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Bom Conselho |
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Uma terra sem cor, terra quente, árida, sem água a nutri-la; muito céu, muito sol, quase não chove, não há alimento; uma terra exposta, de vegetação gasta, mata rasteira e pouca. Um lugar surgido não se sabe como, quando, fundado num boqueirão; casas dispostas em ladeiras acentuadas, muitas ladeiras; onde gente nasce e morre, onde a gente vive bem modestamente.
Quem veio povoar a terra e construiu o lugar? Não se tem certeza, porque o tempo deu-se sem registro. Alguém precisava terra, alguém procurava terra: encontrou sua morada. A população atual, a cidade, os povoados, tudo só evidência de um passado, de seu passado.
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Num dado momento, espoliaram seu nome, o nome do lugar, por motivo escuso, reverência demasiada, como ainda hoje, décadas depois, fizeram no oeste.
É uma luta, pois, digna luta a que se propõe: refazer o desfeito, por justiça histórica. Então lutemos essa nossa luta, sendo fortes como os anciãos que se recusam a substituir o nome que seus pais legaram. E lembremos os que lutaram por Canudos; que entre eles havia ancestrais nossos; que o nosso sangue é o mesmo sangue, sangue sertanejo, sangue de Bom Conselho. |
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