I Pedro 4: 6 não afirma que o evangelho foi pregado também aos mortos?

Depende de que mortos estivermos falando! Não foi aos mortos literais? Por incrível que pareça, foi sim! Foi aos mortos literais que foi pregado o evangelho, mas quando eles estavam vivos!

Vamos tomar a passagem desde o verso 1:

"Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento: que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado,

para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

Porque é bastante que, no tempo passado da vida, fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;

e acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós,

os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos;

porque, por isto, foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens, na carne, mas vivessem segundo Deus, em espírito.

E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração." Almeida Revista e Corrigida.

Note: Deus julgará os vivos e os mortos, verso 5;

Os que estivessem no inferno não poderiam passar para o Paraíso para serem salvos, Lucas 16: 26.

De nada adiantaria, caso isso fosse possível, pregar o evangelho aos espíritos dos mortos. Eles não poderiam ser salvos da mesma maneira! E aos espíritos salvos, já estariam salvos sem a necessidade de ser-lhes pregado o evangelho depois que morreram! Ora! Se estão salvos, foi justamente porque deram ouvidos ao evangelho! Não precisam mais de nenhuma pregação.

E se eles, ao invés de estarem no Inferno estivessem no Purgatório? Não haveria agora necessidade de pregar a eles o evangelho? Não! Quem crê na existência do Purgatório são essencialmente nossos irmãos Católicos. E como eles crêem? Crêem que os do Purgatório também já estão salvos! Desnecessário é para eles também o evangelho. Busquemos a resposta a essa pergunta em sua própria fonte, ou seja, o Catecismo (fonte, "Catecismo Católico", São Paulo, Editora Herder, 1960, versão e adaptação portuguesa pelo Revmo. Prof. Wolfgang Gruen, S. D. B., do Katholischer Katechismus der Bistümer Deutschlands, publicado em 1955 por Verlag Herder, Freiburg im Breisgau (Alemanha)). Encontrado na Biblioteca Pública Municipal de Ponta Grossa – Pr., em Janeiro de 2002, sob identificação 258 CAT. Você poderá ainda examinar outras edições do Catecismo Católico. Procure no Índice pelo tema "Purgatório". Vejamos a página 250 da edição que citamos:

"Quem morre na graça de Deus, mas ainda não está livre de todos os pecados e penas devidas aos pecados, não pode entrar logo no céu. Falando da celeste cidade de Deus, assim escreve S. João: «Não entrará nela nada de impuro» (Apc 21, 27). Por isso, quem ainda tem de expiar os seus pecados, vai antes para um lugar de purificação, a que chamamos purgatório (isto é, de purificação).

As santas almas do purgatório estão mui amargamente arrependidas de seus pecados, e sentem ardentíssimos anseios por Deus tão santo e bom. Elas devem expiar, em grandes sofrimentos, as penas devidas aos seus pecados. A sua maior pena é a de ainda não poderem contemplar a Deus; sua maior consolação é que logo o contemplarão, e o saberem que estão salvas para sempre.

Por si mesmas, as almas do purgatório nada podem fazer para abreviarem os próprios sofrimentos. Mas Jesus Cristo, o seu Redentor, intercede sem cessar por elas perante o Pai, e por intermédio de Jesus Cristo intercedem também Maria Santíssima e os outros santos do céu. Pelos merecimentos de Jesus Cristo, também nós podemos oferecer preces e sacrifícios em favor das santas almas do purgatório, para que quanto antes se vejam livres de seus sofrimentos.

O purgatório durará até o dia do juízo universal. Depois do juízo universal só haverá céu e inferno.

Vai para o purgatório quem morre na graça de Deus, mas ainda tem de expiar os seus pecados.’" Sublinhados nossos para destaque.

Uma fonte mais fácil de encontrar é o "Catecismo da Igreja Católica". No parágrafo 1030, pg. 290, pode-se ver claramente que a crença é de que as almas do Purgatório já estão salvas. Bem, vamos ler:

"Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu." Sublinhados nossos para destaque.

Bom. Contra fatos não há argumentos. Essa é realmente a crença de nossos preciosos irmãos Católicos, conforme atestada por eles mesmos em seu Catecismo. A questão é a seguinte: Se os mortos do Purgatório morreram na graça de Deus e estariam salvos para sempre, então nem eles mesmos precisariam da pregação do evangelho. Eles já aceitaram a pregação do evangelho, e por isso estariam salvos. Resta apenas a purificação de alguns pecados veniais (leves).

Então, quem são os mortos a quem I Pedro 4: 6 diz que foi pregado o evangelho? Vamos explicar: Supunha que você tivesse um amigo chamado Neoli (o autor deste material). Supunha agora que Neoli tenha morrido mês passado. Agora, você poderia dizer:

"...porque, por isto, foi pregado o evangelho também ao Neoli, para que, na verdade, fosse julgado segundo os homens, na carne, mas vivesse segundo Deus, em espírito."

Quando é que teria sido pregado o evangelho ao seu amigo Neoli? Ora! Enquanto ele estava vivo! Simples!

Aos mortos também fora pregado o evangelho, enquanto eles ainda viviam! Explicado?!


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