TEATRO DO MUNDO
Estilhaço do Deus surdo,
Exilado filho de Eva,
Teus dedos tocam no absurdo
Da luz, na razão da treva.
(Os calmos deuses da paz
Urdem a proxima guerra.
Ulisses volta jamais?
Nikos retorna pra terra?)
Vais levitando na rua,
Nuvens se dobram a teu peso.
Pelas grades vês a lua,
Da lua te enxergas preso.
Amas melhor se no lodo.
És tão suave em teu ódio...
— Quero o mundo um belo todo —
Diz Hegel. Mas Nietzsche: — Explode-o!