Morrison 30 anos / Especial JB
Uma formação atípica
Os Doors surgiram em 1965, quando Morrison e Manzarek se conheceram na faculdade de cinema, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. O nome foi criado em referência ao livro "The Doors of Perception" de William Blake e Aldous Huxley.
Um ano após sua formação, assinaram contrato com a gravadora Elektra, com quem gravaram seus seis LPs e um álbum ao vivo. Conseguiram sucesso de público e da crítica em 1967, com o lançamento do primeiro disco, "The Doors". Os principais compositores da banda eram Morrison e Krieger.
O grupo juntou diferentes elementos da música num estilo original e exclusivo. O primeiro disco incluía vários gêneros: o Chicago Blues ("Back Door Man" de William Dixons, originalmente um hit de Howlin’ Wolf), óperas alemãs ("Whisky Bar" de Kurl Weil e a obra de Berolt Brecht, escrita em 1929, Ausfsteig Und Fall Der Stardt Mahagonny), o clássico rock’n’roll ("Breack on through" e "Light my fire", os dois hit-singles mais famosos da banda) e "The End", um épico Edipiano de onze minutos e trinta e cinco segundos. Entre as muitas virtudes do trabalho do grupo está a simplicidade e clareza de seus arranjos, além da produção de Paul Rothchild no álbum citado.
Instrumentalmente, o The Doors tinha uma formação atípica. Ray Manzarek (teclados) era um pianista de formação clássica apaixonado pelo rhytm’n’blues (R&B). Robby Krieger (guitarra) era influenciado pela violão clássico e flamenco. John Densmore (bateria) se preparava para uma carreira como baterista de jazz. Sem um baixista fixo, contratavam musicistas para suas gravações de estúdio. Nos shows, Manzarek tocava o baixo no teclado.
A banda era diferente para sua época. Não era folk nem jazz e, apesar de alguns críticos os classificarem como acid rock, não faziam parte do movimento paz-e-amor proclamado por outras bandas, como Jefferson Airplane, GratefulDead e Quicksilver, nascidas em San Francisco.
Em Nova Iorque tiveram a maior aceitação. A "Big Apple" praticamente os adotou. Mesmo assim, o som de The Doors nada tinha a ver com bandas originais daquele lugar, como Velvet Underground - mesmo tendo em comum uma atração por temas sombrios.
Em Los Angeles, da onde saíram, a predominância era do folk rock tocado por bandas como The Byrds, Buffalo Springfield entre outros. Até na hierarquia dos grandes nomes, entre eles Elvis Presley, Janis Joplin e Jimmy Hendrix, The Doors era um mundo a parte. "Um mundo estranho e assustador", como Morrison afirmava. "Sugestivo de um novo e selvagem Oeste" (referente ao Oeste norte-americano).
Os outros 'The Doors'
Robby Krieger
Robby Krieger estudou com Sitarist Ravi Shankar. Esta influência pode ser ouvida em instrumentos indianos em músicas como "The End" e "Spanish Caravan". Robby foi um compositor essencial para a banda. São de sua autoria as canções "Light My Fire" e "Touch Me". Krieger entrou na banda depois que o irmão de Ray saiu. Um de seus solos favoritos é o da música "When the Music’s Over", de acordo com uma entrevista concedida para a revista Guitar. Atualmente ele é pintor, com obras expostas em vários lugares dos Estados Unidos.
Trabalhos pós The Doors
1977 - Robbie Krieger and Friends
1985 - Robby Krieger
1989 - Robby Krieger No Habla
1993 - Harley Davidson: The American Motorcycle Soundtrack
1995 - RKO Live! 1996 - The Butts Band The complete Recordings
2000 - Cinematix
Ray Manzarek
Ray Manzarek é um dos fundadores dos The Doors. Uma das marcas registradas da banda era seu toque único no órgão. Ray era tido como um dos maiores talentos do grupo. Ele publicou o livro "Light my Fire: My life with The Doors" Trabalhos pós The Doors
1973 - The Golden Scarab
1974 - The Whole Thing Started with Rock’nRoll, Now it’s out of control
1976 - Nite City
1977 - Golden Days Diamond Nights
1980 - X
1983 - Carmina Burana
1993 - Michael McClure & Ray Manzerek Lion Love
1996 - The Doors, Myth & Reality: the spoken word history
John Densmore
John Densmore foi sempre estereotipado como o ’econômico’ dos The Doors. Muito de sua reputação é devido ao filme de Oliver Stone. Densmore é considerado o integrante da banda que mais ficou perturbado com o comportamento excessivo de Jim Morrison. Utilizava o talento para acentuar com a bateria cada toque de guitarra, teclado ou voz dos outros integrantes. Nos comentários feitos sobre as músicas fez referêencia a ter usado um ritmo inspirado na Bossa Nova no arranjo original de "Break on Through", e de regravar "Riders on the Storm" num ritmo da Salsa.
Trabalhos pós The Doors
Começou com uma nova banda, chamada ‘Tribal Jazz’. Ingressou na Art Ellis e trabalhava com Sting e Milton Nascimento. Para o projeto do primeiro disco da ‘Tribal Jazz’, trouxe Christina Berio, percussionista brasileira.
Documentário "Road to Return" - narrado por Tim Robbins, sobre ex-presidiários e sua readaptação à sociedade. Veja em www.henhousestudios.com
Autobiografia, chamada "Riders on the Storm".
"Há coisas que conhecemos, e coisas desconhecidas, e entre elas há as portas (Jim Morrison)"
Artigo escrito por Alexandre Fontoura (Jornal do Brasil)