* Museu da Ind�stria Baleeira - Pico  - 2002
* Museu dos Baleeiros - Pico - 2002
* Livraria Sol-Mar - Ponta Delgada  - 2003

(
Exposi��o composta por 24 fotografias, a preto e branco, produzidas nos Po�os, em S�o Vicente Ferreira,  em 1999)
Sucata � vista


Baleia � vista!...
Baleia � vista!...

Os foguetes rebentam: est� dado o sinal.

No varadouro, a agita��o � enorme: os botes descem ao mar.

E, os baleeiros - a�orianos corajosos - lan�am-se a desafiar o longo
cet�ceo num combate desigual e incerto...

Depois, os vitoriosos regressam e ent�o, volta a respirar-se de al�vio.

Por mais uma vez, o monstro sucumbiu!

Por mais uma vez, a necessidade obrigou!

Por mais uma vez, h� sustento para repartir e trabalho digno para mais umas jornadas!


O patrim�nio baleeiro a�oriano � um legado que a todos diz respeito.

A actividade da ca�a � baleia nos A�ores envolveu muitos e muitos a�orianos que, por necessidade absoluta de sobreviv�ncia, correndo riscos de vida, a ela se entregaram com ardor, durante muitos e muitos anos.

H� em muitas das nossas ilhas refer�ncias e vest�gios da balea��o a�oriana: da sua �poca de fortuna e dos seus tempos de abandono!

� uma heran�a que deve orgulhar todos os a�orianos, pela gente laboriosa e destemida que segurou nos arp�es e que por isso, nos obriga a preservar e a manter.

S�o valores hist�ricos e culturais que fazem parte da nossa mem�ria colectiva!

Nos Po�os, em S�o Vicente Ferreira, est� agonizante, ferida de morte, a antiga "F�brica da Baleia" que foi propriedade de uma das primeiras Companhias Baleeiras dos A�ores.

Por desleixo de uns, por inc�ria de outros e por desinteresse das entidades oficiais, j� s� resta quase nada do patrim�nio baleeiro micaelense. Todos os dias que passam ele se vai perdendo perante a indiferan�a de tantos!

Com esta vergonha - sim, porque de uma grande vergonha regional se trata! - se reduz a valentia e a aud�cia dos nossos baleeiros.

Com esta vergonha se limpam, para as gera��es vindouras, muitas raz�es que suportam a teimosia de se continuar a viver nestas ilhas.

Com esta vergonha se mostra aos visitantes, nacionais ou estrangeiros, como � que os A�ores de hoje, se empenham na salvaguarda do seu patrim�nio.

Com esta vergonha se responde ao grito pujante de "Baleia � vista..." de outrora, com a triste realidade de uma "Sucata � vista" de todos...


                                                                                         
  Jos� Manuel Ba�o



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