Jesus desceu pregar no Inferno no Sábado em que esteve morto?

No entanto, há quem creia que Ele, Jesus, desceu ao Inferno durante o Sábado que permaneceu na sepultura para pregar aos espíritos condenados que em vida não tiveram oportunidade de conhecer a Cristo e Sua salvação. Para tal crença, se baseiam em I Pedro 3: 18 a 20:

"Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,

no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão,

os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,..."

Mas será que é isso que a Bíblia nos ensina? Não! As pessoas que morreram sem ter o conhecimento da salvação serão julgadas pelo pequeno conhecimento que porventura possuíam. Se sabiam que é errado matar, roubar, mentir, etc. ..., isso lhes será cobrado. O que não sabiam, não lhes será cobrado. Veja:

"Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam,..." Atos 17: 30.

Isso não quer dizer que aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer a verdade e rejeitaram serão salvos. Não. Rejeitar o conhecimento é uma coisa; não ter nunca nenhuma oportunidade de entrar em contato com a Bíblia Sagrada e suas verdades é outra completamente diferente. Mesmo assim essas pessoas têm algum conhecimento através do livro da Natureza, da consciência do que é certo ou errado, etc. Vamos pôr como exemplo os índios de antes da época da colonização brasileira: eles jamais entraram em contato com a religião cristã, muito menos tiveram a oportunidade de ler a Bíblia. Eram, portanto, totalmente ignorantes quanto à salvação. Ainda assim, sabiam (pelo menos a maioria) perfeitamente que é errado matar, roubar, fazer mal aos outros, mentir, etc. Por esses conhecimentos pequenos que possuíam é que serão julgados no dia do juízo. Conforme o conhecimento que possuíam, se fizeram o bem, serão salvos; se optaram por fazer o mal, se perderão. Deus não levará em conta o tempo de ignorância deles. Já em nosso país, hoje em dia, qualquer pessoa que se disponha pode estudar a Bíblia. O material é bastante acessível a todos. Só não estuda quem não quer. Nesse caso, de que adiantaria Jesus pregar a elas? Se elas têm bem à vista todas as pregações de Jesus na Bíblia Sagrada, mas se recusam a ouvir? Jesus já está pregando a elas! Uma outra oportunidade seria inútil. Novamente rejeitariam conhecer a verdade.

Mas, quem são (ou eram) os espíritos em prisão a que Pedro se referiu? Para entendermos, vamos analisar bem as passagens:

Verso 18, primeira parte: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus;..."

Todos sabemos que Cristo morreu por todos nós, para conduzir-nos a Deus. Essa parte, cremos não ser problema para ninguém, pois todos os cristãos sabem disso.

Verso 18, segunda parte: "morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito..."

Como morto na carne? Jesus morreu, isto é, Seu corpo ficou inconsciente e foi sepultado. E como vivificado no Espírito? Vivificado ao terceiro dia, quando Deus o ressuscitou, através do Espírito Santo, obviamente.

Verso 19: "no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão,..."

No mesmo Espírito Santo, Jesus pregou aos espíritos em prisão. Quem eram os espíritos em prisão? O que era essa prisão? Segundo o verso 20, os espíritos em prisão eram os antediluvianos. E em que prisão estavam? Não seria o Inferno? Claro que não! Isaías 42: 7; 9: 2 e 61: 1, por exemplo, podem levantar bastante luz sobre o assunto. Precisamos entender o sentido da palavra prisão através de outros textos da Bíblia.

Podemos ver que essas eram profecias que se referiam ao ministério de Jesus. E a prisão não é o Inferno, mas trevas espirituais. Tampouco eram o Purgatório. Veja seu cumprimento de tais profecias que nos lançam luz sobre o assunto. Preste atenção à noção de prisão, região da sombra da morte, etc.:

Profecias:

Cumprimento:

"O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz." Isaías 9: 2.

"...e, deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali;

para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías:

Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios!

O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz." Mateus 4: 13 a 16.

Note que na profecia acima a região da sombra da morte não é o Inferno, mas simplesmente significa o estado de ignorância espiritual em que as pessoas (vivas) se encontravam. As trevas também são espirituais, nada tem que ver com o Inferno, Purgatório ou coisa parecida.

"...para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas." Isaías 42: 7.

Durante todo o ministério de Jesus. Refere-se também às nossas obrigações de hoje em dia. Veja Mateus 11: 5, por exemplo.

A prisão e o cárcere aqui também são espirituais, obviamente. Refere-se à falta de conhecimento a respeito das coisas celestiais que mantém as pessoas em estado de perdição.

"O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;" Isaías 61: 1.

"Então, Jesus lhes respondeu: Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho." Lucas 7: 22.

As prisões das quais Jesus tirava as pessoas eram prisões espirituais. Veja que as pregações de Jesus não eram para os mortos, mas sim para os vivos! As prisões a que Pedro se refere são, portanto prisões de trevas espirituais tão somente. Os espíritos em prisão eram as pessoas antediluvianas em trevas espirituais, sem o conhecimento de Deus e de Suas verdades. Estavam na região da sombra da morte, ou seja, se não se arrependessem, corriam o risco de perderem a vida eterna. E mesmo os que conheciam a verdade de Deus estavam afastados dela. Deus deu 120 anos para que eles se arrependessem dos males que praticavam e voltassem a fazer o bem:

"Então, disse o SENHOR: Não contenderá {ou permanecerá} o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos." Gênesis 6: 3.

Durante esses 120 anos Noé construiu a sua famosa arca. Perceba agora: foi através de Noé que Jesus pregou àqueles espíritos em prisão, que em outro tempo foram rebeldes. Foi naqueles dias que Jesus pregou a eles, através de Noé, e não no Sábado em que esteve no seio da terra. A Bíblia jamais fala que as pessoas terão uma segunda oportunidade de salvação após a morte. Isso contradiria até mesmo a doutrina da existência do Inferno. Sim, pois se os antediluvianos tiveram uma segunda chance, então todos os demais condenados deverão ter também, pois "Deus não faz acepção de pessoas." Atos 10: 34. E aí como é que ficaria a doutrina da condenação logo após a morte?! Dessa forma, o Inferno deveria ter dois compartimentos: um para os que estão tendo uma segunda oportunidade, a quem se está pregando o evangelho, e outro para os que rejeitaram a segunda oportunidade! O que seria absurdo! Fosse assim, nem existiria Inferno! Em meio a terríveis tormentos, precisaria ser muito tolo para se rejeitar uma segunda chance! Qualquer coisa seria válida para sair de lá! Desse jeito, não seria nada errado crermos que nenhum dos antediluvianos está no Inferno! Pense bem: imagine que você e eu somos antediluvianos maus, condenados, nos contorcendo envoltos nas terríveis chamas do Inferno (só imagine)! Num belo Sábado, um sorriso diferente nos chama a atenção(coisa que há mais de 1500 anos não víamos, desde que o dilúvio nos matou). Olhamos e vemos um homem de barbas longas e rosto irradiando simpatia se aproximar. Calmamente e com amor Ele fala: "Eu Sou Jesus, o Filho de Deus, e vim pregar o Evangelho a vocês... Se vocês aceitarem, serão salvos e sairão desse tormento..." O que você faria? Eu, antes mesmo de Ele terminar de falar, iria logo gritando: "Aceito! Já aceitei!" Se não fosse por amor a Deus, então seria para se livrar dos tormentos! Mas Deus não aceita obediência por medo, somente por amor! E aí como fica novamente?! Bem vamos parar! As coisas estão ficando cada vez mais complicadas para aqueles que crêem na sobrevivência da alma após a morte e na existência do Inferno! Vamos ficar somente com a Bíblia, a Palavra de Deus, que é bem mais seguro e sensato.

Aliás, eu não entendo! Raciocinemos: se a Bíblia é a Palavra de Deus, então obviamente é Deus falando por intermédio de suas páginas; e se é o próprio Deus falando, então, por quê é que muitos teimam em não obedecer ao que na Bíblia está escrito?

Note: Por 120 anos Noé advertiu aqueles povos sobre os juízos vindouros. Por 120 anos aqueles homens maus observaram Noé construindo sua arca. Se 120 anos de pregação do Evangelho não bastaram, dificilmente um Sábado bastaria!

A todos nós é dada nessa vida uma única oportunidade de salvação.

Efésios 2: 4 e 5 ajuda a explicar sobre tal prisão espiritual. Essas passagens vão mais além, pois falam agora em morte espiritual:

"Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,

e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos,..."

Realmente receberíamos a morte eterna por nossos delitos, não fosse o sangue de Cristo.

Verso 20: "os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água,..."

Foi nos dias de Noé que Jesus, através do Espírito Santo, pregou aos rebeldes antediluvianos. Por 120 anos duraram as admoestações do Céu, com pouco resultado: apenas 8 pessoas foram salvas: Noé, a esposa, três filhos e três noras.

Assim, pela Bíblia sagrada, explica-se essa passagem: Jesus inspirou Noé com o mesmo Espírito Santo que O vivificou enquanto esteve morto no seio da terra, para que Noé pregasse aos espíritos em prisão espiritual, ou seja, as pessoas de seu tempo, para que eles se arrependessem e não fossem mortos pelo dilúvio. Isso aconteceu nos dias de Noé, mas não no Sábado em que Jesus esteve no seio da terra.

Insinuar que Jesus pregou no Inferno aos espíritos em prisão durante o Sábado em que esteve morto, contraria até mesmo as crenças de quem assim pensa. Por quê? Ora! Não está escrito em Lucas 16: 25 que os que estão no Inferno não podem passar para o Céu? Então de que adiantaria Jesus pregar a eles, se não poderiam ser salvos? Vale aqui um pouco de coerência, não é verdade?

E não poderia ser ao Purgatório, então, que Jesus foi pregar, onde estavam esses espíritos? Seria continuar batendo na mesma tecla! Já vimos a verdade sobre esse assunto, e breve veremos que Purgatório é um lugar imaginário que não existe, nem jamais existiu. Mas, vamos dar mais uma "deixa": segundo a crença, as pessoas que estão no Purgatório são pessoas que possuem pecados veniais não perdoados ou pecados mortais perdoados e têm de pagar com sofrimentos no fogo para se purificarem inteiramente e só então poderem entrar no Céu. Ora! Então seriam pessoas já salvas! Basta cumprir sua "penitência"! Desnecessário seria pregar o evangelho a elas! Tudo muito óbvio!

Ademais, será que Deus é tão mau assim para ter deixado essas pobres almas sofrendo por uns 1500 anos no Purgatório até que Jesus de lá fosse retirá-las (lembre-se de que o dilúvio se deu há mais ou menos 1500 anos antes de Cristo, data quando morreram os antediluvianos)?


 

 

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