A imprensa no Brasil
A história da imprensa no Brasil tem seu início em
1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, sendo até então
proibida toda e qualquer atividade de imprensa — fosse a publicação de jornais,
livros ou panfletos. Esta era uma peculiaridade da América Portuguesa, pois nas
demais colônias européias no continente a imprensa se fazia presente desde o
século XVI.
A imprensa brasileira nasceu oficialmente no Rio de Janeiro por volta de 1808,
com a criação da Gazeta do Rio de Janeiro, órgão oficial do governo português
que tinha se refugiado na colônia americana. Enquanto o jornal oficial
relatava "o estado de saúde de todos os príncipes da Europa, (...) natalícios,
odes e panegíricos da família reinante"[1], o do exilado fazia política. Embora
(diferentemente do que muito se divulga) não pregasse a independência do Brasil,
e tivesse um posicionamento político por vezes conservador, o Correio
Brasiliense foi criado para atacar "os defeitos da administração do Brasil", nas
palavras de seu próprio criador, e admitia ter caráter "doutrinário muito mais
do que informativo" .
A proibição à imprensa (chegaram inclusive a destruir máquinas tipográficas) e a
censura prévia (estabelecida antes mesmo de sair a primeira edição da Gazeta)
encontravam justificativa no fato de que a regra geral da imprensa de então não
era o que se conhece hoje como noticiário, e sim como doutrinário, capaz de
"pesar na opinião pública", como pretendia o Correio Brasiliense, e difundir
suas idéias entre os formadores de opinião — propaganda ideológica, afinal.
A censura à imprensa acabou em 1827, ainda no Primeiro Reinado. A própria
personalidade de D. Pedro II, avessa a perseguições, garantia um clima de ampla
liberdade de expressão — em nível não conhecido por nenhuma república
latino-americana, graças aos caudilhos autoritários que lá se alternavam. A
liberdade de imprensa já era garantida mesmo pela Constituição outorgada de
1824. Escreve Bernardo Joffily: "Cada corrente tem seu porta-voz", mas, ainda
assim, "há órgãos apolíticos: o Diário do Rio de Janeiro (1º diário do País,
1821-1878) nem noticia o Grito do Ipiranga. Mas a regra é a imprensa engajada,
doutrinária"[2].
De fato, os jornais de partidos, ou espontaneamente criados e mantidos por
militantes, carecem de organização institucional e de profissionalismo
jornalístico. Nos tempos de maior exaltação na campanha republicana (1870-1878 e
1886-1889), surgem dezenas de jornais (que não passam de 4 páginas cada)
efêmeros, sem durar mais que alguns meses.
Entre os jornais cariocas da época imperial estavam, em primeiro grau de
importância, a Gazeta de Noticias e O País, os maiores de então e os que
sobreviveram mais tempo, até a Era Vargas. Os demais foram o Diário de Noticias,
o Correio do Povo, a Cidade do Rio, o Diário do Comércio, a Tribuna Liberal,
alguns jornais anteriores a 1889, mas de fortíssima campanha republicana, como A
Republica, e as revistas de caricatura e sátira: a Revista Ilustrada, O
Mequetrefe, O Mosquito e O Besouro. Outros ainda eram o Jornal do Comércio e a
Gazeta da Tarde.
O caricaturista, ilustrador, jornalista Ângelo Agostini está entre as maiores
personalidades da imprensa brasileira. Numa época em que a fotografia ainda era
rara — e cara — o ilustrador tem o poder inegável de construir o imaginário
visual da sociedade. Assim, o "Imperador Cabeça-de-Caju" ou o primeiro-ministro
gorducho com ar de soberbo são o que a população — e aí, mesmo a massa
analfabeta entra — vai consumir e por onde vai se pautar. Ali criou-se uma
iconografia simbólica da política no final do Império.
A Revista Ilustrada realmente era inovadora. As ilustrações litografadas
almejavam ao perfeccionismo e ao mesmo tempo à expressividade. Inova a Revista
também por uma diagramação "interativa", com ilustrações sobre o cabeçalho,
moldura, etc.. Saía semanalmente e tinha distribuição nacional.
Nos 22 anos contínuos em que foi publicada, a Revista Ilustrada entranhou-se no
cotidiano nacional (Cf. Werneck Sodré) e inspirou uma geração de magazines
satíricas. Embora um pouco anteriores, fazem parte da mesma safra: O Mosquito, O
Besouro (ambos de Bordalo Pinheiro, imigrante português, amigo de Agostini) e O
Mequetrefe.
Informações retiradas do site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa_no_Brasil