CHARLES: "Os 21 golos que marquei são fruto do trabalho da equipa"
Após
21 golos marcados e com a boa forma da equipa acredita que ainda pode marcar
mais?
Sim, mas gostava de esclarecer que os golos que marquei são fruto do trabalho da equipa. Sozinho, o Charles não pode fazer tudo, é impossível. É um orgulho jogar nesta equipa, para mim a que melhor futebol pratica no campeonato nacional.
No aspecto pessoal qual é o seu principal objectivo?
O de sempre. Querer o melhor para mim e o clube que represento, mas não escondo a vontade de um dia dar um salto. Aliás qualquer jogador no Mundo quer sempre o melhor para si.
Tem sido frustrante não jogador nos seniores por questões burocráticas?
Sim e também porque não sei se o processo hoje se pode resolver ou só daqui a mais algum tempo. O ano passado ainda alinhei pelos seniores, mas não é permitido a uma equipa da 2ª Divisão B jogar com mais de um estrangeiro. Mas o problema nem é esse. O Feirense é um grande clube e sou a prova de que se aposta nos jovens. Apesar de me sentir bem nos juniores, gostaria de jogar nos seniores e o Feirense de certeza que me dará essa oportunidade novamente.
Que balanço faz do campeonato efectuado pelos juniores?
Julgo que nesta altura já podíamos ter alcançado a passagem à segunda fase, mas a meio do campeonato houve dois ou três jogos que não correram tão bem. O ambiente é fantástico, temos uma excelente equipa e tudo para passar à fase seguinte. Julgo que temos provado isso às pessoas que nos acompanham.
Mas o Feirense continua a dar oportunidades aos jovens.
Só faltava mesmo todas as equipas treinarem na relva... Sim, estou a par daquilo que o Feirense pretende fazer e se o fizer, com as estruturas de formação ao nível de recursos humanos que já tem, julgo que com campos relvados se vai tornar num clube ainda maior e com mais força tanto nas camadas jovens como nos seniores.
Sérgio Barge: "O Feirense é o melhor do distrito de Aveiro nas camadas jovens"
Barge chegou ao
Feirense depois de representar o FC Porto. O jovem
começou a singrar nos juvenis
do Feirense, sendo agora uma das peças fundamentais dos juniores. Está no Feirense há quatro anos e, como vem sendo hábito entre os jovens do Feirense,
o seu principal objectivo é um dia firmar o seu lugar no plantel sénior. Tendo
em conta as exibições por si efectuadas e sendo eleito o jogador em destaque,
pode muito bem chegar lá.
Esta pequena recompensa de ser eleito o jogador do mês nas camadas jovens é motivante...
Claro. Fico contente por isso e lembro que o apoio dos meus colegas foi fundamental. Também eles ajudaram a que o meu rendimento aumentasse a todos os níveis.
Este início de campeonato dos juniores está dentro das tuas expectativas?
Começamos muito bem e aos poucos estamos a ganhar cada vez mais consistência, mas não fiquei muito contente com o jogo frente ao Leixões. Desperdiçamos uma grande penalidade e fomos claramente a melhor equipa em campo, carregando sempre sobre o adversário. No entanto, eles marcaram em contra-ataque. Foi um pouco injusto e a nossa vitória podia colocar-nos ainda mais perto do FC Porto, que é o líder.
Atendendo ao teu percurso no futebol estás habituado a jogar nas provas nacionais. Que tal tem sido?
É muito diferente dos campeonatos distritais, porque as equipas tem bastante qualidade a todos os níveis. O que tenho realmente notado é que até as equipas pequenas estão a crescer cada vez mais, tornando a competição mais difícil.
E o Feirense. Tem melhorado?
É um grande clube e o melhor do distrito de Aveiro nas camadas jovens. Julgo que só faltava mesmo estar melhor ao nível das estruturas para possibilitar uma melhor formação dos seus jogadores.
Tens esperança de ver um novo complexo desportivo?
Não temos relvados para treinar e nós, jovens, pensamos sempre em melhores condições, para que o nosso nível competitivo melhore. A Direcção tem o projecto feito e chegar até aí já não é fácil. Com a vontade que têm demonstrado julgo que nos vão dar melhores condições a curto prazo, bem como à equipa sénior. Acredito nesse projecto.
Relativamente aos juniores há objectivos traçados. qual é o teu deseja?
O objectivo é passar à próxima fase, mas nunca podemos deixar de pensar em querer mais. O sonho é ser campeão e se o Alverca o foi no ano passado o Feirense também pode muito bem sê-lo.
E a nível pessoal?
Gostaria de chegar aos seniores e julgo que é bem possível se tivermos em conta que este clube gosta de apostar nos jovens. Para já, o mais importante nos seniores é que eles consigam subir à II liga. É o desejo de todos os Feirense. Para nós seria ainda mais motivante.
ENTREVISTA
José Carlos: Treinador da Equipa Júnior do Clube Desportivo Feirense.
Após quatro anos na liderança da equipa
júnior do Clube Desportivo Feirense qual o balanço do trabalho num escalão
que é o de transição para o profissionalismo?
Acima de tudo sinto que estou a trabalhar num clube que evidencia qualidade a nível de formação. É sem duvida um dos melhores. Depois tenho também a oportunidade de trabalhar com atletas que não sendo os melhores pretendem aproximar-se muito daqueles que o são. São atletas fantásticos que tentamos fazer com que evoluam dentro de uma filosofia de clube e nesse sentido possam posteriormente servir o futebol profissional. Para que isto aconteça é importante trabalhar imenso e sempre com grande motivação, possibilitando aperfeiçoar as suas qualidades enquanto jogadores, nunca esquecendo que não estamos perante adultos em ponto pequeno mas também já não estamos a lidar com crianças.
Respeitando
a especificidade de cada escalão existe uma linha orientadora global?
Sabe-se que cada escalão é único e cada atleta uma individualidade. No entanto tenho presente um conjunto de princípios pré – definidos que eu assumo e que estão inerentes a um modelo de jogo, a um modelo de jogador e por último a um modelo de treino. Estes princípios são trabalhados diariamente e por isso permitem-nos dizer que determinado atleta numa fase posterior pode perfeitamente encarar o seu futuro desportivo com alguma segurança no clube que o formou ou mesmo num outro clube. Em suma o que tenho vindo a fazer é dar a estes jovens futebolistas uma cultura futebolística (cultura táctica - técnica) e esta tem sido a imagem da equipa que treino.
Se
olharmos para a equipa júnior o que pensa dos seus jogadores?
Continuam a crescer e neste momento evidenciam algumas capacidades tácticas apreciáveis. Embora não tenham acabado a sua formação, julgo que os jogadores estão a passar de uma fase menos complexa, para uma de maior complexidade o que faz com que em alguns momentos demonstrem alguma insegurança. Mas globalmente pode-se afirmar que estes jovens jogadores tiveram muitos momentos onde se sentiram confortáveis. E são estes avanços e recuos que por sinal são naturais, fazem com que eles cada vez mais, evoluam dentro de um perfil de jogador que eu entendo ser o que está de acordo com aquilo que o futebol actual exige. Da minha parte como gestor do processo tenho que lhes explicar que esta dinâmica é natural, chamando-lhes a atenção para a necessidade de reter as coisas boas e corrigir as menos boas. E quando trabalhamos com jovens inteligentes tudo se torna mais fácil.
Como
convive com os principais interesses do departamento – formação e vitória?
Tenho sempre presente três critérios fundamentais. Fomentar a melhor formação quer desportiva quer da personalidade e o desejo de vencer sempre. Ao assumir um novo grupo de trabalho faço ver a todos que «jogar para ganhar é mais importante que ganhar sempre». Agora ganhar não chega por si só, é fundamental que cultivemos a capacidade de nos superar e que ao termos jogado hoje bem, queiramos jogar melhor amanhã e assim sucessivamente. Isto não é mais do que o culto de uma ideia comum, o culto do valor colectivo.
Como
entende o estado actual do futebol jovem?
Acima de tudo tem de haver uma evolução a curto prazo para que a formação seja mais qualitativa. Para que isso seja possível temos que ter melhores espaços de treino e jogo, melhores quadros competitivos e melhor apoio logístico. Quando tal acontecer podemos pensar que num futuro muito próximo não necessitamos de importar jogadores e que os quadros profissionais dos clubes integrem jogadores de qualidade provenientes da sua escola de formação.
Não passar à segunda fase da
prova deixou marcas?
Como deve calcular tínhamos grandes expectativas quanto à nossa passagem, primeiro por sentirmos que éramos um dos melhores e como equipa nos alimentávamos na constante procura da vitória. Depois porque éramos uma equipa que desfrutava do jogo com enorme alegria e onde não havia jogadores angustiados quanto tinham a bola nos pés. Todos nós tínhamos uma ideia comum. Em qualquer momento do jogo sabíamos o que tínhamos que realizar. Como não sabíamos jogar mal, o nosso prazer em jogar bom futebol contribuía para o prazer daqueles que nos acompanhavam. Tenho que dar os parabéns a todos os pais porque foram importantes para o bem estar da equipa.
E quanto ao futuro?
O futuro somente a Deus pertence!