"O OLHAR DA LUA"

 

 

Ama o seu incêndio, experiência e desordem

com o ambíguo olhar da lua diariamente jovem.

Orlando Neves

In "Nocturnidade"

 

Joaquim Baltazar com um sentido estético dominando uma harmonia - síntese cromática - transmite uma pintura diariamente jovem onde convergem a experiência e desordem numa cor transbordante esvanecida pelo ambíguo olhar da lua sendo coadas as tensões em explosões divididas entre fortes e ténues pinceladas de cor.

Não obedece a preocupações formais estéticas, mas os espaços que delimitam as cores torrenciais são zonas de contenções e de tons que se opõem, se alastram, jogando com os ácidos, quentes e suaves que reduzem a imprecisão relativa dos contornos desses espaços em osmose com a terra, o fogo e o firmamento.

Joaquim Baltazar possuidor duma grande sensibilidade, dá a conhecer neste conjunto pictórico, a sua ductibilidade ao qual nunca ficará indiferente o olhante: a sua pintura transporta o movimento pendular entre a sua interioridade sustida e a fuga para um mundo novo de libertação e a procura incessante do nirvana através dum sentimento puro e vigoroso.

 

Maria Eugénia Morel Antunes

 

 

Joaquim Baltazar volta a surpreender-nos com a magia das suas cores em movimento numa pintura que só aparentemente é abstracta.

Há mulheres e pássaros a lembrar o princípio e o fim de tudo. Formas aladas libertando-se da moldura como que numa busca desesperada de claridade. Uma assinatura que fala por si!

 

Fernando Tavares Rodrigues

 

 

A PINTURA

 

Por que a pintura além de ser aquilo que é, é aquilo que desejaríamos que fosse.

Talvez de olhos fechados tivéssemos já visto toda a pintura do mundo porque quando a olhamos vem-nos um sentimento de que ela nos pertence a um inconsciente sem data.

Gostaria de não citar épocas nem pintores, mas tão somente o sentimento frente à tela branca e a solidão do pintor antes da primeira pincelada.

Num mundo de imagens em movimento porque gostamos de olhar o movimento parado da pintura?

Joaquim Baltazar assumiu, a chave da profunda transformação do desenvolvimento de um ponto de luz em pintura, com a mão leve da fantasia de um verdadeiro artista plástico.

 

Maria Cecília Netto

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