Inferno, na realidade, nada mais é que sepultura, túmulo, lugar onde são postos os corpos das pessoas que morrem, lugar dos mortos. Não existe como um lugar de fogo que atormenta para sempre os condenados por Deus.
Curiosidade: Cemitério vem de uma palavra grega que significa dormitório.
A palavra que nas traduções bíblicas em português consta "inferno", nos originais hebraicos é "Sheol", nos originais gregos é "Hades" ou "Geena", e em II Pedro 2: 4 aparece como "Tártaro", ou seja, simplesmente "sepulcro", "sepultura", "lugar dos mortos". Marcos 9: 43 e em outros vários textos a palavra é Gehenna (em hebraico Gehinnom, ou seja, Vale de Hinom), que se refere ao antigo depósito de lixo de Jerusalém. Vejamos todas as passagens da Bíblia onde aparecem as palavras "Sheol", "Hades", "Geena" e "Tártaro":
"Sheol": Significa sepultura, buraco, poço, cova. Não dá a idéia de um lugar de tormento eterno pelas chamas do fogo. Gênesis 37: 35; 42: 38; 44: 31; Números 16: 30 e 33; Deuteronômio 32: 22; I Samuel 2: 6; II Samuel 22: 6; I Reis 2: 6 e 9; Jó 7: 9; 11: 8; 14: 13; 17: 13 e 16; 21: 13; 24: 19; 26: 6; Salmo 6: 5; 9: 17; 16: 10; 18: 5; 30: 3; 31: 17; 49: 14 e 15 (duas vezes); 55: 15; 86: 13; 88: 3; 89: 48; 116: 3; 139: 8; 141: 7; Provérbios 1: 12; 5: 5; 7: 27; 9: 18; 15: 11 e 24; 23: 14; 27: 20; 30: 16; Eclesiastes 9: 10; Cantares 8: 6; Isaías 5: 14; 14: 9, 11 e 15; 28: 15 e 18; 38: 10 e 18; 57: 9; Ezequiel 31: 15, 16 e 17; 32: 21 e 27; Oséias 13: 14; Amós 9: 2; Jonas 2: 2; Habacuque 2: 5.
"Geena" (ou Gehenna): Refere-se ao vale de Ge Ben-Hinnom, lugar onde antigamente tinham sido cremadas crianças sacrificadas a Moloch e onde se queimava o lixo de Jerusalém. Além de lixo, nesse lugar eram jogados ainda cadáveres de animais e até de bandidos. Mateus 5: 22, 28 e 30; 10: 28; 18: 9; 23: 15 e 33; Marcos 9: 43, 45 e 47; Lucas 12: 5; Tiago 3: 6. Em algumas edições (p. ex. a "Ave Maria") deixam a palavra sem traduzir em várias passagens.
"Hades": Lugar dos mortos. Mateus 11: 23; 16: 18: Lucas 10: 15; 16: 23; Atos 2: 27 e 31; I Coríntios 15: 55; Apocalipse 1: 18; 6: 8; 20: 13.
" Tártaro": Aparece apenas em II Pedro 2: 4. É a própria Terra, nosso planeta, onde os anjos maus estão habitando após terem sido banidos do Céu. Algumas traduções trazem "abismo", e outras "inferno".
Jamais dão essas palavras a idéia de um lugar onde o fogo arde continuamente para queimar as almas perdidas. Jesus e os discípulos usaram o Gehenna como símbolo do fogo destruidor do último dia. Nesse depósito de lixo, tudo o que não prestava mais era jogado lá, como também no último dia o "lixo" da humanidade será lançado para queimar no fogo. E como a população colocava fogo ali esse depósito ficava sempre ardendo em chamas, porque sempre alguém estava jogando lixo, fornecendo combustível para o fogo. Hoje, o vale não está ardendo mais. Só queimava enquanto existia o que queimar. Depois de acabado, quando o povo não jogou mais lixo, o combustível acabou e apagou-se o fogo. Logo veremos mais detalhes. O correto seria traduzir "Sheol" e "Hades" para "sepultura". Se Inferno é um lugar de chamas eternas para queimar os perdidos, podemos fazer duas perguntas:
- Onde fica o inferno? Quando é que foi criado e por quem?
A Bíblia não responde a nenhuma dessas perguntas! Não há qualquer relato sobre a criação de um inferno de fogo para queimar as almas perdidas! Muitos crêem que o inferno fica debaixo da terra, sob a superfície. Veja-se por exemplo o livro "Exercícios de Santo Inácio", pg. 70, Editora Vozes – Ltda., 1950: "Podemos supô-lo como o mesmo nome indica e é comum a opinião dos Santos Padres, no centro da terra." Nada provável. Se aqui em cima, que é maior, já existe pouco espaço para vivermos, imagine só no centro da Terra onde o lugar é dezenas de vezes menor! Não haveria como comportar todas as almas perdidas em toda a História humana. Há quem diga que almas não ocupam espaço, que são seres que não possuem um corpo material. Ora! Então também não podem queimar, pois não podem ser atingidas pelo calor! Tudo muito óbvio! Lembremo-nos de que debaixo da superfície existem lugares quentes, de onde emanam a lava dos vulcões, o que dificilmente queimaria uma "alma". Mas isso não é o Inferno! É só material derretido, como por exemplo, rochas, e uma grande quantidade de gases. A teoria de que o inferno fica debaixo da terra deve ter surgido por causa da palavra hades, do grego. Hades era o deus dos mortos, e também chamava-se hades o lugar para onde os mortos maus iriam quando morressem. E esse lugar, os domínios de Hades, segundo a mitologia grega, localizava-se debaixo da terra, nos lugares subterrâneos. Quando Jesus viveu aqui em forma de homem, quem dominava a maior parte do mundo conhecido eram os romanos, mas a cultura mais difundida era a grega. Tanto que os maiores filósofos da história foram gregos. Mas a teoria da sobrevivência da alma é bem mais antiga que os tempos de Cristo e foi muito difundida. Tão difundida que inclusive muitos dos judeus nela criam, mesmo sendo contrária às Escrituras. Comprovando o que dissemos, busquemos auxílio histórico na Enciclopédia Barsa, item "Hades":
"As escassas referências a Hades nas lendas gregas, em comparação com os outros grandes deuses, revelam o temor que essa divindade infundia ao povo.
Hades era filho de Cronos e de Réia, irmão de Zeus e de Poseidon. Destronado Cronos, coube a Hades o mundo subterrâneo, na partilha que os três irmãos fizeram entre si. Reinava, em companhia de sua esposa Perséfone, sobre as forças infernais e sobre os mortos, no que frequentemente se denominava "a morada de Hades" ou apenas Hades. Embora supervisionasse o julgamento e a punição dos condenados após a morte, Hades não era um dos juizes nem torturava pessoalmente os culpados, tarefa que cabia às Erínias. Era descrito como austero e impiedoso, insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo e distante.
Invocava-se Hades geralmente por meio de eufemismos, como Clímeno (o Ilustre) ou Eubuleu (o que dá bons conselhos). Seu nome significa, em grego, "o invisível", e era geralmente representado com o capacete que lhe dava essa faculdade. O nome Plutão ("o rico" ou "o distribuidor de riqueza"), que se tornou corrente na religião romana, era também empregado pelos gregos."
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
Claro que isso é tudo superstição da cultura grega antiga. Não existe nenhum deus chamado Hades, muito menos um lugar subterrâneo onde ele domina, para onde os mortos maus vão quando morrem. Jesus e os discípulos usaram a palavra hades no seu real significado, ou seja, lugar dos mortos tão simplesmente, sem alusão a qualquer divindade ou deus chamado Hades ou ao lugar de seus domínios. Refere-se à sepultura, onde os cadáveres são enterrados. O resto, é superstição da antiga cultura pagã, que se misturou ao cristianismo ao longo da história, causando a apostasia da antiga fé dos apóstolos, ensinada por Jesus. Nem Jesus e nem os Seus discípulos jamais ensinaram que as almas seriam recompensadas após a morte. Tudo que há na Bíblia é que, quando o homem pecou e foi expulso do Paraíso, Deus pôs poderosos anjos para guardar o caminho da Árvore da Vida. Longe dessa árvore, ninguém iria mais viver para sempre.
"Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente.
O SENHOR Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado.
E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gênesis 3: 22 a 24.
Note onde sublinhamos: longe da Árvore da Vida, o ser humano não poderia viver eternamente. Nem no Paraíso, nem no Inferno, nem no Purgatório, nem em lugar nenhum, pois, como vimos, a alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18: 20). O homem, pela sabedoria infinita de Deus que sabia antecipadamente que ele iria pecar, não foi feito da mesma natureza que os anjos. Precisaria da Árvore da Vida para sobreviver eternamente. Ademais, o salário do pecado é a morte, e não vida eterna na independência de Deus, mesmo que seja em tormentos eternos.
"...porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 6: 23.
Há uma passagem no Novo Testamento, uma parábola de Jesus, que muitas pessoas crêem sinceramente ser prova da existência do Inferno. Vejamos:
"Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.
Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;
e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.
Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.
No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.
Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos." Lucas 16: 19 a 31.
Em primeiro lugar, devemos levar em conta que uma parábola é apenas uma ilustração usada para passar uma mensagem a alguém. Não é uma história real. Pode ser uma historinha fictícia, uma comparação, etc. ... A palavra grega traduzida por "parábola" quer dizer "comparação", "figura"," tipo". Por exemplo, em Mateus 13: 31 e 32 Jesus disse que o Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda. Todos sabemos que quando estivermos no Paraíso, no Reino de Deus, ninguém irá morar num pé de mostarda, não é verdade?! E nem em qualquer vegetal "semelhante". Jesus apenas usou a parábola (uma ilustração fictícia) do pé de mostarda para mostrar que, quando alguém busca o Reino dos Céus, essa busca começa bem pequena, até se tornar prioridade na vida da pessoa e uma realidade bem próxima num futuro que já começa a despontar no horizonte. Uma pequena semente da Palavra de Deus plantada no coração de alguém poderá crescer e transformar essa pessoa, até que um dia essa mesma pessoa venha a estar no Reino dos Céus com Jesus. A parábola do rico e de Lázaro também foi uma ilustração que Jesus usou para ensinar algo ao povo. Vamos analisar a parábola, parte por parte.
Comecemos com o verso 19:
"Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente."
Será que é pecado alguém ser rico? Nem a Bíblia nem Jesus dizem que o rico era mau. Vemos que grandes homens de fé que a Bíblia traz os nomes eram extremamente ricos. Por exemplo, Abraão, o pai da fé, era muito rico (veja Gênesis 13: 2), Salomão recebeu de Deus riquezas (I Reis 3: 13; I Reis 10: 14 a 29), Jó também era rico (Jó 42: 12), José de Arimatéia, que tirou o corpo de Jesus da cruz era rico (Mateus 27: 57), Isaque era rico (Gênesis 26: 12 a 14), Jacó (Gênesis 36: 6 e 7), entre outros. Então, se o homem rico foi para o Inferno, não deve ser por causa de sua riqueza! Deve ter sido por um outro motivo!
O verso 20:
"Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;"
Se levada ao pé da letra, a situação de Lázaro fica complicada. Veja o que o salmista Davi disse:
"Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão." Salmo 37: 25 (ou 36: 25, edições Católicas).
Dessa forma, não seria mais provável que Lázaro tivesse algum problema com Deus? Note que a Bíblia diz que o justo não fica desamparado por Deus, e nem mendiga o pão! No entanto, Lázaro era mendigo! A Bíblia também não diz que Lázaro, o mendigo, era bom e por isso mereceu o Céu. Também nenhuma doutrina bíblica afirma que pobreza dá automaticamente direito ao Céu. Irá alcançar a salvação aquele que teve um bom e verdadeiro relacionamento com Deus, aquele que confiou e aceitou o sacrifício de Cristo para sua salvação.
O verso 21:
"...e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras."
Pode ser analisada no contexto do verso 20. Pobreza e sofrimentos não dão direito automático ao Reino de Deus.
O verso 22:
"Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado."
Veja que o mendigo foi levado para o seio de Abraão. Cabe aqui pelo menos quatro perguntas: 1) De que tamanho é o seio de Abraão para comportar todos os salvos que morrem? 2) E antes de Abraão nascer, para onde eram levados então os salvos? Sim! Pois se Abraão não existia ainda, também obviamente não existia seu seio! 3) E Abraão, quando morreu, foi para o seio de quem? Ficamos portanto numa situação difícil. Não teríamos lugar para enviar os salvos que morreram antes de Abraão, como por exemplo o justo Abel! E os pobres mendigos que morreram antes de Abraão, coitados, não há como dizermos para onde teriam ido. 4) Onde fica o seio de Abraão?
O verso 23:
"No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio."
Agora outro problema: será que o inferno fica ao lado do Paraíso? A passagem diz que o rico viu ao longe a Abraão e a Lázaro no seu seio. Mas não é tão longe assim, se o rico até conseguiu enxergar e reconhecer Abraão e Lázaro! Como veremos nos versos seguintes, os dois, Abraão e o rico, até conversaram! Se o Inferno fica ao lado do Paraíso, isso exclui totalmente a idéia de que o Inferno fica debaixo da terra. E se fica ao lado do Paraíso, o que foi que aconteceu com o senso de piedade e amor fraternal de Abraão, do mendigo, dos anjos e dos demais salvos, e mesmo de Deus? E as pessoas que porventura tivessem seus parentes no Inferno, será que se sentiriam realmente felizes no Céu, vendo seus entes amados se retorcendo de dores e se revolvendo em tormentos, sabendo que nada pode ser feito em favor daquelas pobre almas, que essa tortura é eterna e que por isso não terá jamais fim nem alívio? Como ficaria o estado do filho que contemplaria para o resto da eternidade a sua mãezinha querida se retorcendo em terríveis tormentos no fogo do Inferno? E a mãe, que contemplaria seu filho em tormento eterno, seria realmente feliz no Céu? Certamente que não é assim, amado leitor... E a misericórdia de Deus, como fica? Como fica o Salmo 106: 1 (ou 105: 1, edições Católicas)?
"Aleluia! Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua misericórdia dura para sempre." Salmo 106: 1. (Na tradução Almeida, Revista e Atualizada a combinação misericórdia dura para sempre aparece pelo menos 43 vezes!!!).
Muitas vezes, querido irmão, nos lembramos que Deus é infinito em poder, mas nos esquecemos que Ele é também infinito em misericórdia e amor. Mas Sua misericórdia não é apenas para com aqueles que Lhe obedecem? Sua misericórdia pretende alcançar toda a humanidade. No entanto existem muitos que não a aceitam, antes, preferem permanecer em pecado e desobediência. Para esses a morte eterna (morte literal) será o último ato de misericórdia da parte de Deus, mesmo sendo um ato estranho à Sua natureza e caráter. Isaías 28: 21. Será o último ato de amor para com os ímpios.
Se Deus diz que não tem prazer na morte do perverso, nem mesmo quando ele morre e não sofre mais, quanto menos de vê-lo sofrendo tormentos por toda a eternidade.
"Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?" Ezequiel 33: 11.
Pode alguém dizer: A morte eterna é o castigo eterno do Inferno. Aí é que a situação complica, querido. Pois como manteria Deus para toda a eternidade pessoas sofrendo uma pena da qual Deus diz não ter prazer? Acaso contemplaria Deus para sempre algo que não lhe dá prazer? Não. Antes, mais fácil é eliminar o problema de uma vez.
O verso 24:
"Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama."
Note que o rico possui língua e Lázaro possui dedos. Se o rico possui língua, certamente possui boca, onde a língua fica; de possui boca, deverá também possuir cabeça, para comportar a boca, e isso fica claro quando vemos que no verso anterior o rico levantou os olhos para ver Abraão e Lázaro (se possui olhos, logicamente possui cabeça); se possui cabeça, necessário é possuir o corpo para suportar a cabeça; se possui o corpo, é de se crer que possui o restante dos membros. Ora! Então o rico, depois de morto, não era um espírito, mas um corpo, como qualquer outra pessoa, inclusive com necessidades fisiológicas, como a sede! E Lázaro, se possui dedos, também é necessário que possua mãos; se possui mãos, precisa ter braços; se têm braços, precisa ter o corpo para sustentar os braços; se possui corpo, tem de ter cabeça para comandar o corpo! É de concluir que então Lázaro também é um corpo, como nós! E como fica a crença de que quando a pessoa morre é o espírito que vai para o Céu ou para o Inferno? Se desfaz, não é verdade?! Não podem haver corpos ressuscitados do rico e de Lázaro no Céu ou no Inferno hoje. A ressurreição somente se dará por ocasião da segunda vinda de Jesus, disso todos sabem. Existem raríssimas pessoas que ressuscitaram e estão junto a Deus hoje, mas são exceções, como veremos mais adiante. E mesmo esses, ressuscitaram para a vida, mas ninguém para o castigo. Ninguém ainda recebeu a pena do juízo. Veja que Lucas 24: 39 nos ensina que um espírito não possui carne e ossos, ou seja, não possui corpo:
"Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." (Quando aqui Jesus diz espíritos, se refere aos anjos ou aos demônios. Não a espíritos de mortos).
Como então, não havendo sido ressuscitados, Lázaro e o rico possuíam corpos?
O verso 25:
"Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos."
Meus queridos, para ganhar o Céu não é necessário fazer de tudo para ter uma vida miserável. Como ficariam então o pai e a mãe de família que lutam para dar uma vida melhor e mais confortável para si mesmos e seus filhos? Será que irão todos para o Inferno? E quem consegue ter aqui na Terra uma vida razoavelmente boa, é um fiel cristão, ama a Deus, obedece aos mandamentos de seu Criador, é útil à sociedade e de bom nome, será que irá para o Inferno, mesmo merecendo o Céu?
Os versos 26 a 31:
"E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.
Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."
Será que Lázaro não se entristeceu quando, terrivelmente atormentado pelo fogo, o rico pediu para Abraão deixá-lo ir ter com os seus irmãos para lhes avisar do perigo? Qualquer pessoa de bem, merecedora da recompensa celestial ficaria triste, não é verdade? E se ficaria triste, como pode então o Paraíso ser chamado de um lugar onde reina perfeita paz e alegria? Não meus amados irmãos, não é isso que a Bíblia nos ensina. Como claramente vemos, devido aos problemas que se encontram, não há a mínima possibilidade de se entender o incidente do rico e de Lázaro como real. Só pode ser uma parábola (história ilustrativa). E qual o significado, então, dessa parábola?
"Nesta parábola, Cristo se acercava do povo em seu próprio terreno. A doutrina de um estado consciente entre a morte e a ressurreição era mantida por muitos dos que ouviam as palavras de Cristo. O Salvador lhes conhecia as idéias e compôs Sua parábola de modo a inculcar verdades importantes em lugar dessas opiniões preconcebidas. Apresentou aos ouvintes um espelho em que se pudessem ver em sua verdadeira relação para com Deus. Usou a opinião predominante para exprimir a idéia de que desejava todos ficassem imbuídos, isto é, que nenhum homem é apreciado por suas posses; porque tudo que lhe pertence é unicamente emprestado por Deus. O mau emprego destas dádivas colocá-lo-á abaixo dos mais pobres e afligidos que amam a Deus, e nEle confiam." Do livro "Parábolas de Jesus", da escritora americana Hellen White, pg. 263.
"Quando Cristo deu a parábola do rico e de Lázaro, havia muitos na nação judaica na condição lastimosa do rico, usando os bens do Senhor para a própria satisfação egoísta, preparando-se para ouvir a sentença: ‘Pesado foste na balança, e foste achado em falta [Daniel 5: 27]’. O rico foi favorecido com todas as bênçãos temporais e espirituais, mas recusou cooperar com Deus no uso destas bênçãos. Isto se dava com a nação judaica. O Senhor fizera dos judeus depositários da verdade sagrada. Nomeou-os mordomos de Sua graça. Deu-lhes todas as vantagens temporais, encarregou-os de partilhar estas bênçãos. Uma instrução especial fora-lhes dada concernente ao tratamento de irmãos empobrecidos, dos estrangeiros dentro de suas portas e dos pobres entre estes. Não deveriam procurar ganhar tudo para o proveito próprio, antes deveriam lembrar-se dos necessitados e repartir com eles. E Deus prometeu abençoá-los de acordo com suas obras de amor e misericórdia. Como o rico, porém, não estendiam a mão auxiliadora para aliviar as necessidades temporais e espirituais da humanidade sofredora. Cheios de orgulho, consideravam-se o povo escolhido e favorecido de Deus; contudo não serviam nem adoravam a Deus. Depositavam confiança na circunstância de serem filhos de Abraão. ‘Somos descendência de Abraão [João 8: 33]’, diziam, com altivez. Ao chegar a crise foi revelado que se tinham divorciado de Deus, e confiado em Abraão como se fosse Deus." Idem, pg. 267.
Jesus comparou o rico com o povo de Israel e com as pessoas más e arrogantes, e o pobre com os gentios e com as pessoas necessitadas que eram passadas por alto por aqueles que deviam ajudá-las, tanto materialmente como – e principalmente – espiritualmente. Não apenas gentios, mas inclusive muitos judeus pobres. Gentios eram pessoas que não eram descendentes dos israelitas. Os judeus consideravam os gentios como excluídos dos favores de Deus. Inclusive no templo, havia uma linha demarcatória, e se um gentio ultrapassasse essa linha, era morto no ato. Eram considerados indignos de adorar a Jeová no templo. Os judeus receberam de Deus os oráculos sagrados. Eram responsáveis por levar ao mundo as Palavras de Deus. Mas se tornaram orgulhosos e arrogantes, alegando que eram filhos de Abraão. Receberam de Deus todas as riquezas de Sua Palavra para levar ao mundo, fizeram tudo ao contrário daquilo que era a vontade de Deus. Nem eles mesmos obedeciam, em sua maioria. Os gentios eram obrigados a se alimentarem das migalhas da Palavra de Deus. Os judeus não estavam dispostos a ensiná-los a adorarem a Deus em verdade, e eles eram obrigados a aprender o que podiam, pelos métodos que conseguiam encontrar. Não podiam adorar no templo, e não tinham os mesmos direitos que os judeus. Por isso que em Mateus 15: 27 uma mulher gentia, sedenta do conhecimento da Palavra de Deus disse a Jesus: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Ou seja, ela aproveitaria-se do conhecimento que conseguisse obter de Jesus, do que "sobrasse". Na parábola do rico e de Lázaro, Jesus fez então essa comparação. Comparou o rico com os judeus arrogantes, e Lázaro com os injustiçados, gentios e judeus menos favorecidos. Nada mais que isso. Aliás, a palavra traduzida para inferno nesta parábola é justamente hades. Jesus sabia que no meio do povo haviam muitas pessoas que criam na existência desse lugar. Por isso usou esta parábola dessa forma, para facilitar a compreensão por parte deles.
Complica um pouco a localização do Paraíso, se considerarmos a parábola do Rico e de Lázaro como literal. Afinal, se o Hades fica nos lugares subterrâneos, e se o Rico conversava com Abraão e via a Lázaro a certa distância, então isso quer dizer que o Paraíso também fica debaixo da terra? Ou quem sabe o Inferno é que fica no Céu? Não! A historinha do Rico e de Lázaro foi apenas uma parábola que Jesus usou para ensinar uma importante lição ao povo. Nada mais.
E de onde surgiu a idéia de um Inferno como lugar de eterna punição dos perdidos? Também é bastante antiga. Existe desde de antes de Cristo, desde as antigas civilizações mesopotâmicas, e é uma crença pagã que se desenvolveu gradativamente dentro do povo de Deus, desde Israel até a instituição do cristianismo. Aliás, muito antigamente, Inferno nem era crido como um lugar de castigo. Novamente recorramos à Barsa para comprovarmos nossas palavras, item Inferno:
"Historicamente, a concepção de inferno está ligada ao destino que se atribui às pessoas depois da morte. Na maioria das religiões antigas, não comportava a idéia de castigo.
Mesmo em Israel, somente depois de lenta evolução da consciência moral foi que se impôs a idéia de punição depois da morte, paralelamente à noção dos escolhidos por Deus para a partilha de sua vida e de sua felicidade. Os excluídos seriam então condenados a sofrer num lugar de horrores, que se chamava geena, alusão ao vale de Ge Ben-Hinnom, lugar onde tinham sido cremadas crianças sacrificadas a Moloch e onde se queimava o lixo de Jerusalém.
No Novo Testamento, alude-se frequentes vezes a um lugar em que serão punidos os condenados: "geena" (Mc 9:44; Mt 5:22,29 e 18:9); "fornalha" (Mt 13:42,50), "lago de fogo, que arde com enxofre" (Ap 19:20); "fogo eterno" (Mt 18:8; 25:41; Jd 7) etc. Com a penetração do cristianismo na cultura greco-romana, a palavra infernum veio a prevalecer, embora tenha conservado sentido mais vago, quando empregada no plural (inferna).
Essas expressões, tributárias ainda de uma visão mítica, não têm o sentido que lhes foi atribuído por uma pregação excessivamente moralizante e individualista, destituída de conteúdo teológico. Nas chamadas "missões populares", a consciência dos simples muito se angustiou, por se centrar a pregação num inferno imaginoso, estranho aos dados da fé.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. (Enciclopédia Barsa. Sublinhados nossos para destaque).
Note que não somos nós quem dissemos isso! São dados históricos, feitos por uma das mais renomadas fontes históricas que temos à disposição.
É por isso que muitos tradutores, ao traduzirem a Bíblia de seus escritos originais, preferem deixar as palavras Hades, Geena, Tártaro e Sheol do jeito que estão, ou seja sem traduzi-las, para evitar absurdos. Um exemplo disso é a Bíblia Sagrada edição Católica, da Editora Ave Maria. Em muitas partes a palavra original Geena foi deixada sem traduzir, como por exemplo, Mateus 5: 22, 29 e 30; 10: 28; 18: 09; Marcos 9: 43, 45 e 47.
Veja uma coisa importante que Jesus disse:
"Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus." Mateus 8: 11.
Note que as pessoas somente estarão com Abraão no Reino de Jesus. E quando será instituído esse reino? Quando Jesus voltar, somente. A Bíblia diz que somente na vinda de Cristo os justos receberão a recompensa.
"Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda." I Coríntios 15: 23.
"O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos." Apocalipse 11: 15.
Os mortos receberão a sentença na vinda de Jesus somente, e no Seu Reino:
"Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino,..." II Timóteo 4: 1.
O grande profeta Daniel foi orientado a aguardar sua recompensa apenas no fim dos dias. Não foi para o Céu, Inferno ou Purgatório.
"Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança." Daniel 12: 13.
Note as palavras "te levantarás". Por enquanto Daniel dorme inconsciente, esperando a vinda do Salvador para ser por Ele levantado e então, só então, receber sua herança (ou recompensa).
Cremos ter resolvido de maneira satisfatória a questão dessa parábola de Jesus. Vamos a outros termos que muitas vezes são mal interpretados da Bíblia. Por algumas vezes, ao se referir à morte pelo fogo, a Bíblia usa termos como tormento eterno, fogo que não se apaga, etc. ... Vamos ver, prezado amigo, o que esses termos significam?
Já estudamos anteriormente que Jesus se referiu várias vezes ao vale de Gehenna, o depósito de lixo de Jerusalém para compará-lo ao fogo que destruirá os perdidos no último dia. Esse depósito de lixo não existe mais, seu fogo já se apagou. Foi uma figura de linguagem usada por Jesus para indicar as eternas consequências da destruição final daqueles que se perderem. Assim como o lixo de Jerusalém era consumido pelo fogo no Gehenna, também o "lixo" da humanidade será consumido no fogo no último dia.
Mais um termo mal interpretado é Apocalipse 20 : 10:
"O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos."
O problema aparece na última declaração do verso: e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Mas, se notarmos o verso 9, imediatamente anterior, vemos que esse fogo na realidade consumirá os perdidos. Não ficará ardendo para sempre. Veja:
"Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu."
Se o verso 9 diz que serão consumidos, então, por quê o verso 10 diz que serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos? II Tessalonicenses 1: 9 nos explica:
"Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder,..."
Algumas traduções dizem perdição. A palavra é traduzida da palavra grega olethros e, segundo o contexto de 2º Tessalonicences, podemos ver que o que haverá realmente é a destruição completa do mal e de todos os homens ímpios.
Simples. É que por ocasião da segunda morte, quem se perder será eternamente afastado da presença de Deus pela morte eterna. Nesse sentido, o tormento é eterno. Não haverá retorno. Quem se perder, será eternamente afastado da presença de Deus (pois morrerá), sem a mínima expectativa de uma nova oportunidade. Não haverá próxima oportunidade. Logo veremos que os ímpios que se perderem não permanecerão ardendo em chamas e sofrendo dores terríveis por toda a eternidade, mas antes precisamos que você nos responda uma pergunta: quem, em sua opinião, é mais bondoso, mais misericordioso e mais compassivo, Deus ou o homem? Sua resposta: _________________________.
Com certeza absoluta é Deus! Agora imagine a seguinte ilustração, que tem acontecido bastante em nosso país: um assaltante toma de assalto um carro de uma pessoa e mata essa pessoa. A polícia chega, o assaltante reage à prisão, mata um policial, fere outro e em seguida é preso pela polícia. Depois de ser condenado pelos crimes que cometeu o bandido é então recolhido ao presídio para cumprir pena pelos seus atos. Agora responda, amado leitor: esse marginal, enquanto estiver preso, ficará sendo atormentado com fogo na cadeia até que cumpra sua pena? Certamente que não! E se, ao invés de ser preso ele tivesse sido morto pela polícia? Para onde ele deveria ir? Para o Céu, ou para o Inferno? Por ser muito mau, provavelmente para o Inferno, não é verdade? E como então dizer que Deus, que é mais misericordioso que nós, poderia atormentá-lo eternamente no fogo do Inferno, se nem nós mesmos, que somos pecadores não fazemos isso?! No máximo, em nosso país, o assaltante ficaria 30 anos na prisão, recebendo alimentação, atendimento médico e até a possibilidade de se regenerar! No máximo, em alguns países, o réu receberia a prisão perpétua, com a mesma assistência médica, odontológica, alimentar, com direito a visitas, família, etc., mas sem ser torturado pelo fogo durante o tempo em que permaneceria na prisão. Na pior das hipóteses, receberia a pena de morte, mas também sem nenhuma tortura eterna pelo fogo.
Algumas passagens bíblicas explicam o sentido de fogo eterno, ou fogo que não se apaga. Por exemplo, Judas 1: 7 diz que Sodoma e Gomorra foram destruídas com o fogo eterno. No entanto, essas duas cidades não estão ardendo até hoje. O que a Bíblia quis dizer é que as consequências desse fogo é que são eternas.
"...assim como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se corrompido como aqueles e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno." Judas 1: 7, Almeida, Revista e Corrigida.
Também em Jeremias 17: 27 Deus disse que poria fogo em Jerusalém, fogo que não se apagaria. Porém, a cidade de Jerusalém não está ardendo até hoje.
"Mas, se não me ouvirdes, e, por isso, não santificardes o dia de sábado, e carregardes alguma carga, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, então, acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de Jerusalém e não se apagará." Jeremias 17: 27.
Essa profecia se cumpriu quando os exércitos Babilônicos sitiaram e cercaram a cidade:
"Queimaram a Casa de Deus e derribaram os muros de Jerusalém; todos os seus palácios queimaram, destruindo também todos os seus preciosos objetos.
Os que escaparam da espada, a esses levou ele para a Babilônia, onde se tornaram seus servos e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia;
para que se cumprisse a palavra do SENHOR, por boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram." II Crônicas 36: 19 a 21.
Todos esses casos explicam perfeitamente o que a Bíblia quer dizer quando fala em fogo eterno: suas consequências são eternas, e o fogo não se apaga enquanto há o que queimar. Depois de terminar seu trabalho de destruição, o fogo extingue-se.
Mais uma coisa importante é como Deus usa a expressão para sempre na Bíblia. Veja, por exemplo, I Samuel 1: 22:
"Ana, porém, não subiu e disse a seu marido: Quando for o menino desmamado, levá-lo-ei para ser apresentado perante o SENHOR e para lá ficar para sempre."
E a explicação no verso 28:
"Pelo que também o trago como devolvido ao SENHOR, por todos os dias que viver; pois do SENHOR o pedi. E eles adoraram ali o SENHOR."
"Para sempre", até que morresse. "Para sempre", por toda a vida.
Mais um exemplo, de Jonas:
"Desci até aos fundamentos dos montes, desci até à terra, cujos ferrolhos se correram sobre mim, para sempre; contudo, fizeste subir da sepultura a minha vida, ó SENHOR, meu Deus!" Jonas 2: 6.
No caso de Jonas, "para sempre" durou três dias e três noites, o tempo que ele permaneceu no ventre do peixe (veja Jonas 1: 17).
O uso da expressão para sempre refere-se a períodos indefinidos, ou seja, depende daquilo a que se refere. No caso do fogo eterno, dura até que consuma todo o combustível que houver para queimar. No caso, o combustível serão os ímpios.
Outros textos que podem confundir um pouco algumas pessoas mas que também são fáceis de se entender estão no livro do Apocalipse. Vejamos:
"A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome." Apocalipse 14: 11.
"Segunda vez disseram: Aleluia! E a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos." Apocalipse 19: 3.
O que esses textos querem dizer? Será que são provas irrefutáveis de que os ímpios queimam eternamente no Inferno? Não. Vemos que há fumaça subindo "pelos séculos dos séculos". Se são os espíritos das pessoas que vão para o inferno, então seria impossível a existência de fumaça. Lembremo-nos de que Jesus disse que espíritos não possuem carne nem ossos (Lucas 24: 39). Se os espíritos não possuem matéria (pois seriam imateriais), então seria impossível subir fumaça de sua queima. Lembremo-nos de que fumaça são gases resultantes de uma reação química, no caso, a queima. E para haver fumaça, seria necessário haver matéria para a queima.
Devemos tomar muito cuidado quando lemos a Bíblia, para não tentarmos fazer ela dizer o que não diz. Há muitas passagens na Bíblia. Muitas figuras de linguagem. E as passagens em estudo são duas delas. Provas: retornemos a Isaías 34: 9 e 10:
"Os ribeiros de Edom se transformarão em piche, e o seu pó, em enxofre; a sua terra se tornará em piche ardente.
Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça; de geração em geração será assolada, e para todo o sempre ninguém passará por ela."
Note os várias figuras de linguagem no texto:
- "Os ribeiros de Edom se transformarão em piche...": Edom é o mesmo Esaú, irmão de Jacó (comprove em Gênesis 36: 8). Edom também deixou um povo como descendência, os Edomitas. Sabemos todos que jamais os rios em que habitava essa nação se transformaram literalmente em piche. É uma figura de linguagem indicando a destruição dessa nação, que hoje não existe mais.
- "...e o seu pó, em enxofre...": Também sabemos que o pó de Edom não se transformou literalmente em enxofre.
- "...; a sua terra se tornará em piche ardente.": Sabemos ainda que Edom não se transformou literalmente em piche ardente.
- "Nem de noite nem de dia se apagará; subirá para sempre a sua fumaça...": Agora a figura de linguagem que nos permitirá entender perfeitamente Apocalipse 14: 11 e Apocalipse 19: 3. Alguém pode nos dizer em parte do planeta há uma nação queimando eternamente, e sua fumaça subindo para sempre? Na verdade, tal não há em nenhum lugar. Essa é outra figura de linguagem que Deus usou para descrever a completa extinção dos Edomitas. Notemos também eu a passagem diz que a fumaça sobe. Sobe porque é mais leve que o ar atmosférico. Depois, se deixar a atmosfera, dissipa-se pelo espaço ou seus fragmentos retornam ao solo por ocasião da chuva ou outros fatores. Assim sendo, será que deveríamos crer que também há atmosfera no Inferno? Aí já deixaríamos o terreno sólido para passarmos para a área da imaginação.
E assim explica-se facilmente outra passagem bíblica que a princípio pode parecer complicada, mas não é. Quando a fumaça do tormento dos ímpios sobe para sempre, isso indica sua completa destruição. Indica que seu castigo é irreversível, como é irreversível a reação química ocasionada pela queima. A fumaça sobe para sempre. Os ímpios queimaram para sempre, acabaram, deixaram de existir, nenhum vestígio do pecado há para macular a Criação de Deus. Tudo acabou. É tão simplesmente isso que a Bíblia nos quer dizer que ocorrerá no futuro, futuro este que rapidamente se aproxima.
Note ainda as seguintes passagens, comparando-as com seu contexto em outras passagens da Bíblia: