A Vida
 
Vem uma luz ao mundo
Como vem o sol de manhã
Como chega o luar de noite.
 
Tem a sua festa a felicidade
Tem o seu gemido a tristeza
Na viajem à terra prometida.
 
Aqui, cantamos com o tempo
Aí, choramos numas paredes
Até a vida adora o silêncio.
 
Yogyakarta, 26 de Maio de 2004
 
 
O Vento
 
Suave, cheio de ternura;
Cruel, cheio de fúria
Embrulhas a terra.
 
A liberdade divina,
O poder do mundo
Tens sem ser mendigo.
 
Yogyakarta, 26 de Maio de 2004
 
 
A Chuva de Verão

Hoje vens à terra sem medo
Para liberar-me do calor
Com o teu frio fraternal.

O sol não está comigo
Numa tarde de Maio,
Numa cidade cultural.

Fora, o vento está a dançar
Com as folhas das árvores
Numa festa natural.

E eu estou a viajar
No fundo do coração
Com o meu sentido literal.

Yogyakarta, 26 de Maio de 2004
 
 
Sem Amor

A beleza torna-se feia
O sol brilha sem calor
A lua tem só que sonhos
A brisa é súbito furacão
A sopa perde o seu gosto
O agua é como espinhos
Cada coisa é sem valor

É o que me diz todo mundo
É uma pergunta tão aberta
E a vida tem de continuar

Yogyakarta, 14 de Outubro de 2004
 
 
A tua ausência

Agora os meus longos dias
Passam sem a tua presença.
E embora a noite esteja cheia
De luz que ilumina a terra,
O meu coração fica vazio.

Eu sei que hoje sou navegador
Num mar picado sem companheira.
Mas não quero achar-te num palácio
Onde estás a nadar numa piscina.

No entanto, gusto da tua ausência
Que me ensina a navegar no silencio
E a saber porque agora fico assim
Neste mundo com pouca tolerância.

Yogyakarta, 10 de Outubro de 2005
 
 
Jardim de Rosa

Sonho com um jardim de rosa
No qual tu és o rebento mais fresco
E eu sou uma borboleta tão sedenta
Voando em redor da tua cara.

Neste jardim temos a existência
E a resistência à infelicidade.
Já não há lágrimas nos olhos.
Só o orvalho de manhã que pinga.

Talvez não seja paraíso eterno
Embora tenhamos tanta felicidade.
Mas onde se acha toda a beleza
Senão nos bons sonhos que criamos?

Yogyakarta, 10 de Outubro de 2005
 
 
Terra de Sândalo

Para Timor, a minha terra

A minha terra é uma lenda
Graças a uma árvore dos reis
Que até hoje chama-se sândalo.

Conquanto apareçam tantas árvores
Só nas crónicas dos vagabundos,
Um orgulho fica no coração.

Não era fragrante o passado
Embora tivéssemos muito perfume,
Assim como tanto mel de floresta.

As nossas mãos tornam-se inimigos
Em frente destas criações de Deus
Quando o desejo é o conquistador.

Oxalá que não sejamos testemunhas
Da perda da riqueza da nossa terra
Porque o futuro sempre nos espera.

Fica fragrante, ó terra de lenda,
Como um bom tronco de sândalo
Que perfumava, perfuma e perfumará.

Yogyakarta, 11 de Outubro de 2005
 
 
Sombra

Para mim tu és uma sombra
No longo caminho do tempo.
Sim, eras a pura luz de velas
Nas celas da minha solidão.

Tenho aprendido a vencer
A dor que me sombreava.
Hoje o sofrimento é um perdedor
Na guerra sem sangue derramada.

Ó sombra, sombra da viva alma,
A vida não é uma brincadeira.
Agora estou no bom caminho
Para a destinação preferida.

Yogyakarta, 13 de Outubro de 2005
 
 
Mangas Maduras

À beira da estrada
No tempo da fruta,
Vendem-se mangas maduras
Mostradas como pinturas.

Se estás com sorte,
Comprarás mangas doces.
Se a curiosidade não é forte,
Escolherás frutas azedas.

Sê esperto com os cores
Que não revelam o gosto exacto.
Se encontras uma faca preparada,
Porque não falas a verdade?

Yogyakarta, 15 de Outubro de 2005
 
 
 

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