MAO-TSÉ-TUNG

            O timoneiro que levou o planeta China para o comunismo. Chefiando um grupo guerrilheiro, Mao Tsé-Tung combateu imperialistas, burgueses, japoneses e nacionalistas até se tornar o Grande Timoneiro da China em 1949. Ele explicava sua estratégia: "A revolução chinesa será feita com longas e complicadas guerrilhas de gente do campo estabelecendo posteriormente áreas liberadas que se tornarão cada vez mais extensas". E assim o país se tornou comunista.

            Mao nasceu em 26 de dezembro de 1883 na província de Hunan, no sul da China. Seu pai era um agricultor rico e severo que o forçava a trabalhar na terra, atrapalhando seus estudos. Em 1911 alistou-se no Exército Republicano para lutar na Revolução Burguesa, que destronou o último imperador, Pinyin Pu-Yi. Essa revolução foi liderada por Sunt Yat-Sen, do Partido Nacional Republicano (Kuomintang). Anos depois ele também participou de protestos contra o Tratado de Versalhes, que tinha garantido interesses do Japão no território da China. Nessa época Mao teve seus primeiros contatos com a teoria marxista.

           Em 1º de julho de 1921 foi fundado o Partido Comunista Chinês. Mao, uma das 50 pessoas que estava na cerimônia, previu o futuro da organização: "Uma pequena centelha que incendiará o país". A China estava praticamente dividida: o Sul, governado por Sunt-Yat-Sin, e o Norte, por um grupo de latifundiários e militares apoiados pelas potências ocidentais. Seguindo orientação de Moscou, o PCC se aliou aos nacionalistas.

         Com a morte de Sunt Yat-Sen, em 1925, Chiang Kai-Shek tornou-se líder do Kuomintang e passou a perseguir os comunistas. Em 1929 Mao e seus seguidores se refugiaram em Kiangsim. Cinco anos depois as tropas de Chiang isolaram os comunistas. Mao conseguiu furar o bloqueio e se dirigiu para o Norte no que passou à História como a Grande Marcha. Comandando 100 mil homens (30 mil soldados, 20 mil dos quais feridos, e 70 mil camponeses)percorreu 9.650 km em condições duríssimas, de 16 de outubro de 1934 a 20 de outubro de 1935.

           Quando se estabeleceu na região de Shensi, no extremo norte do país, a grande maioria dos integrantes da fuga, incluindo o irmão de Mao, Tsé-Tan, tinha morrido. Mas a Grande Marcha o consagraria como principal líder da revolução chinesa. Em 1932, os japoneses estabeleceram na Mandchúria, uma das regiões mais ricas da China, um Estado associado ao Japão, governado pelo imperador deposto, Pu-Yi, e em 1937 invadiram outras províncias chinesas. Com a guerra sino-japonesa, Chiang se aliou ao Exército Vermelho de Mao, que começou a receber ajuda das potências ocidentais para combater os japoneses.

             Porém, terminada a guerra, em 1945, comunistas e nacionalistas voltaram a se enfrentar. Mesmo com o apoio dos Estados Unidos ao Kuomintang e sem a ajuda da União Soviética, as tropas de Mao dominaram a China, forçando os nacionalistas a se refugiar em Formosa (Taiwan).

             A China dividiu-se entre duas lideranças distintas a República Popular comandada por Mao e a República Nacionalista de Chiang Kai-Shek. "Nunca mais nosso povo será humilhado e ofendido. Que os reacionários tremam diante de nós, estamos de pé. O vento que sopra do Oriente é vermelho", afirmou Mao ao assumir o governo da China em 1º de outubro de 1949. A missão gigantesca de Mao, modernizar um país quase que totalmente de agricultores, encontrou muitos desafios e provocou insatisfação popular e nas Forças Armadas.

             Em 1959 ele foi forçado a abandonar o país e admitiu: "Não entendo nada de planejamento industrial". Mas, como presidente do Comitê Central, do PCC, Mao manteve sua influência na China. Em 1966 ele liderou a Revolução Cultural, quando milhares de jovens, os guardas vermelhos, prendiam os inimigos do Grande Timoneiro. Depois de três anos de conflitos, com o apoio do Exército, Mao conseguiu restabelecer a ordem no país.

             No início da década de 70 ele realizou seus dois grandes últimos atos na política externa. Em 1971 conseguiu que sua República Popular fosse admitida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a única representante dos chineses, em lugar de Formosa. No ano seguinte recebeu em Pequim o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Em 9 de setembro de 1976 Mao Tsé-Tung morreu, aos 82 anos.


A Revolução na China

 No começo do século XX, a China era só uma sombra do seu glorioso passado. Retalhada e humilhada pelo imperialismo, havia se tornado um país atrasado, com centenas de milhões de famintos. Suas riquezas pertenciam à elite e aos exploradores estrangeiros. O povo cultivava arroz e contava os grãos que podia comer. Em 1911, os nacionalistas chineses, liderados por Sun Yat-sen, chefiaram uma revolta que proclamou a república. Este homem fundou o Kuomintang (KMT), partido nacionalista que propunha criar um Estado moderno, dinamizador do capitalismo. Acontece que o país não encontrou estabilidade política: estava mergulhada nas disputas dos senhores da guerra. Eles eram latifundiários que reuniam um bando de capangas armados pra dominar uma região. É óbvio que, enquanto suas disputas dividissem o país, a China continuaria frágil diante do imperialismo. O Partido Comunista Chinês (PPC) foi fundado em 1921. Seguindo o Kormintern (Internacional Comunista, sediada em Moscou. Orientava os Partidos Comunistas no mundo inteiro), o P.C. da China não lutava diretamente pelo socialismo. A idéia era apoiar a burguesia nacionalista para vencer os senhores da guerra, fortalecer o governo central e desenvolver a economia, tirando o país do atraso e da submissão. Assim, o P.C. da China aliou-se ao Kuomintang na luta por reformas democráticas. Após a morte de Sun Yat-sen (1925), o KMT passou a ser liderado pelo traiçoeiro e inescrupuloso Chiang Kai-chek. Este homem ambicioso e sem escrúpulos, que não hesitou em vender-se ao imperialismo, ordenou o Massacre de Xangai (1927), no qual milhares de comunistas foram trucidados pelos soldados do KMT. A partir daí, começava a gerra civil entre o PCC e o KMT. Chefiado por Chiang Kai-chek, por volta de 1927, o KMT já tinha conseguido um razoável controle do país, mas não tinha destruído totalmente os comunistas. Derrotados no Sul, os comunistas tiveram de fugir em direção às montanhas de Kiangsi. Lá, controlando uma pequena área, fundaram a República Soviética da China (1931). No mesmo ano, os japoneses invadiram a região da Manchúria. Chiang Kai-chek declarou: "Os japoneses são uma enfermidade da pele, e os comunistas são uma doença do coração". Então enviou meio milhão de soldados, apoiado por 500 aviões para expulsar os vermelhos de Kiangsi. Os revolucionários tiveram de fugir. Foi a Longa Marcha (1934), liderada por Mao Tsé-tung, uma verdadeira epopéia de 6000km de caminhada, desafiando rios, pântanos, deserto, neve, montanhas, em mais de 200 combates contra tropas do KMT. Finalmente os sobreviventes chegaram a uma região distante, a noroeste da China, praticamente inacessível ao inimigo. A Segunda Guerra chegou mais cedo à China: em 1937 o Japão declarou guerra total, com o objetivo de dominá-la completamente. Para enfrentar os invasores japoneses, o PCC e o KMT estabeleceram uma trégua. Entretanto, enquanto o KMT, dominado pela corrupção, pouco fazia contra os violentos ocupantes estrangeiros, o PCC mostrava ao povo que era o mais dedicado, vigoroso e leal combatente do imperialismo. Na luta contra os japoneses foi criado o Exército Vermelho, e, em pouco tempo, ser patriota era sinônimo de ser comunista. Os japoneses agiram com selvageria, matando e desruindo o que viam pelo caminho. Os latifundiários, para não perderem suas riquezas, colaboravam com os invasores e exploravam mais ainda os camponeses. Os soldados do KMT, embriagados pela corrupção, roubavam descaradamente seus compatriotas. Diferente mesmo era o Exército Vermelho. Em cada região libertada por ele, os camponeses eram tratados como irmãos. Os revolucionários confiscavam as terras dos poderosos e distribuíam-nas para os trabalhadores. Montavam escolas e hospitais. E, na época da colheita, ajudavam a pegar o arroz. Afinal, era um exército de camponeses, trabalhadores, do povo chinês. Quando o Exército Vermelho seguia adiante, levava junto milhares de novos integrantes voluntários. Quando os japoneses foram vencido em 1945, a luta entre o PC e o KMT recomeçou. Mas agora, a esmagadora maioria da população estava com os comunistas. Nem a ajuda dos EUA pôde manter o KMT no poder. Chiang Kai-chek raspou os cofres e partiu para a ilha de Formosa onde criou um novo Estado, protegido pelos EUA. No ano de 1945, Mao Tsé-tung entrava vitorioso em Pequim. Os comunistas acabavam de tomar o poder no país mais populoso da terra.  

 Hong Kong - O Reduto Capitalista na China

Hong Kong é um território inglês tomado da China na Guerra do Ópio (1942). Um cordo diplomático previu a devolução de Hong Kong à China em 1997. Entretanto, foi acertado que o governo comunista chinês respeitará o capitalismo do território por mais 50 anos. Hong Kong é um dos Tigres Asiáticos. Os japoneses fizeram investimentos pesados e hoje o território é um dos grandes exportadores mundiais de produtos eletrônicos.   

 A Construção do Socialismo na China

 Stálin, dogmático como sempre, não acreditava na possibilidade dos comunistas tomarem o poder na China. Achava que o melhor a fazer era o PCC se aliar ao KMT para empreender uma revolução democrático burguesa. O velho esquema etapista, ou seja, como se os países fossem obrigados a cumprir as mesmas etapas na evolução histórica. Mao Tse-tung não deu ouvidos a Stálin e liderou a revolução socialista. Logo depois da tomada do poder, o governo comunista fez importantes reformas: distribuiu terra aos camponeses, acabou com a poligamia (um sujeito que tem várias esposas oficiais) e com o casamento forçado pelos pais, controlou a inflação, reconstruiu o país e ampliou os direitos sindicais. Entretanto, desde 1940 permanecia a Nova Democracia, isto é, a China continuava a ter empresários capitalistas. A idéia era uma Revolução Ininterrupta, ou seja, avançar em direção ao socialismo. É óbvio que esses empresários fizeram de tudo para boicotar o governo. Assim, a partir de 1952, começaram as grandes transformações. Com enormes manifestações operárias de apoio ao governo comunista, as grandes empresas foram encampadas pelo Estado e, pouco depois, não havia mais burgueses na China. Desde o começo da revolução, a China recebeu bastante ajuda soviética: dinheiro, armas, tecnologia, médicos, engenheiros e pesquisadores. Os chineses tentavam construir o socialismo de acordo com as receitas da URSS. Distribuíram terras para os camponeses, criaram cooperativas rurais e fazendas do Estado, alfabetizaram milhões de adultos e deram prioridade para a indústria pesada. No primeiro Plano Quinquenal (1953-1957) os pequenos proprietários camponeses uniram-se em cooperativas rurais e a indústria teve um razoável crescimento. Entretando os Chineses sempre foram originais e conscientes de que deviam seguir seus próprios caminhos. No ano de 1957 o PCC lançou a campanha Cem Flores, concedendo grande liberdade para debates públicos. Mao Tsé-tung disse: "Deixai que as flores desabroxem e que floresçam as discuções". As críticas foram maiores do que se esperava. Os camponeses reclamavam que recebiam pouca atenção, operários diziam que tinham aumentos menores que a ampliação da produtividade. Alertava-se contra o crescimento do poder do Partido e sua burocratização. Preocupado com a estabilidade, o PCC censurou as críticas. A liberdade não seria total. Em 1958, Mao Tsé-tung lançou o projeto Grande Salto Para a Frente. Toda a China foi mobilizada para que em poucos anos o país se tornasse uma potência econômica. Foi dada prioridade para o campo, estimulando as Comunas Rurais. O que é uma comuna chinesa? Uma grande fazenda com autonomia financeira, grande igualdade de salários, espécie de minimundo comunista, com escolas e hospitais gratuitos e até oficinas e pequenas fábricas. Para desenvolver a indústria, trabalhava-se sem parar. Inclusive nas aldeias camponesas construíram-se pequenas fornalhas onde se jogava no fogo todos os pedaços de metal encontrados. O ensino procurou levar milhares de estudantes a trabalhar na agricultura, ao mesmo tempo em que o aprendizado técnico era ligado à educação ideológica ("A política do Comando"). O Grande Salto foi um fracasso, a indústria cresceu muito pouco e as tais fornalhas no campo só serviram para desprediçar matéria prima. Muitos hospitais e escolas rurais não puderam se sustentar por falta de recursos. Pra piorar, houve terríveis enchentes. Como se isso não bastasse, a China perdeu a ajuda da URSS.  

 Vale tudo - China x URSS

A China passou a acusar a URSS de social-imperialismo. A partir daí valia tudo contra os soviéticos. Assim, em 1971 a China aproximou-se diplomaticamente do EUA e em 1973 apoiou a ditadura militar do general Pinochet no Chile. Quando a URSS ocupou o Afeganistão em 1979, a China aliou-se aos EUA para fornecer armas para os guerrilheiros muçulmanos afegãos que combatiam os ocupantes soviéticos. 

(extraído de www.comunismo.com.br)

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