A história de Jean Baptiste Grenouille

 

Desde seu nascimento, em 17 de Junho de 1738, na bela e fedorenta Paris da primeira metade do século XVIII, Jean-Baptiste Grenouille só conhecera a rejeição. A mãe que mal conhecera, morrera decapitada, as amas-de-leite nunca o suportaram e até no orfanato onde cresceu era repelido pelas outras crianças. O destino, porém, o dotara de um dom fantástico: o olfato mais apurado do mundo. Se o desprezo que acompanhara Grenouille havia feito dele um homem amargo e rancoroso, a capacidade inigualável de perceber e distinguir aromas era a arma que ele usaria para a sua vingança: produzir a fragrância perfeita, capaz de suscitar o amor mais profundo em quem a sentisse.

O Perfume desnuda a estupidez humana e o absurdo de suas instituições e valores.

Desde os mais pobres à nobreza, todos fediam como um animal de rapina. Isso fazia com que a ação desagregadora das bactérias tomassem conta de todos os ambientes.

Nessa época não havia sido ainda colocado nenhum limite, e assim não havia atividade humana, construtiva ou destrutiva, manifestação alguma de vida a vicejar ou fenecer, que não fosse acompanhada de fedor.

Aos vinte e cinco dias do mês de Junho do ano de hum mil setecentos e sessenta e sete, Jean Baptiste Grenouillle, desencarnou, esquartejado por canibais na Rue Saint-Jaques, cidade de Paris, onde havia nascido a 29 anos atrás.

Dados extraídos do livro O Perfume de Patrick Süskind

 

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