Morrison se foi há 30 anos. Mas a rebeldia sobrevive


(30 anos sem Jim Morrison)

Em 1991, uma multidão de garotos bebendo e cantando provocaram a polícia e forçaram a entrada no cemitério Père Lachaise, em Paris, até que os portões vieram a baixo. Foram dispersados com cassetetes e bombas de gás. Era o aniversário de 20 anos de morte de James Douglas Morrison, o mítico líder do grupo californiano The Doors. 
Hoje, completam-se 30 anos do dia em que o corpo de Morrison foi encontrado na banheira de um apartamento em Paris, onde ele havia se autoexilado - e pode-se esperar multidão ainda maior peregrinando até seu túmulo, pois nos últimos dez anos a lenda só fez aumentar. Para lembrar a data, Ray Manzarek, tecladista do Doors, está em Paris. 
A efeméride é uma ótima oportunidade para lançar produtos e novos discos do grupo, coisa que vem acontecendo com grande freqüência. Apenas para um punhado de convidados, Manzarek irá exibir no Theatre Les Bouffes du Nord dois especiais produzidos em 1969 para a TV dinamarquesa: Feast and Friends e Hwy, além de videoclipes e o documentário A Tribute to Jim Morrison.No site oficial da banda (www.thedoors.com), Manzarek vende pelo selo Brigh Midnight CDs com raridades como entrevistas, The Lost Interview Tapes Featuring Jim Morrison: Vol. 1, produzida para a TV canadense em 70, e shows como Live at the Aquarius Theatre: The First Performance, registro de 2 apresentações em Hollywood, em 69, e Bright Midnight - Live in America, com 13 faixas gravadas em shows de 69 e 1970. 
Assim como as famosas antologias dos Beatles, sobras de estúdio, shows e qualquer resquício registrado da banda logo se transformam em caça-níqueis. 
Mas os fãs, cada vez mais numerosos, adoram. Se até alguns anos atrás, a figura de Morrison era cultuada por bichos-grilo e beatniks, hoje, a maioria dos fãs é formada por jovens imberbes. 
O filme de Oliver Stone, The Doors (91), com Val Kilmer no papel de Jim, ajudou bastante e, óbvio, o som instigante do grupo - que no seu fim caminhava para o mais poderoso blues - também. Continua atual, assim como as letras de Morrison e sua urgência sexual, numa mescla de vaidade exacerbada e instinto autodestrutivo. 
The Doors formou-se em 1965 tendo, além de Morrison nos vocais e Manzarek nos teclados, Robbie Krieger - com sua formação de violão flamenco - na guitarra, e John Densmore, na bateria. O nome do grupo foi tirado do livro The Doors of Perception, de Aldous Huxley, que, por sua vez, havia se inspirado em um poema de William Blake. 
Foram sete álbuns lançados no período de 1967 a 1971. O primeiro, pela Elektra Records, foi puxado pelos sucessos de Light My Fire e Break on Through, mas também trazia a soturna The End. Seguiram-se Strange Days (67), Waiting for the Sun (68), The Soft Parade e Absolutely Live (70) e Morrison Hotel e L.A. Woman (71), o último com a banda completa. 
Em 1970, Morrison também lançou um livro e um álbum no qual recitava seus poemas, An American Prayer. No ano seguinte, junto com sua mulher, Pamela Courson - que morreria de overdose de heroína em 1974, em Hollywood -, passaria a viver em Paris até o 3 de julho de 1971, quando, aos 27 anos, teve uma parada cardíaca, supostamente ocasionada por overdose. 
Apesar de rumores de que seu corpo seria levado para os EUA, ou que uma exumação estaria em andamento, é pouco provável que ele saia do Père Lachaise, onde descansa próximo a outros famosos, como Edith Piaf, Oscar Wilde e Chopin.

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