DONA LUÍSA

 

 

Meu neto: no tempo antigo

Da província da Mogyana

Havia uma bela estrela,

Dona Luísa, que brilhava.

 

Queimava-se todo dela

Rizziero, filho de Mantua.

Mas no logro não vivia:

Do moço se ardia a infanta.

 

Quantas vezes foram à fonte

Do alívio e ninguém notava?

Beberam-se tanto que

Caiu prenha a estrela amante.

 

Mas Luísa pariu seu fruto

E foi ser monja em São Paulo.

Fez o pai prender Rizziero:

— Mas dobrai, senhor, a guarda!
 

A COISA CORDIALJosé Carlos Zamboni                                              Poemas

“...poesia, cosa cordial.” Antonio Machado

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