Vera Martins anuncia na sua primeira individual, em
1994, o que viria a ser o encaminhamento de seu trabalho: o
questionamento do plano até sua completa descontrução. De pronto,
pode-se pensar numa obra ancorada na racionalidade geométrica pelo uso
do quadrado como elemento organizador da composição, mas o acesso da
artista ao princípio ordenador se deu por via afetiva. Daí derivam
conteúdos simbólicos incorporados com extrema sutileza à obra: morte e
vida regem seqüências que começaram inspiradas nas gavetas funerárias
enfileiradas ao longo de muros e hoje rompem a frontalidade para se
sustentar no espaço pleno. Nas telas marcadas pela impressão a seco, o
pó xadrez era depositado numa intensa despedida do que foi, um dia,
pintura. Depois, os fios partidos se eriçaram em círculo, no plano se
abriu uma cratera quase rosa, ainda dor. Agora, desfeita completamente a
trama, os fios soltos pricipitam-se em cascata. Rompido o suporte,
sobrevém à vertigem do sem fundo, do sem fim.