Anarquismo
Concepção ou corrente de pensamento segundo a qual o Estado deve ser abolido e a sociedade organizada de modo voluntário, sem o uso da força ou a imposição de obrigações.
Segundo os anarquistas, o Estado é um corpo parasita que não desempenha nenhuma função útil, e apenas permite a uma pequena classe privilegiada explorar o restante da sociedade. Em seguida à abolição do Estado - o que, para a maioria dos anarquistas, exige uma luta revolucionária - surgiriam as instituições voluntárias que manteriam a ordem e coordenariam a produção. Há uma ampla gama de visões anarquistas a respeito da forma que tomará a nova sociedade sem Estado: vão do individualismo econômico do americano Benjamin Tucker ao comunismo do russo Piotr Kropotkin. No século 19, ativistas anarquistas tiveram importante papel na radicalização do movimento operário europeu. Tendências anarquistas também foram importantes dentro do operariado organizado de países da América do Sul no início do século 20. O maior êxito prático das idéias do anarquismo se deu no início da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando muitas áreas do país estiveram sob controle dos anarquistas. Ultimamente, no entanto, o movimento ficou reduzido a núcleos isolados, cuja influência se dá por sua contribuição a causas como o pacifismo e a ecologia.
O teórico social francês Pierre Joseph Proudhon foi o primeiro a esboçar o conceito de que igualdade e justiça devem ser consumadas através da extinção do Estado e sua substituição por livres acordos entre indivíduos. Grupos de anarquistas tentaram encontrar apoio popular em vários Estados europeus nas décadas de 1860 e 1870. Eles hostilizavam o marxismo afirmando que a tomada de poder pelos trabalhadores apenas perpetuaria a opressão. O anarquista russo Mikhail Bakunin fundou a Aliança Social Democrática (1868) tentando tirar os trabalhadores da Internacional de Marx. Anarquistas oscilavam entre as estratégias de associações espontâneas e de atos violentos contra os representantes de Estado. O presidente da França, o rei da Itália e a imperatriz da Áustria foram assassinados por anarquistas entre 1894 e 1901. Subseqüentemente eles tentaram mobilizar a massa trabalhadora apoiando a Greve Geral Russa, que delineou as revoluções russas de 1905 e 1917. Sua influência na Europa declinou após o aparecimento dos Estados totalitários. Na última metade do século 20 o anarquismo atraiu terroristas urbanos.
ANARQUISMO Movimento que surge no século XIX, propondo uma organização da sociedade onde não haja nenhuma forma de autoridade imposta. Para os anarquistas, uma revolução não deve levar à criação de um novo Estado porque este seria sempre uma nova forma de poder coercitivo. O anarquismo tem duas correntes importantes. Uma, pacífica, que tem como principal representante o francês Pierre-Joseph Proudhon. Para ele qualquer mudança social deve ser feita com base na fraternidade e na cooperação entre os homens. A outra corrente afirma que a modificação da sociedade só pode ser feita depois de destruída toda a estrutura social existente. Para isso é válida a utilização da violência e do terrorismo. O russo Mikhail Bakunin, considerado um dos principais teóricos e militantes do anarquismo, chega a participar de atentados, influenciado por Serguei Netchaiev, um dos defensores dessa corrente.
Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), principal teórico do movimento anarquista, nasce em Besançon, França. Como sua família não tem condições de mantê-lo na escola, torna-se autodidata. Aos 18 começa a trabalhar como tipógrafo. Em 1840 publica O que é a propriedade?, onde defende a idéia de que toda propriedade é uma forma de roubo. Sua crítica à sociedade passa a sensibilizar um grande número de trabalhadores e em 1848 ele é eleito para a Assembléia Nacional. Participa pouco das atividades parlamentares mas suas idéias, divulgadas também em seu trabalho como jornalista, contribuem para a transformação do anarquismo em movimento de massas. Para ele a sociedade deve organizar sua produção e consumo em pequenas associações baseadas no auxílio mútuo entre as pessoas. Seus livros mais importantes são Sobre o princípio federativo, de 1863, e Sobre a capacidade política das classes trabalhadoras, de 1865. Morre de cólera em Paris.
Ser governado é...
Ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, parqueado, endoutrinado, predicado, controlado, calculado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude (...). Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado, medido, cotado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido, reformado, reenviado, corrigido.
É, sob o pretexto da utilidade pública e em nome do interesse geral, ser submetido à contribuição, utilizado, resgatado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; e depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado, vilipendiado, vexado, acossado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, no máximo grau, jogado, ridicularizado, ultrajado, desonrado.
Eis o governo, eis a justiça, eis a sua moral! (Proudhon)
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876), anarquista russo, nasce em Premukhino, filho de um grande latifundiário. Em 1840 começa a estudar na Universidade de Berlim e no ano seguinte começa a se dedicar a atividades políticas. Entre 1843 e 1848 viaja por toda a Europa. Participa de movimentos revolucionários na Alemanha e acaba condenado à morte. Foge para a Rússia, onde é preso e deportado para a Sibéria, de onde foge para o Japão. Volta para a Europa e se envolve em movimentos revolucionários na Polônia e na Itália. Adere à Primeira Internacional. Em 1868 funda a Aliança Internacional Democrática Social, entidade de destaque na introdução do anarquismo na Espanha. A partir de 1869 promove atentados junto com o russo Netchaiev. A intensa militância não impede que Bakunin deixe uma obra teórica. Propõe a revolução universal baseada no campesinato e defende o uso de violência. Entre seus livros mais importantes estão Deus e o Estado, de 1871, Federalismo, socialismo e antiteologismo, de 1872, e O Estado e a anarquia (1873). Morre em Berna, Suíça.
Capitalismo
Organização de um sistema econômico sob o qual os meios de produção, distribuição e câmbio são de propriedade privada e dirigida por indivíduos ou corporações. O sistema desenvolveu-se gradualmente nos países da Europa Ocidental entre os séculos 16 e 19. Os métodos capitalistas eram utilizados no comércio e transações bancárias antes de serem aplicados à produção industrial quando da Revolução Industrial. Em sua forma mais desenvolvida, o capitalismo, que é baseado no princípio de que decisões econômicas devem ser tomadas por indivíduos privados, restringe o papel do Estado na política econômica ao mínimo. Desta forma, defende o livre comércio. A indústria capitalista procura por vezes a proteção do Estado contra a competição externa: é o conhecido protecionismo. No século 20, as sociedades capitalistas foram sendo modificadas de várias maneiras: freqüentemente a economia capitalista vem acompanhada pelo desenvolvimento da previdência social e é então conhecido como o 'capitalismo do bem-estar', como na Europa Ocidental, onde também o capitalismo é combinado com determinado grau de intervenção governamental, como por exemplo o New Deal de F.D. Roosevelt ou o defendido por J.M. Keynes. Outra forma de desenvolvimento é a 'economia mista', na qual a produção de certos bens é nacionalizada, enquanto o restante da economia permanece de propriedade privada. A tendência do capitalismo do século 20, particularmente a partir da Segunda Guerra Mundial, tem sido o crescimento de companhias multinacionais que operam além das fronteiras nacionais, quase sempre controlando fontes econômicas maiores que muitos Estados pequenos ou médios. Com o colapso do comunismo, no final da década de 80, o capitalismo controlado tornou-se o principal modelo de atividade econômica do mundo.
Revolução industrial
Termo que descreve a mudança na organização da indústria manufatureira que transformou de rural em urbana a economia da Grã-Bretanha, a partir do século 18, e posteriormente a de outros países. O processo teve início na Inglaterra, como resultado da combinação de fatores econômicos, políticos e sociais, incluindo a estabilidade política interna, a disponibilidade de recursos, como jazidas de carvão e ferro, além de capital. A máquina a vapor substituiu a força humana, do vento e da água, e fábricas foram construídas para a produção em massa de produtos manufaturados. Uma nova organização do trabalho, conhecida como sistema industrial, aumentou a divisão e especialização da mão-de-obra. A manufatura têxtil foi o primeiro exemplo de industrialização, criando uma demanda por máquinas e ferramentas, fato que estimulou a mecanização. Uma extensa malha de transportes, como canais, estradas e estradas de ferro, foi implementada, para que as experiências adquiridas fossem exportadas para outros países. O desenvolvimento industrial tornou a Grã-Bretanha a mais rica e poderosa nação do mundo, em meados do século 19. Simultaneamente, modificou-se, radicalmente, a feição da sociedade britânica, o que levou ao crescimento de grandes cidades industriais, particularmente nos condados centrais, no norte, na Escócia e Gales do Sul. Com o êxodo da população campesina, e como resultado de baixos salários, habitação precária e utilização de mão-de-obra infantil, uma série de problemas econômicos e sociais eclodiram.
New DealTermo aplicado ao programa (1933-8) de Franklin D. Roosevelt pelo qual ele tentou salvar a economia norte-americana e acabar com a Grande Depressão. O termo foi cunhado pelo juiz Samuel Rosenman foi utilizado por Roosevelt em seu discurso de 1932, quando aceitou a indicação presidencial. A imagem de Roosevelt tornou-se popular pelo traço do cartunista Rollin Kinby. A legislação do New Deal foi proposta por políticos progressistas, administradores e especialistas a serviço do presidente, e o plano foi aprovado por maioria esmagadora no Congresso. A legislação emergencial de 1933 acabava com a crise bancária e restaurava a confiança pública; as medidas de alívio do chamado primeiro New Deal, de 1933 a 1935, como a criação da Autoridade do Vale do Tennessee, estimulavam a produtividade, e a Administração de Projetos de Trabalho reduziu o desemprego. A falência das agências do governo central provocaram o segundo New Deal, de 1935 a 1938, devotado à recuperação através de medidas como o Ato da Receita, os Atos de Wagner e o Ato de Seguridade Social. Apesar de não se poder considerar que o New Deal tirou os EUA da depressão, foi importante para a revitalização da moral da nação. Estendeu a autoridade federal em todos os campos e deu atenção imediata aos problemas trabalhistas. Apoiou trabalhadores, fazendeiros e pequenos empresários e, indiretamente, negros, que foram beneficiados pela legislação, que propunha equiparar as oportunidades e criar padrões mínimos de salários, carga horária, descanso e seguridade.
Grande Depressão
(1929-33), termo popular para a crise econômica mundial que começou em outubro de 1929, quando a Bolsa de Valores de Nova York sofreu um colapso, o chamado "crack da bolsa". Como resultado, os bancos americanos começaram a resgatar empréstimos internacionais e relutavam em manter empréstimos para a Alemanha, para pagamento de reparações e desenvolvimento industrial. Em 1931, houve uma série de conversações entre a Alemanha e a Áustria por uma união alfandegária. Em maio, a França, que via nisto um primeiro passo em direção à união total, ou Anschluss, retirou fundos do grande banco Kredit-Anstalt, controlado pelos Rothschild. O banco anunciou sua incapacidade de cumprir as obrigações e logo outros bancos alemães e austríacos tiveram de fechar as portas. Embora o presidente americano Hoover tivesse negociado uma moratória de um ano nas reparações, já era tarde demais. Uma vez que a Alemanha era a principal receptadora de empréstimos britânicos e americanos, o colapso alemão logo foi sentido em outros países. Nos EUA e Alemanha, as pessoas começaram a 'corrida para os bancos', retirando suas economias pessoais, e cada vez mais bancos tiveram de fechar as portas. Fazendeiros não conseguiam vender suas colheitas, fábricas e indústrias não podiam tomar empréstimos e tiveram de cerrar as portas, trabalhadores foram demitidos, lojas de varejo faliram, e os governos não podiam suportar os seguros de desemprego mesmo onde estes estavam disponíveis. Nas colônias das potências européias e na América Latina, a demanda por mercadorias básicas entrou em colapso, aumentando o desemprego, estimulando também a agitação nacionalista. O desemprego na Alemanha alcançou seis milhões de pessoas, na Grã-Bretanha três milhões e nos EUA 14 milhões, onde, em 1932, quase todos os bancos estavam fechados. Na Europa, onde o processo de democratização desde a Primeira Guerra Mundial havia reduzido as tensões classistas, o efeito foi o fomento do extremismo político por toda parte. Renovado receio de uma ascensão dos bolcheviques produziu uma ala de extrema-direita e regimes militaristas inspirados pelo fascismo, não somente na Itália e Alemanha, mas em todos os estados balcânicos. Em 1932, Franklin D. Roosevelt foi eleito presidente dos EUA e gradualmente foi se restaurando a confiança financeira, mas não antes do estabelecimento do Terceiro Reich na Alemanha, como um meio de revitalização da economia alemã.
Comunismo
Designação dada originalmente a um modelo ideal de organização da sociedade, fundado sobre o princípio de que a propriedade deve pertencer a todos em comum e os bens devem ser distribuídos a cada um de acordo com suas necessidades. Hoje, o termo é usado principalmente com referência ao regime econômico e político que se estabeleceu em países como a antiga União Soviética (em 1917) e em seus países-satélites da Europa Oriental, assim como na China, durante e após a Segunda Guerra Mundial. O ideal comunista foi de um modo ou outro proposto por muitos pensadores, entre eles Platão, os cristãos primitivos e o humanista do Renascimento Thomas Morus (ver utopismo), que viam nesse ideal a mais alta expressão da natureza social da humanidade. Através da obra de Karl Marx, onde o comunismo aparece como o resultado final da luta cada vez mais acirrada entre as classes ao longo da história, o ideal comunista tornou-se a base de um movimento revolucionário que pretendia extinguir o capitalismo e instaurar o governo do proletariado. No pensamento de Marx, o comunismo expressava ainda o ideal de uma sociedade na qual as pessoas cooperariam voluntariamente, sem a presença do Estado (que simplesmente desapareceria); mas com o líder russo Vladimir Ilyich Lênin (1870-1924) e seus sucessores na União Soviética, o comunismo tornou-se uma doutrina política que pregava o controle, pelo Estado, de todos os aspectos da vida social. Essa doutrina tinha dois elementos principais. O primeiro era o papel de liderança absoluta do Partido Comunista, considerado o legítimo representante dos interesses dos trabalhadores. O partido deveria controlar os órgãos estatais e deveria se organizar internamente segundo um 'centralismo democrático': a composição de cada órgão ou setor dentro da hierarquia do partido era formalmente escolhida pelo voto dos membros ou órgãos subordinados, mas as decisões eram tomadas nas instâncias superiores e deviam ser cumpridas rigidamente pelas esferas inferiores da hierarquia. O segundo elemento da doutrina comunista era a socialização da propriedade e o planejamento centralizado da economia (isto é, sem sujeição às variações do mercado, como na economia liberal capitalista).
Em princípio, toda propriedade privada dos meios de produção e todos os elementos da economia de mercado deveriam ser abolidos e a vida econômica deveria ser controlada e planejada pelos ministérios, responsáveis pela definição das metas de produção das fábricas e fazendas agrícolas coletivas, pela fixação dos preços, alocação de trabalhadores etc. Embora esse princípio nunca tenha sido completamente implementado, o comunismo soviético, no seu auge, foi o exemplo mais característico de uma sociedade em que todos os aspectos eram controlados por uma pequena elite política (durante o período stalinista, 1928-53, tal controle se concentrou nas mãos de um só indivíduo); por isso, foi por muitos considerado um caso típico de totalitarismo. No entanto, as conquistas econômicas e militares do regime soviético inspiraram muitos movimentos políticos e sociais; em alguns países não-desenvolvidos, como China, Vietnã, Coréia do Norte e Cuba, os partidos comunistas tomaram o poder e instauraram regimes mais ou menos baseados no modelo soviético. Na Europa Oriental, os governos comunistas se instalaram sob influência soviética ao final da Segunda Guerra Mundial. Mas o modelo comunista, tal como realizado, foi sendo cada vez mais criticado, nos países desenvolvidos ocidentais, pela ineficiência econômica, e mesmo intelectuais simpáticos ao marxismo condenavam a ausência de uma democracia genuína e de respeito aos direitos humanos. Na década de 70, a maioria dos partidos comunistas dos países ocidentais adotaram as idéias da corrente chamada 'eurocomunismo', basicamente caracterizada pela defesa das instituições democráticas e da conquista do poder pela via eleitoral, com abandono da teoria leninista da 'ditadura do proletariado'. Na década seguinte, o questionamento do comunismo mais 'ortodoxo' começou a se disseminar na Europa Oriental e na União Soviética, culminando numa série notável de transformações, às vezes revolucionárias e na maioria pacíficas, que tiraram os partidos comunistas do poder, abrindo o caminho para a democracia liberal e a economia de mercado. No entanto, em vários países verificaram-se, em um segundo momento, resultados eleitorais moderadamente favoráveis aos partidos comunistas, concorrendo em eleições multipartidárias. Hoje, alguns comentaristas já afirmam que o significado histórico do comunismo terá sido oferecer uma via de transição de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial, e não (como ele mesmo se considerava) o objetivo final da história humana.
Fascismo
Ideologia política da primeira metade do século 20, cuja idéia central era a de que o indivíduo deve estar subjugado às necessidades do Estado que, por sua vez, deve ser dirigido por um líder forte que incorpore a vontade da nação. Originalmente, o fascismo se desenvolveu na Itália, nos anos 20, com a ascensão de Benito Mussolini (1883-1945) ao poder, mas também se estabeleceram regimes fascistas na Alemanha (ver nazismo) e na Espanha; houve também movimentos fascistas fortes em muitos outros países nas décadas de 30 e 40 (no Brasil, o integralismo apresentou afinidades com o fascismo). O apelo do fascismo residia na imposição de uma imagem de ordem e disciplina, em contraste com a suposta licenciosidade na organização da economia das democracias liberais. Os movimentos fascistas adotavam uma estrutura paramilitar e, no poder, tentavam difundir a disciplina militar sobre toda a sociedade, ao custo da liberdade individual. As instituições democráticas eram substituídas pelo culto de um líder único, cujos pronunciamentos eram incontestáveis. Pode-se dizer que o fascismo foi uma forma de totalitarismo que, no entanto, atraiu o apoio das massas nos países em que esteve no poder, sendo derrotado apenas por meios militares no curso da Segunda Guerra Mundial. Alguns cientistas políticos apontaram a presença de elementos do fascismo em regimes autoritários das décadas subseqüentes, especialmente em ditaduras militares de países em desenvolvimento; nenhum desses regimes, porém, chegou a adotar explicitamente uma ideologia fascista.
IntegralismoVersão brasileira do fascismo, o integralismo pregava o governo ditatorial ultranacionalista, que promoveria uma limpeza do país baseada no lema "Deus, Pátria, Família". Sua expressão partidária foi a Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932, que obteve grande apoio dos setores mais conservadores da sociedade, como a oligarquia tradicional, os militares e o clero. Favorecido pelo quadro político da época e inspirado no fascismo italiano, o integralismo acenava para o perigo de que os comunistas ascendessem ao poder, a fim de manter os opositores sob vigilância constante e estabelecer um clima emocional tenso entre seus próprios partidários, que formavam grupos paramilitares capazes de dissolver as manifestações de esquerda. Os integralistas promoviam uma luta constante contra o "perigo vermelho". Em 1937, com o golpe de Estado dado por Getúlio Vargas, a Ação Integralista Brasileira foi dissolvida, assim como os outros partidos políticos. Entre os líderes do integralismo estavam Plínio Salgado e Raimundo Padilha.
(dados do site www.comunismo.com.br)
Liberalismo
Corrente de idéias ou conjunto de convicções políticas que têm como foco principal a defesa e preservação das liberdades individuais na sociedade. As idéias liberais começaram a tomar corpo nos séculos 16 e 17, época de lutas pela tolerância religiosa nos Estados nacionais, que então se formavam. Segundo o liberalismo, a religião é um assunto privado e não é função do Estado impor uma crença qualquer aos cidadãos. Essa corrente de idéias transformou-se em doutrina política, caracterizada pela limitação dos poderes do Estado. As suas fronteiras, para os primeiros teóricos liberais, como Locke, são definidas pelo respeito aos direitos naturais dos indivíduos. Por volta de 1800, o liberalismo passou a estar associado às idéias de livre mercado e de laissez-faire, principalmente à diminuição do papel do Estado na esfera econômica. Essa tendência se reverteu no fim do século 19, com o surgimento do 'novo liberalismo' (distinto do que hoje se conhece como 'neoliberalismo'), comprometido com a reforma -- embora limitada -- da sociedade e com legislações voltadas para aspectos sociais. Ambas as perspectivas estão presentes nos debates contemporâneos. Alguns, como Hayek, reportam-se às idéias da economia clássica do século 18; outros sustentam os princípios da economia mista e do estado de bem-estar social. Apesar dessas discordâncias, os liberais têm em comum a valorização das liberdades individuais em detrimento do aumento do poder do Estado. Os liberais são ativos defensores do governo constitucional, dos direitos civis e da proteção à privacidade.
Totalitarismo
Sistema político no qual todas as atividades individuais e relações sociais estão sujeitas à fiscalização e controle pelo Estado. A noção de totalitarismo originou-se nas décadas de 30 e 40, quando observadores notaram pontos de similaridade entre o nazismo e o comunismo soviético stalinista, como por exemplo o governo unipartidário chefiado por um único e poderoso indivíduo, a promoção de uma ideologia oficial através de todos os veículos de comunicação, o controle governamental da economia e o amplo uso de táticas de terror pela polícia secreta. Juntas, estas características indicavam uma sociedade em que o poder era extremamente centralizado e na qual nenhuma pessoa podia escapar da atenção do Estado. Um regime totalitarista é uma forma especificamente moderna de Estado autoritário, que exige uma tecnologia avançada de controle social. Alguns estudiosos (notadamente Hannah Arendt) explicaram a emergência de tais regimes relacionando-os ao crescimento da sociedade de massa: onde os vínculos da sociedade são demolidos, os indivíduos, isolados entre si (atomizados), podem ser mobilizados pela propaganda de líderes políticos.
Nazismo
Ideologia do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha, que governou a Alemanha sob Adolf Hitler de 1933 a 1945. Combinava duas doutrinas essenciais: a crença fascista na unidade nacional, garantida por um estado unipartidário no qual o líder supremo personifica o desejo nacional, e a crença racista na superioridade do povo ariano, que sustentava que as outras raças (como os eslavos e judeus) deveriam ser subjugadas -- e, caso necessário, exterminadas. A derrota de Hitler e a reação mundial à sua política genocida levaram ao virtual desaparecimento do nazismo das principais correntes políticas. Ele mantém, no entanto, influência em determinados grupos marginais de extrema direita.
NazistaMembro do Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, que foi fundado em 1919, como Partido Alemão, por um serralheiro de Munique, Anton Drexler, sendo rebatizado em 1920 e assumido por Hitler em 1921. Os nazistas dominaram a Alemanha de 1933 a 1945. Com base em um programa coerente, o partido opunha-se à democracia. Promulgou teorias de pureza da raça ariana e o conseqüente anti-semitismo, aliado à antiga tradição militar prussiana e a um extremo senso de nacionalismo, e inflamado pelo rancor em relação aos humilhantes termos impostos à Alemanha no Tratado de Paz de Versalhes. A ideologia nazista se apropriou das teorias racistas do conde de Gobineau, do fervor nacionalista de Heinrich von Treitschke e das teorias de supremacia de Friedrich Nietzsche. Recebeu expressão dogmática com o livro Minha Luta (Mein Kampf) de Hitler (1925). O sucesso dos nacional-socialistas é explicado pelo desespero dos alemães ante o fracasso dos governantes da República de Weimar em solucionar os problemas econômicos durante a Grande Depressão e pelo crescente temor do poder e da influência bolchevique. Através da oratória de Hitler, eles ofereciam aos alemães uma nova esperança. Somente depois que Hitler obteve o poder de forma constitucional foi criado o Terceiro Reich (Reino). Partidos rivais foram banidos, ameaçados ou subornados, as instituições estatais e o exército alemão foram cooptados. Posteriormente, transformaram-se em supremos agentes do propósito de Hitler de controlar a mente do povo alemão e lançá-lo em uma seqüência de conquistas. No período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial, aspectos da ideologia nazista encontraram adeptos em vários países do mundo ocidental. Os sistemas e dogmas nazistas foram impostos à Europa ocupada entre 1938 e 1945, e mais de 4 milhões de judeus, russos, poloneses e outros foram encarcerados e exterminados em campos de concentração. O Partido Nazista Alemão foi disperso em 1945 e sua restauração oficialmente proibida pela República Federal da Alemanha. O ressentimento contra imigrantes em épocas de altas taxas de desemprego na antiga Alemanha Oriental, no entanto, precipitou uma renovação de demonstrações neonazistas em 1992.
Adolf Hitler(1889-1945), ditador alemão. Nascido na Áustria, filho de Alois Hitler e Klara Poezl. Alistou-se voluntariamente no exército bávaro no começo da Primeira Guerra Mundial, tornou-se cabo, ganhou duas vezes a Cruz de Ferro por bravura e foi ferido em combate. Depois da desmobilização, associou-se a um pequeno grupo nacionalista, o Partido dos Trabalhadores Alemães, que mais tarde se tornou o Partido Nacional-Socialista Alemão (ou nazista), e descobriu o talento para a demagogia. Em Viena, ele havia assimilado as idéias anti-semitas que, insufladas por seus longos discursos contra o Acordo de Paz de Versalhes e contra o marxismo, encontraram terreno fértil em uma Alemanha humilhada pela derrota. Em 1921, tornou-se líder dos nazistas e dois anos mais tarde organizou uma malograda insurreição, o putsch de Munique. Durante os meses que passou na prisão com Rudolph Hess, Hitler ditou o Mein Kampf (Minha Luta), um manisfesto político no qual detalhou a necessidade alemã de se rearmar, empenhar-se na auto-suficiência econômica, suprimir o sindicalismo e o comunismo, e exterminar a minoria judaica. O começo da Grande Depressão, em 1929, trouxe-lhe um grande fluxo de adeptos, de forma que, ajudado pela violência contra inimigos políticos, seu Partido Nazista floresceu. Após o fracasso de sucessivos chanceleres, o presidente Hindenburg indicou Hitler como chefe do governo (1933). Hitler criou uma ditadura unipartidária e no ano seguinte eliminou seus rivais na "noite das facas longas". Com a morte de Hindenburg, ele assumiu o título de presidente e "Führer do Reich Alemão". Começou o rearmamento, ferindo o Tratado de Versalhes, reocupou a Renânia em 1936 e deu os primeiros passos para sua pretendida expansão do Terceiro Reich: a Anschluss (anexação) com a Áustria em 1938 e a tomada da antiga Tchecoslováquia, aos poucos, começando com os Sudetos. Hitler firmou o pacto de não-agressão nazi-soviético com Stalin, a fim de invadir a Polônia, mas quebrou-o ao atacar a Rússia em 1941. Sua invasão à Polônia precipitou a Segunda Guerra Mundial. Seguia táticas 'intuitivas', indo contra conselhos de especialistas militares, e no princípio obteve vitórias maciças. Em 1941, assumiu o controle direto das forças armadas. Como o curso da guerra mostrou-se desfavorável à Alemanha, decidiu intensificar o assassinato em massa, que culminou com o Holocausto judeu. Sobreviveu à conspiração para assassiná-lo e eliminou todos aqueles nela envolvidos. Em 1945, quando o exército soviético entrou em Berlim, ele fez realizar seu casamento com a amante, Eva Braun. Todas as evidências levam a crer que os dois suicidaram-se e tiveram seus corpos queimados em um abrigo subterrâneo.