria poss�vel que, estando invis�vel no estado fora do corpo, ocasionalmente uma pessoa podia ser vista por outra? Uma s�rie de casos indica essa possibilidade.

V�rias dessas experi�ncias foram realizadas por S. H. Beard, amigo de Edmund Gurney, um pioneiro na pesquisa ps�quica em Londres. Gurney ficou t�o impressionado com essas experi�ncias que as publicou, em co-autoria com Beard, em dois volumes cl�ssicos: "Fantasmas dos Vivos". A primeira experi�ncia foi em novembro de 1881. Beard desejou projetar-se para sua noiva e a menina irm� dela. Na noite do experimento, a noiva acordou e viu o vulto de Beard de p� � sua frente. Ficou t�o assustada que deu um grito. A irm� acordou e tamb�m viu o vulto. Depois disso Beard mandava cart�es-postais para Gurney comunicando que planejava alguma experi�ncia e muitas vezes a noiva de Beard lhe mandava cartas datadas comprovando ter visto sua apari��o. Uma vez a apari��o chegou a acariciar seus cabelos.

TODOS CONCORDAM: O CORPO ASTRAL SAI PELA CABE�A

Poderiam esses casos ser, na realidade, ao inv�s de experi�ncias fora do corpo, alucina��es telepaticamente motivadas pelo pensamento intenso do experimentador? Essa teoria foi aceita por muitos parapsic�logos. Mas explicar� todos os casos desse tipo? Provavelmente n�o, como no caso a seguir, que se tornou um dos mais c�lebres de "apari��o de vivos".

Uma noite a sra. Wilmot dormia muito inquieta porque o marido estava num vapor que atravessava o Atl�ntico com tempo tempestuoso. Dormindo segura em sua casa em Connecticut, ela se viu deixando o corpo, viajando pelo mar e descendo num navio. Encontrou o caminho para a cabine do marido e, vendo-o, tentou se aproximar. Viu outro homem num beliche por cima do dele. Ela hesitou, mas continuou a andar, beijou o marido e partiu.

No dia seguinte Wilmot contou que tivera uma vis�o de sua mulher, que viera a ele e o beijara. O que h� de novo neste caso � que o companheiro de cabine de Wilmot tamb�m viu a apari��o e a tomou por uma pessoa real; gracejou com Wilmot dizendo que ele havia recebido durante a noite a visita de uma mulher. A sra. Wilmot anotou toda a experi�ncia, especialmente a posi��o do beliche do companheiro de seu marido. Quando as anota��es foram conferidas, tudo foi confirmado. A prova dos testemunhos foi t�o forte que Eleanor Sidgwick, outra pioneira na pesquisa ps�quica, incluiu-a no seu artigo "Sobre a Prova da Clarivid�ncia", publicado em "Proccedings", da Society for Psychical Research.

At� h� algum tempo, a maior parte dos dados sobre a experi�ncia fora do corpo resultava do relato de casos pessoais reunidos aqui e ali, com pouca an�lise cient�fica. S� em 1960 a experi�ncia fora do corpo come�ou a ser estudada cientificamente, e os dois cientistas interessados obtiveram importantes progressos para a compreens�o do fen�meno.

Um dos cientistas era o pesquisador ingl�s Robert Crookall, que fez brilhante carreira como cientista. Possuidor de dois doutorados, esteve primeiro na faculdade da Universidade de Aberdeen e mais tarde foi diretor de geologia no H. M. Geological Survey. Deixou esse lugar a fim de se dedicar exclusivamente ao estudo e � an�lise dos casos de experi�ncia fora do corpo.

O dr. Crookall ficou surpreso com as semelhan�as encontradas entre as experi�ncias e, como Carrington e Muldoon, come�ou a reunir o maior n�mero poss�vel de casos. Mas, ao contr�rio de seus predecessores, Crookall estava interessado na an�lise cr�tica, esperando que, atrav�s da investiga��o de grande n�mero de casos, chegasse a alguma defini��o sobre a experi�ncia fora do corpo. Reuniu perto de mil casos tirados da literatura sobre pesquisa ps�quica e de relatos obtidos em primeira m�o. Esses casos foram publicados em tr�s volumes:

"The Study and Practice of Astral Projection"," More Astral Projection", "Case Book of Astral Projection".

At� agora Crookall apresentou quatro tipos diferentes de an�lise de seus dados. Todos revelaram particularidades desconhecidas.

A primeira an�lise foi baseada no que � conhecido como "lei de comprova��o de Whateley", que diz, se um n�mero suficiente de testemunhas independentes comprova as caracter�sticas de uma observa��o � testemunhas que comprovadamente n�o poderiam estar em conluio �, ent�o h� muita probabilidade de que a observa��o seja genu�na.

Ao analisar perto de trezentos casos, Crookall encontrou total concord�ncia entre os casos. As mesmas particularidades foram encontradas em centenas de casos, contudo seis caracter�sticas principais sobressa�ram de sua an�lise: 1) o perceptivo sente que est� saindo do corpo f�sico pela cabe�a; 2) ocorre um escurecimento no momento da separa��o entre a consci�ncia e o corpo; 3) o corpo-apari��o flutua sobre o corpo f�sico; 4) o corpo-apari��o volta ao corpo f�sico antes do t�rmino da experi�ncia; 5) ocorre novo escurecimento no momento da reintegra��o; 6) a r�pida reentrada causa choque ao corpo f�sico.

Os casos estudados por Crookall tamb�m mostraram que muitas vezes a pessoa que passa pelo estado fora do corpo v� outras apari��es; possui percep��o extrasensorial; encontra-se num ambiente obscuro, nevoento ou num mundo "paradis�aco"; e, por fim, um fio de prata muitas vezes � visto durante a experi�ncia.

DIFEREN�AS ENTRE AS VIAGENS ESPONT�NEAS E AS INDUZIDAS

A segunda an�lise de Crookall � ainda mais interessante. Apesar de todas as experi�ncias fora do corpo seguirem um padr�o geral, parecia haver diferen�as qualitativas entre os casos. Para melhor avaliar este aspecto, o dr. Crookall dividiu os casos em dois grandes grupos. Um grupo era de proje��es ocorridas naturalmente, pouco antes de adormecer, ou causadas por doen�a ou exaust�o. O outro consistia de experi�ncias for�adas pelo uso de anest�sicos, choque, sufoca��o, hipnose ou proje��o volunt�ria.

Comparando os dois grupos de dados, descobriu que a experi�ncia fora do corpo natural era muito mais vivida e tinha caracter�sticas gerais diferentes das experi�ncias for�adas. Por exemplo, perto de l0% dos casos naturais mencionavam o abandono do corpo pela cabe�a, enquanto na proje��o for�ada nem metade dessa porcentagem referiu-se a essa ocorr�ncia.

A terceira an�lise de Crookall consistiu na compara��o dos relat�rios feitos por ps�quicos com os de pessoas comuns que passaram pela experi�ncia. Descobriu que de modo geral os ps�quicos contam experi�ncias muito parecidas com proje��es compelidas, ao passo que as pessoas n�o ps�quicas tiveram experi�ncias que eram como proje��es naturais.

Na quarta an�lise Crookall revela que muitas experi�ncias fora do corpo ocorrem em dois est�gios. Ao analisar relatos de primeira m�o, Crookall verificou que grande n�mero de pessoas fala num est�gio inicial de confus�o durante o princ�pio da experi�ncia; a consci�ncia se torna mais clara; e no t�rmino da experi�ncia volta certa imprecis�o. Outro grande grupo de casos parece revelar a libera��o numa s� etapa.

A meticulosa pesquisa de Crookall provavelmente fez mais do que qualquer outra para ajudar a parapsicologia a compreender a experi�ncia fora do corpo. Baseado nessas pesquisas, Crookall criou teorias esmeradas e cuidadosamente elaboradas sobre essa experi�ncia, e sua opini�o b�sica � que esse experimento mostra que o homem possui um corpo ultraf�sico que tem a capacidade de sobreviver � morte. O trabalho de Crookall mostra ainda que todos os relatos sobre a experi�ncia fora do corpo podem ser avaliados cientificamente.



PROVAS, EXISTEM MUITAS. AT� AS DE LABORAT�RIO.

Outro pioneiro no estudo dessa experi�ncia foi o dr. Charles T. Tart, psic�logo experimental. Era sua inten��o descobrir se as pessoas que afirmam passar freq�entemente por essa experi�ncia podem produzi-la em laborat�rio, onde pudesse ser controlada, da mesma forma que se controlam os sonhos, seguindo o desenho das ondas cerebrais, o movimento r�pido dos olhos etc.

Antes de Charles Tart outros pesquisadores j� haviam tentado estudar a experi�ncia fora do corpo em laborat�rio. O pesquisador franc�s H. Durville afirmou haver fotografado o "duplo" da m�dium mme. Lambert. Outro franc�s, Charles Lancelin, pretendia haver obtido as impress�es digitais do corpo astral. Esses experimentos, contudo, s�o bastante antigos, e os m�todos exatos empregados pelos investigadores s�o um tanto misteriosos. Tart pode ser considerado como realizador do primeiro trabalho experimental importante sobre a experi�ncia fora do corpo.

O primeiro m�dium do dr. Tart foi Robert Monroe, que autorizou a publica��o de sua biografia "Journey out of the Body". Os primeiros experimentos foram levados a efeito na Universidade de Virginia em 1965 e 1966. Ap�s uma semana de tentativas, Monroe conseguiu a experi�ncia fora do corpo. Esperava-se que Monroe sa�sse da sala de experi�ncias no estado fora do corpo, fosse a uma sala pr�xima e contasse o que tinha visto. Durante todo o tempo foi controlado por um aparelho encefalogr�fico e por outros. Esperava-se tamb�m que lesse um n�mero de seis algarismos colocado numa prateleira a 2,5 metros acima do solo.

O experimento obteve �xito parcial. Monroe contou que o t�cnico estava no corredor com um homem, o que era correto. Os aparelhos de controle revelaram que Monroe permaneceu numa esp�cie de estado de sonho durante a experi�ncia fora do corpo. Quando os experimentos foram repetidos em Davis, Calif�rnia, a leitura registrada foi semelhante, al�m de assinalar queda de press�o sang��nea.

Miss Z. foi a segunda m�dium talentosa de Tart. Na segunda noite dos experimentos, tamb�m em Davis, ela teve a experi�ncia fora do corpo. A leitura de seu eletroencefalograma n�o p�de identificar se estava dormindo ou acordada. Tart esperava que ela pudesse ler um numero escrito numa prateleira mais alta do que ela, � qual n�o teria acesso f�cil. Na quarta noite ele conseguiu. O n�mero s� podia ser lido se algu�m "flutuasse" sobre a prateleira. Infelizmente o dr. Tart descobriu que o n�mero podia refletir-se num rel�gio do quarto, se fosse iluminado por luz brilhante. � pouco prov�vel que a m�dium o tivesse lido por esse meio. Aqui tamb�m foram registrados estranhos desenhos no eletroencefalograma.

Testes semelhantes aos descritos tamb�m foram levados a efeito pela American Society of Psychical Research, com o m�dium Ingo Swann.

REVELA-SE ENT�O UM NOVO CONCEITO DE CONSCIENCIA

Finalmente a experi�ncia fora do corpo est� emergindo da esfera da anedota para o campo experimental. Todavia, para onde nos levam esses estudos, tanto os aned�ticos como os experimentais?

Tr�s �reas da pesquisa ps�quica s�o drasticamente afetadas pela pesquisa da experi�ncia fora do corpo. A primeira � a do estudo das apari��es. O pesquisador Hornell Hart acredita que a experi�ncia fora do corpo poderia ser a chave

para compreender as apari��es, j� que muitas "apari��es de vivos", tanto quanto "apari��es de mortos", foram registradas. Em estudo magistral, Hart analisou as caracter�sticas desses diferentes casos de apari��es e viu que ambos possu�am as mesmas peculiaridades. Deduziu que os dois tipos tinham a mesma natureza e muito provavelmente revelavam um mecanismo semelhante ao da experi�ncia fora do corpo.

A segunda �rea afetada pelo estudo da experi�ncia fora do corpo � a da sobreviv�ncia � morte. Tanto Tart como Robert Crookall afirmaram achar que a experi�ncia fora do corpo demonstra ser poss�vel a vida consciente espacialmente distante e separada do corpo f�sico. A consci�ncia n�o depende do corpo e poderia, assim, sobreviver � morte.

Em terceiro lugar a experi�ncia fora do corpo substancialmente altera nosso conceito sobre o que � "consci�ncia". Durante a experi�ncia fora do corpo o perceptivo � muitas vezes atirado para novas experi�ncias sensoriais e novos n�veis de consci�ncia. Por exemplo, algumas leituras dos encefalogramas tomados durante as experi�ncias fora do corpo feitas por Charles Tart s�o semelhantes �s leituras obtidas com praticantes do zen em medita��o. Assim como a experi�ncia m�stica traz consigo uma expans�o da consci�ncia, a experi�ncia fora do corpo pode muito bem ser uma avenida aberta para um novo mundo da mente. Como escreveu um perceptivo:

"Era uma noite de outubro, mais ou menos �s 11 horas da noite. De repente me senti fora do corpo flutuando sobre um p�ntano no Highland, num corpo t�o leve ou mais leve do que o ar. Havia um bosque, e o vento era leve e fresco. Vi que o vento n�o me incomodava, como aconteceria se estivesse no meu corpo f�sico; eu era parte do vento. A vida no vento, as nuvens, as �rvores, tudo era parte de mim, fluindo dentro e atrav�s de mim, e eu n�o oferecia resist�ncia. Estava repleto de vida gloriosa. Durante todo o tempo, � margem da minha consci�ncia, eu sabia onde estava meu corpo terrestre, ao qual poderia retornar se surgisse algum perigo. Tudo deve ter durado alguns minutos ou segundos, n�o sei dizer � porque eu estava fora do tempo..."

                             
FIM
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