* Museu dos Baleeiros - Lajes do Pico - 2003
* Museu da Ind�stria Baleeira - S�o Roque do Pico -
   2003
*  Sede da Uniao Europeia - Bruxelas - 2004

(
Exposi��o composta por 20 fotografias, a cores,  produzidas na ilha de S�o Miguel em 2003)
"O Boca Aberta"



"O Boca Aberta"

O palco da minha inf�ncia e juventude foi a Calheta P�ro de Teive,
num cen�rio �nico, envolto nos mist�rios, nas f�bulas
e na aspereza da vida dos homens do mar.

O colorido das embarca��es - barcos de boca aberta - con-
trastava com o negro das pedras do porto e harmonizava-se com
as ondas do mar.

A minha mem�ria retrata, com exactid�o, a az�fama organizada dos
pescadores, o cuidado que aplicavam nos apetrechos, a sa�da e
a entrada no porto, transmitindo uma atitude de equipa �nica.

Estas recorda��es fascinantes foram despertadas pelo
assombramento da reestrutura��o imposta pela Comunidade
Europeia - as d�vidas e os receios deram origem a nefastos pensa-
mentos: qual ser� o futuro dos barcos de boca aberta ? Ser�
que v�o desaparecer � semelhan�a da pr�pria Calheta P�ro
de Teive?

Ap�s uma pequena investiga��o junto dos homens do mar e
de algumas entidades ligadas � �rea da pesca, fiquei mais
tranquilo: na opini�o de Liberato Fernandes, os barcos de boca
aberta n�o ir�o desaparecer!

A restrutura��o imposta pela Comunidade Europeia ir� imp�r
limites nas capturas (milhas e consumo local), o que obriga a estru-
turar o futuro por forma a evitar que aqueles barcos passem a ser
considerados uma pe�a, culturalmente, morta - uma pe�a de museu.

A ideia � complementar a actividade dos barcos de boca aberta
com o turismo - os passeios tur�sticos e a pesca, segundo os
m�todos artesanais, s�o a perspectiva futura.

A ideia pareceu-me boa, mas o meu inconsciente transportou-me
para o problema da inseguran�a: talv�z pelo desafio corajoso e constante dos pescadores, em enfrentarem as intemp�ries dos mares a�orianos.

Recordei-me, ent�o, de uma afirma��o de Genu�no Madruga: "Cor-
ri o mundo e n�o encontrei um barco de pesca t�o bem constru�do, com tanta seguran�a, como os nossos barcos de boca aberta".

Cada um de n�s dever� preservar o nosso patrim�nio hist�rico e cultural e ter uma ac��o activa na sociedade.

Esta exposi��o surge com uma dualidade totalmente, distinta: contribuir para a sensibiliza��o e divulga��o da beleza dos barcos de boca aberta e cumprir com uma promessa p�stuma para com o meu amigo Padre Jo�o Caetano Flores

                                                                     
Jo�o Freitas






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