A proposta de
Althusser
Ciro Marcondes Filho
I. INTRODUÇÃO
O
trabalho que ora apresentamos possui objetivos teóricos específicos. Baseados na
possibilidade de proceder a uma leitura crítica da proposta althusseriana,
tentaremos dar por um lado uma contribuição para o desenvolvimento da questão
epistemológica do pressuposto hegeliano no pensamento e no programa metodológico
marxiano, e, por outro, avaliar as colaborações do pensamento de Althusser no
progresso da ciência da sociedade capitalista em proposições particulares e
gerais.
Para tanto, procuramos na obra althusseriana (1) o momento exato em que, com
mais segurança afirmasse onde está o ponto de estrangulamento fundamental que
impede o livre desenvolvimento de uma ciência marxista como tal. Esse empecilho
localiza-se na passagem célebre da literatura marxista, conhecida por "inversão
hegeliana". Para Althusser o problema não está apenas em inverter os pólos
mantendo a unidade do sistema lógico de Hegel. É preciso localizar em Marx um
modelo, um método de explicação que difere tanto da natureza dos objetos quanto
nas suas próprias estruturas internas da proposta hegeliana (2).
A nossa preocupação aqui, entretanto, não será a de investigar sobre o fato de
que Marx mantém em seu discurso o modo de explicação hegeliana ou não. Esse
problema cabe a intelectuais que mais exaustivamente procedam a uma nova exegese
à obra marxiana, agora preocupados com a lebre levantada por Althusser. Nosso
objetivo aqui é mais modesto. Estamos preocupados, única e exclusivamente, em
avaliar a exatidão das provas apresentadas por Althusser e suas justificativas
lógicas na defesa da tese.
Desta forma trabalharemos diretamente com os textos althusserianos e não faremos
o cotejo a não ser com o próprio Marx. Mesmo assim, respeitando as hipóteses por
ele propostas de que o Jovem Marx não era marxista, limitar-nos-emos aos textos
do Velho Marx. Mesmo assim, ainda respeitando os parâmetros traçados por ele,
trabalharemos quase que exclusivamente sobre uma única obra, qual seja, a
Introdução à Crítica da Economia Política, de setembro de 1857. Em vista
dele ter-se descartado das demais obras que compõem a literatura completa e
ficado apenas com esse texto e algumas notas esparsas de obras que ele
classifica "de maturidade", assim procederemos, chamando à discussão igualmente
notas esparsas para comprovar o raciocínio e assessorar a Introdução de 1857.
Evitaremos neste trabalho, por questões eminentemente de entendimento, de
classificar ou analisar as citações athusserianas como sendo "marxistas". Não
queremos aqui negar o caráter marxista de sua proposta, mas apenas, pelo tipo de
trabalho que desenvolvemos, procurar separar nitidamente o que é de Althusser do
que é de Marx, o que ele nem sempre faz, levando os menos avisados a confusões
de origens. Trataremos, assim, as citações althusserianas por este título, para
diferi-las das marxistas de Marx. Isso não significa nenhum preconceito
apriorístico: o próprio tipo de trabalho nos obriga a essa distinção.
Outros autores filiados à escola althusseriana de Paris por mais que
complementem ou corrijam problemas oriundos de interpretação que ele dá do
marxismo, não serão analisados. Reservamo-nos, contudo, ao direito de recorrer a
outros críticos de Althusser que focalizaram problemas específicos, para uma
abordagem completa, mesmo que esses tenham nele se inspirado (3).
II. A LEITURA DE MARX
Althusser propõe como princípio básico de seu programa a natureza da inversão.
Não se trata apenas dos objetivos aos quais aplica o mesmo método, "mas também o
problema da natureza da dialética considerada em si mesma, isto é, o
problema de suas estruturas específicas. Não o problema da inversão de
'sentido' da dialética, mas o problema da transformação dessas estruturas"
(4). Segundo ele, existe um erro generalizado (entre alguns antigos e recentes
intérpretes), de localizar em Marx um rastro hegeliano. Ao contrário, diz, "Marx
nunca foi hegeliano" (5). São os intérpretes que, através de uma leitura
incorreta dos textos (de maturidade), encontraram essa origem. Vejamos por
exemplo Schmidt: "o aspecto 'constitutivo' do método do Capital pode-se
fundamentar de maneira mais adequada sobre uma base hegeliana de
interpretação materialista" (6). Contra isso Althusser explica que autores
outros (não especifica) julgam que há apenas uma distinção entre o método
e o conteúdo ou então que Marx pôs em pé o sistema hegeliano. Isso não
deixa de ser humorístico para Althusser (7), já que o sistema hegeliano é uma
"esfera de esferas" (8).
A deficiência de leituras anteriores às obras de Marx, é justificada por
Althusser, por prenderem-se apenas às linhas, não penetrando a fundo, lendo o
que não está escrito. É preciso uma leitura "symptômale", diz (9). Para ele
"Marx conseguiu ler o ilegível em Smith" (10), e é através desse critério que se
consegue captar estruturas invisíveis à primeira vista, mas que são a espinha
dorsal do discurso. Isso justifica a inserção althusseriana no discurso marxista
da categoria de eficácia de uma estrutura sobre seus efeitos (da qual
falaremos mais tarde). Isso também permite a qualquer leitor graves vôos da
imaginação à busca de categorias "eminências pardas" nos discursos científicos.
Com isso ele propõe-se como programa a localização da resposta (a uma questão
colocada), da estrutura ausente que legitimou a inversão da dialética hegeliana
(11).
Apenas Marx poderia comprovar que carecem de julgamentos essas proposições de
seu discurso. Marx explica que Hegel foi o primeiro pensador que soube "expor de
modo amplo e consciente as formas gerais do movimento, o que ocorre é que a
dialética aparece nele invertida, posta de ponta-cabeça" (12). Na frase clara,
Marx identifica de uma forma simples a importância hegeliana: nada a respeito de
que seu método fosse estruturalmente distinto do de Hegel como nos diz
Althusser. Nada nos diz de que além da "virada" algo mais ocorreu. Althusser
talvez responderia que a afirmação foi imprecisa, mas o texto é da fase que ele
classifica de "madura". Marx anteriormente (13) afirma algo mais radical:
"coincidindo precisamente com os dias em que escrevia o primeiro volume do
Capital, esses petulantes e medíocres epígonos, que hoje põem cátedra na
Alemanha culta, deram em arremeter contra Hegel do modo como o bom Moss
Mendelssohn arremetia contra Spinoza: tratando-o como 'cachorro morto'. Isto foi
o que me decidiu a declarar-me abertamente discípulo daquele grande
pensador...". Significar que o método marxista é a antítese do hegeliano, é
explicada por Marx apenas no nível do objeto: não há outra leitura possível que
Althusser quer arrancar (13).
As dúvidas mais se dissipam quando Marx afirma que Hegel começa corretamente sua
Filosofia do Direito com a posse (14). Explicitamente Marx
aponta que usa o método hegeliano quando diz que "gostaria muito de tornar
acessível à inteligência humana comum, em dois ou três parágrafos o que é
racional no método que descobriu Hegel, mas que ao mesmo tempo está
envolvido em misticismo..." (15). Dez anos depois (estamos falando de Marx que
Althusser chama de "maduro"), em outra carta (16), Marx diz que "a dialética de
Hegel é a base de toda a dialética". Não há dúvidas, portanto, de que o fato de
que por a dialética em pé deixa de ter o caráter humorístico que Althusser lhe
dá para ser defendido não somente pelos intérpretes de Marx mas por ele próprio.
Percebemos que as declarações explícitas de Marx negam as suposições implícitas
de entrelinhas althusserianas. Onde está, então, a justificativa de que as
"estruturas internas" mudaram, de que é uma outra dialética a que Marx usa? Onde
estão, senão nas leituras "symptômales" a razão dessa afirmação? Ora, a
comprovação da tese faz-se através de argumentos baseados em provas fora
do objeto analisado. Negando Hegel, diz Giannotti, "Althusser se vê na
contingência de reduzir ao mínimo o alcance de uma série de textos de Marx que
afirmam essa filiação e empregam o vocabulário da lógica hegeliana" (17).
Para Althusser, Marx raciocina hegelianamente nos textos de juventude. A própria
Crítica à Filosofia do Direito, é feita em termos hegelianos (18). Essas
obras, diz, teoricamente falando, não são marxistas (19). Nelas, Marx usa
conceitos desequilibrados (20). O rompimento com Ludwig Feuerbach se dá por que
ele permanece em terreno hegeliano. Não nos preocuparemos aqui em provar ou
investigar se as afirmações de Althusser têm ou não fundamento. Isso implicaria
muito o trabalho e excederia os limites teóricos que nos impusemos.
Centrando-nos nas obras ditas de "maturidade", percebemos que os argumentos
althusserianos merecem atenção especial.
Marx nas suas análises, diz Althusser, usa o par essência-fenômeno "assumindo as
suas ambigüidades" (21) e analisa o fetichismo da mercadoria de uma forma
inadequada. "É sem dúvida aí que nós vemos mais claramente Marx se debater com
conceitos de referência inadequados a seu objeto ora aceitando-os, ora
refutando-os, num movimento necessariamente contraditório" (22). Percebe-se que,
mediante a clareza da exposição marxista n'O Capital a utilização fluente
de conceitos hegelianos não demonstra, ao contrário, em Marx nenhuma dubiedade
ou inadequação. Pelas passagens anteriores, em que nos referimos às citações de
Marx sobre Hegel, está claro que nas linhas não há afastamento formal (do
problema do conteúdo falaremos adiante). Somente uma leitura forçada nos leva a
encontrar essas dubiedades.
Althusser diz que Marx usa conceitos hegelianos ora "simulando as fórmulas
hegelianas" (23), ora "por falta de melhor" (24) ora "para combatê-lo" (25).
Essas são todas interpretações que ele dá à utilização freqüente que Marx
faz das categorias hegelianas. Não há como se provar que houvesse simulação,
falta de melhor ou que os conceitos foram usados como arma contra os
adversários. A argumentação move-se no movediço dessa terra mal sedimentada. Que
glória existe em uma interpretação cuja coerência baseia-se na incompetência
vocabular de Marx? (26) Mas o problema todo não termina aí. Ao contrário,
começa.
III. O MÉTODO DE ABORDAGEM
1. Da pesquisa sobre os fundamentos
A
proposição althusseriana é a de que dois grandes sistemas caracterizam a
economia clássica: o mecanismo cartesiano, que reduzia a causalidade a uma
eficácia transitiva, e o expressionismo leibniziano, com a eficácia do todo
sobre seus elementos (27). Ignorando a vinculação cartesiana de Spinoza,
Althusser atribui-lhe não somente a qualidade de precursor de Marx, bem como a
de causador de uma revolução filosófica sem precedentes na evolução das idéias
(28). Hegel, diferentemente, segundo ele, vem de Leibniz e o empirismo e o
sensualismo sustentam seu sistema (29). A totalidade histórica não é descoberta
sua, mas de Montesquieu que é o seu pai (30).
O início do trabalho de Lire le Capital é o lançamento da questão vital
para o althusserianismo: será O Capital uma revolução teórica sem
precedentes na história do conhecimento ou não passa de "uma produção ideológica
entre outras" (31). Indisfarçadamente coloca os termos em uma ordem
ideologicamente imparcial. Contra o que qualifica de leibnizianismo, atribui a
Marx uma desvinculação da expressividade do todo sobre as partes, jamais
encontrada em qualquer texto marxista. Apelando a Spinoza (cuja ascendência
cartesiana terá conseqüências maiores no pensamento althusseriano, como veremos
adiante), encontra nele os fundamentos da dualidade que mais tarde vai atribuir
a Marx (objeto do conhecimento e objeto real) através do pensamento e extensão
de seu sistema. Quanto à revolução teórica sem precedentes de Spinoza, contradiz
igualmente Marx, que afirma que revolução sem precedentes foi a de Hegel (32).
2. Objeto Real e Objeto de Conhecimento: Identidade ou Diferença?
Althusser nos mostra que há um erro na interpretação que autores marxistas fazem
no processo do conhecimento, que é o da identificação de duas coisas que para
ele são distintas: objeto real e objeto do conhecimento. E no empirismo que se
localiza essa confusão de uma forma mais precisa. Para o empirismo, conhecer é
abstrair do objeto a sua essência (33). O objeto real, para o empirismo,
ilustra-nos Althusser, possui duas partes: a essencial (interior e escondida) e
a inessencial (externa e visível). O empirismo, portanto, deve abstrair do
objeto o conhecimento que lhe é imanente (34).
A tarefa da investigação althusseriana, é, então, separar as coisas: o
conhecimento não faz parte do objeto, não aparece em suas partes realmente
distintas. Isso é justificável, segundo Althusser, através de duas citações de
Marx: uma é a de que na análise apresentada, há dois objetos distintos, o objeto
real que "existe fora do sujeito e independe do processo de conhecimento" (Marx,
até aqui) e o objeto de conhecimento (essência do objeto real) que é belo e bem
distinto do objeto real (35), a outra é "Hegel caiu na ilusão de conceber o real
como resultado do pensamento, abrangendo-se a si mesmo, aprofundando-se em si
mesmo, e movimentando-se por si mesmo, tal que o método que permite se elevar do
abstrato ao concreto não é nada mais que uma forma na qual o pensamento se
apropria do concreto e o reproduz sob a forma de um concreto espiritual" (36).
Isso é suficiente para que Althusser encontre nas palavras de Marx elementos
para comprovar essa separação. É isso que separa, para ele, toda a ideologia
especulativa e empirista da filosofia marxista (37).
Analisando mais detidamente os textos, percebemos que a leitura althusseriana,
talvez carregada de recursos symptômales, consegue perceber coisas
imperceptíveis, ler coisas não escritas. Na primeira citação, Marx quer dizer
que os objetos existem na realidade independente do sujeito, são dados, não são
construções teóricas na cabeça dos indivíduos pensantes. Althusser
disfarçadamente "complementa" Marx com um trecho seu, levando o leitor mais
apressado a uma mistura do que é fonte sua da que é marxista. Marx não disse que
havia dois objetos, mas que os objetos reais não eram obra da cabeça dos
indivíduos. Igualmente no texto seguinte citado: nada garante à leitura
althusseriana essa apropriação enganosa da idéia. Essa característica de leitura
onde ele "faz Marx falar" (38) encobre obrigatoriamente a verdade explícita
formulada por Marx. O célebre "o concreto é concreto por que é a síntese de
muitas determinações, isto é, unidade do diverso / e / o concreto aparece no
pensamento como o processo de síntese, como resultado, não como ponto de
partida..." (39), por si só responde negativamente às intenções alteradoras do
discurso althusseriano. O assunto já parece por demais ventilado e gasto e muito
pouco sustenta o intento althusseriano. O exemplo ilustrativo de Giannotti
satisfaz a sua crítica: "Num dos momentos essenciais da formação do dinheiro,
Marx mostra que o equivalente geral aparece quando a relação objetiva que até
então era apenas teórica e pensada vem a ser socialmente realizada. Isso
significa que a existência do valor, do dinheiro e outras categorias também
depende de um grau de consciência capaz de converter os processos mecânicos em
formas de atividade realizada e humana. É óbvio que tal consciência não sobrevoa
os objetos como pretende a consciência teórica, mas está metida no próprio
relacionamento dos homens" (40). A abstração, ainda Giannotti, não pode ser
confundida com a mineração que extrai a ganga (41). Em termos da investigação -
conclui (ou antecipa) - que a negação do universal-concreto como dado da
realidade (42), leva-o obrigatoriamente ao reconhecimento unidimensional do
universal-individual (43). Se este ponto for reconhecido como o"mais débil" da
interpretação althusseriana (44), obrigatoriamente todo o seu método estará
comprometido.
A proposta althusseriana cairá, então, na concepção subjetiva de que o
conhecimento é produto do conhecimento (45), que trabalha sobre uma matéria
prima dada. A inversão da proposta científica marxista também é patente: "A nova
teoria muda completamente a questão tradicional da 'teoria do
conhecimento': em lugar de colocar a questão das garantias do
conhecimento, coloca a questão do mecanismo da produção dos conhecimentos
enquanto conhecimentos" (46).
A epistemologia althusseriana, então, não atua sobre um fato ou um dado objetivo
como está explícito, mas sobre um dado puro (47), absoluto. Além disso, esse
privilégio epistemológico reduz a nada o conhecimento da natureza como objeto. A
Razão cede lugar ao "conhecimento aproximado" bachelardiano (48). Como
conseqüência teórica para uma teoria do conhecimento aparece-nos agora um método
preocupado com o modo de produção do conhecimento e não mais com a investigação
de sua validade. Onde aparece, então, o instrumental capaz de separar o que é
ideológico do que é científico? Já não podemos contar mais com a teoria do
reflexo (49), ou seja, legitimar como científica a explicação, desprovida de
"gangas" mistificadoras ou deturpadoras da razão última do objeto. "A ciência é
legitimada por uma unidade em si", diz Souza (50). Se isto não for
cientificismo, não teremos outra forma de classificá-la.
O problema da distinção entre os objetos, que ele atribui como necessária ao seu
proposto epistemológico, supõe, por outro lado, uma armação ontológica
subjacente ao seu método que trata a totalidade como estruturação
sobredeterminada.
3. Totalidade Expressiva ou Sobredeterminada?
A
totalidade do modo de explicação hegeliano, oriundo segundo Althusser da
totalidade expressiva leibniziana, permite um corte de essência. Não importa que
momento histórico, é possível nela inserir-se um corte vertical, de tal forma
que seus elementos sendo entre si "partes totais" expressivas, exprimam
imediatamente a sua essência interna (51). Para a crítica althusseriana, Marx
rompe com essa visão, por ser uma visão "religiosa" do todo (52). Ao invés
disso, Althusser supõe Marx reclamar um conceito diferente do conceito hegeliano
para essa totalidade. A "eficácia de uma estrutura sobre os seus efeitos", é uma
estrutura latente que é a grande forma de explicar a diferença Marx-Hegel nos
conceitos de totalidade. Ouçamos Althusser falar: "à produção, a resposta da 'Darstellung'
e suas transformações, é sem dúvida o que Marx não dispunha, no tempo em que ele
vivia, e não podia ter à disposição, na sua vida, o conceito adequado próprio ao
pensamento que ele produzia" (53). A diferença está aí: há um conceito que está
subentendido em toda a literatura marxista e ao qual Marx jamais fez referência
porque não dispunha de sua noção concretamente e que, graças a Althusser,
pudemos conhecer o seu verdadeiro valor. Com ele podemos conhecer a separação
tão radical com Hegel, da qual Marx provavelmente também não dispunha de
conceitos para caracterizar (e por isso não caracterizou explicitamente) e nem a
grande maioria dos demais marxistas percebeu, pois não havia feito uma leitura
symptômale de seus textos.
Isso não justifica, contudo, o argumento que usa aqui para criticar o modelo
hegeliano. A afirmação de que é um modelo religioso do saber não impugna por si
a validade desse modelo: ao contrário depõe contra o crítico. Não satisfaz a
acusação de que "é religioso". O argumento é ideológico, e a tônica que
Althusser dá à sua obra de procurar uma epistemologia científica cai com as
formas que ele mesmo usa. Igualmente, a comprovação do que afirma através do
recurso de uma estrutura ausente determinante para um assunto tão polêmico
tira-lhe toda a validade comprobatória.
A expressividade do todo em Hegel não se reduz a uma esfera de esferas (54). Em
Hegel as diferentes esferas (sociedade civil, Estado, religião, etc) são iguais
entre si e por isso nenhuma contradição determinada é determinante (55). Não se
pode afirmar, portanto, complementa, que houvesse em Hegel como em Marx a
"determinação em última instância do Estado pela filosofia". Essa diferença é
atribuída por Althusser pela exclusão que o marxismo faz da unidade originária
simples (56). Ao contrário, diz ele, Marx supõe um todo complexo. Mas isto
precisa de observação muito cautelosa. Às vezes, diz-nos ele, Hegel complexifica
a sua totalidade: "Na fenomenologia, por exemplo, que descreve as 'experiências'
da consciência e a sua dialética que culmina na elevação ao Saber Absoluto, a
contradição não aparece simples, mas ao contrário, muito complexa.." (57)
O problema já começa a voltar à baila. Althusser conseguiu prejudicar a noção de
simplicidade que havia colocado antes para inserir, agora, a complexidade
traiçoeira que pode vir com Hegel. Isso nos leva a pensar melhor nessa unidade.
O argumento, entretanto, mais significativo é o da determinância. Realmente
Hegel jamais faz alusão a fatores (ou esferas) dominantes e/ou determinantes em
última instância, embora sempre tivesse buscado um fio condutor da História
(58). Para Hegel não há esferas que se alternam numa totalidade onde vários
fatores podem ser responsabilizados, conforme a época. Ao contrário, há uma
unicausalidade: o todo é contraditório e as transformações só se dão através da
luta entre os contrários que chocam permanentemente nesse todo. A sublevação da
negação sobre a positividade é que gera a luta. Não há esferas por que o todo
hegeliano não é esmigalhado em igual extensão de múltiplas parcelas. Marx
igualmente jamais disse que os fatores se alternam na dominância, quando fala
que a Grécia não vivia de política nem a sociedade medieval de religião. A tese
althusseriana pode descambar em pluralismo tão comum na interpretação
positivista da sociologia que parte na análise da função e disfunção (59).
Se nós formos analisar com atenção os textos clássicos, veremos que não se
confirma a proposta althusseriana. Ele mesmo nos dá um exemplo disso ora
comentando Lênin, ora citando Engels, ora ele mesmo falando. Lênin diz que "o
desdobramento do Um e do conhecimento de suas partes contraditórias, já
conhecido por Filon [...] eis o fundo [...] da dialética". Althusser espanta-se:
"nesse Um cindido em duas partes contraditórias, Lênin não descrevia apenas um
'modelo' mas uma 'matriz' de toda a contradição, até nas formas de maior
complexidade? Não sendo, então, o complexo mais do que o desenvolvimento e o
fenômeno do simples? A questão é decisiva. Pois esse 'processo simples de dois
contraditórios' onde a Unidade se cinde em duas partes contraditórias, é
totalmente a matriz da contradição hegeliana"(!)(60). Mesmo Engels erra, segundo
Althusser, pois apenas distingue método de sistema, pois "jogaríamos, portanto,
às urtigas a ganga, o envoltório místico (a filosofia especulativa), para
guardar o precioso nódulo: a dialética" (61). Outro texto ainda nos diria que "a
dialética do processo é essa na qual os momentos externos são, quer a paz dos
dois termos do par, quer seu conflito: e vê-se bem no seu conflito a interação
dos termos e como cada modificação de um provoca inevitavelmente a modificação
do outro". O texto tranqüilamente poderia ser de qualquer um dos criticados por
Althusser, mas é dele mesmo (62).
O todo althusseriano é um todo sobredeterminado. A estrutura desse todo é
articulada como uma estrutura de um todo organizado hierarquizado. Esse todo é
complexo, o que o distingue do todo hegeliano que diz simples (não tendo ficado,
como foi visto, muito clara essa distinção). Esse todo althusseriano comporta
níveis e instâncias relativamente distintas e "relativamente autônomas" (63).
Cada um desses níveis de autonomia pode ser considerado um "todo parcial" (?)
(64) sem contudo haver prioridade de um "centro" (65). Qualquer uma das
estruturas pode ser dominante, mas há a determinação em última instância da
estrutura econômica. A contradição no todo é inseparável da estrutura deste no
qual ela se exerce: ela é afetada por todas as instâncias da formação social que
a anima, sendo por isso, sobredeterminada. Há também na totalidade althusseriana
hierarquia de contradições: a contradição principal pode tornar-se secundária e
esta tomar o seu lugar (67). Contrapondo-se ao modelo hegeliano de Aufhebung,
onde a superação se realiza pelo seu contrário, Althusser argumenta que, por
exemplo da "ideologia" para a "ciência" não há uma superação mas uma dissipação
da ilusão e uma volta atrás da ilusão dissipada para a realidade (68). O todo de
Althusser só se supera por outro todo. Não existe nele mesmo como negação
imanente de Hegel.
A checagem desse argumento começa com a separação "em partes relativamente
autônomas". Para Marx, diz Cardoso (69), não se tratam de campos distintos de
práticas humanas e de áreas teóricas diversas, mas de níveis de complexidade do
real que se articulavam em totalidades complexas de pensamento. Essas
separações, complementa, obrigariam Marx a negar seu próprio método. Além do
mais, que espécie de autonomização, perguntamos, pode haver em instâncias que se
dizem "todos parciais"? Não estamos lendo hegelianização em Althusser? A negação
dos "todos parciais" obrigaria seu método para ser coerente às premissas
anteriores a definir-se nas "partes parciais", onde as partes são partes e o
todo apenas as unifica sem ser-lhes a expressão, palavra perigosa para
Althusser. Essa autonomização de partes, adverte Poulantzas, pode levar ao "hiperempirismo
dialético" ou ao "pluralismo eclético" (70).
Em Marx entendemos que o indivíduo do Séc. XVIII espelha o desenvolvimento de
duas forças contraditórias. Explica ele que os profetas viam esse indivíduo como
produto, por um lado, da decomposição de formas feudais de sociedade e, por
outro, de novas forças de produção que se desenvolvem a partir do século XVI
(71). A crítica que faz a eles é a de que não o vêem "como um resultado
histórico" (historicidade marxista), mas como ponto de partida da história (72).
Do conflito desses opostos vem a negação na coisa, diz em outra altura, "cada um
(produção e consumo) não é apenas imediatamente o outro, nem apenas
intermediário do outro: cada um ao realizar-se, cria o outro" (73). Está aí. No
primeiro exemplo é explícita a afirmação de Marx quanto a origem histórica do
homem do século XVIII, produto de duas forças conflitantes, sendo a segunda - a
negação - a superação que se dá posteriormente. No segundo exemplo, no âmbito da
economia da sociedade, produção e consumo negam-se reciprocamente num processo
de oposição. Esse processo onde a forma posterior é a verdade da anterior é
hegeliana, Althusser combate-a (74), mas os textos de Marx são suficientemente
explícitos para prová-lo. Somente uma leitura do que não está dito
comprovaria o contrário.
A transformação desse todo contraditório em todo estruturado sobredeterminado,
por vezes mal entendido como "combinatória" (75), pode ter outra leitura para as
"relações de produção": ai invés de fator determinante, Schmidt propõe "conceito
estrutural" (76). Isso indubitavelmente levaria a uma reestruturação dos
pressupostos althusserianos: como conceito estrutural fazem parte
necessariamente do todo como determinante comum de suas partes contraditórias,
obrigatoriamente opostas. O exemplo que Althusser deu-nos atrás do problema de
distinção ciência-ideologia, pode, assim também ser resolvido. Os opostos são
iguais (Marx: a produção é consumo, o consumo é produção) (77) e o
desenvolvimento da ideologia barra o da ciência, enquanto processo dialético.
Ideologia é "o Outro da Ciência" (78), e nessa medida a "dissipação" de que
Althusser fala se dissolve na interpretação da dialética marxista que vê no Ser
a presença imanente de seu Ser outro.
A possibilidade e a fertilidade do modelo althusseriano para desenvolver os
modos de explicação podem ser testados nas análises do problema da história e da
crítica ao historicismo.
4. Uma ou várias histórias?
O
historicismo hegeliano, diferente do que muitos acreditam, é, segundo Althusser,
de criação de Montesquieu (79). O que, nesse modelo, caracteriza a história em
Hegel é a continuidade homogênea e a contemporaneidade de tipos (80). O
althusserianismo diz que não é nada disso e Marx diz que é. Giannotti,
comentando a contemporaneidade do presente desta passagem de Althusser, diz que
para Marx o que sucede é exatamente o contrário do que diz ele (81): a condição
do capitalista trazer ao mercado valores criados pelo trabalho para pô-los como
capital, "faz parte das condições antiediluvianas do capital, de seus
pressupostos históricos, que como pressupostos históricos são
passados e pertencem à história de sua formação, mas de maneira nenhuma a
história contemporânea, a saber não pertencem ao sistema real do modo de
produção dominado por ele".
O pressuposto historicista no programa marxista é um ponto onde a proposta
althusseriana atrita com mais veemência. Para Althusser, o movimento, a sucessão
e o tempo são categorias de difícil manipulação no seu método. Ele justifica
essa posição escorando-se em um trecho da Miséria da Filosofia em que
Marx fala: "como somente a lógica do movimento, da sucessão, do tempo, pode
explicar o corpo da sociedade na qual todos os produtos econômicos coexistem
simultaneamente, e se suportam uns aos outros?". O trecho ele simplifica,
dizendo, "Tudo está aí: essa coexistência, e esta articulação dos membros
'do sistema social' o suporte mútuo dos produtos entre si, não se pode pensar na
lógica do movimento, da sucessão e do tempo" (82). A citação realmente seria
alvo de uma reflexão mais aprofundada se Althusser não tivesse mudado o sentido:
Marx disse "como somente isso poderia explicar..." e Althusser leu que
"isso não pode explicar" (...) (83)
Está, portanto claro que Marx raciocina em termos de tempo, sucessão e
movimento. Ao contrário a historicidade althusseriana raciocina em termos de
"história imanente", ou "histórias particulares de estruturas determinadas", sem
preocupação com sucessão, já que a substituição de uma sociedade por outra não é
fruto da evolução de um modo de produção anterior, mas de colocação substitutiva
de outro modo.
Em poucas palavras, Althusser apresenta a historicidade hegeliana: "é a contra
conotação historicizada do eternitarismo econômico" (84). O método althusseriano,
diferentemente, é histórico sistemático. O devir realmente não tem sentido:
"para Althusser [...] um sistema que põe suas próprias condições de realismo é
incompreensível, porquanto consiste num universal-concreto, numa totalidade que
não é totalidade de pensamento" (85). Althusser não conta com uma essência
originária, mas com um sempre-já-dado (86).
Às colocações propostas, pode-se antepor citações de Marx que sintetizam o
oposto do que afirma Althusser, Schmidt transcreve a passagem marxista (87), de
que a estrutura econômica da sociedade capitalista deriva historicamente da
estrutura econômica da sociedade feudal. Ou então na Introdução de 1857,
que diz "o chamado desenvolvimento histórico repousa em geral sobre o fato de a
última forma considerar as formas passadas como eternas, que levam o seu próprio
grau de desenvolvimento..." (88). Ou ainda, "a história mundial não existiu
sempre: a história como história mundial é um resultado" (89). As afirmações de
Marx são bem distintas, senão contrárias às de Althusser: o mesmo acontece com a
negação da superação que Althusser acredita haver no marxismo. "Marx não esquece
nunca, mais além do conteúdo humano genético da riqueza deslocada no mundo
moderno, diz Schmidt, sua 'limitada forma burguesa, que é necessário superar (aufheben)"
(90).
Althusser não se preocupa com a pesquisa das origens. A definição é da coisa em
seu estado presente: "Produção: trata-se portanto de produzir, no sentido
preciso da palavra que parece significar: tornar manifesto o que está latente;
mas que quer dizer transformar (para dar a uma matéria prima preexistente a
forma de um objeto tendo em vista um fim)" (91). Glucksmann explica que a
"tripartição da produção, fundamento de toda a arquitetura althusseriana, nasce
inteiramente pronta da simples utilização, um tanto quanto violenta, de um
dicionário" (92)[...]. Igualmente, Althusser não se preocupa em mostrar o que dá
unidade à sucessão de sistemas (93). Em suma, não há origem, não há continuidade
e nem devir: o sistema não tem vida, não há sistema.
Mas Althusser viria argumentar que a inserção dessas categorias iria produzir um
desvio historicista que o arrepia. Sua prioridade é da sincronia. Proudhon era
criticado por Marx por não conhecer a gênese histórica (94) que supunha uma
visão diacrônica. Esse historicismo horripilante a Althusser, contudo, não o era
a Marx. Nem história nem a natureza humana são afastadas do Capital, como
ideológicas (95).
5. Sujeito e História
Para Althusser os agentes-sujeitos só são ativos na história sob a determinação
das relações de produção e de reprodução de suas formas (96). A história é um
processo sem sujeito: há apenas determinações em última instância. Mas Marx diz
que "considerar a sociedade (obviamente raciocina em termos de relações de
produção e reprodução) como um sujeito único é considerá-la falsamente -
especulativamente. Em um sujeito, produzir e consumir aparecem como momentos
de um ato" (97). Para o raciocínio marxiano de oposição dialética, momento de um
ato é suficientemente claro quando se trata de processo de desenvolvimento
desse ato. A multiplicidade de instâncias "relativamente autônomas" com que
conta Althusser prejudica bastante a compreensão. A ginástica adaptativa dos
vários níveis se sujeitarem sobredeterminados pelo econômico levaria quase a um
economicismo, porque neste caso, há um sujeito sempre. Ao contrário, na
interpretação de Marx o que para Althusser era agente-sujeito, para Marx é
momento de desenvolvimento.
Outra dificuldade aparece no problema do "motor da história". Numa altura da
Resposta a John Lewis, Althusser diz que a luta de classes é o motor da
história (p.31), noutra diz que são as massas que fazem a história (p.29).
Estranha admissão da categoria "massas" por Althusser pode nos levar a filiá-lo
a Pareto (!) pois a distinção entre o mecanismo do desenvolvimento
histórico (do modo de produção) e seu agente trabalham com bases
conceituais diferentes. Nesta querela, ainda que Althusser não se propusesse à
linguagem complicada, pois falava "como camarada" (98), isso não o autorizava a
pauperizar conceitos precisos marxistas. A Tese nº1 que critica a John Lewis, é
a de que ele (JL) diz que "é o homem que faz a história". A isso ele
antepõe a althusseriana (que tendenciosamente classifica de ML:
marxista-leninista, como que se o que Althusser fala corresponde em forma e
sentido à razão das citações dos clássicos): "são as massas que fazem a
história"? (99) Em primeiro lugar seria preciso situar bem a que tipo de
pergunta as respostas oferecem-se. A frase que Althusser atribui ao humanismo
de John Lewis é de Marx, enquanto que a que atribui ao ML, não é de Marx. No
18 Brumário, a citação de que "os homens fazem a história", não responde
a essa pergunta forjada por Althusser de quem faz a história: o homem os as
massas? É claro que não é isso. Qualquer marxista sabe que "o homem",
individualizado, personalizado, não é nada. No Prefácio (100), Marx diz
que as circunstâncias e as condições que permitiram o aparecimento de uma
personagem medíocre e grotesca desempenhar o papel de herói foram proporcionadas
pela luta de classes. Não existe, contudo, na tese de Lewis tendência
diferente. Não defenderíamos aqui a matéria que Marx critica (nitidamente 18
Brumário é crítica da historiografia personalista burguesa). O que revelamos
aqui é o sentido: a frase de Marx não veio solta e nem termina aí, "os homens
fazem a história, mas a fazem sob condições transmitidas pelo passado",
significa, isso sim, é a inversão hegeliana (o discurso inicia-se com uma
citação de Hegel) de que a Idéia é que está na base do movimento e não o homem.
Homem se antepõe a Idéia, no texto, não a autores-atores do processo histórico.
É bem constatado esse desvio de sentido althusseriano. Para ele, fazer a
história é fabricá-la (101) (num exemplo ingênuo), o homem nunca transcende nas
leituras althusserianas o sentido personalizado (102), é e só pode ser um
conceito burguês (103). Para Althusser, dizer aos proletários que "homens fazem
história" é enganá-los, "faz-se-lhes acreditar que são todo poderosos como
'homens'" (104). Se Althusser ler em algum lugar que "os homens, desenvolvendo a
sua produção material e suas relações materiais, transformam com essa realidade
que lhes é própria seu pensamento e os produtos de seu pensamento", diria logo
que é de algum adepto de John Lewis, algum humanista burguês, ou algum
'hegeliano desavergonhado', e logicamente ficaria todo confuso se soubesse que
era de Marx (105).
A negação dessa dimensão (ou extensão) da citação de Marx, leva Althusser a
negar obrigatoriamente qualquer possibilidade de humanismo no pensamento
marxista. Isso não apresenta qualquer comprovação real, há mesmo humanismo até
em Marx maduro (106). Ora, se não houve nenhum escrito de Marx no fim de sua
vida nesse sentido, só pode ser explicado pela falta de tempo ou possibilidade
concreta.
IV. VALIDADE DA PROPOSIÇÃO E CONSEQÜENCIAS TEÓRICAS
O
texto apresentado para comentário tinha uma preocupação que nos pareceu vital a
todo o discurso althusseriano: o afastamento de toda a vinculação hegeliana ao
discurso marxista. Ele disse vital, por estar convencido de que o
desenvolvimento filosófico do marxismo atualmente está dependendo dessa
tarefa.(últimas linhas)
Procuramos no curso do trabalho seguir uma trajetória que comparasse as
afirmações althusserianas e as marxistas procurando identificar a inversão que
Althusser chama de "ruptura" com Hegel. O tipo de leitura feita por Althusser, a
distinção objeto real - objeto do conhecimento sustentada por uma visão de
estrutura sobredeterminada que pôde dentro de um arcabouço lógico e coerente
explicar o problema da história, tudo isso pode, segundo nossa opinião, checar a
validade da sua hipótese: As estruturas da dialética marxista são absolutamente
distintas das da dialética hegeliana. Nossa argumentação crítica apareceu
durante a apresentação da leitura.
1. Problemas Localizados no Althusserianismo
Alguns autores dizem que só é possível compreender-se Althusser através de
Lévi-Strauss (107). O estruturalismo invisível que sustenta a forma de
apropriação de seus objetos reais, para transformá-los com base em um
instrumental específico em objetos de conhecimento, já foi bastante comentado
pela intelectualidade e poupar-nos-emos a esse trabalho, bem como porque não é
esse nosso problema específico. Entretanto, a vinculação à tradição filosófica
francesa - que teve relação importante com o desenvolvimento do estruturalismo -
não pode ser negada em Althusser. O formalismo é considerado por alguns (108)
como o "elo mais fraco" de sua cadeia, bem como checada (por isso) a suposição
de que o Capital é uma "teoria geral de 'formas'" (109). O
neocartesianismo quase vem como uma filiação "em última instância" sustentadora
desse formalismo (110).
O que Marx criticava em outros autores como "abstrato materialismo científico
natural que exclui o processo histórico" (111), é retomado por Althusser em suas
"reduções grossamente naturalistas" (Schmidt). O recurso das estruturas mentais,
por outro lado, conduzem Althusser ao perigo do psicologismo. Vallego apontou
esse deslize na sua análise da ideologia (112).
Em tudo isso a tendência vai ser constantemente a fuga consciente ou
inconsciente ao marxismo clássico. Poulantzas identifica em Althusser a economia
e outros níveis como "papéis" deslocáveis funcionalmente num todo gestaltista
(113). O próprio tratamento de modo de produção de suas diferentes manifestações
como "diferentes combinações de elementos" (114) releva uma nova visão do
marxismo um tanto quanto híbrida. Giannotti não tem dúvidas de que a tendência é
para o positivismo, numa tentativa de fuga ao funcionalismo (115), o que é
detectável, por exemplo, na utilização que Althusser dá a categorias carregadas
de sentido positivo. Em Sobre o Trabalho Teórico, Althusser chega a dizer
que a prática política dos partidos da II Internacional trouxe efeitos
negativos, regressivos, cujo exame teórico só pode ser fecundo como exame de uma
forma de patologia histórica (116). Ora, patologia supõe normalidade, supõe
ordem e toda uma Weltanschauung positiva.
Em segundo lugar, como problema althusseriano, questionamos a sua fundamentação.
Partindo de um critério parcialista, onde "critica o que julga da obra por uma
verdade fora dela" (117), utiliza de uma forma por demais arbitrária os textos
que considera "precisos". Nesse trabalho de isolamento, consegue afastar nada
mais nada menos do que quase todos os textos de Marx. Ouçamos Althusser
separando seus livros: "É assim como os textos de Marx de que dispomos são muito
mais enigmáticos (as Teses sobre Feuerbach), deliberadamente polêmicos (a
Ideologia Alemã, Miséria da Filosofia) ou muito elíticos (a Introdução à
Crítica da Economia Política de 1857, texto mais importante, que é mais um texto
de metodologia que de filosofia; a Advertência na segunda edição alemã do
Capital, onde figuram as famosas passagens sobre a dialética) (118). Ora,
nessa triagem só sobrou uma obra, o Capital. Isso tudo, sem contar toda a
obra de juventude que Althusser havia pessoalmente suprimido do marxismo
anteriormente como "ideológicas"(...) Mas ele não se contenta em suprimir apenas
os textos de Marx, mas também dos demais marxistas. Sem contar os que ele chama
de "hegelianos", ou "historicistas" (Lukács e Gramsci, principalmente), abandona
Engels, Lênin também (Anti-Duhring, Feuerbach, Empiriocriticismo e
os Cadernos Filosóficos) (119). A quem então recorrer para fundamentar seu
marxismo marginal, ou marxismo anti-marxistas? Quando não escolhe passagens
descontextualizadas das obras, recorre a fundamentos mais frágeis. Quando fala a
respeito da totalidade dialética surge, como diz Schmidt, um totalismo rígido,
cujo fundamento está em Mao Tse-Tung, "cuja concepção de dialética (um tanto
formalista e ontologicamente ingênua) parece compartilhar" (120).
Fundamentando-se na "incompetência vocabular" de Marx, distorce passagens que
comprometem seriamente seu discurso (121). O recurso constante é o "é assim",
onde não diz como se dá o conhecimento mas apenas que 'ele se dá', conf.
Zadsznadjer (122), levam-no sem dúvida ao cientificismo: legitima a ciência pela
unidade em si (123).
A ambigüidade que dá aos conceitos que usa já foi demonstrada por Glucksmann
(124), mas esse não é o único problema quando se trata do conteúdo formal de seu
discurso. Afastando a necessidade da crítica de seu estilo que privilegia a
forma com grifos, negritos, aspas, letras grandes e letras pequenas, arábicos e
romanos, que demonstram uma fragilidade e inconsistência expressiva assustadora
(haja vista que em Pour Marx certas passagens grifadas misturam-se a
textos de fundo obrigando o leitor a ginásticas intelectuais para o deciframento
das idéias expressas), deparamo-nos com seus fichamentos e suas cesuras aos
textos. Na abordagem de assuntos, ideologicamente desvia verdadeiros cursos.
Lefebvre diz "omite controvérsias latentes há dezenas de anos e, sobretudo,
omite dizer quem abafou as discussões e como" (125). Coutinho já apontara a
supressão althusseriana de uma palavra na frase de Marx, que Althusser
transcrevia alterando-lhe diametralmente o sentido (126). Novamente Lefebvre
adverte que a leitura de Althusser é tendenciosa, coloca simplesmente entre
parênteses algumas citações que desmintam suas afirmações e abandona-as sem mais
(127).
2. Problemas Políticos de Althusser
Acreditamos que devemos encontrar Althusser no pensamento que se diz marxista
como um intelectual que busque de qualquer forma e custe o que custar, a
rejeição a qualquer manifestação filosófica: "É este preenchimento científico
que representa a primeira razão profunda pela qual a Tese XI (Sobre Feuerbach),
mesmo se ela anuncia profeticamente um acontecimento capaz de marcar a
filosofia, não poderia dar lugar a uma filosofia, melhor, deveria proclamar a
supressão radical de toda a filosofia existente, para colocar em 1º plano o
trabalho de gestação teórica de uma descoberta científica de Marx" (128).
Portando a bandeira com essas palavras e glorioso de que in hoc signo vinces,
o primeiro trabalho que ele viu à frente foi afastar Hegel. Não importa se Marx
utilizava-o ou não, é preciso afastar a qualquer custo.
É preciso procurar, também, a conjuntura política em que se insere o sr.
Althusser hoje, para justapor às suas manifestações teórico intelectuais.
Althusser é o único intelectual de expressão que ainda faz parte do POF, haja
vista o afastamento de Lefebvre e Garaudy e a posição não atritante de Goldmann
(quando vivo) e de Sartre (129). Aplaudindo perfeitamente o stalinismo que
suprimiu de sua "filosofia de Estado" a alienação, a negatividade e a totalidade
(130), Althusser definiu seu programa agora em direção a uma ciência da
ideologia. Sim, porque antes a tônica do discurso althusseriano era a de
"estímulos ideológicos", para hoje - mediante novas conjunturas teóricas -
alterar seu programa.
Tudo isso pesa na análise de suas propostas, é preciso verificar acima de tudo e
por trás dessas bandeiras que althusserianos portam o que está por trás disso.
Por que Althusser tem tanto medo de Hegel? A quem pode prejudicar o historicismo
e o humanismo? Quem, senão a filosofia oficial soviética, necessita de tais
"fundamentos teóricos do saber marxista" para justificar a sua práxis? Não é ao
pensamento de direita que o discurso althusseriano está voltado. Já se diz até
que dentro do marxismo, Althusser representa uma posição de direita....(131)
É perfeitamente pensável. Enquanto a intelectualidade estiver voltada às
estruturas de uma totalidade que não questiona sua própria legalidade, sem se
ater aos problemas de fundo,à crítica à crítica, tenderá indubitavelmente a
auto-esterilização da teoria. Mas a esperança é maior: a realidade está aí;
somente ela pode validar o que é real e o que deve permanecer.
3 de setembro de 1974
Obras de Althusser consultadas e seus códigos
(1959) ALTHUSSER, L. Montesquieu, La Politique et la Histoire. Paris, Presses Universitaires de France, 1959. (Montesquieu)
(1960) ALTHUSSER, L. Sobre o Jovem Marx, Em Análise Crítica da Teoria Marxista (Pour Marx), Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1967. (Jovem Marx)
(1962) ALTHUSSER, L. Contradição e Sobredeterminação. Em op. cit. acima (Contradição e Sobredeterminação)
(1963) ALTHUSSER, L. Sobre a Dialética Materialista. Em op. cit. acima (Dialética Materialista)
(1965) ALTHUSSER, L. Prefácio de Pour Marx, in op. cit. acima (Prefácio)
(1965) ALTHUSSER, L. Do Capital a filosofia de Marx. Em: Althusser, L., RANCIÈRE, J., E MACHEREY, P. Lire le Capital, Tome l, Paris: François Maspero, 1965. (Lire, I)
(1966) ALTHUSSER, L., O objeto do Capital. Em: Althusser, L., BALIBAR, E., e ESTABLET, R., Lire le Capital (Lire II)
(1966) ALTHUSSER, L., Materialismo Histórico e Materialismo Dialético. Em VERÓN, E., (Org.) El Processo Ideológico, Argentina, 2ª edição, 1973. (Materialismo Histórico)
(1967) ALTHUSSER, L., Sobre o Trabalho Teórico. Lisboa: Editorial Presença, s/d. (Trabalho teórico)
(1969) ALTHUSSER, L., Lenin et la Philosophie. Paris, Maspero, 1969 (Lenin et)
(1970) ALTHUSSER, L., Ideologia e Aparatos Ideologicos del Estado. Em Estudos Interdisciplinários, nº1, Ago-73, Córdoba. (Ideologia)
(1972) ALTHUSSER, L., Resposta a John Lewis, a questão do humanismo. Lisboa: Editorial Estampa, 1973.
Notas do Texto
(1) Trabalhamos com todos os textos por nós considerados básicos de Althusser,
alistados na página anterior.
(2) Utilizamos aqui "inversão hegeliana"e não "corte ou ruptura epistemológica",
pois a própria natureza deste trabalho é a verificação da validade dessa
passagem. O texto escolhido está na página 3.
(3) Como Nicos Poulantzas.
(4) ALTHUSSER, L. Contradição, p.79.
(5) ALTHUSSER, L. Manifestos Filosóficos de Ludwig Feuerbach, Em Análise Crítica
(vide verso), p.26.
(6) SCHMIDT, A., História v Estructura. Espanha, pág. 21, 1973.
(7) ALTHUSSER, L., Jovem Marx, p.60.
(8) Mais tarde, Althusser muda de opinião. Em Sobre a Dialética Materialista, p.
179-180 e também na Nota de Rodapé, diz que o sistema de Hegel não é "esfera de
esferas".
(9) ALTHUSSER, L., Lire I, p. 32.
(10) ALTHUSSER, L., Idem.
(11) ALTHUSSER, L., Lire I, p.38
(12) MARX, O Capital, pp.XXIII - XXIV.
(13) O texto é claro: "Para Hegel, o processo de pensamento, ao que ele
converte-se, sob o nome da idéia, em sujeito com vida própria, é o demiurgo do
real, e o real a sua simples forma externa. Para mim o real não é, pelo
contrário, mais do que o material traduzido e transposto na cabeça do homem".
MARX, Textos sobre Hegel. Buenos Aires, Ed. Calden, p.92, s/d.
(14) MARX, Para uma Crítica da Economia Política, S.Paulo: Editora Abril, 1974.
Tradução de J.A. Giannotti (é o mesmo texto que em outros lugares é chamado de
Contribuição à Crítica) p. 123.
(15) MARX, Carta de 14 de Janeiro de 1858. Em Textos Sobre Hegel, op. cit.,
p.90.
(16) MARX, Carta de 6 de Março de 1868. Idem, p.92.
(17) GIANNOTTI, J.A., Contra Althusser. Teoria e Prática, nº3, S. Paulo, 1.968,
p.66.
(18) ALTHUSSER, L., Materialismo histórico, p.178.
(19) ALTHUSSER, L. Manifestos Fil. De L. Feuerbach, p.28.
(20) ALTHUSSER, L., Prefácio, p.23-24
(21) ALTHUSSER, L., Lire II, p.174.
(22) Idem, ibidem.
(23) ALTHUSSER, L., Lire I, p. 34.
(24) ALTHUSSER, L., Lire II, p. 75.
(25) ALTHUSSER, L., Lire I, p. 46 e ALTHUSSER L., Trabalho Teórico, p. 100.
(26) Apontado por Giannotti, Contra Althusser, op. cit., p. 67.
(27) ALTHUSSER, Lire II, p.168.
(28) ALTHUSSER, L., Lire II, p. 59 e ALTHUSSER, L., Ideologia, p.134.
(29) ALTHUSSER, L., Lire I, p. 41-42.
(30) ALTHUSSER, L. Montesquieu, p.43.
(31)Marx diz explicitamente que frente a revolução hegeliana, a revolução
francesa não passava de um brinquedo de criança.
(32) ALTHUSSER, L., Lire I, p. 13-14.
(33) Idem, p. 42.
(34) Idem, p.44 e 46.
(35) Idem, p. 48-49.
(36) Idem, p.50.
(37) Lire II, p.38.
(38) GLUCKSMANN, A., Um Estruturalismo Ventríloco. Revista Teatro Brasileiro: A
Crise do Pensamento Moderno, 3, Rio de Janeiro: TB, 1970, p.89.
(39) MARX, Introdução à Crítica da Economia Política de 1857, op. cit., p.122.
(40) GIANNOTTI, Contra Althusser, op. cit., p.73.
(41) Idem, p.71.
(42) COUTINHO, C.N., Estruturalismo de Miséria da Razão. Rio de Janeiro, Ed. Paz
e Terra, 1972, p.195.
(43) "De modo algum o correto é necessariamente individual, como pressupõe
tacitamente a interpretação de Althusser". GIANNOTTI, op. cit., p.68.
(44) CARDOSO, F.H., Althusserianismo ou Marxismo? In O Modelo Político
Brasileiro e Outros Ensaios. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1972, p.108.
(45) ALTHUSSER, L., Lire I, p. 51-52.
(46) ALTHUSSER, L., Materialismo Histórico. P.183.
(47) Conforme também CARDOSO, F.H., op. cit., p.109.
(48) SCHMIDT, A., op. cit., p.132, também COUTINHO, C.N., op. cit, p.195.
(49) Advertido por COUTINHO, C.N., p.200.
(50) SOUZA, A.C., Ciência e Ideologia em Althusser. Revista Teatro Brasieliro: A
Crise do Pensamento Moderno, 2. Rio de Janeiro, RTB, 1970. p.76.
(51) ALTHUSSER, L., Lire II, p.40.
(52) ALTHUSSER, L., Lire I, p.16-17.
(53) Idem, p.32-34.
(54) Conforme a nota nº8.
(55) ALTHUSSER, L., Dialética Materialista, p. 179-180.
(56) Idem, p.173.
(57) ALTHUSSER, L., Contradição e. p.87.
(58) ENGELS, G., Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã, Em MARX e
ENGELS, Obras Escolhidas, Vol. 3, Rio de Janeiro, Vitória, p.175.
(59) Já apontado por Roger Garaudy.
(60) ALTHUSSER, L., Dialética Materialista. P.170-171.
(61) ALTHUSSER, L., Contradição, p.76.
(62) ALTHUSSER, L., Montesquieu, p.47.
(63) ALTHUSSER, L., Lire II, p.43-44.
(64) ALTHUSSER, L., Materialismo Histórico, p.175.
(65) ALTHUSSER, L., Lire II, p.45.
(66) ALTHUSSER, L., Contradição, p.87-88.
(67) ALTHUSSER, L., Dialética Materialista, p.186.
(68) ALTHUSSER, L., Jovem Marx, p. 65-66.
(69) CARDOSO, F.H., op. cit., p.112.
(70) POULANTZAS, N., Para Uma Dialética da Realidade (Sartre, Lévi-Strauss e
Althusser). Revista Teatro Brasileiro: A Crise do pensamento Moderno, 1. Rio de
Janeiro, RTB, s/d, p.147. Essa crítica também já foi apontada, como dissemos,
por Garaudy.
(71) MARX, Introdução à Crítica, op. cit., p/109.
(72) Idem.
(73) Idem, p. 117.
(74) ALTHUSSER, L., Jovem Marx, p.65-66, Nota.
(75) LEPEBVLE, H., Sobre Uma Interpretação do Marxismo: Louis Althusser.
Em Debate Sobre o Estruturalismo. S. Paulo. Editora Documentos, 1968, p.
87.
(76) SCHMIDT, A., op. cit., p.30. As relações de produção não são para eles
(Marx e Engels) um "fator" determinante (junto aos outros de menos importância),
senão um conceito estrutural.
(77) MARX, Introdução de 1857, p.117.
(78) VALLEGO, A., Lectura de la Ideología desde Althusser. Em Estudios
Interdisciplinarios, op. cit., p.141.
(79) ALTHUSSER, L., Montesquieu, p.43.
(80) ALTHUSSER, L., Lire II, p. 39.
(81) GIANNOTTI, J.A., op. cit., p.79.
(82) ALTHUSSER, L., Lire II, p.44.
(83) Já apontada por Coutinho, op. cit.,
(84) ALTHUSSER, L., Lire II, p.62.
(85) GIANNOTTI, J.A., Op. cit., p. 79.
(86) ALTHUSSER, L., Dialética Materialista, p.174.
(87) SCHMIDT, A., op. cit., p.53 ( em MARX, Des Kapital, Vol.1, Berlin, 1955,
p.753).
(88) Op. cit., p. 126.
(89) MARX, Apêndice da Contribuição, Madri, 1970, p.280, Apud SCHMIDT, op. cit.,
p.35.
(90) MARX, Grundisse., Berlin, 1953, p.387, Apud SCHMIDT, p.36.
(91) ALTHUSSER, L., Lire II, p.40, Apud GLUCKSMANN, op. cit., p.92
(92) GLUCKSMANN, A., op. cit., p.92.
(93) Apontado por Santos, L.H.L. Sobre o Estruturalismo e a Miséria da
Razão. Em Estudos Cebran 5. São Paulo, Brasiliense, 1973, p. 165.
(94) MARX, Introdução à Crítica, op. cit., p.110.
(95) SCHMIDT, A., op. cit, p. 90.
(96) ALTHUSSER, L., Resposta, p. 77.
(97) Marx, Introdução de 1857, op. cit., p. 117.
(98) Althusser desgostoso de ter sido classificado por John Lewis de argumentar
dogmaticamente como os "escoliastas" medievais, resolve dar como tônica de seu
discurso político, uma linguagem "simples, clara, acessível a todos os
camaradas", p.18.
(99) ALTHUSSER, L., Resposta, p.20.
(100) MARX, Prefácio de 18 Brumário, p.331.
(101) ALTHUSSER, L., Resposta, p.24.
(102) Idem, p.32.
(103) Idem, p.37 e suss.
(104) Idem, p.53.
(105) MARX, A Ideologia Alemã. Rio de Janeiro, Zahar, 1965, p.22.
(106) SCHMIDT, A., p. 31, Nota 55.
(107) Para Poulantzas (p.135) ele é descendente de Lévi-Strauss e de Sartre e
somente através deles ele pode ser lido. Glucksmann encontra em Althusser a
estrutura inspirada no parênteses lévi-straussiano. Althusser pessoalmente,
salvo algumas citações a Lévi-Strauss, não se filia declaradamente no
Estruturalismo, mas mais proximamente à Psicanálise. O texto de Poulantzas
citado expõe de uma forma interessante o mecanismo desses vínculos na explicação
do processo social.
(108) Zajdsnadjer, L. Sobre Althusser. Revista Crise do Pensamento
Moderno, nº2, citada, p.92.
(109) GLUCKSMANN, A., op. cit., p. 109.
(110) conf. Zajdsnadjer, op. cit., p.92 e CHACON, mesmo local, p.131.
(111) SCHMIDT, A., p. 16, Nota nº7.
(112) VALLEGO, A., op. cit., p. 139.
(113) POULANTZAS, N., op. cit., p. 150.
(114) GLUCKSMANN, A., op. cit., p.102 q 106.
(115) GIANNOTTI, J.A., op. cit., p.81.
(116) ALTHUSSER, L., Trabalho Teórico, p.103, Nota.
(117) GLUCKSMANN, A., op. cit., p.87.
(118) ALTHUSSER, L., Materialismo Histórico, p. 181.
(119) COUTINHO, C.N., op. cit., p. 188-189.
(120) SCHMIDT, A., op. cit., p.94 e Nota.
(121) GIANNOTTI, J.A., op. cit., p. 167.
(122) ZAJDSZNAJDER, L., op. cit., p. 92 bem como GLUCKSMANN, A., p. 90, onde diz
que tudo é produção e as produções são produções pelo próprio fato de o serem".
(123) ZAJDSZNAJDER, L., op. cit., p.76.
(124) Idem, p.76.
(125) LEFEBVRE, H., op. cit., p.81.
(126) COUTINHO, C.N., op. cit., p.206.
(127) LEFEBVRE, H., op. cit., p.89.
(128) ALTHUSSER, L., Lenin et, p. 23.
(129) COUTINHO, C.N., op. cit., 167.
(130) LEFEBVRE, H., op. cit., p.92.
(131) COUTINHO, C.N., op. cit., p.177.