Preposição e Regência


Quando um determinado verbo (ou nome) exige preposição, deixar de usá-la constitui uma inadequação, caso você esteja empregando a norma culta. O objeto indireto e o complemento nominal são sempre regidos de preposições. A oração objetiva indireta e a completiva nominal, no entanto, podem aparecer com a preposição implícita, mesmo no dialeto de mais prestígio social:
a) “Tenho medo (de) que minha mãe me repreenda.”
b) “Estou certo (de) que ele me estima.”
c) “Estou ansioso (para) que cheguem as férias.”
d) “Não duvido (de) que você possa consegui-lo.”
e) “Lembrei-me (de) que amanhã será feriado.”
f) “Não te esqueças(de) que tens prova hoje.”

A maior parte dos erros de regência são cometidos quando se emprega o relativo --- numa situação em que se exige Norma Culta --- sem a preposição que ele exige. Eis exemplos corretos de emprego do relativo, atendendo à regência:

a) “O cargo a que aspiro, é bem-remunerado.” (= aspiro ao cargo)
b) “As frutas de que gosto, não são caras.” (= gosto das frutas)
c) “O amigo com quem me entretive na festa, vem visitar-me.” (= entretive-me com o amigo)
d) “A faça com que cortei o pão, não está bem amolada.” (= cortei com a faca)

 O último exemplo envolve um adjunto adverbial de instrumento. Em alguns casos de adjunto adverbial, a preposição “por” e “durante” pode ser omitida na relação determinado-determinante:
 “Morei em Lorena (por / durante) dois anos.”

 Se, porém, o determinado for um relativo, a Norma Culta não admite a omissão da preposição. Para indicar duração de tempo, quando houver relativo, a preposição por e durante são substituídas por “em”:
 “Os dois anos em que morei em Lorena, foram de felicidade.”
 
O sujeito nunca é rígido de preposição. Nenhuma preposição, portanto, pode se fundir com o sujeito, se estivermos empregando a Norma:
a) “Venha antes do fim do mês chegar.” (dialeto coloquial)
 “Venha antes de o fim do mês chegar.” (Norma Culta)
 “Venha antes de chegar o fim do mês.” (idem)

 b) “Almoce antes deles chegarem.” (dialeto coloquial)
 “Almoce antes de eles chegarem.” (Norma Culta)
 “Almoce antes de chegarem eles (idem)

 c) “Está na hora da onça beber água.” (dialeto coloquial)
 “Esta na hora de a onça beber água.” (Norma Culta)

 A preposição rege um pronome pessoal do caso oblíquo. Nunca rege pronome do caso reto. As frases abaixo têm erros de regência:

 a) “Este é um problema para mim resolver.”
 b) “Nenhum conflito existe entre ele e eu.”
 c) “Pedi Marta para varrer a casa”.
 d) “Pedi para ele vir aqui.”

 Na frase “a”, a preposição não está regendo o pronome: então o pronome não pode ser oblíquo. Tem de ser reto, pois é sujeito e não complemento. A preposição está regendo o infinitivo. O certo seria: “Este é um problema para eu resolver.”

 Na frase “b”, a preposição entre está relacionando os dois pronomes eu e ele ao verbo existir. Nesse caso, os pronomes têm de ser oblíquos, nunca retos. Você sabe que o pronome eu só pode ser reto. A palavra ele pode ser um pronome reto ou oblíquo. Quando é oblíquo, é regido de preposição. É o caso da palavra ele nessa frase: está regido de preposição. A frase correta seria: “Nenhum conflito existe entre ele e mim”. Ou entre mim e ele.”

A frase “c” é absurda do ponto-de-vista da Norma Culta. Marta é objeto direto do verbo pedir. A segunda oração tem valor adverbial de finalidade: para que pedi Marta ? Resposta: para varrer a casa. Não é absurdo ? Para varrer a casa, você costuma pedir uma vassoura. Não é ? A frase não seria absurda, se você dissesse: “`Pedi vassoura para varrer a casa.” Mas se você quer indicar que Marta é quem vai varrer, terá de dizer: “Pedi a Marta que varresse a casa.”

 A frase “d”, ao contrário da “c”, não é incoerente, embora tenha erro de regência. O verbo pedir é transitivo direto e indireto. O objeto indireto é regido da preposição “a” e não "para" Quem pede, pede alguma coisa a alguém. A frase correta seria: “Pedi a ele que viesse aqui.”

 Agora dê uma olhada na frase abaixo:
 “Paulo pediu a Pedro para sair.”

 Essa frase é ambígua: tem dois sentidos, no dialeto coloquial. Quem deve sair ? Paulo ou Pedro ? Se a frase estivesse obedecendo à Norma Culta, só teria um sentido: Paulo fez um pedido a fim de sair. Paulo pediu a Pedro (permissão) para sair. O verbo pedir ali é transitivo direto e indireto, com objeto direto implícito. Quem pede, pede alguma coisa a alguém (faz um pedido a alguém) com alguma finalidade.

 Pela Norma Culta, para indicar que quem vai sair é Pedro e não Paulo, a frase deveria ser escrita assim: “Paulo pediu que Pedro saísse.”

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