SOLO PARA OBOÉ COM GOTEIRAS
Nas ruas sem horizontes,
Sob as goteiras mais frias,
Teus passos parecem pontes
Buscando margens vazias.
Chegas em casa mais triste.
Tua noiva ninguém viu.
Ver algum filme? Já viste
O sábado, a chuva, o frio.
Os livros viraram brisa,
Os discos não tocam mais.
Tua inquietude precisa
Deitar — e dormir em paz.
Mas como esquecer a dona
Do peito morno e macio?
O mundo todo ressona.
Até a goteira dormiu...