Missão extremo Norte - BV-8
O portal do Caribe na fronteira mais setentrional do Brasil.
Prezados motociclistas
Gostaria de compartilhar com vocês mais uma aventura pelo nosso Brasil cheio de
mistérios e belezas
naturais. Desta vez seguindo para o extremo norte brasileiro. Traçamos nessa
aventura nada menos que
17.700 quilômetros viajados por terra, mar e ar. Acompanhem conosco essa
aventura pela metade do
Brasil e nos dêem o prazer de contá-la ! Esse relato faz parte do meu diário
particular que apenas
compartilho com aqueles que gostam de ler aventuras de motos, como eu !
Para quem não nos conhece ou nunca leu nossas histórias me apresento. Sou Luiz
Coelho, 42 anos ,
advogado e minha garupeira é Kátia, 40 anos. Somos de Niterói - RJ e
pertencemos ao MC Caveiras do
Asfalto. Nossa Bike é uma V-Max 1.200, uma super estradeira preparada para o
pior e adaptada para
apertos, buracos e etc. Com pára-brisas, suspensões, faróis e freios
especiais, rádios, GPS,
alforjes, barraca de camping , lonas , ferramentas e um super tanque de 28
litros.
Gostamos muito da aventura da viagem de motocicleta, do meio motociclístico ,
dos amigos e da
fraternidade mas , evitamos discussões a respeito de temas polêmicos entre
motoclubes e opiniões
taxativas sobre quaisquer assunto hierárquico...ou financeiro... apenas
viajamos de moto... haja ou
não evento, tenhamos ou não companhia...chova ou faça sol.... e isso o
fazemos a mais de vinte anos.
Digo isso pois lamento certas discussões inócuas entre motociclístas e
motoclubes.
Saímos de Niterói como de praxe às 4 da madrugada ( 8/6/02 ) ainda noitinha e
os olhares atentos dos
que nos pontos de ônibus aguardavam condução para o trabalho nos
transformavam em seres
extraordinários.... rumamos direto para Goiânia pelas já conhecidas rodovias
Nova Dutra, D. Pedro I,
e Washington Luis, estradas de primeiro mundo ! Aliás o noroeste paulista é
coisa de louco ! super
desenvolvido e muito bem cuidado ! Antes paramos em Taubaté para assistir ao
jogo Brasil X China
além do friozinho da neblina num dia que prometia ser maravilhoso ! Dormimos
num motel na beira da
estrada já próximo a Goiânia. A travessia do trecho do Triângulo mineiro
para nossa surpresa, na
região da represa de Marimbondo e da cidade de Prata a rodovia está em boas
condições e o curioso é
que os ventos alíseos sopram de sudeste fazendo a vegetação se inclinar para
noroeste, muito curioso
mesmo em latitude tão baixa já se notar essa situação meteorológica. Após
atravessar o rio Paranaíba
entramos em Goiás. Pela manhã do dia seguinte rodamos em Goiânia, e elegemos
esta cidade como a do
mais bonito pôr-do -sol do Brasil. Gente , Goiânia tem além das mais bonitas
mulheres um lindo
crepúsculo ! Vale a pena conhecer ! Cidade muito acolhedora . Além da famosa
Caldas Novas e
Pirenópolis.
Seguimos por Goiás sentido sempre norte e o trecho entre Goiânia -Anápolis é
uma verdadeira pista de
corrida, mas... tem muitos radares assim como a Washingrton Luis. A noitinha estávamos
entrando no
estado do Tocantins isso já na BR 153 a famosa Belém-Brasília depois de
atravessar o rio das Almas.
Nos surpreendemos mais uma vez pois inicialmente a pista está muito bem
conservada ! Grandes retas
fazem da pilotagem uma verdadeira obra de arte ante o cerrado ao nosso lado ! No
trecho do Triângulo
a altitude era de 500 metros e agora subíamos lentamente. Abastecemos em São
Luis do Norte e
seguimos rumo a Uruaçu que se destaca pela proximidade da serra Dourada onde
situa-se a serra da
Mesa, nascedouro do rio Tocantins e da barragem da Mesa. A serra Dourada e
vizinha da Chapada dos
Veadeiros mais a leste. Jantamos e dormimos em Gurupi de onde ligamos para nossa
filha. Neste trecho
a pista começa a ficar muito perigosa e traiçoeira, todo cuidado é pouco
principalmente de
motocicleta. Daí Barrolândia.... nome bem sugestivo para o tipo de rodovia que
se transforma a BR
153....Guaraí..... viramos à esquerda pela rodovia TO 336 e seguimos para
Conceição do Araguaia às
margens do rio homônimo já no Pará. Ali ficamos um dia para descansar e
curtir um banho nas águas
morninhas do verão amazônico ! No dia seguinte pela TO 335 , ambas com
excelente asfalto, seguimos
para Colinas do Tocantins de volta à BR 153.
Uma buraqueira infernal nos acompanhou até Estreito já no Maranhão passando
por Araguaína ( TO ).
Seguíamos para Imperatriz. O asfalto melhora sensivelmente e só fica ruím bem
mais acima na região
de Ipixuna já no estado do Pará.
É bom salientar que a amazônia legal se inicia nas proximidades do estado do
Tocantins mas ainda em
Goiás ! Só vimos reflorestamento no Maranhão e até fotografamos !
Entramos no Pará através da BR 010 conhecida agora como rodovia Bernardes Sayão
e dormimos em
Ulianópolis num hotelzinho de beira de estrada ( pousada Soberana ) que nos
surpreendeu pela limpeza
e cordialidade com que tratam os motociclistas. A V-Max sempre parando o trânsito
onde quer que
passássemos ! Jantamos num quiosque uma comidinha bem caseira e ouvindo a música
alegre e romântica
de Amado Batista que tocava em alto som do quiosque, não pedi um Rock para não
assustar o pessoal...
! É preciso ter paciência com a enxurrada de perguntas sobre a moto....
velocidade... consumo....
preço.... A admiração é geral ! Isso acontece com todas as motos de grande
cilindrada tão raras no
interior do Brasil . Pensamos que essa gente merece o nosso respeito e nossa
consideração em
responder-lhes gentilmente suas indagações, por mais cansados que estejamos .
A gasolina mais cara
que pagamos foi na região de Conceição do Araguaia ( R$ 2,30 ). Notamos que o
relêvo baixava
gradativamente fazendo com que os rios seguissem rumo a grande bacia do
Amazonas, um rio de planície
! O estado do Tocantins é contornado em sua parte superior pelos rios Araguaia
e Tocantins !
Depois de descansar em Ulianópolis, pegamos o trecho ruím de Ipixuna do Pará
e depois de Mãe do Rio
viramos numa estrada de terra e rodamos 40 quilômetros de terra, lama e areal
até São Domingos do
Capim.... foi nessa região que a embreagem hidráulica da V-Max fez um calo em
minha mão... Trabalhei
com a Max no vermelho queimando embreagem.... mas cheguei bem e a "
negona" , como chamo
carinhosamente minha motocicleta, rebolou mas passou o sufoco. Teve trechos que
a Kátia tinha que
correr atrás de mim com a máquina fotográfica na mão para fotografar o tombão....
mas só de raiva
não caí !
São Domingos do Capim é considerada a capital mundial da Pororoca, fenômeno
quase inexplicável que
ocorre nos meses de maio e abril quando uma onda de mais de 2 metros invade o
rio no sentido
contrário à correnteza ! Pororoca quer dizer " estrondo " ou barulhão
. Uma alusão ao ruído
provocado pela onda. Quem quiser ver a pororoca tem que saber que neste período
ocorrem as grandes
chuvas na região norte.... realmente fica intransitável.... não recomendo
motocicleta nesse período.
o melhor período para se rodar de motocicleta no norte do Brasil é no período
que rodamos:
junho/julho /agosto. De setembro em diante começam as chuvas.....sai de baixo .
São Domingos do
Capim é uma cidadezinha típica do interior, bem simples e acolhedora e dispõe
de um excelente
camping para quem quiser " surfar" na pororoca !
Depois do almoço embarcamos numa balsa e atravessamos o rio Guamá para não
voltarmos pela mesma
estrada de terra e seguimos para Castanhal. Neste trajeto fomos parados numa
Blitzen da polícia do
Pará que nos alertou quanto a assaltos de motocicletas.... e nos alertaram também
para não parar em
Castanhal principalmente se forem motociclístas em motos 125 cc....Os policiais
foram muito educado
conosco e assim sucedeu durante toda a viagem. Colocamos nossas barbas de molho
e seguimos para
Belém, não sem antes sermos parados novamente agora pela Polícia Rodoviária
Federal mas o
patrulheiro nos liberou alegando que tinha pensado que éramos "
estrangeiros " e o curioso foi que o
patrulheiro também motociclísta nos achou loucos estarmos tão longe naquela
motona.... ! Entramos em
Belém já anoitecendo e tomamos uma bela chuvarada na cabeça de boas vindas !
A rodovia de Castanhal
para Belém é excelente !
Belém é uma cidade grande, e o trânsito flui com intensidade... todo mundo
corre e todo mundo toca
demais a buzina.... o calor é forte reflexo da grande umidade do ar e acho que
sobe à cabeça dos
"Belenenses" acho que esse é o gentílico, ainda bem que o ritmo
predileto deles, o "Brega" alivia as
tensões ! Depois de hospedados deixamos para o dia seguinte os passeios No dia
seguinte passeamos
bastante pela cidade e compramos nossas passagens para Manaus, de barco a motor,
como eles chamam
BM. Foram R$ 400,00 camarote para casal e mais R$ 250,00 para levar o Vemacão
junto com direito a
pensão completa e ventilador isso no famoso " Lobo Feroz " ! Tá bom
demais, pensei. Os pontos
turisticos que visitamos foram: As Docas, teatro da Paz, praça da Republica,
Horto Emílio Goeldi,
Ver-o-peso, Complexo São Brás, Catedral de Nazaré, famosa pelo Círio de
Nazaré, Ver-o-rio , Forte do
Castelo, mercado, cais, marco da fundação de Belém, cidade antiga, presépio
e etc ...
Belém é banhada pela baía do Guajará e pelo rio Guamá, além de muitas
outras atrações. A chuva
diária sempre de tardinha também é cartão postal ! Belém possui amplas
avenidas com excelente dreno
e praticamente não há engarrafamento, pelo menos não como a gente está
acostumado a ver no Rio de
Janeiro e São Paulo.... Gostamos muito de Belém mas chegou a hora de seguirmos
para Manaus.... a
moto já estava no galpão do Porto e realmente eu temia pelo embarque... afinal
são trezentos
quilos.... mas tudo correu bem, a moto teve que esperar que a maré
"desse" nos termos dos
marinheiros... e o desnível que era de 3 metros ficou em cinquenta centímetros
e não há trezentos
quilos que oito homens "estivadores" não carreguem por bons
trocados.... assim embarcamos o vemacão
: no muque ! Compramos água , biscoitos e alguns mantimentos e aguardamos a
partida com ansiedade.
Partimos à noitinha e foram nada menos que sete dias direto no rio-mar que
tivemos que encarar pela
frente....Segundo o Comandante cerca de 2.500 kms até Manaus ! A velocidade ?
25 nós ! uma lentidão
.....Minha diversão além de comer e beber, engordamos três quilos eu e Kátia
era acompanhar a
trajetória no GPS, fotografar às margens e bisbilhotar tudo com meus binóculos
que levo na moto !
Além do papo legal com os paulistas que conhecemos ! Conhecemos todas as
cidadezinha ribeirinhas do
Amazonas... Breves, Gurupá, Almeirim, Monte Alegre, Santarém, Óbidos,
Oriximiná, Juruti, Parintins
era época da festa do Boi - final de junho e assistimos ao festival em
Manaus pela TV local ) ,
Cametá, Itacoatiara e finalmente Manaus... foi fantástico a visão das várzeas
e ao longe a terra
firme. O rio Amazonas é gigantesco e a baía de Guanabara é uma pocinha perto
dele ! Enorme mesmo ,
merece o título de maior rio do mundo , não só em volume dágua como em
extensão superando o Nilo e o
Mississipe que antes se cria serem maiores.... é um rio-mar mesmo. Sua coloração
é barrenta devido
aos micro organismos e areia que formam o famoso Delta... originando as centenas
de ilhas de sua foz
! Vimos jacarés, cobras, aves, castanheiras, samaumeiras, seringueiras...botos
inclusive o cor de
rosa ! Os índios se aproximam do barco em pequenos botes para que se joguem
coisas no rio, tipo
roupas, toalhas e biscoitos.... é uma tradição... jogamos todos nossos
biscoitos na água....
fotografamos tudo e a noite era demais aquele céu estrelado.... a barulho do
motor , fizemos
amizades com umas paulistas e um paulista de Piracicaba, um rapaz de Manaus e
umas moças da região e
aprendemos bastante uns com os outros, realmente não dá para contar tudo senão
ficará muito longa a
narrativa.... Contarei os incidentes:
Uma tora descendo o rio quebrou a corrente do leme e ficamos a deriva e fomos
jogados na margem do
rio Amazonas. Moral: quase nos arrebentamos numas árvores e acabamos
encalhados....fomos salvos por
outros barcos que nos rebocaram... o rio Amazonas é cheio de piranhas, jacarés
e cobras.... só um
marinheiro corajoso pulou dentro dágua para recolocar a corrente do leme....
foi demais! Outro
incidente foi que em Santarém o retrocesso do motor quebrou e o barco ficou sem
freio.... novamente
quase nos arrebentamos desta vez no próprio cais.... fomos atracados à mão
mesmo, ou seja,
jogaram-se cordas e pularam nágua e nos puxaram..... É incrivel como o pessoal
de lá é solidário.
Tudo é dividido e tudo é de todos ! Outro incidente bem desagradável é que o
melhor marinheiro, sim
aquele que pulou nágua para recolocar o leme, esse era na verdade um pilantra
que roubou a maioria
dos passageiros e se mandou em Santarém... Outro incidente foi a diarréia que
atacou geral no
barco... quem mais sofreu foram as crianças, acredito que foi devido a água do
rio que eles
bebiam... nós como levamos nossa água não tivemos problemas. Todos dormiam em
redes estendidas no
convés e nós , os Vips, tinhamos camarotes....A grande dificuldade era fazer
as "necessidades" sem
conforto... Assistimos aos jogos da copa neste barco, chamado de " Lobo
Feroz" atravéz da parabólica
! Uma coisa legal de se ver é o trabalho dos estivadores nos portos das
pequenas cidades
ribeirinhas.. sem nenhuma estrutura mecânica , tudo braçal mesmo.... é muito
legal ! Chegamos em
Manaus a noitinha e minha preocupação era o desnível da maré... confirmado,
desnível de apenas
cinqüenta centímetros... nem bem o barco tinha se aproximado e se viam as
pessoas atirando as bolsas
para o pier e pulando fora como se quisessem se livrar logo do velho Lobo
Feroz.... foi hilário....
até crianças eram passadas pela janela e muretas..... curiosamente uma rajada
de fogos de artifício
pipocaram nos céus estrelados bem na nossa chegada... Já a tarde havíamos
tomado banho e colocados
nossas roupas de couro, nos despedido dos paulistas e tirado fotos no barco,
tinhamos pretensão de
rodar e rodar mesmo à noite devido ao tempo parado , afinal foram sete dias e
sete noites... depois
de abriu espaço no convés era a minha vez.... confesso que tremi um pouco mas,
respirei fundo montei
no vemacão, desamararam as cordas e colocaram uma prancha entre o barco e o
pier.... nem olhei para
o rio Negro.... me esperando com seus 50 metros de profundidade... um batalhão
de estivadores
queriam carregar a moto até comigo em cima....por dinheiro é claro, mas eu
havia decidido sair no
arranque mesmo e assim fiz. Acelerei o vemacão e num pulo coloquei a bichona no
pier.... só gelei
quando ouvi o estalo da prancha que rachou com o peso na " negona" mas
tudo foi bem.... ao desmontar
minha pernas estavam bambas.... disfarcei...... Kátia conseguiu fotografar
todos os passos dessa
incrível manobra !
Pagamos a taxa de desembarque de R$ 5,00 , fotografamos com o comandante,
montamos os alforjes e
tanque extra na moto e rumamos para Presidente Figueiredo distante 120 kms de
Manaus deixando para
conhecer a cidade na volta, afinal queríamos era novamente nos sentir na
estrada.... vencemos em uma
hora esse percurso de uma excelente estrada até essa cidade, lá nos hospedamos
numa pousadinha
(Marruaga) e descansamos.
Levantamos cedo no dia seguinte edepois do café fomos para o parque Urubuí com
cachoeiras e
corredeiras e o visitamos. Seguimos para o norte e foram 750 quilômetros de
buracos e chuva, que
aumentava o quanto nos aproximávamos do norte em razão do inverno caribenho !
Ainda no Amazonas
entra-se na reserva dos índios Waimiri-Atroari, são hostis... se você parar
na estrada ou se eles o
virem fotografando.... inúmeras placas avisam quanto ao perigo... não
parem.... é lógico que
paramos.... não resistimos à tentação do perigo e fotografamos tudo.... a
cada parada eu acelerava a
moto e deixava a Kátia para trás gritando - lá vem os índios com o "
pau " na mão.... a mulher
arrancava correndo mais que a V-Max.... eu quase me mijei de tanto rir.... A
brincadeira estava
legal até que vimos bem no meio da reserva um caminhão parado.... diminui a
velocidade .... notei um
rapaz caboclo tipo índio , suando e tentando retirar um pneu enorme do caminhão
que parecia um
trem.... com dois vagões..... Parei ao seu lado depois de certificar que ele
estava sozinho e
perguntei : - Tudo bem aí parcccceiro ??? Tudo legal meu Peixxxxxe ???? Você
está precisando de
ajuda ????? O caminhoneiro então disse estar sim precisando de ajuda e que os
índios não poderiam
vê-lo ali parado senão saqueariam a carga.... madeiras... senti vontade de me
mandar.... mas a
consciência pesou e desci da moto e o ajudei a trocar o pneu. Kátia ficou
vigiando para ver se não
apareceriam os "canibais" e descobrimos que o caminhoneiro estava
passando mal.... pedi a Kátia que
pegasse o estojo de primeiros socorros na moto e lhe demos 2 comprimidos de AAS
com água. Nos
apressamos em trocar o pneu e só saí depois que o rapaz ligou o caminhão....
Ele nos agradeceu muito
e lhe disse que se algum dia ele visse um motociclista em apuros que o ajudasse
também e assim foi
combinado. Durante a faina da troca do pneu o rapaz confessou que além dos índios
ele estava com
muito medo.... sabem de quê????? Das sucuris enormes que os vários pântanos
dali são cheios.... e me
confessou que já havia visto uma..... pô parccccceiro.... fala isso não
...... cê tá brincando ?????
Ele me olhou sério, acreditei. Respirei aliviado quando me pus em marcha.
É importante frisar que nessa região não existe posto de gasolina.... são
muito grande as
distâncias.... mais de 150 kms.... e qualquer desatenção agente fica sem gas
mesmo e aí..... Tem um
pessoal da Funai que fica rondando de jipe na área para socorrer no caso de
enguiços.... é só torcer
para eles chegarem antes dos índios.... Essa é a BR 174 ! A reserva dos índios
tem distância de mais
de 120 kms !!!!! Todo cuidado é pouco !
Fotografamos na divisa dos estados do Amazonas e Roraima ( Roráima - o A é
aberto e não nasalado
como dizemos ) e logo estávamos cruzando o paralelo ZERO , o Equador !
Fotografamos no Marco ZERO e
pudemos ver a lista dos mortos por ocasião da construção da rodovia, dizem
que até flechadas os
caras levaram.... foi construída pelo Exército brasileiro.
Almoçamos em Rorainópolis onde existe um bom hotelzinho no caso de precisarem
e gasolina. Seguimos
para Boa Vista e o primeiro sustão.... numa reta, lisa, muito lisa, eu estava só
a 150 kms/h e a
moto perdeu totalmente a aderência com o piso.... escorreguei de um lado para o
outro.... e aí pesou
a experiência..... não fiz nada além de desacelerá-la vagarosamente....
quando pude desci a marcha e
retomei o atrito... nem quero pensar se tivesse de curvar ou frear.... procurei
ser ainda mais
cauteloso e cheguei bem em Boa Vista, mas cheguei BEM mesmo.... Bem molhado
devido a chuvarada
gelada que tomamos na cabeça.... que contraste em relação ao verão
amazonense !!!!!! Ficamos
hospedados num hotelzinho próximo à rodoviária Internacional de Boa Vista ,
hotel Farroupilhas...
lógico que era de um gaúcho que nos atendeu alegremente com uma cuia de chimarão
na mão ! Ficou
surpreso ao ver que viemos com aquela moto do Rio de Janeiro, do outro hemisfério
!!!!! Nós éramos
só lama de cima a baixo ! Nos hospedamos e tomamos um bom banho. Neste hotel
conhecemos três
argentinos qu vinham de um grupo de sete. Soubemos mais tarde que os três foram
expulsos da
Venezuela... não me perguntem mas, Venezuelano não gosta de Argentino...
soubemos pelo pessoal local
do motoclube... um deles pediu " asilo" en Boa Vista para não voltar
para a Argentina... Eram caras
legais, e não deixei de dar uma alfinetada pela derrota na Copa.... Afinal,
nossas diferenças são
apenas a nível de futebol é claro !
Boa Vista é uma cidade pequena ( porém decente ) nos pareceu ter mais prédios
públicos que
contribuintes para pagar impostos.... mas é bastante agradável ! Fomos
recebidos calorosamente pelo
pessoal do motoclube local que não usam nenhum tipo de caracterização devido
ao calor... nós ao
contrário só andamos de moto caracterizados, até a cueca é de couro..... uma
curiosidade é que a
responsável pela cadeia pública... uma cearense arretada.... mandou nos chamar
e se apaixonou pela
nossa roupa de couro e por pouco não tivemos que deixar lá com ela.... tudo é
caro em Boa Vista,
principalmente roupa de couro que nem existe por lá. Essa policial nos viu almoçando
numa
churrascaria e realmente ficou muito feliz, pois é o sonho dela largar o marido
e viajar de moto
toda vestida de couro.... cada um com sua mania! Passamos uma tarde legal no
Clube dos Policiais
Civis de Boa Vista, uma bela e agradável cidade.
No dia seguinte fomos visitar Bonfim, a fronteira com a Guiana Inglesa, e
apelidamos o local de
Bonfim "do mundo" a única coisa muito legal que vimos e sentimos foi
a savana estépica amazônica....
muitos brasileiros não sabem que em Roraima existe savana... até no Amazonas
existe Savana !
Infelizmente em Bonfim não tem nada.... nem posto de gasolina... tinha tirado o
tanque extra e os
100 kms que separam Bonfim de Boa Vista era muito para ir e voltar.... tive que
comprar gasolina
adulterada de um negão Guiano na fronteira. A Kátia ficou morrendo de medo da
cara do Negão....O
tanque da V-Max tem 15 litros e o negão falando um inglês caribenho colocou 20
litros retirando
gasolina de um galão com a boca.....É claro que eu concordei e ainda
agradeci.....e o tanque nem
estava vazio.....Kátia ficou preocupada porque uma Macuxi ( índia do local )
ficou com ciúme dela e
jogou dentro do capacete dela lixo.... ( o capacete estava do guidão da moto ).
Eu também ví mas fiz
que não tinha visto. Notamos na região uma ambulância indo e vindo
rapidamente. Aquilo me
intrigou.... o rio que faz a fornteira dos países é o Itacutu e a balsa estava
quebrada não dava
para atravessar. Estão fazendo uma ponte internacional mas morreram tantos na
obra que resolveram
parar temporariamente para sempre..... Resolvi perguntar para o motorista da
ambulância porque ele
estava indo e vindo.... a resposta me fez acelerar a volta para Boa Vista....
tinham dado uma surra
num brasileiro na Guiana e ele estava entre a vida e a morte do outro lado da
fronteira e não tinha
como socorre-lo..... Tô fora.......Lá não tem nadica de nada.... mas valeu
conhecer a savana
lindíssima de Roraima !
Voltamos ao Hotel , a noite comemos Pizza com a galera do motoclube local.
No dia seguinte seguimos para o nosso destino original e meta: BV-8 ,
traduzindo, marco oitavo da
fronteira Brasil-Venezuela !
São 250 quilômetros de uma bela estrada, bom asfalto ! Passamos por várias
aldeias de índios locais
( Macuxi, Wapixama, Wai-Wai, Yanomami, Ingarió, Taurepang, Yecuana ), e vários
búfalos soltos na
estrada são um perigo à noite.... eles são totalmente negros.... Ao longe já
avistávamos a cadeia
Parima ( Paracaima ) . Mais a oeste existe a serra do Tepequém, um vulcão
extinto com 1500 m. de
altitude com várias cachoeiras: Paiva e do Sol. Existe ainda a região da Pedra
Pintada ( pinturas
rupestres ) e o lago de Caracaranã e a ilha de Maracá terceira maior ilha do
Brasil , com savanas e
pântanos. Uma curiosidade é que em Roraima exite uma cidade chamada Normandia
que foi fundada por
Henri Charriére e seu amigo. Lembrando-lhes que este personagem é mais
conhecido como Pappillon
borboleta ) um inocente condenado a prisão perpétua na ilha do Diabo (
Guiana francesa-, hoje
Suriname ) Uma prisão de segurança máxima. Sua aventura é verídica e
descrita num livro imperdível
objeto até de um filme famoso ! Esse livro descreve com precisão a região ora
visitada por esse
humilde aventureiro motociclista !
O monte Roraima ( 2.875 m) é o 4 maior do Brasil e possui um lago em seu topo !
o Monte Caburaí é o
ponto culminante do Brasil. Antes acreditáva-se que fosse o Oiapoque no Amapá!
Estavamos a 1.000 metros de altura quando chegamos a BV-8 ! Bonita fronteira com
um marco
representado além das bandeiras do Brasil e Venezuela, Bustos de D. Pedro I e
Simon Bolivar, Herói
venezuelano !
Fotografamos bastante e fomos fotografados.... um ônibus cheio de crentes nos
pegou para "cristo"
fomos mais fotografados que o Simon Bolivar.... até o capacete quiseram
colocar.... tudo bem... vá
lá.....
Entramos na Venezuela e fomos até Santa Elena ( não é necessário passaporte
até ali - além necessita
de visto ), gasolina a R$ 0,40 e água a R$ 40,00 !!!!! Dizem que o lençol freático
da Venezuela é
contaminado com o óleo do Maracaibo....
Santa Elena é uma cidadezinha simples e pobrezinha... o que chama atenção são
os enormes carros
americanos da década de 70 com enormes pneus.... os caras andam a mil por hora
e se te atropelarem
não pega nada.... cuidado.....também, gasolina de graça..... enchi os dois
tanques da V-Max com
gasolina sem chumbo, eles aceitam reais normalmente. Almoçamos e fomos
fotografar na praça Simon
Bolivar... a cidade estava repleta de soldados do exército.... quase uma guerra
civil..... quando
desarmei o tripé.... um barulho parecido com engatilhar de uma Winchester... o
soldado se assustou e
engatilhou o fuzil na nossa direção.... fiz sinal de fotografia ele então
entendeu ..... quase fomos
fuzilados..... Fotografamos as grandes savanas e voltamos para nosso querido e
pacífico Brasil.
Muita Chuva no regresso e dormimos novamente em Boa Vista.
No dia seguinte direto para Manaus, sem maiores contratempos além da chuva e da
buraqueira da
estrada.... Paramos no posto da Funai e resolvi comprar uma Flecha , camisa e
filme dos
Waimiri-Atroari.... vimos índios caçando na beira da estrada com arcos flechas
e espingarda....
mulheres índias esquisitas com os peitos de fora na cintura.... cumprimentávamos
e eles respondiam
com a cabeça.... no meio da reserva um saque dos índios numa carreta tombada
cheia de panelas e
utensílios de cozinha.... os índios se deram bem.... depois ví a Funai e a
Policia Rodoviária vindo
socorrer o caminhoneiro... a carga.... já era..... Não mexeram conosco, também
não paramos.
Dormimos de novo em Pres. Figueiredo e pela manhã depois de outro jogo da Copa
seguimos para Manaus
!
Nos hospedamos num hotelzinho fuleiro bem no centro de Manaus... era tão
fuleiro que não me atrevi a
usar os lençóis, fronhas e toalhas.... O nome era Magnífico... apelidamos de
Magnífica bosta....
compramos o material antes citado no comércio local.
Manaus é fantástica.... valoriza muito seu passado glorioso do ciclo da
borracha em meados do século
retrasado ! O Teatro Amazonas é de rara beleza e muito conservado, assim como
praças e demais
prédios todos desse período ! Dizem ser um dos mais belos do mundo e com
certeza o é ! Visitamos o
museu do Indio, do homem do Norte, o Bumba meu Boi, que por incrível que pareça
foi adulterado em
Parintins.... o Bosque das Seringueiras, o Zoo do Exercito ( Cigs ) , Ponta
Negra local mais
sofisticado, mercado Municipal , Relógio, Zona Franca, Porto, Alfândega, Palácio
Rio Negro, e o
ginásio Amazonense com toda sua tradição ! Gostamos muito de Manaus e do
pessoal da cidade. Um
comércio variado e constante e um calor infernal sem aquela chuva diária de
Belém.... Andamos
bastante pela cidade. A moto ficava estacionada na rua e mesmo toda elameada
sempre estava rodeada
de admiradores.
Contratamos o serviço de uma Balsa para levar a moto para Belém , nós iríamos
de Avião até Belém com
conexão para Macapá depois retiraria a moto no Porto em Belém ( levaria 5
dias ). Compramos uma mala
enorme e lá colocamos as roupas de couro, botas, e as coisas de valor além do
capacete. A moto
seguiu sozinha para Belém com os alforjes, tanque extra, top case, barraca de
camping e a pele de
carneiro.
Fiquei triste em deixar meu cavalo de aço no porto... com ciúmes de alguém
montar nela e liga-la...
antes dei recomendações ao funcionário incumbido de embarca-la.... afinal...
ela é perigosa para
quem não conhece... mas o carinha era também motociclista e fiquei tranquilo,
de fato nada aconteceu
com a moto. O preço do retorno foi de R$ 200,00 com tudo descrito num contrato.
Depois de providenciar tudo, recomendo o serviço de Balsa da empresa Silnave e
indico o Hotel
Pousada Sulista para os motociclistas duros... contratamos um bote para
visitarmos o encontro das
águas ( rio Negro e solimões ) e entrarmos por igapós além do rio Negro no
Parque Janauary. Passamos
todo o dia no rio... das 9 até as 17 horas e almoçamos pirarucu num bar
flutuante ! Vimos o encontro
das águas e por incrível que pareça consegui fotografar um boto pulando dágua
!!!! Pior uma enorme
sucuri nadando quase entrou no bote !!!!! Foi muita sorte o caboclo perceber a
aproximação e ainda
nos mostrar a bichona !!!! o bote tinha motor de popa ! Curioso é que o
encontro das águas fica a 4
kms da margem ! o que é que uma cobra estava fazendo naquele lugar ?????
procurando algo firme para
se apoiar ! Entramos pelos igapós do rio Solimões e vimos e ouvimos a natureza
livre ! Os urros dos
macacos imprecionam.... a vitória - régia... a samaumeira com seu tronco
gigantesco... palmeiras...
araras e diversas aves e bichos ! muito lindo mesmo ! Num bar flutuante índiozinhos
trouxeram: uma
jibóia, um jacaré, uma preguiça, araras! Vimos ainda o pirarucu, um jacaré
enorme e compramos várias
lembranças. O que mas me impressionou foi no Zoo do exército. A enormidade e
grandiosidade do Gavião
Real !!! Ave de rara beleza e imponência ! Vimos também a onça pintada, o
puma brasileiro e o
leopardo da amazônia, além dos macacos, araras , cobras e aves mil
multicoloridas !
Retornamos a Manaus felizes e ainda vimos a procissão de São Pedro !
Descansamos pois o vôo era de
madrugada, contratamos um taxi e assistimos a festa de Parintins na TV.
De madrugada rumamos para o Aeroporto e logo estávamos embarcando num Foker 100
da TAM , sem atrasos
!
Observamos agora a Amazônia pelo alto. 10.000 metros ! vimos além do amanhecer
na selva, a
grandiosidade da floresta e as clareiras do desmatamento ! Em duas horas
estavamos em Belém,
desembarcamos e assistimos o Brasil ser Penta ! Seguimos para Macapá numa conexão
agora num Boeng da
TAM... menos barulho....
Macapá é uma cidadezinha ainda em construção. Uma gente muito boa e
receptiva porém os achei meio
que nervosos e brabos, talvez o calorão equatorial ! Acho também que foi influência
do Penta
compeonato... diversos acidentes. Nos hospedamos e visitamos o forte São José,
padroeiro da cidade.
O Trapiche com seu trem elétrico para visitantes e a imagem de São José ao
largo da baía formada
pelo rio Amazonas, de dia em vazante e a noite totalmente cheio ! Visitamos o
porto e procuramos
caminhar de noite pois de dia é impossível devido ao calor e a incrível falta
de arborização da
cidade ! Pegamos um taxi e fomos ao Marco Zero, Monumento feito na passagem da
linha do Equador !
Macapá é a única capital que é cortada pela linha do Equador bem no centro !
Infelizmente Macapá tem
fama de cidade violenta... Existe nesse mesmo local um estádio em que o campo
de futebol é dividido
pela linha do Equador. De um lado hemisfério Sul de outro o Norte ! Seguimos
então de taxi para
Santana, que não tem nada além de um porto para escoamento de Manganês e uma
linha férrea de 20 kms
até a serra do Navio. a insegurança é geral.... não foi à toa que
infelizmente aquele navegador teve
seu barco invadido por piratas e foi brutalmente assassinado.... É lógico que
essa situação não
reflete a maioria do povo que é muito amigo e educado e nem eu cometeria a
injustiça de falar mal de
qualquer lugar de nosso Brasil, mas acho que a Marinha de Guerra a meu ver
deveria fiscalizar melhor
o Rio Amazonas.... Observamos no rio Amazonas a presença de navios da Previdência
Social, legal
mesmo e parabéns ao governo federal !
Depois de contratar o serviço de um navio ( o "lobo Feroz" era barco
de madeira ) a princípio não
tinha camarote e resolvemos ir assim mesmo já que o catamarã só sairia na terça
feira . Demos sorte
pois houve uma desistência e por R$160,00 alugamos um camarote com ar
condicionado ! A viagem durou
24 horas e foi moleza tendo em vista a semana inteira passada a bordo do Lobo
Feroz ! Contornamos a
Ilha de Marajó numa viagem maravilhosa até Belém ! Desta vez sem nenhum
incidente !
Chegamos em Belém e logo de cara revemos o velho "Lobo Feroz "
atracado e já sendo carregado com
muita carga como de praxe e os marinheiros nos viram e reconheceram e correram
para desembarcar a "
motona" todos perguntavam... disse-lhes então que a " motona "
dessa vez vinha de balsa sozinha !
Foi quase uma decepção pois eles vivem em função dessa estiva mas fazer o quê????
Mandei abraços
para a tripulação desembarcamos e fomos para um hotelzinho num bar de uma
mulher que conhecemos da
vez anterior que estivemos em Belém. Ela se chama Mara e é uma paraense danada
de braba... nos
tratou muito bem e carinhosamente e ali ficamos hospedados até que a moto
voltasse de Manaus !
Enquanto a moto estava a caminho resolvemos passear mais pela bela cidade de Belém,
e uma boa dica é
o Horto Emílio Goeld. Lá ficamos muito impressionados com o tamanho do
Peixe-boi, da Ariranha e seus
gritos. Novamente a visão do Gavião Real altaneiro e imponente, do Poraquê ou
peixe-elétrico com sua
descarga de 600 volts ! o Candiru, peixe perigoso que entra em qualquer orifício...que
der sopa....
dizem os "locais" que existem moças que pedem atestado médico
certificando que perderam a virgindade
por causa do peixe candiru.... Dizem que médicos atestam defloramento indireto
???? É o que "dizem"
será que alguém acredita ??? Deixa pra lá. Vimos também o Urubu-Rei, a
Preguiça, Socós, Colhereiros
e Capivaras. Acará-Disco, Pirarucu e tambaquis, sapos estranhos e uma variedade
enorme de outros
animais amazônicos. Da parte botânica basta dizer que contém o parque uma
variedade quase completa
de todos os gêneros amazônicos tais como a gigantesca Samaumeira, Seringueira,
Palmeiras,
Vitórias-Régias e etc !
Resolvemos tomar um micro ônibus e seguirmos para Salinas, distante 260 kms de
Belém já na parte
mais oriental do estado. Salinas Estância Hidromineral , Fonte Caranã e é um
balneário maravilhoso
com praias e lagoas lindas, a praia do Atalaia é a mais procurada. As águas são
já no oceâno
Atlântico e são bem verdes-claras e quentinhas ! Não resistimos a tentação
e resolvemos dar um bom
mergulho ! uma maravilha, afinal fazia tempo que não via o oceâno ! Dizem que
em Salinas é o local
onde a maré tem a sua maior marca, ou seja, é o lugar onde a maré sobe mais
alto e rapidamente
surpreendendo as vezes quem acampa na areia ou desce de jipe ! Eu realmente já
tinha observado as
marcas do estrago da Ressaca ! Lá existe um farol interessante feito em
estrutura metálica e
passamos um dia super quente e agradável naquelas paragens !
Retornamos a Belém e depois de uma ligação para a empresa de Navegação
Silnave soubemos que a moto
estaria chegando na madrugada de quinta-feira ( 4/7/02 ). Ficamos muito felizes
pois já estávamos a
quase um mês na estrada e com saudades da nossa " criança " e nos
preparamos para a continuação de
nossa aventura, uma vez que nas minhas viagens não tem retorno, sempre passo
por caminhos diferentes
o que nos dá a sensação de estarmos " indo " só que na verdade
" indo de volta " mania de
estradeiro.
Remetemos uma caixa com utensílios comprados e outras bugingangas para Niterói
via Sedex ( camisas,
flecha, cocar, papeis sapatos, lembranças , CD"s de Brega e etc... ) e
enquanto ou ía ao porto
retirar a moto kátia se aprontava. Depois das providências de praxe, vistoria
na moto e liberação
fiquei feliz ao montar e acionar o V-4 , já próximo dos 100.000 kms rodados só
de estradas ! A moto
estava intacta e toda carregada.. alforjes, top case, tanque extra e etc... até
a lama estava como
havia deixado ! Ninguém mexeu em nada , Legal !
Eram 11 horas quando tiramos a última foto no hotelzinho da Mara, nos
despedimos e logo tomamos uma
balsa para Abaetetuba... após uma hora de travessia do rio Guamá, chegamos a
uma boa estradinha...
outra travessia de balsa....rio Moju, este em breve aposentará as balsas... estão
construindo uma
ponte enorme ! Tomamos então o rumo Sul pela PA 150 !
Esta estrada está com um asfalto maravilhoso e só é necessário tomar cuidado
com a distância entre
postos o que só existe nos lugarejos e cidades no percurso e principalmente com
as " cabeças de
ponte ". Essas cabeças de ponte significam um acréscimo de concreto sobre
as pontes para reforçar a
estrutura o que gerou um desnível de até 50 cms para cima. Logo , o efeito se
você entrar com
velocidade é de estar sendo catapultado , tipo uma rampinha !!! Muitos
acidentes ocorrem com carros
e caminhões sendo jogados fora da pista até dentro dos rios que são muitos na
região . Para
minimizar os acidentes puseram enormes quebra-molas antes e depois das
pontes.... logo você se
arrebenta nos quebra-molas....e deixa a ponte em paz ...as marcas das freadas são
visíveis de longe
!
Seguimos direto para Marabá e fomos parados em todas as Blitzens da polícia do
Pará, foram quatro. É
verdade que foram muitos educados e conferiram a documentação , habilitação
e placa da moto . Nos
alertaram para não rodar a noite e cuidado na região de Eldorado dos Carajás.
Agradecemos e seguimos
bem até Marabá, mas pegamos uma maravilhosa noite estrelada ! Dormimos em
Marabá , ladeada pelas
águas do rio Araguaia que com as do rio Tapajós formam a represa de Tucuruí.
Marabá tem a cidade
pioneira que é muito lindinha e a parte moderna da cidade que surpreende àqueles
que acham que lá
não tem modernidade ! Seguindo viagem tomamos a rodovia Transamazônica BR 230
numa parte
maravilhosamente asfaltada. Quem dera fosse toda assim???? Talvez um dia o seja
! Seguimos rumo ao
sul pela PA 150 rodando agora no sul do Pará e ficamos estarrecidos com a ausência
total de
árvores.... tudo virou pasto de boi ..... e por ironia deixaram algumas enormes
só para atestar a
insanidade e falta de controle ambiental.... as serrarias são abundantes e não
sei pra que tanto
forno.... não sei para que queimar tanta madeira ???? Só vimos carvoeiros em
Minas Gerais ????? Pra
que será tanta queima ??? um dia ainda descubro. Na região de Eldorado e Serra
Pelada a rodovia muda
drasticamente passando de excelente a péssima, muitos buracos que estão sendo
devidamente tapados
isso é verdade e com cautela e velocidade moderada se atravessa melhor que a BR
153, donde não se
tem escapatória: é buraco ou buraco, pode se optar com ou sem lamaçal
dentro.....Panela de pressão
que estoura o pneu ) ou caçarola ( que quebra só o amortecedor ) .
Seguimos direto até Conceição do
Araguaia - Redenção - Guaraí e de volta à BR 153, já velha conhecida....
rodamos sempre ao Sul até
Miranorte onde mudamos o rumo para leste e depois de atravessar mais uma
balsa.... rio Tapajós
entramos em Palmas já a noitinha e fomos direto para o maravilhoso evento dos
Dodger"s um motoclube
de muita personalidade ! Fazia tempo que rodávamos sozinhos e sem a companhia
de amigos estradeiros
e ficamos muito felizes desta oportunidade maravilhosa de fazermos novos amigos.
Fomos rodeados pelo
pessoal dos Dodger"s que impressionados com o estado do nosso trator V-Max
e com a lama em nossas
roupas nos rodearam e vibraram quando dissemos que éramos do Rio de Janeiro. -
Pô que legal vocês
virem do Rio, disseram eles. - Quanto tempo vocês levaram até aqui ? Quando
dissemos que na verdade
estávamos vindo da Venezuela e da Guiâna....e que rodamos toda a amazônia
legal.... Pô chamaram até
a televisão local..... fomos filmados com direito a entrevista e tudo....
fiquei todo " bobo" ! É
importante que nunca deixemos o orgulho ou o esnobismo tome conta de nós, e
realmente não faz parte
de nosso gênero. Somos mais que simples e muitos tímidos e apenas participamos
muito orgulhosos de
estarmos "com eles " Eles é que eram os importantes, não nós.
Apenas éramos visitantes estradeiros.
Fomos muitos bem tratados pelo Tulio , presidente dos Dodger"s e pelo
" primeiro ministro " o amigão
JB, que por sinal é um vemaqueiro! A família do JB quando nos viu numa V-Max
foi quem nos introduziu
ao grupo, muito simpática a família do JB! Não me lembro o nome de todos ,
mas afirmo que todos são
muito legais e vale a pena conhecer Palmas que é linda e muito moderna e
organizada , vocês vão se
surpreender como funciona o serviço público de lá ! Adoramos Palmas ! Tomamos
algumas cervas
oferecidas pelo pessoal dos Dodger"s e curtimos muito rock e churrasco
gratuito .... já estava com
saudades !
No dia seguinte pela manhã um lauto repasto digno de hotel cinco estrelas foi
oferecido pelos
Dodger"s a todos os participantes do evento ! Demonstração de Weelling e
acrobacia do Exército com
mais de 15 homens numa moto em movimento... muito legal e uma motociata, que
eles teimavam em chamar
de " moto-ata " ????? Depois da motociata nos despedimos ante
protestos de ficarmos para sempre em
Palmas.... mas ainda tinhamos muito chão pela frente ! fotografamos a cidade em
diversos ângulos
inclusive no lago que estão urbanizando e seguimos o caminho de Prestes....
pilotando na famosa
rodovia Coluna Prestes, TO 050. Seguimos rumo sudeste sempre contornando o maior
deserto do Brasil,
o Jalapão, palco do rally dos sertões, coisa de feras.... a rodovia é de um
asfalto maravilhoso e
rodamos tranquilos a 180 kms/h, apesar de ser pista simples, muito segura !
Entramos a noitinha em Barreiras onde paramos para dormir num motel cinco
estrelas ! merecíamos uma
boa hidro !
Era domingo, dia 7 de julho, e nos pusemos em movimento agora no cerrado do
oeste da Bahia onde a
seca impera e castiga forte àqueles que lá habitam...parecia até caatinga....
se eu não conhecesse
um pouco do Brasil confundiria... a pista vai de gasta a esburacada e é preciso
cuidado. Aparecem
novamente as figuras dos sertanejos que tapam buracos na estrada com pás e
enxadas em troca de algum
dinheiro doado pelos motoristas... não neguei ajuda e separei trocados para
distribuir dando
preferência às crianças... Depois de atravessarmos o velho "Xico "
ao meio -dia avistamos pela
primeira vez para nosso estonteamento e deleite a maravilhosa Chapada da
Diamantina ! Fotografamos
de todos os ângulos as belas formações que alcançam 1.500 m de altitude e nós
estávamos a 1.000
metros ! É realmente indescritível as paisagens desta chapada ! A que mais
impressionou foi a do
camelo ! atravessamos pela BR 242 onde fotografamos inclusive o marco da
rodovia. Seguimos para
Lençois onde almoçamos seguindo para Andaraí onde preferimos pernoitar. Nesta
região o legal é ficar
pelo menos uma semana nas férias para fazer caminhadas, rios e cachoeiras. Vale
a pena conhecer. No
dia seguinte não resistimos a tentação e fizemos um pouco de motocross com a
V-Max e rumamos numa
estradinha esburacada para conhecermos o Poço Encantado. Foram 40 kms de ída e
volta, uma descida de
300 metros por uma corda e uma visão celestial. !!!!!!!! No meio da escuridão
meneada por tênue luz
de lampiões um facho azul penetrando de uma fresta da caverna fere um lago de
40 metros de largura e
60 de profundidade com água parada e perfeitamente cristalina tão límpida que
não se vê o nível !!!!
coisa de você suspirar com a beleza da natureza !!!! Demos graça a Deus por
fazermos parte dessa
natureza ! Preservar é a palavra chave, muito lindo mesmo ! Fotografamos e
depois de meia hora de
meditação retornamos à estrada. No poço encantado só se entra com guia e
paga-se uma taxa de R$ 3,00
para manutenção e o local é muito bem conservado, até comprei uma camisa
linda de lembrança.
Seguindo o caminho passa-se por Igatu uma cidadezinha com algumas casas feitas
de pedras amontoadas
que é também um ponto turistico . Seguimos para Mucugê e amamos essa linda
cidadezinha com seu
cemitério bizantino todo branquinho com covas pontiagudas ???? de quebra um
cortejo funebre
atravessando a estrada...não fotografamos em respeito ao decujus e familiares
mas não conseguimos
conter os risos quando os carregadores do caixão tropeçaram nas pedras ao
virarem a cabeça para
acompanhar o trajeto da vemacona .... Contornamos toda a Chapada da Diamantina
seguindo para o Sul
da Bahia sempre fotografando tudo, isso pela BA 142 que é excelente até Barra
da Estiva, daí é muito
buraco e pista remendada até Sussuarana e daí até Brumado pilotamos
incrivelmente numa rodovia
asfaltada de areia !!!!!! Nessa ocasião um motoboy me deu um " couro
" com sua perereca sobre a
areia... ô motinha boa de tudo essa 125 cc! Fiquei meio humilhado e acelerei
ultrapassando o "cabra"
abusado que hesitou na aceleração. Daí uma acelerada forte na sua frente fez
a roda traseira -
Pneu170 - do vemacão derrapar jogando areia até dentro do capacete do
"safadinho" Isso foi só uma
brincanagem minha. É o único lugar do Brasil que se encontra esse tipo de
pista ! Fujam de lá. É
tombo certo ! De Brumado seguimos por Caetité até Guanambi onde pretendíamos
visitar um amigão, o
estradeiro Ruiter.
Chegamos em Guanambi já a noitinha e de Brumado até lá a pista é muito boa
com curvas perigosas
principalmente na chegada a Guanambi, muito cuidado com a velocidade a não ser
que estejam de R1,
RR900, GSX ou Srad 750.... Não foi dificil encontrar o Ruiter, mesmo tendo ele
mudado de endereço e
telefone... todo mundo conhece esse motociclista na cidade ! Sua família nos
recebeu de braços
abertos e a ordem era: mulheres para cozinha preparar a janta e homens na sala
tomando cervas
geladas e falando de motociclísmo , motoclubes e viagens, muitas viagens, técnicas
e aventuras meus
assuntos preferidos ! Fomos lá só bater esse papo e abraçar o Ruiter, sabíamos
do cancelamento do
evento em Guanambi mas quem disse que o cara nos deixou sair... - Bota a moto
pra dentro e deixa de
frescura... foi a ordem do antigo presidente da AMO -Bahia e do quase desativado
MC Asa Branca.
Obedecemos com prazer e o papo foi muito legal.
No dia seguinte devidamente escoltados pelo Ruiter, agora com uma Marauder 800
ao invés de sua
inseparável Magna 750cc fomos até a BR 122 e nos despedimos na saída da
cidade. Durante esse
percurso paramos o trânsito por onde passávamos e ele sempre acenando e
cumprimentando a todos.
Seguimos então rumo Sul pela BR 122 em direção a divisa da Bahia com Minas
Gerais. A rodovia nesta
região está boa sem problemas e fotografamos na divisa. Ocorreu porém que nas
proximidades de
Porteirinha bem numa curva aberta notei a aproximação por uma estrada de terra
vicinal, um ônibus
velho andando lentamente e levantando muita poeira. Logo percebi que ele
entraria na rodovia e como
eu vinha a uns 120 kms/h diminui a velocidade e aguardei a manobra do outro veículo.
A minha frente
à direita duas motos 125 cc. Simplesmente o ônibus atravessou lentamente a
pista à nossa frente sem
aumentar nem diminuir a velocidade , sequer sinalizar.... fechou totalmente a
passagem. Nesse
momento eu já estava muito perto e não me restou alternativa se não travar a
traseira e uma bela
cantada de pneu num gélido cavalo de pau ... fui parar no acostamento de terra
e com perícia não
caímos.... O "Buzum " parou no acostamento e eu emparelhei e
desabafei nos ouvidos do inconsequente
motorista que com cara de mineiro maroto me pediu mil desculpas.... saí ileso
mas poderia ter sido
fatal.... depois de tantos milhares de quilômetros.... Tudo bem, nem sei o que
se passou com as
motos 125cc, disse a Kátia que eles estavam do meu lado também xingando o
motorista do ônibus.
Seguimos por Janaúba e na entrada de Montes Claros outro incidente, desta vez
fatal. Vimos um
motociclista ( motoboy ) morto estirado na estrada e a moto toda quebrada....
foi demais. Resolvi
parar a moto e procurar um bom hotel. Montes Claros além de ser uma cidade
bonita e aconchegante
para com os visitantes tem uma excelente rede hoteleira e ficamos num excelente
hotel por R$ 50,00
casal ! ( hotel Nobre ).
No dia seguinte rumamos para Pirapora para fotografarmos as carrancas do São
Francisco. Essa é a
parte inicial do trecho navegável do São Francisco e a estrada para lá está
em boa condição de
tráfego. Conversando com o guarda do porto de Pirapora este nos informou que
pode-se navegar até a
represa de Sobradinho na Bahia ! Fotografamos as carancas e ainda conhecemos uma
" gaiola " sendo
reformada ! Aqueles velhos barcos de movidos à vapor que navegavam no São
Francisco movidos com
aquelas rodas enormes atrás... diz-se que essa " gaiola" navegou no
rio Mississipe nos EUA !!!
Lembrei de uma novela antiga... A cabana do Pai Tomás.... nem sei porque ?????
De Pirapora seguimos pela BR 365 ( ótimas condições ) até a BR 040. Dalí
começamos a descida até
Três Marias. Nessa cidade fomos até a prainha da Represa para conhecer e
fotografar, legal . Vale a
pena conhecer. Tem inclusive um excelente hotel nessa localidade !
De volta a BR 040 seguimos para Cordisburgo onde pretendíamos visitar a Gruta
do Maquiné . Uma
maravilhosa caverna parecida com a caverna do Diabo em São Paulo. Pretendíamos
nessa incursão
avaliarmos qual das duas seria a mais bonita . A rodovia BR 040 de Três Marias
até Sete Lagoas está
tão remendada que os caminhoneiros dizem que os buracos estão invertidos... e
essa é realmente a
impressão que dá devido a enorme trepidação dos veículos... impossível
andar a mais de 80kms/h....
cuidado.
Seguimos até Cordisburgo e de tardinha lá chegamos e fomos direto nos hospedar
na Pousada das
Flores. A noite saímos para jantar e foi muito gostoso pois conhecemos um
pessoal que não eram
motociclistas mas nos identificamos demais. Tomamos cervejas e jantamos ao som
da Folia de Reis,
coisa do interior de Minas... das tradições.... das histórias.... A altitude
de 800 metros trazia um
friozinho " gostoso demais" É "Bão demais sô " São
momentos inesquecíveis que só conseguimos captar
no interior e principalmente de Minas... adoro Minas Gerais !
No dia seguinte visitamos a Gruta e é realmente indescritível a beleza e saber
qual é a mais bonita
é como discutir sexo dos anjos... Descoberta em 1825 pelo fazendeiro de nome
Joaquim Maquiné teve em
1834 seu principal explorador e estudioso o dinamarques Peter Lund, considerado
sábio da ciência A
Gruta tem 650 metros , 07 salões e profundidade de 18 metros !
Cordisburgo é também a cidade natal de Guimarães Rosa e a cidade cultua muito
sua memória, o grande
escritor de " Grande Sertões Veredas " ! Distante cerca de 120 kms de
BH é uma ótima referência para
quem quer paz e harmonia com a natureza.
Quinta -feira (11/7/02 ) depois da visita à gruta nos dirigimos para BH e
resolvemos passear na
lagoa da Pampulha e fotografar no cartão postal de BH que é a Igreja de São
Francisco numa tarde
muito gostosa de sol. Como já conhecíamos BH e derrepente armou um temporal
fugimos da cidade em
direção ao Rio de Janeiro pela BR 040 que neste trecho está muito boa.
Paramos em Congonhas para comermos um torresminho... Como já conhecemos todas
as cidades históricas
de Minas elas não entraram no roteiro, mas recomendo uma visita para quem não
as conheça,
especialmente Ouro Preto ! De barriga cheia encaramos o final de tarde e a
noitinha até Juiz de Fora
onde entramos num Motel para ..... dormir..... pela manhã rodamos pela parte
privatizada da BR 040,
excelente e por ironia foram os únicos pedágios que pagamos durante toda essa
imensa quilometragem!
Entramos no Estado do Rio de Janeiro que alegria ! e como ainda estávamos com
muito gas....nas
veias.... ao invés de írmos por Petrópolis viramos em Itaipava e subimos a
bela Alameda das
Hortênsias até Teresópolis daí descendo pela Serra dos Órgãos e parando no
meio dela na localidade
de Barreira para almoçarmos no Bar do Rogério. Chegamos todos molhados pela
chuva fria e deliciosa
da montanha. Pussemos o papo em dia e também debaixo de chuva entramos na
sexta-feira por Magé em
nossa cidade de Niterói dia 12 de julho de 2002.
Encontramos nossa cadelinha vira-latas muito feliz e caímos de beijos em nossa
filha Luiza de 13
anos que já não aguentava mais de saudades e se não fosse o apoio dela não
poderíamos ter realizado
essa maravilhosa aventura pela metade do Brasil de uma vez só !
Foram exatos 34 dias de viagem por 17.700 quilômetros viajados por 11 estados
da nação.
12.000 quilômetros pilotados ( odômetro )
3.200 quilômetros navegados ( de acordo com os comandantes dos barcos Belém-Manaus
- 2.500 kms - 7
dias
Macapá - Belém- 700 kms - 1 dia )
500 quilômetros Van ( Belém -Salinas- Belém )
2.000 quilômetros voados ( de acordo com a aeromoça- TAM ) Manaus-Santarém-Belém-Macapá
Gastamos cerca de R$ 6.000,00
Nenhum problema mecânico além de reaperto de parafusos e revisão total na véspera
Tiramos 437 fotografias comprovando tudo que foi comentado neste diário de
bordo !
Já estamos debruçados nos mapas programando nossa próxima aventura ! Extremo
Oeste- Acre- Chapada
dos Guimarães e Parecis- Fronteira Brasil - Peru e Bolívia !
Até a próxima !
Coelho vemaqueiro !
[email protected]