Civilização Grega
Introdução
A Grécia antiga desempenhou um papel
muito importante na Antigüidade, constituindo uma civilização cuja influência
foi profunda na formação da cultura ocidental.
A Grécia antiga abrangia o sul da península Balcânica (Grécia européia
ou continental), as ilhas do mar Egeu (Grécia insular) e o litoral da Ásia menor
(Grécia asiática).
Na Grécia continental, o solo é árido e pedregoso, o que tornava difícil
a prática da agricultura. O relevo, muito acidentado, dificultava a comunicação
entre vários pontos do interior dessa região. No litoral, havia facilidade de
comunicação pelo mar. Sendo extremamente recortada, a costa grega apresentava
uma série de portos naturais.
Vida econômica
A economia grega teve, no seu início, um
caráter nitidamente agrícola e familiar. Cada agregado familiar bastava-se a si
mesmo. Enquanto o homem construía a casa, cultivava a terra, fabricava as armas,
a mulher tratava da vida interior do lar, cozinhando, lavando, confeccionando as
roupas.
O sistema de trocas, forma primitiva da vida econômica, começa, contudo,
já a esboçar-se, do que nos dão conta os poemas homéricos em que vemos os
pastores trocarem a lã e o leite de seus gados por utensílios e produtos que vão
buscar nas povoações vizinhas. É ainda um sistema rudimentar, mas que já anuncia
uma mais vasta transformação. Os grandes domínios desaparecem, ou ficam
limitados a um pequeno número, e a terra, até aí abandonada ou coberta de
florestas, começa a ser racionalmente aproveitada. Em breve o sistema de trocas
aperfeiçoa-se, por mostrar-se insuficiente.
Moeda
Com o passar do tempo, os povos evoluíram, e
aparece a necessidade de criar um sistema mais aperfeiçoado de troca. Foi o
início da criação da moeda.
Nos séculos VII e VIII, o ouro, o cobre e o ferro fazem a sua aparição,
como matéria prima utilizável cunhada, isto é, aquela em que o fabricante
garante, pela sua marca e sua efígie, o peso e a qualidade, só posteriormente
começa a ser difundida.
A moeda aligeira-se e passa a ser fabricada apenas em ouro e prata,
acabando finalmente por se tornar monopólio do estado.
Com a difusão do uso da moeda, criam-se diferentes sistemas monetários,
e como conseqüência disso, as minas de ouro e prata da Grécia, são rapidamente
esgotadas.
Só Esparta conserva a sua pesada e imprópria moeda de ferro, que se
mantém em uso até o começo do século III.
A Escravatura
O escravo grego, adquirido por compra aos
povos orientais ou prisioneiro de guerra, embora sendo tratado com humanidade e
podendo adquirir um pequeno pecúlio, não possuía teoricamente nenhum direito,
não podendo pelo menos de início, libertar-se.
A Religião Grega
A religião grega, cujas origens são múltiplas
como as de todas as religiões, apresenta, de início, um caráter acentuadamente
totêmico, que se reflete no culto pelas divindade animais. Vestígios do
primitivo totem aparecem ainda nos tempos históricos com os deuses de cauda de
serpente com os animais que acompanham as divindades antropomórficas, como a
coruja de Atenéia e a águia de Zeus. Em Delfos, que tanta influência iria ter,
não sobre a vida religiosa, mas sobre a vida política dos gregos, o antigo deus
era representado por uma serpente e só mais tarde assumiria a forma de Apolo. A
divinização das forças da natureza, que encontram-se em todas as religiões
primitivas misturadas com prática de magia de caráter imitativo, também é uma
das características da antiga religião grega, e traduz-se no culto da deusa-mãe,
próprio de muitos outros povos, em que a terra primitivamente virgem se torna
fecunda pela ação das chuvas.
Os gigantes e os titãs antepassados dos homem que nascem desse conúbio
mais tarde serão escorraçados por Zeus, – deus de origem indo-ariana – o que nos
faz supor que essas formas primitivas do culto correspondem à população
autóctone, mais tarde vencida e dominada pelas tribos helênicas.
Os gregos adoravam vários deuses, e
os representavam sob a forma humana. Portanto, sua religião era politeísta e
antropomórfica. Os deuses habitavam o monte Olimpo. No monte Olimpo habitavam 15
deuses, são eles:
Zeus - Deus do céu e Senhor do Olimpo;
Héstia - Deusa do lar;
Hades - Deus do mundo subterrâneo (inferno);
Deméter - Deusa da agricultura;
Hera - Deusa do casamento;
Posêidon - Deus dos mares
Ares - Deus da guerra;
Atena - Deusa da inteligência e da sabedoria;
Afrodite - Deusa do amor e da beleza;
Dionísio - Deus do vinho, do prazer e da aventura;
Apolo - Deus do Sol, das artes e da razão;
Artemis - Deusa da Lua, da caça e da fecundidade animal;
Hefestos - Deus do fogo;
Hermes - Deus do comércio e das comunicações.
Asclépio - Deus da medicina.
As três Graças;
As noves Musas;
Eros;
As Horas;
As Morais.
O culto aos deuses era tão desenvolvido entre os gregos, que chegaram a erigir soberbos templos as suas divindades, nos quais realizavam suas orações. Consideravam que os oráculos eram meios utilizados pelos deuses para se comunicarem com eles.
Literatura
Pelo que diz respeito a literatura grega, há a
considerar, uma grande obra: os poemas homéricos.
De fato, eles são a obra comum de um povo cuja unidade espiritual, se
começa a formar, e será a mais forte, através da história, de todos os povos
conhecidos.
E o seu valor não é especificamente literário. Contribuindo para a
formação de uma tradição mítica e de uma religião comuns, eles estabeleceram
definitivamente a base histórica dessa unidade.
Mas logo a seguir, a literatura começou a individualizar-se e, no século
VI, as manifestações literárias de caráter pessoal já se multiplicavam por todo
o mundo grego. Esse fenômeno é particularmente evidente na poesia, que ensaia,
com felicidade, os seus primeiros vôos líricos e dramáticos.
A arquitetura e a escultura
A arquitetura e a escultura vão se
desenvolvendo a par, seja no progresso material, que se traduz pelo
enriquecimento das cidades e das populações, seja no progresso espiritual , que
se revela nas instituições morais e políticas, na literatura e na filosofia.
É certo que as cidades gregas só virão atingir o seu máximo esplendor
material na época helenística e conservarão sempre, no seu conjunto, um aspecto
modesto, em nada comparável com a grandiosidade suntuosa das cidades dos antigos
impérios. A partir do século VI começam a notar-se grandes progressos, que se
evidenciam não só no tamanho das construções como no aperfeiçoamento e
multiplicidade das formas arquiteturais.
O aperfeiçoamento da aparelhagem das paredes, a utilização da
falsa-esquadria, que permite a adaptação de pedras poligonais, e o uso, em larga
escala, de colunas caneladas e mais altas, coroadas por fustes soerguidos de
formas mais delicadas e imaginosas, vem a par com o emprego do mármore nas
construções, que, a partir do século VI, se generaliza.
O estilo dórico mais simples, mas mais grandioso, combina-se com o
jônico, impregnado de influências orientais, com os seus graciosos capitéis
cercados por frisos esculpidos, cariátides ou motivos ornamentais como cenas
descritivas, ou em que a flor de loto predomina.
A arquitetura grega teve como mérito essencial o ter justificado e
encorajado a escultura, dado que o escultor tinha como principal função
ornamentar as grandes obras arquiteturais. Estas, mesmo no século V,
confinavam-se aos edifícios públicos, especialmente aos templos, vistos que as
residências particulares conservam até a época helenística a mesma configuração
sóbria e modesta.
Mas até nos templos as inovações não abundam. Os arquitetos gregos,
mesmo os maiores, que dirigiram a construção do
Partenon, dos Propileus e do Erecteion, e cujos nomes como o de Calícrates,
Fílocles, Menesicles e Ictino passaram a
posteridade, não conseguiram resolver os problemas técnicos a que os obscuros
arquitetos medievais, iriam, entre o século X e o XIV, dar uma tão simples e
harmoniosa solução.
A Pintura e a Cerâmica
Da pintura grega, se é certo que chegaram até
nos os nomes de Micon, Polignoto e Panaínos, apenas se sabe, diretamente, que
servia como decoração interior dos templos, visto que desapareceram todas as
suas composições.
Pelo desenho dos vasos pode-se afirmar que ele revela um progresso
nítido sobre a pintura dos impérios antigos, embora esse progresso se refira
exclusivamente ao desenho e não à cor, que continua a ser basta e empastada.
Da cerâmica conservaram-se magníficos exemplares, alguns assinados por
Eufrônio, o mestre ceramista mais notável da
Antigüidade grega.
A Ciência e a Filosofia
Ciência e filosofia são, de começo, na Grécia,
inseparáveis, e a sua cisão só se virá a fazer – e dentro de certa medida – na
época helenística, para se efetivar nos tempos modernos, sem que, as ligações
entre as duas se rompam inteiramente.
Ciência, no seu sentido mais vasto, significa conhecimento, e assim
parece envolver a própria filosofia, que não é mais que uma tentativa permanente
desiludida, mais teimosamente persistente, de conhecimento total.
Esparta
Esparta , ou Lacedemônia, localizava-se na
península do Peloponeso, na planície da Lacônia. Foi fundada no século IX a.C.,
as margens do rio Eurotas, após a união de três tribos dóricas.
Esparta tem sido considerada muito justamente o protótipo da cidade
aristocrática.
Politicamente, Esparta organizava-se sob uma diarquia, ou seja, uma
monarquia composta por dois reis, que tinham funções religiosas e guerreiras. As
funções executivas eram exercidas pelo Elforato, composto por cinco membros
eleitos anualmente.
Havia também a Gerúsia, composta por 28 membros da aristocracia, com a
idade superior a 60 anos, que tinham funções legislativas e controlavam as
atividades dos diarcas. Na base das estruturas políticas, encontravam-se a Ápela
ou assembléia popular, formada por todos os cidadãos maiores de 30 anos, que
tinham a função de votar leis e escolher os gerontes.
O modo de vida espartano, rigidamente regulamentado, visava perpetuar de
todas as formas, a estrutura social existente. A educação do cidadão espartano
era dirigida intensamente para a obediência à autoridade e para a aptidão
física, fundamentais à um estado militarizado. Todas as crianças que possuíssem
debilidade física, algum indício de doença ou fraqueza, eram sacrificadas ao
nascer. As demais ficavam com suas famílias até os sete anos de idade, e depois
os meninos eram entregues ao estado.
Até os 18 anos aprendiam a viver em duras condições, recebiam uma rígida
disciplina, depois entravam para o exército, tornando-se hoplitas. Aos 30 anos
tornavam-se cidadãos, podendo casar e ter participação política. Somente aos 60
anos eram desmobilizados do exército podendo fazer parte da Gerúsia.
Atenas
Atenas situava-se na Ática, apresenta uma
paisagem movimentada, onde colinas e montanhas parcelam pequenas planícies.
A ocupação inicial da Ática se fez com os aqueus, seguidos
posteriormente por jônios e eólios.
Atenas conservou a monarquia por muito tempo, até que foi substituída
pelo arcontado. O arcontado era composto por nove arcontes cujos mandados eram
anuais. Foi criado também um conselho – o aerópago – composto por eupátridas,
com a função de regular a ação dos arcontes. Estabeleceu-se assim o pleno
domínio oligárquico.
No século V, período de seu maior desenvolvimento, essa admirável
democracia ateniense representou a maior realização política da Antigüidade.
O regime político de Atenas, pela primeira vez, o conceito puro de
democracia se estabelece, assenta sobre a igualdade dos cidadãos em face da lei.
Aos poucos, os últimos vestígios de privilégio vão desaparecendo, e ficam de
fora as mulheres, os estrangeiros e os escravos.
Além de se encarnar nos usos e costumes que o exercício das liberdades e
o sentimento de igualdade orna mais compassivos e humanos, ela se encontra
garantida na lei que lhe proíbe que lhes seja dada a morte pelo seu senhor,
punindo, severamente, as sevícias e os maus tratos.
Sem ser perfeito, o funcionamento da democracia em Atenas está
assegurado pela adequada formação dos seus órgãos políticos.
De fato, tanto quanto é possível, a vontade popular, isto é, a soberania
do povo, encontrou nas instituições democráticas de Atenas a forma se exprimir e
exercer.
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