Morrison 30 anos / Especial JB

Morte cercada de mistérios 

A morte de Jim Morrison tem sido um mistério há três décadas. Muitos são os boatos a respeito do que aconteceu na noite de 3 de julho, em 1971, em Paris. Alguns dados não são fáceis de compreender, como a demora em avisar à Embaixada Americana na França sobre a morte de um cidadão norte americano fora de seu país de origem. 
De fato, Morrison sumiu. Para a maioria das pessoas que acreditam na morte do artista, uma coisa é certa: James Morrison tinha ido ao cinema com sua namorada, Pamela, na sexta-feira, dia 2 de julho. Na manhã do dia três, o que consta no atestado de óbito é que ele foi achado na banheira, às 5h da manhã, por Pam. 
É entre a saída de sexta à noite e o corpo encontrado na banheira na manhã seguinte que existem todas as especulações e incertezas sobre o caso. Por muito tempo acusaram Pamela Courson de ter cometido o crime já que os dois se separavam e voltavam. Pamela estava em Paris e Morrison foi lá para visitá-la. 
Drogas - Outras especulações giraram em torno do uso das drogas e da suposta confissão de Pamela sobre ter, propositalmente, mentido ao cantor quanto ao tipo de droga que estavam consumindo (cocaína versus heroína). Uma dose mais alta de heroína do que era de costume teria resultado na morte. 
Morrison já havia optado por uma vida marginal, rodeada pelas drogas. Mas entre os amigos mais chegados e familiares do poeta, sabia-se que Pam, também viciada, era a única pessoa que realmente enfrentava o cantor nos momentos difíceis, firmando o pé no chão quanto às suas opiniões sobre o que quer que fosse. 
É sabido que Pamela, conversando com uma colega, disse sentir-se culpada pois as drogas que usaram pertenciam a ela. O curioso é que, no laudo médico e no atestado de óbito, nada consta sobre o uso de cocaína ou heroina. O laudo foi escrito por um médico chamado por Pam e que, mais tarde, diante do sensacionalismo em torno da figura de Morrison, se recusou a comentar o assunto. 
Simulação - A outra hipótese, na qual muitos fãs talvez acreditem, seria a de que o ídolo ainda estaria vivo. Alguns dados parecem até apontar para essa possibilidade: apenas duas pessoas teriam visto o corpo de Morrison, Pamela e o médico francês que passou o laudo médico. Aparentemente, o caixão contendo o corpo foi selado sem ao menos notificarem a Embaixada Americana em Paris. 
No fim-de-semana em que Morrison morreu, correu notícia sobre o acontecimento e os repórteres começaram uma busca pela verdade. Pam afirmou aos que conseguiram falar com ela que "Jim não está morto, ele está muito cansado e está descansando em um hospital". 
Quando Clive Selwood (empresário da sede da Elektra em Londres) tomou conhecimento dos rumores, ligou para a filial da gravadora em Paris. A partir daí foram feitas as ligações para a polícia e para a Embaixada Americana. Nenhum registro havia sido encaminhado para prefeitura ou qualquer outro órgão responsável. Ninguém foi notificado antes da segunda-feira póstuma ao ocorrido. A maioria das pessoas, incluindo a mídia, só foram avisadas depois do enterro, realizado em Paris, no dia 8 de julho em 1971. 
Vários depoimentos afirmam que Morrison falava em fingir sua própria morte e começar de novo com os colegas. O poeta estava sob muita pressão, drogas e problemas com a justiça norte-americana. No final de outubro de 1970, o músico foi sentenciado com 70 anos de prisão por atentado ao pudor e trabalhos voluntários por exibição imoral, mas foi solto provisoriamente após seu advogado pagar uma fiança de US$50.000 
Jimmy Hendrix e Janis Joplin haviam morrido pouco menos de um ano antes, também com 27 anos de idade. Pamela Courson morreu de overdose, três anos mais tarde, também com 27 anos. 
Homenagem - O caixão de Jim Morrison foi enterrado no cemitério francês Père Lachaise, ao lado de grandes personalidades, filósofos e escritores (entre esses, Oscar Wilde) e desde então, todo aniversário de nascimento e morte de Jim, o local se enche de fãs, que passam o dia prestando homenagens. 
Toda essa movimentação no cemitério gera grande insatisfação a outras pessoas cujos túmulos de familiares também estão no local. Por isso, existe um movimento em prol da remoção do jazigo do poeta, o que ocorreria em 3 de julho de 2001, quando completa-se o leasing do espaço onde foi colocado a sepultura de Morrison. 
Fãs do artista esperam que, com a remoção, seja requisitada uma perícia na arcada dentária para que seja confirmada a morte de Jim Morrison. 
"Não me importaria de morrer num avião. Seria uma boa forma de ir. Não quero morrer dormindo, ou de idade ou de overdose. Quero sentir como é. Quero saborear, ouvir, sentir o cheiro disso. A morte só vai acontecer uma vez; não quero perde-la" (Jim Morrison) 

Artigo escrito por Alexandre Fontoura (Jornal do Brasil)

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