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Prov�m da fundura dos s�culos, quase a completar 481 anos, a tradi��o micaelense dos Romeiros - �nica nesta ilha e no mundo - reveladora de prolongadas d�cadas de ang�stia e desola��o, no sobressalto dos sismos e no del�rio dos vulc�es, entre nuvens de cinza e torrentes de lava �gnea e devastadora.
Roteiro de F� e de Penit�ncia, na longa quadra quaresmal, praticada por uma multid�o piedosa e an�nima, em que todos s�o irm�os e iguais, deixando as fam�lias e as comodidades, voltando costas a interesses e conveni�ncias do dia a dia, de bord�o e xaile, cevadeira ao ombro e ros�rio pendurado, para atravessar S�o Miguel, de l�s a l�s, durante oito dias, por caminhos, atalhos e carreiros quase desconhecidos, no sil�ncio das madrugadas, na aspereza dos temporais e nos rigores da caminhada, parando e orando em todas as Casas de Nossa Senhora - e enchendo os cora��es e as ruas com o coro lento e revigorante da "Av� Maria, Cheia de Gra�a".
Bem andou Jo�o Freitas, jovem fot�grafo e bom observador, surpreendendo na sobriedade e contrastes do preto-e-branco um impressionante desfile de corpos e almas, entre a chegada e a partida dos Ranchos, entre claridades e sombras, numa afirma��o de F� vigorosa e de Penit�ncia assumida - repete-se - sem constrangimentos nem derespeitos humanos, mesmo perante o sorriso dos indiferentes e dos considerados esp�ritos superiores...
Manuel Ferreira
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