Bom Conselho
                                    
por Hermano de Oliveira Santos

Uma terra sem cor,

terra quente, árida,

sem água a nutri-la;

muito céu, muito sol,

quase não chove,

não há alimento;

uma terra exposta,

de vegetação gasta,

mata rasteira e pouca.

Um lugar surgido

não se sabe como, quando,

fundado num boqueirão;

casas dispostas

em ladeiras acentuadas,

muitas ladeiras;

onde gente nasce e morre,

onde a gente vive

bem modestamente.

 

Quem veio povoar a terra

e construiu o lugar?

Não se tem certeza,

porque o tempo

deu-se sem registro.

Alguém precisava terra,

alguém procurava terra:

encontrou sua morada.

A população atual,

a cidade, os povoados,

tudo só evidência

de um passado,

de seu passado.

 

 

Num dado momento,

espoliaram seu nome,

o nome do lugar,

por motivo escuso,

reverência demasiada,

como ainda hoje,

décadas depois,

fizeram no oeste.

 

É uma luta, pois,

digna luta

a que se propõe:

refazer o desfeito,

por justiça histórica.

Então lutemos

essa nossa luta,

sendo fortes

como os anciãos

que se recusam

a substituir o nome

que seus pais legaram.

E lembremos

os que lutaram

por Canudos;

que entre eles

havia ancestrais nossos;

que o nosso sangue

é o mesmo sangue,

sangue sertanejo,

sangue de Bom Conselho. 

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