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Hoje vens à terra sem medo Para liberar-me do calor Com o teu frio fraternal. O sol não está comigo Numa tarde de Maio, Numa cidade cultural. Fora, o vento está a dançar Com as folhas das árvores Numa festa natural. E eu estou a viajar No fundo do coração Com o meu sentido literal. Yogyakarta, 26 de Maio de 2004 A beleza torna-se feia O sol brilha sem calor A lua tem só que sonhos A brisa é súbito furacão A sopa perde o seu gosto O agua é como espinhos Cada coisa é sem valor É o que me diz todo mundo É uma pergunta tão aberta E a vida tem de continuar Yogyakarta, 14 de Outubro de 2004 Agora os meus longos dias Passam sem a tua presença. E embora a noite esteja cheia De luz que ilumina a terra, O meu coração fica vazio. Eu sei que hoje sou navegador Num mar picado sem companheira. Mas não quero achar-te num palácio Onde estás a nadar numa piscina. No entanto, gusto da tua ausência Que me ensina a navegar no silencio E a saber porque agora fico assim Neste mundo com pouca tolerância. Yogyakarta, 10 de Outubro de 2005 Sonho com um jardim de rosa No qual tu és o rebento mais fresco E eu sou uma borboleta tão sedenta Voando em redor da tua cara. Neste jardim temos a existência E a resistência à infelicidade. Já não há lágrimas nos olhos. Só o orvalho de manhã que pinga. Talvez não seja paraíso eterno Embora tenhamos tanta felicidade. Mas onde se acha toda a beleza Senão nos bons sonhos que criamos? Yogyakarta, 10 de Outubro de 2005 Para Timor, a minha terra A minha terra é uma lenda Graças a uma árvore dos reis Que até hoje chama-se sândalo. Conquanto apareçam tantas árvores Só nas crónicas dos vagabundos, Um orgulho fica no coração. Não era fragrante o passado Embora tivéssemos muito perfume, Assim como tanto mel de floresta. As nossas mãos tornam-se inimigos Em frente destas criações de Deus Quando o desejo é o conquistador. Oxalá que não sejamos testemunhas Da perda da riqueza da nossa terra Porque o futuro sempre nos espera. Fica fragrante, ó terra de lenda, Como um bom tronco de sândalo Que perfumava, perfuma e perfumará. Yogyakarta, 11 de Outubro de 2005 Para mim tu és uma sombra No longo caminho do tempo. Sim, eras a pura luz de velas Nas celas da minha solidão. Tenho aprendido a vencer A dor que me sombreava. Hoje o sofrimento é um perdedor Na guerra sem sangue derramada. Ó sombra, sombra da viva alma, A vida não é uma brincadeira. Agora estou no bom caminho Para a destinação preferida. Yogyakarta, 13 de Outubro de 2005 À beira da estrada No tempo da fruta, Vendem-se mangas maduras Mostradas como pinturas. Se estás com sorte, Comprarás mangas doces. Se a curiosidade não é forte, Escolherás frutas azedas. Sê esperto com os cores Que não revelam o gosto exacto. Se encontras uma faca preparada, Porque não falas a verdade? Yogyakarta, 15 de Outubro de 2005 |
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