CARLOS LAMARCA
"Nunca chamem ninguém de senhor, pois ninguém é senhor de
ninguém"
Formação
Carlos Lamarca nasceu no dia 27 de outubro de 1937, no bairro do Estácio, zona norte, do Rio de Janeiro. Seu pai, Antônio Lamarca era sapateiro, e sua mãe, Gertrudes, dona de casa. Lamarca tinha seis irmãos. Desde criança era um homem decidido e sempre teve liderança nas brincadeiras com os outros garotos. Cursou o primário na Escola Canadá e o ginasial no Instituto Arcoverde, sendo o único único dos filhos a chegar a ter curso superior.

O ingresso na VPR e a VAR-Palmares
Em 1968 Lamarca procura uma organização que tivesse em seus
planos deflagrar guerrilha e levar o povo ao poder. Entra em contato com a VPR
(Vanguarda Popular Revolucionária), com Carlos Marighela, ex-dirigente do PCB e
principal comandante da ALN (Aliança de Libertação Nacional), e encontra-se
também com a direção do PC do B. Lamarca e o sargento Darcy ingressam na VPR em
dezembro de 1968. Lamarca foi convencido pelos dirigentes da VPR que após roubar
as armas do quartel a VPR teria um local para iniciar a guerrilha rural. O
sargento Darcy desviava do quartel munição e granadas, já que ele falsificava
documentos sobre o gasto de munição nos treinamentos. Três dias antes de Lamarca
roubar as armas do quartel, militantes da VPR são presos, e por saberem os nomes
de Lamarca, Darcy e Mariane os três resolveram tirar as armas do quartel
imediatamente. Então no dia 24 de janeiro de 1969 Lamarca entra com sua Kombi no
quartel de Quitaúna e retira 63 fuzis FAL, três metralhadoras INA e munição. Em
certo momento, dois sargentos perguntam a Lamarca para que as armas estavam
sendo retiradas, e ele responde que é para um treinamento de tiro, e nesse
momento Lamarca passa a viver na clandestinidade. Na verdade a VPR ainda não
tinha condição de fazer a guerrilha, como havia dito.
Maria Pavan e os dois filhos saem do Brasil por segurança e vão morar em Cuba
até 1969. Após o roubo ao quartel Lamarca passa a viver em aparelhos em São
Paulo. Três meses após o roubo, Lamarca participa de sua primeira ação armada,
ocorrida no dia 9 de maio de 1968, quando a VPR assaltou dois bancos, o
Mercantil e o Itáu, ao mesmo tempo. Durante o assalto Lamarca vê o guarda civil
Orlando Pinto Saraiva apontar a arma em direção a Darcy e então dispara e acerta
a nuca do guarda. Mesmo participando da luta armada Lamarca desejava a guerra de
guerrilhas no campo. A rotina de Lamarca se mantia, ele era obrigado a passar o
dia todo escondido em apartamentos da VPR, com isso ele ocupa seu tempo
estudando marxismo lendo sobre Trotsky, Lenin, Mao, Che Guevara, já que ele
nesse momento ainda não possuía grandes conhecimentos teóricos.
Lamarca enfrenta outro problema; além de não existir a área de guerrilha, a VPR
a partir de janeiro de 1969 estava passando por um momento difícil após a prisão
de vários militantes. Devido à crise, a VPR convoca um congresso para se
discutir as próximas ações. Nesse congresso Lamarca é nomeado dirigente, ele
aceita esse cargo a contra gosto, pois perseguia somente o papel de líder da
guerrilha rural e não de uma organização tipicamente urbana onde seria obrigado
a dar respostas a problemas não militares. Já como dirigente Lamarca conhece
Iara em abril de 1969. Era uma militante que passara por algumas organizações e
que no inicio de 1969 tinha a função de manter contato ente a VPR e a Colina. Em
junho de 1969 a VPR se une à Colina e forma VAR- Palmares. As duas tinham
divergências, mas possuíam um ponto em comum, a luta armada através da
guerrilha, para uma futura união das duas organizações. Lamarca e Iara se
apaixonam, mas Lamarca tenta lutar contra esse sentimento, já que não seria
justo com Maria que estava fora do país. Lamarca reluta em ficar com Iara, mas
no meio de 1969 ele assume seu relacionamento com Iara e passam a viver juntos
sempre que possível.
No dia 18 de julho de 1969 Lamarca e seus companheiros roubam o cofre da casa da
amante de Adhemar de Barros, um político corrupto, e quando o abrem vêem uma
montanha de dinheiro, um total de 2 milhões e 500 mil dólares. Os militantes
tiveram que trocar os dólares também no mercado negro, já que as casas de cambio
freqüentemente eram vigiadas. Cada militante recebeu 800 dólares para despesas,
uma parte foi utilizada para preparar novas ações, uma fortuna foi gasta para
manter os militantes na clandestinidade e 600 mil dólares caíram nas mãos da
repressão.
A nova VPR
Entre Julho e Agosto de 1969 se realiza o congresso da
VAR-Palmares. Desse congresso, Lamarca, Iara e outros companheiros saem da VAR
por causa de entre outros motivos a relutância da VAR em se dirigir ao campo
para guerra de guerrilhas. Com isso Lamarca refunda a VPR absorvendo vários
dissidentes da VAR. A nova VPR é fundada oficialmente no final de 1969,
comprando um sítio no vale do Ribeira que seria usado para treinar os militantes
para guerrilha. Em janeiro de 1970 já havia chegado todos os militantes que
receberiam treinamento, inclusive Iara. Mas um sério distúrbio ginecológico
hormonal fez com que Iara fosse obrigada a abandonar o campo de treinamento.
Após o treinamento, o plano seria enviar alguns militantes para duas regiões do
nordeste para desencadear a guerra de guerrilhas, mas a prisão de Mário Japa,
dirigente da VPR que conhecia a localização do sítio de treinamento, fez com que
se desmobiliza-se parcialmente o campo de treinamento, já que Mário estando
preso e sofrendo torturas poderia entregar o campo. Preocupados com a vida de
Mário Japa a VPR decide seqüestrar o cônsul do Japão. Com o seqüestro, Mário e
outros companheiros são soltos, mas a repressão continua a prender vários
militantes, e dois desses militantes delatam a área de treinamento. Lamarca ao
saber da delação, inicia a evacuação da área. Oito companheiros saem do campo de
treinamento, nove permanecem, eram eles: Lamarca, os ex-sargentos Darcy
Rodrigues e José Araujo Nóbrega, Gilberto Faria Lima, Ioshitante Fujimoto,
Edmauro Gopfert, Diogenes Sabrosa, o ex-soldado Ariston Lucena e José Lavenchia.
Os guerrilheiros estavam escondidos em áreas perto do campo principal. Lá pelo
dia 22 de Abril já havia 1500 homens à procura dos guerrilheiros, com a ajuda de
vários helicópteros e aviões com pára-quedistas. José Lavenchia e Darcy Rodigues
são presos pelo exército no dia 27 de Abril, e os outros guerrilheiros
continuavam a fugir. Lamarca e seu pequeno grupo se mostram extremamente
eficientes contra o exército. José Araujo Nobrega e Edmauro também são presos
pelo exército. No dia 8 de Maio, Lamarca, num confronto consegue render um
tenente, dois sargentos, dois cabos e doze soldados, e lê os termos de rendição
para o tenente:
1- os guerrilheiros não fuzilariam ninguém;
2- os feridos seriam atendidos, facilitando o transporte dos mesmos;
3- os guerrilheiros apenas trocariam algumas armas sem expropriar nenhuma;
4- reabasteceriam de munição as armas;
5- O tenente levantaria o bloqueio do exército em Sete Barras (cidade próxima).
O tenente concordou com os termos só que não ordenou o levantamento do bloqueio,
fazendo com que Lamarca e seu grupo caíssem numa emboscada. Os guerrilheiros
conseguem fugir da emboscada e decidem executar o tenente, afinal, ele não havia
cumprido o acordo e não havia condição de prosseguir com ele naquela situação de
cerco. O tenente deveria ser fuzilado mas para não fazer barulho o executam com
uma coronhada de fuzil no dia 10 de maio. Lamarca e seu pequeno grupo
continuavam a fugir, começam a fazer contato com os camponeses da região para
obter comida e se impressionam com a maneira como eram bem recebidos na maioria
das vezes. Alguns camponeses que ajudaram o grupo de Lamarca foram mortos e
torturados pelo exército.
Lamarca decide que o companheiro Gilberto Faria Lima, que não estava
identificado pelos órgãos de repressão, deveria sair da região para buscar ajuda
em São Paulo. No dia 30 de Maio Gilberto pega um ônibus para a Capital sem
problemas. No dia 31 de maio Lamarca e seu grupo montam uma emboscada e
conseguem capturar um veiculo do exército, fazem 5 prisioneiros, sendo um
sargento e quatro soldados. Os guerrilheiros vestem os uniformes dos
prisioneiros e conseguem passar pelo bloqueio do exército sem problemas, Seguem
para São Paulo e, ao chegarem lá, abandonam o caminhão e deixam os prisioneiros
amarrados na caçamba. Lamarca e seu grupo conseguem incrivelmente escapar do
Vale do Ribeira, mesmo sendo perseguidos por milhares de soldados e sendo
bombardeados por aviões. Essa vitória prova que um pequeno grupo se movimentando
rapidamente, com tática de guerrilha é extremamente eficiente. Após a fuga no
Vale do Ribeira, Lamarca encontra sua organização em crise devido à prisão de
vários militantes. No início de junho de 1970 o Conselho Permanente de Justiça
da 2° Auditoria Militar de São Paulo condena Lamarca à revelia a 24 anos de
prisão pelo roubo de armas do Quartel de Quitaúna, condena o ex-cabo Mariane a
12 anos e o ex-sargento Darcy Rodrigues a 16 anos.
Devido à situação difícil por que passava a VPR, ele decide junto com a ALN
realizar mais um seqüestro. O seqüestro foi realizado no Rio de Janeiro, quando
alguns militantes cercaram o carro do embaixador da Alemanha Ocidental e o
seqüestraram. No dia 12 de junho, um dia após o seqüestro, o presidente Médici e
os ministros da justiça militar e das relações exteriores decidem aceitar parte
das exigências dos seqüestradores. Os militares permitem que seja publicado na
imprensa um manifesto dos militantes de nome "Ao povo brasileiro". No dia 13 de
junho o governo concorda em libertar presos políticos, e dois dias depois um
avião levanta vôo levando 40 presos políticos para a Argélia. Entre os presos
libertados estão: José Lavenchia, Darcy Rodrigues, José Araújo Nobrega e Edmauro
Gopfert. Em Setembro de 1970 Lamarca vai para um aparelho no interior do estado
do Rio. Lamarca ainda acreditava na guerrilha, mas estava muito preocupado com o
crescente número de companheiros presos e torturados, e também percebia que
grande parte do povo não estava preocupado com os presos políticos e com as
torturas que eles sofriam, mas que o trabalhador explorado continuava submisso e
calado.
No dia 7 de Dezembro de 1970, Lamarca comanda o seqüestro do embaixador suíço
Giovanni Enrico Bucher, no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro. No momento
do seqüestro o agente de segurança Hélio Araújo de Carvalho é ferido e morre no
hospital, o motorista é dominado e os militantes levam o embaixador para o
cativeiro. A VPR faz as seguintes exigências para libertar o embaixador: O
governo deveria soltar 70 presos políticos, divulgar textos de propaganda e
distribuir gratuitamente passagens nos trens do subúrbio até o final das
negociações. Mas dessa vez o presidente Médici endureceu e só concordou em
libertar os presos políticos. A VPR manda várias listas com os nomes dos presos
que deveriam ser soltos mas o governo não concorda em libertar alguns presos
citados. A nova estratégia do governo surpreende a VPR que só tinha duas opções:
aceitar as condições do governo ou matar o embaixador. A maioria decide matar o
embaixador, mas Lamarca é contra porque matar o embaixador iria repercutir mal
junto ao povo e afinal se deixaria de libertar 70 companheiros que estavam
sofrendo todo o tipo de tortura nos porões da ditadura. Então Lamarca, como
comandante da operação, diz: "Sou o comandante da ação, decido eu. Não vamos
matar Bucher". Após se chegar a um acordo acerca dos presos que seriam
libertados, 70 presos políticos partem no dia 16 de janeiro rumo ao Chile de
Allende.
Lamarca no MR-8
Após o fim do seqüestro Lamarca e Iara passam uns dias
morando juntos. A decisão de Lamarca de não matar o embaixador é o estopim para
uma série de discussões dentro da VPR, que queria que Lamarca saísse do país já
que ele era o homem mais procurado, mas Lamarca não aceita e permanece no
Brasil. No dia 22 de março de 1971 Lamarca rompe com a VPR e entra para o MR-8.
Lamarca gostava de todos da VPR, mas politicamente considera a VPR muito
vanguardista, negava qualquer espaço para o povo e não via como mudar essa
situação. Por isso entra para o MR-8, e Iara o acompanha. No MR-8 Lamarca via
novamente a possibilidade de ir para o campo, implantar o foco guerrilheiro e
levar o povo ao poder, o MR-8 reservava ao povo um papel no processo
revolucionário, o que foi um dos motivos da aproximação de Lamarca. De repente,
o MR-8 começa a ruir: no dia 14 de maio Stuart Edgard Angel de 27 anos, membro
da direção do MR-8, é preso e levado para a base aérea do Galeão, onde é
torturado de todas as formas para dizer a localização de Lamarca, mas apesar
disso Stuart não o entrega. Stuart morre, asfixiado e intoxicado por monóxido de
carbono, após ser amarrado na traseira de um jipe da Aeronáutica e ser arrastado
de um lado para o outro com a boca no cano de descarga do jipe. Os oficiais que
participaram do assassinato de Stuart eram o Brigadeiro Burnier, Carlos Afonso
Dellamara comandante do CISA, o tenente-coronel Abílio Alcantra e Muniz, o
capitão Lúcio Barroso e o major Pena, todos do CISA., Alfredo Poeck, capitão do
Cenimar, e o agente do Dops Jair Gonçalves da Mota.
Neste momento o MR-8 estava cercado no Rio de Janeiro e Lamarca e Iara estavam
correndo perigo, então os dois partem em direção à Bahia (Iara consegue vencer a
resistência da Organização em deixa-la ir junto com Lamarca já que não se sabia
como absorvê-la no trabalho no campo). Lamarca e Iara chegam à Bahia mas não
ficam juntos, pois Lamarca se dirige a Buriti Cristalino e Iara a Salvador. No
dia 29 de junho de 1971 Lamarca chega a área de campo em Buriti Cristalino, e
fica escondido no meio do mato, somente recebendo visitas de companheiros do MR-8
que levavam sua comida. Esses companheiros já estavam na região fazendo um
trabalho de conscientização e educação com os camponeses. No dia 30 de julho
Lamarca e seus companheiros discutem sobre a região e sobre as perspectivas de
atuação, e percebem que seria um erro fazer a guerrilha ali, era necessário que
a região tivesse alguma importância econômica para que a ação pudesse abalar o
governo, e todo aquele agreste não tinha nenhuma importância para o país. Então
ficou decidido que ali só se faria um trabalho de conscientização, recrutamento
e formação de militantes de origem camponesa para mais tarde serem deslocados
para uma região mais favorável à guerrilha.
No dia 6 de Agosto o militante Zé Carlos do MR-8 é preso em Salvador e fica a
duvida se ele entregaria o local onde estava Lamarca e Iara. Zé Carlos é
torturado mas não fala tudo de uma vez, fala sobre onde estava Iara porque
achava que ela já tinha ido para Feira de Santana mas estava enganado. No dia 20
de agosto de 1971 os militares invadem o prédio onde estava Iara, prendem o
companheiro Jaileno e outras pessoas. Quando Iara parecia estar salva, um menino
a vê com duas armas e avisa aos militares. Iara fica presa num quarto porque o
menino que a viu bateu a porta que só abria por fora e, acuada, sem chances de
escapar, se suicida com um tiro no meio do peito. Com a morte de Iara, os
militares têm certeza que Zé Carlos sabia onde estava Lamarca, e ainda possuíam
o diário de Lamarca que falava da região onde estava. Em cima das informações de
Zé Carlos e com o diário de Lamarca nas mãos, os agentes vão mapeando a região.
Lamarca e os militantes ficam sabendo que Zé Carlos estava preso, e mesmo
sabendo dos riscos em permanecer em Buriti Cristalino resolvem ficar porque não
podiam abandonar todo o trabalho que estava sendo feito com o povo da região.
Por precaução montam vários táticas de fuga caso fosse necessário. No dia 28 de
Agosto os militares e policiais chegam a Buriti Cristalino. Olderico, militante
do MR-8, percebe que tudo havia sido descoberto e quando os militares ordenam
que todos saiam das casas ele começa a atirar para que Zequinha e Lamarca que
estavam no acampamento ouvissem os tiros e fugissem. A atitude corajosa de
Olderico deu certo, e ao ouvirem os tiros no vilarejo Lamarca e Zequinha fugiram
pela Caatinga. Olderico é baleado.
A morte na caatinga
Buriti Cristalino foi palco do terror com a presença dos militares e policiais na região: vários camponeses foram torturados e espancados a troco de nada, animais dos camponeses foram fuzilados só por diversão, e o militante Otoniel foi morto. Os militares continuavam a perseguição a Lamarca, que estava muito doente, o que dificultava sua locomoção. O próprio Lamarca dizia para Zequinha o largar e fugir mas Zequinha respondia que "Quem é amigo na vida é amigo na morte!". No dia 17 de Setembro Zequinha e Lamarca estão descansando embaixo de uma árvore, depois de haver percorrido mais de 300km em fuga, quando Zequinha percebe que estão cercados. Ele então grita para Lamarca: " Capitão os homens estão ai", mas Lamarca não tem tempo nem para atirar, sendo fuzilado pelo Major Cerqueira. Zequinha corre ainda alguns metros mas também é morto. Antes de cair Zequinha grita: "Abaixo a ditadura!". Os corpos de Lamarca e Zequinha são levados para Brotas de Macaúbas onde são jogados num campo de futebol para todo mundo ver. Os Agentes se divertiam dando chutes nos cadáveres, rindo e dando gargalhadas de felicidade.
Inspirados pela revolução cubana, a Vanguarda Popular Revolucionária, tinha como maior líder ex-militar Carlos Lamarca. Fazendo guerrilhas urbanas e mais tarde rurais, a VPR não conseguiu seus objetivos por causa da linha dura dos militares que estavam no poder e suas torturas com os companheiros apanhados. Tinha por convicção, a ideologia Marxista, eram bem disciplinados, talvez pela influência de Lamarca (ex-militar). Roubavam bancos, seqüestravam diplomatas em troca de guerrilheiros ou de dinheiro para patrocinar a guerrilha que consumia muito dinheiro.
Depois de fracassar a guerrilha urbana, Lamarca e alguns guerrilheiros foram para o Nordeste (Bahia) para tentar a guerrilha rural, já que na cidade eles estavam correndo sérios riscos, e a segurança dos guerrilheiros estava sendo quebrada. No começo Lamarca não queria ir para a Bahia, mas se convenceu dá situação critica vivida na cidade. Já lá na Bahia, contavam com a ajuda de alguns cidadãos das aldeias, que lhes davam proteção, comida, descanso...
O Objetivo da VPR na Bahia era divulgar suas idéias e seu movimento tentando convencer a massa para lutar junto com a REVOLUÇÃO, sem esse recurso o movimento morre. Mas o governo jogava duro, e prometeu recompensa ao povo, para quem desse informação ou alguma pista de Lamarca, cujo recebeu atenção especial do governo por ser desertor das forças armadas o que irritava o Exército.
Com o povo contra e o Exército apertando, Lamarca foi cada vez mais encurralado e seus companheiros, na cidade e no campo, foram sendo exterminados ou torturados até a loucura o que dificultava o apoio. Depois de muito fugir, com dificuldades de locomoção, Lamarca deve seu fim, o pior possível para um Militante (Revolucionário), foi morto de costas (veja o laudo, depois de muito tempo depois) sem poder reagir pelo Exército que encurralou eles em uma árvore enquanto descansavam, Dia 17 de setembro de 1971... Estava morta a Vanguarda Popular Revolucionária.