ARTIGOS DE OPINIÃO

O jogo é a imagem daquilo que se treina.

Se o jogo é a imagem do treino, é evidente que o treino, ou o(s) exercício(s) de treino deve ser o momento fundamental do desenvolvimento e aperfeiçoamento dos jogadores ou da equipa. Mas nem sempre o é. O treino constitui-se muitas vezes num passatempo, num hábito, num castigo, num ritual, porque o que é preciso é "suar" a camisola, não interessa que não se tenham ideias, objectivos, princípios ou critérios. Tudo se confina ao acaso: um jogo corre bem, outro poderá correr mal. Os noventa minutos de um jogo de futebol são noventa minutos de sorte - quando se conquista os três pontos - todos os atletas foram cumpridores e profissionais, humildes e abnegados em função das tarefas que lhes foram atribuídas, e de azar - o estado do relvado, a ausência deste ou daquele atleta, a baliza, a bola, o árbitro, a condição física,...etc. É evidente que a qualidade (ou a falta dela) da competição tem haver com a qualidade (ou a falta dele) do treino.  E nesta infindável e incontestável realidade, existem ainda muitos treinadores que afirmam categoricamente que no futebol tudo está inventado, não vale a pena reflectir, não vale a pena pensar, pautam a sua intervenção sempre pelo mesmo discurso, os mesmos arquétipos, no fundo têm sempre as mesmas desculpas. Outros, um pouco mais evoluídos dizem que é fundamental ter duas ou três ideias e aplicá-las em função da situação. Muitos outros treinadores vivem como eremitas utilizando receitas do passado mortas e doentias, mantendo-se fiéis e inflexíveis aos seus "exerciciozinhos" de treino. Na base da repetição decalcam ano após ano independentemente do praticante ou da equipa os mesmos vícios - bons ou maus. São apologistas do controlo, do tacticismo, do defensivismo ou da contenção e colocam o talento dos jogadores numa camisa de forças pondo em perigo a "diferença". Porque segundo eles, o que importa é o resultado, ideia menor de ver o futebol que faz com que os espectadores reclamem do espectáculo. Mas porque aparece sempre em jogo um bom jogador e nos faz recordar a verdade e a mentira deste jogo, podemos então dizer que estes treinadores esgotaram-se no tempo e nas ideias.

Futebol "maltratado"

Um jogador ao infringir a ordem, põe em causa a titularidade, ser obediente é muito mais importante que pensar. Ser-se ofensivo, é ser rápido e para a frente, mesmo que se esbarre contra os rivais. O futebol encontra-se "maltratado" por alguns destes pressupostos, por estas formas de afastar o perigo, antes de atacar. Não se tenha duvida de que a velocidade é inimiga da precisão e os percursos são tão amplos que depois nos obrigam muitas vezes a correr, desta vez atrás da bola. Um dos meus mestres e amigo Mister Ferreirinha dizia muitas vezes "temos que deixar que o trabalho seja feito pela bola", conceito que se tem vindo a perder no tempo. Agora trabalha o jogador que primeiro entrega a bola ao adversário e de seguida o pressiona. Certo é que há muitas equipas que caiem em pedaços nas segundas partes por não saberem governar o capital físico. 

"O Mito do Testes"

O futebol é um jogo perfeito porque revela toda a complexidade humana e pretender quantificá-lo a partir da tecnologia é simplesmente uma estupidez.

"Ser Solidário"

Uma equipa de futebol constitui-se num grupo de jogadores que se pretendem bem coordenados, isto é, que saibam atacar e defender. Algumas equipas sabem algo mais, fazer a transição. Os jogadores quando perdem a bola tornam-se automaticamente em defesas e quando a recuperam, em atacantes. Esta mudança de "cassete mental"  é uma característica das equipas solidárias e super motivadas.

"O Futebol e as suas contradições"

A troca de bola entre jogadores da mesma equipa serve acima de tudo, para enganar o rival, para o eliminar, para criar espaços livres no sentido de encontrar a baliza adversária. Se se toca a bola sem se saber para quê, o jogo torna-se enfadonho, sem objectividade e a única equipa que desfruta dele é aquela que detém a posse da bola. Para tocar a bola com eficácia, os treinadores têm que permiti-lo, e os jogadores têm que o saber, têm que ter precisão mas também critério colectivo. Se tudo sai bem, chama-se FUTEBOL senão e com razão, tique, tique, tique, ... .

"Teoria das más equipas"

Alguém dizia: já não há actuações brilhantes de noventa minutos. Existem neste futebol, acções isoladas que nos mostram o jogador como individualidade, e como figura do jogo. A ideia está correcta e actual mas deve ser dirigida somente às equipas que jogam mal pelo que facilmente se elege aquele que torna tudo diferente. Mas esta ideia não serve para as equipas solidárias que desenvolvem um alto nível de participação de todos  e actuações brilhantes dos jogadores mais inspirados.

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