MODINHA PARA ANA CRISTINA
(Para voz e violoncelo)
Se eu fizesse um soneto desses leves,
Feito com a carne do ar, a cor do dia,
De textura translúcida e macia...
Palavras em descanso... imagens breves...
Se eu fizesse um soneto desses leves,
Bem leve, quase voando do papel,
Com a leveza das nuvens ou das neves,
Caindo leve ao chão... subindo ao céu...
...Soneto dúctil como seio... Como
Tangerina viajada gomo a gomo...
(Gomos são versos de uma tangerina?)
Se o frio coração de tantas neves
Destilasse um soneto desses leves,
Te dava de presente, Ana Cristina.