O projeto de arquitetura do Teatro do Colégio Santa Cruz adota, sob o ponto de vista da arquitetura cênica, a variante de um modelo pouco tradicional na cena brasileira: o de teatro multi-forma não mecanizado, ou seja, aquele que pressupõe, sob o ponto de vista das tipologias, uma flexibilidade concebida de forma simples e fundamentada nas necessidades dos próprios usuários. Embora as possibilidades de alteração do desenho de palco existam a partir de alguns modelos pré estabelecidos (italiano, elizabetano, arena, proscênio lateral) estas estão diretamente relacionadas a conceitos como formalidade x informalidade, continuidade x descontinuidade, proximidade x distanciamento. As combinações de variação de desenho de palco e desenho de platéia possibilitam diversos resultados espaciais, o que atinge o cerne da problemática de adaptabilidade do espaço cênico às diversas manifestações que um edifício como este deve abrigar. Os recursos utilizados no projeto de arquitetura cênica do Teatro do Colégio Santa Cruz, visam assegurar as condições propostas - flexibilidade com simplicidade – possibilitando o seu uso em extensão máxima: para eventos oficiais, espetáculos de música, atividades didáticas, teatro amador, teatro profissional, performances multimídia, etc. Cada uma destas situações apresenta necessidades específicas, que podem ser cumpridas mediante a alteração de valores físicos e espaciais. Pode-se vestir ou despir o palco. Pode-se vestir ou despir a platéia, que a cada situação reagirá de maneira diversa. Com efeito, de nada adianta mudar a topografia do teatro se não se alteram os valores implícitos na cumplicidade entre palco e platéia. Nesta relação, justamente, reside o jogo do espetáculo.

 
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