A História
"Com a chegada dos imigrantes europeus, que eram chegados numa boa música, começaram a surgir as primeiras bandas proporcionando audições de retretas à população. Assim, já no final do século XIX ficou famosa a banda do maestro José Gonçalves da Silva Belchior. No início do século passado, dirigida pelo maestro Antonio Mugnai, professor de música da Dante Alighieri, integrada por músicas italianas, surgiu a Banda Popular, apelidada de Banda Italiana.
Concomitantemente, fundou-se a Banda Brasileira, dirigida pelo maestro Theotônio Leite e integrada somente por brasileiros. Essas bandas apresentavam-se no coreto do Jardim Público. Em termos políticos, a Banda Brasileira recebia o apoio dos Salles enquanto a Banda Italiana era apadrinhada pelos Botelhos, o que criou incrível rivalidade entre elas e o povo se dividia entre as mesmas.
Embora algumas bandas apareceram, sem grande expressão, na primeira metade do século passado, é sem dúvida o talentoso Ariosto Giogiosa quem vai dar novos rumos a esta atividade musical em nossa cidade, no fim da década de 40. Este notável músico iniciou-se como maestro de fanfarra na Escola de Comércio Julien Fauvel nos idos anos 50, de lá para cá, desempenhou importante papel na organização e no comando de muitas bandas marciais que desfilaram pelas ruas de São Carlos.
Assim em 1957, incentivado pelo sargento instrutor do Tiro de Guerra Alfredo Mansur, Ariosto organizou e deu início às atividades dessa que se tornou o orgulho de todo são-carlense: a Banda Marcial do Tiro de Guerra. Inspirado na banda dos fuzileiros navais, introduziu certos instrumentos como a gaita escocesa que foi inteiramente construída aqui em nossa cidade pelo professor Ciro, da Escola Industrial Paulino Botelho. Rapidamente a Banda Marcial foi ganhando fama em todo o estado de São Paulo e, já no ano seguinte, abriu garbosamente o desfile de 1º de maio no vale do Anhangabaú, em São Paulo, sendo freneticamente ovacionada pela multidão ali presente. O sucesso atingiu tal dimensão, que a banda foi convidada para puxar o desfile da tropa do comando da 2ª Região Militar no desfile de 07 de setembro daquele ano. Foi e, novamente abafou. Daí para frente, a Banda Marcial do Tiro de Guerra passou a ser convidada para apresentações nos mais diversos rincões do estado de São Paulo, bem como é sempre atração máxima dos desfiles realizados em nossa cidade. A banda contou em épocas passadas com cidadãos que hoje são figuras ilustres da sociedade destacando-se, entre eles, o professor Celso Fragiácomo, do Colégio Anglo, que durante muitos anos atuou como baliza, e o cantor Jair Rodrigues, que tocava caixa nos anos em que residia em São Carlos.
Também sob a batuta do competente Ariosto, surgiu a Banda Marcial do Colégio Diocesano que, durante mais de uma década abrilhantou desfiles em São Carlos e região. Por motivos particulares o notável maestro deixou a banda e, para substituí-lo, o Diocesano foi buscar no Rio de Janeiro o tenente Claudomiro Policarpo Ferreira, da Banda do Fuzileiros Navais. Que espetáculo maravilhoso ver a banda descer a avenida São Carlos executando dobrados como Batista de Melo, Brasil, Cisne Branco e Avante Camaradas, tendo à frente o imponente fuzileiro naval trajando a belíssima farda branca da Marinha, recebendo as continências dos militares presentes. Lembro-me de uma apresentação no Estádio do Paulista em que a banda entrou executando a Canção do Expedicionário em homenagem ao Sr. João Batista de Almeida, um grande incentivador da banda, e que havia participado da II Guerra Mundial como pracinha nos campos da Itália. O Estádio veio abaixo. Quanta saudade nos traz a banda do Diocesano!
A Banda Musical, carinhosamente chamada de “furiosa”, integrada por músicos já de certa idade mas extremamente competentes e que, entre outros, foi comandada pelo saudoso maestro José dos Santos enriquecia os fins de semana e as datas festivas executando belíssimos repertórios. Que maravilha ver o entusiasmo daqueles “velhinhos”. Graças à dedicação deles a alegria estava sempre presente através dos dobrados e músicas populares entoados nas praças e ruas da cidade. Infelizmente a nossa querida “furiosa” não existe mais. Que pena!
Outras bandas merecem a nossa consideração:- a do Álvaro Guião, comandada pelo Dinho; a do Liceu José Geraldo Keppe, comandada pelo Baiano, a do Jesuíno de Arruda e, atualmente a do Colégio São Carlos, do maestro Edson, da Faber Castell, do maestro Roberto Mori e do Colégio Cecília Meireles.
É sempre bom reverenciar as bandas musicais e marciais pois, como dizia saudoso Moraes Sarmento: “ Quem não gosta de banda é um bandido”.
Fonte:
MARTINS, José do Prado. “Saudades de nossa cidade”. São Carlos: Gráfica e editora Ramos, 2005. pp.34-36.