Lincoln X-100
A Limousine de John Kennedy
(um exercício de conversão)

Menção Honrosa na
XIV CONVENÇÃO NACIONAL DE PLASTIMODELISMO GPPSO-IPMS
São Paulo - Junho de 2000

De uma brincadeira surgiu a idéia de fazer o carro que participou do mais famoso atentado a um presidente.

Quando adquiri o kit da ERTL/AMT do Lincoln Continental 1965 (três versões) escala 1:25 (abaixo), estava falando com um amigo sobre a existência ou não de um kit da famosa limousine... mas nem sequer sabíamos a marca do carro.

Após alguma pesquisa na Internet finalmente descobri qual era o carro em questão: um Lincoln Continental Conversível 1961 especialmente alongado e preparado para o serviço presidencial americano, chamado então de Lincoln X-100.

Percebemos que as semelhanças entre o carro original e o kit eram razoáveis, e veio a inevitável pergunta: por que você não converte este kit para o do Kennedy? A princípio achei loucura, pois nunca tinha feito uma conversão deste porte, apenas "arrancado" algumas capotas de automóveis...

Acabei montando o kit na versão "Station Wagon" (abaixo), mas com a tal pergunta martelando na cabeça.

Foi quando comprei uma revista (Mini Models) que apresentava um lançamento 1:43 em metal da tal limousine X-100, e olha daqui, olha dali, resolvi. Comprei outro kit AMT do Lincoln e "encarei".

As referências (acima) foram: as fotos do modelo em metal da revista, três fotos do carro original que está no museu Henry Ford (E.U.A.) e algumas desfocadas fotos que encontrei na Internet, ente elas algumas tiradas um dia após o assassinato, contendo ainda manchas de sangue no assento traseiro. Por conta das referências (nenhum desenho técnico ou detalhes em profundidade) o modelo montado não é fiel em detalhes, mas pode dar uma idéia geral do carro original.

As modificações visíveis seriam:

    1. alongar o kit; 
    2. acrescentar dois acentos individuais no meio do carro; 
    3. confeccionar um sant'antônio com janelinhas; 
    4. confeccionar o kit continental do pára-choque traseiro; 
    5. modificar e detalhar a grade dianteira; 
    6. acrescentar as antenas e bandeiras. 
Optei por iniciar o trabalho pela carroceria e deixar o interior por último.

O primeiro passo foi medir em quanto o carro precisaria ser alongado, e a medida total foi 25,59 mm. A carroceria foi seccionada em dois lugares, um entre as portas (o kit é quatro portas) e outro um pouco depois da porta do passageiro. O interior foi seccionado apenas entre as portas.

Para a emenda externa da lateral foram usadas chapas de estireno, reforçadas internamente; e a parte externa superior, devido ao relevo original do carro, foi emendada usando durepoxi.

Depois de feitas as emendas da carroçeria, foi feita a emenda do chassi, este também seccionado em apenas um lugar. Como optei em o chassi não ser visível (há muito alto e baixo relevo), apenas uni as partes com estireno e fiz as emendas do cano de escape com palito de dente (o diâmetro era idêntico!!!).

Finalmente, para corrigir as diferenças de relevo nas emendas, foi aplicada massa plástica rápida automotiva, e um paciente trabalho de lixamento e correção com lixas d'água de várias granulações (de 180 a 600).

Uma parte do pára-choque frontal teria de ser cortada (o pisca-pisca) e agregada à carroceria. A correção foi feita com a massa rápida também. Depois de terminado este trabalho na carroceria foi aplicado primer cinza rápido universal (automotivo) para procurar imperfeições nas emendas, que foram muitas. Após muita massa, lixa d'água e primer se chegou a um resultado satisfatório.

A chassi foi apenas pintado com esmalte sintético preto fosco, sem aplicação do primer.

A princípio imaginei que a limousine fosse preta, mas não era. A cor era (segundo as referências na Internet, em inglês) "deep blue", ou seja, azul profundo... uma cor com nome muito estranho aqui no Brasil. Na verdade o azul é marinho bem escuro, confundindo com o preto de acordo com a incidência da luz. Procurando nos catálogos de tinta automotiva encontrei o Azul Atlanta, que me pareceu uma boa opção.

Mas a primeira mão de tinta foi "preto Cadillac" (acima), para oferecer uma base bem escura. Depois disso, várias camadas de Azul Atlanta foram aplicadas. Depois foi aplicado o verniz automotivo. Entre cada demão de tinta houve um leve lixamento da superfície com posterior polimento nas últimas demãos.

A dificuldade maior encontrada foi nivelar as laterais, já que existiam duas emendas em cada uma. Às vezes uma ficava mais alta do que outra, a salto era muito visível, às vezes o estireno descolava do chassi... enfim, nivelar toda a superfície foi trabalhoso. A dica é fazer as colagens, nivelamentos e polimento com a carroceria encaixada no chassi, para dar maior firmeza e prumo.

O motor foi montado conforme veio no kit, já que não possuía referências do motor e não tinha a intenção de mostrá-lo. Apenas segui a bula.

As rodas, apesar de não possuírem exatamente o mesmo desenho, foram mantidas e pintadas com a técnica "washed" para dar a idéia de profundidade e "vazado"; e nos pneus foram pintadas com tinta acrílica as finas faixas brancas (com um "bolômetro" ou circulógrafo foi dada uma mão de preto semi-fosco, depois uma de branco, e depois mais uma de preto semi-fosco, esta última um pouco menor do que a branca) característica de carros de luxo dos anos 60 e 70. Os pneus foram lixados, para se ter a idéia do desgaste pelo uso.

Encaixadas as rodas no chassi (já com o motor), restaria apenas o interior.

... E foi no interior que veio mais uma dificuldade: texturas do assoalho e das laterais estofadas, bem como os dois assentos no meio do carro, onde sentaram o Governador do Texas e sua esposa.

Comecei pelo que achei mais fácil: as laterais.

Depois de alongados com chapas de estireno as laterais e o assoalho, apliquei durepoxi nas laterais. Depois de mais ou menos 1 hora, com o durepoxi já mais firme, texturizei os gomos do almofadado. No chão nada fiz, visto que os assentos cobririam 90% da emenda.

Na limousine original a configuração interna era: assento do motorista e carona unidos por um console; assentos do meio separados; e assento traseiro único. Os assentos eram da cor do carro, com os desenhos azul-claro, mesma cor utilizada nos pára-sóis.

Para fazer os assentos do meio a primeira idéia foi partir do nada e construí-los com chapas de estireno... mas lembrei do outro kit Lincoln que havia montado. Não tive dúvida: o kit montado gentilmente "doou" o assento dianteiro para tal trabalho. De posse do assento, bastou seccioná-lo, tirando o console do meio, e construir uma lateral de cada assento com estireno e massa plástica automotiva.

Trabalho terminado, o próximo passo foi a pintura do interior.

Primeiro foi aplicado o Azul Atlanta em todo o interior, inclusive painel. Depois o assoalho foi pintado de preto fosco e as detalhes dos assentos, bem como os pára-sóis, de azul claro (mistura de branco e azul safira da Testors). Estes foram pintados com pincel, bem como o assoalho. No painel foi aplicado Bare-Metal Foil, e com pincel destacados alguns detalhes.

Basicamente o carro estava pronto. Faltavam ainda os pára-choques e o sant'antônio.

O pára-choque dianteiro precisaria de um trabalho de construção muito delicado e trabalhoso para que a grade ficasse idêntica à original. Optei então por deixar o pára-choque como veio no kit (muito semelhante), apenas pintando os faróis internos com verniz vitral vermelho (são duplos), já que na limousine eles assim eram.

O sant'antônio foi mais fácil: apenas uma pequena tira de estireno e dois quebra-ventos de formato quadrangular, estes retirados do kit da Revell-Monogram 1955 Chevy Bel Air Convertible. Como na limousine esta peça era cromada, foi aplicado BARE-METAL FOIL para o efeito.

O mesmo kit da Revell cedeu o kit continental do pára-choque traseiro, para que se tentasse chegar o mais próximo possível da limousine real.

O pára-choque foi furado em dois lugares, e o suporte do pneu foi lixado até chegar ao encaixe mais preciso que pudesse - o problema era não afetar muito o cromado do plástico. Conseguido o encaixe, os retoques no cromado foram feitos com BARE-METAL, e o estepe pintado na mesma cor da carroçeria.

Por fim faltavam apenas detalhes: o par de bandeiras (a nacional e a do presidente) sobre os pára-lamas dianteiros, e dois pares de antenas na traseira, duas grandes e duas pequenas, bem como duas espécies de aletas. As aletas eram da mesma cor do carro e construídas com estireno; já as antenas foram aproveitadas de outros kits.

As bandeiras foram impressas em computador, e coladas com fita dupla-face em um papel alumínio grosso (aquele que vem no Nescau), para depois dar forma de "caídas". Coladas numa haste de plástico estas foram finalmente juntadas ao carro.

Os acabamentos dos frisos laterais e das molduras dos vidros foram feitos com BARE-METAL, e o modelo foi colocado numa base para kit escala 1:24/1:25.

Este trabalho começou em 15 de Outubro de 1999, e interrompido várias vezes, tendo sido terminado em 30 de Maio de 2000... foram computadas quase 50 horas de trabalho na confecção do X-100.

Mesmo não sendo réplica fiel do original, fico feliz em ter conseguido representar o Lincoln X-100, pois o exercício é mais gratificante do que a preocupação histórica - segundo o que eu pretendia, claro.


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