Fibra Ótica
Fibra Ótica
Definição:
Uma
fibra ótica é constituída de material dielétrico,
em geral, sílica ou plástico, em forma cilíndrica,
transparente e flexível, de dimensões microscópicas
comparáveis às de um fio de cabelo. Esta forma cilíndrica
é composta por um núcleo envolto por uma camada de material
também dielétrico, chamada casca. Cada um desses elementos
possuem índices de refração diferentes, fazendo com
que a luz percorra o núcleo refletindo na fronteira com a casca.
fig. 1 - Fibra Ótica
fig. 2 - Extremidade de um cabo com três fibras
A fibra ótica
utiliza sinais de luz codificados para transmitir os dados, necessitando
de um conversor de sinais elétricos para sinais óticos, um
transmissor, um receptor e um conversor de sinais óticos para sinais
elétricos.
A atenuação
das transmissões não depende da frequência utilizada,
portanto a taxa de transmissão é muito mais alta. É
totalmente imune a interferências eletromagnéticas, não
precisa de aterramento e mantém os pontos que liga eletricamente
isolados um do outro. Entretanto, pode ocorrer dispersão modal se
a fibra for multimodo (ver abaixo). A transmissão ótica está
também sujeita à dispersão espectral ou cromática.
A luz que passa na fibra é feita de diferentes frequências
e comprimentos de onda. O índice de refração difere
para cada comprimento de onda e permite às ondas viajarem a diferentes
velocidades. Os LEDs, que possuem um grande espalhamento de comprimento
de onda, estão sujeitos a uma dispersão de espectro considerável.
Os lasers exibem uma luz quase monocromática (número limitado
de comprimentos de onda) e não sofre qualquer dispersão cromática
significativa.
O padrão
10BaseF refere-se à especificação do uso de fibras
óticas para sinais Ethernet. O conector mais usado com fibras óticas
é o conector ST, similar ao conector BNC. No entanto, um novo tipo
está ficando mais conhecido, o conector SC. Ele é quadrado
e é mais fácil de usar em espaços pequenos.
Vantagens:
-
perdas de transmissão baixa e
banda passante grande: mais dados podem ser enviados sobre distâncias
mais longas, desse modo se diminui o número de fios e se reduz o
número de repetidores necessários nesta extensão,
reduzindo o custo do sistema e complexidade.
-
pequeno tamanho e peso: vem resolver
o problema de espaço e decongestionamento de dutos no subsolo das
grandes cidades e em grandes edifícios comerciais. É o meio
de transmissão ideal em aviões, navios, satélites,
etc.
-
imunidade a interferências: não
sofrem interferências eletromagnéticas, pois são compostas
de material dielétrico, e asseguram imunidade a pulsos eletromagnéticos.
-
isolação elétrica:
não há necessidade de se preocupar com aterramento e problemas
de interface de equipamento, uma vez que é constituída de
vidro ou plástico, que são isolantes elétricos.
-
segurança do sinal: possui um
alto grau de segurança, pois não irradiam significativamente
a luz propagada.
-
matéria-prima abundante: é
constituída por sílica, material abundante e não muito
caro. Sua despesa aumenta no processo requerido para fazer vidros ultra-puros
desse material.
Desvantagens:
-
fragilidade das fibras óticas
sem encapsulamento: deve-se tomar cuidado ao se lidar com as fibras, pois
elas quebram com facilidade.
-
dificuldade de conexões das fibras
óticas: por ser de pequeníssima dimensão, exigem procedimentos
e dispositivos de alta precisão na realização de conexões
e junções.
-
acopladores tipo T com perdas muito
grandes: essas perdas dificultam a utilização da fibra ótica
em sistemas multiponto.
-
impossibilidade de alimentação
remota de repetidores: requer alimentação elétrica
independente para cada repetidor, não sendo possível a alimentação
remota através do próprio meio de transmissão.
-
falta de padronização
dos componentes óticos: o contínuo avanço tecnológico
e a relativa imaturidade não tem facilitado e estabelecimento de
padrões.
-
alto custo de instalação
e manutenção.
Aplicações:
-
sistemas de
comunicação
-
Rede Telefônica:
serviços de tronco de telefonia, interligando centrais de tráfego
interurbano e interligação de centrais telefônicas
urbanas.
-
Rede Digital de
Serviços Integrados (RDSI): rede local de assinantes, isto é,
a rede física interligando os assinantes à central telefônica
local.
-
Cabos Submarinos:
sistemas de transmissão em cabos submarinos.
-
Televisão
por Cabo (CATV): transmissão de sinais de vídeo através
de fibas ópticas.
-
Sistema de Energia
e Transporte: distribuição de energia elétrica e sistema
de transmissão ferroviário.
-
Redes Locais de
Computadores: aplicações em sistemas de longa distância
e locais. Na busca de padrões a fim de facilitar a conectividade
e minimizar os custos de aquisição e implantação
com fibras ópticas, foi desenvolvido o FDDI.
-
sistemas sensores
-
Aplicações
industriais: sistemas de telemetria e supervisão em controle de
processos.
-
Aplicações
médicas: sistemas de monitoração interna ao corpo
humano e instrumentação cirúrgica.
-
Automóveis:
monitoração do funcionamento do motor e acessórios.
-
aplicações
militares
Funcionamento:
O sinal luminoso é transmitido para a fibra ótica sob a
forma de pulso '0'/'1' representando uma sequência de símbolos
binários. As ondas passam através do núcleo do cabo, que é
coberto por uma camada chamada cladding . A refração do sinal
é cuidadosamente controlada pelo desenho do cabo, os receptores
e os transmissores. O sinal luminoso não pode escapar do cabo ótico
porque o índice de refração no núcleo é
superior ao índice de refração do cladding. Deste
modo, a luz viaja através do cabo num caminho todo espelhado.
fig. 3 - Visão longitudinal
de uma fibra ótica
.
A fonte emissora
da luz é usualmente um laser ou um LED. Os lasers proporcionam para
uma grande largura de banda um rendimento da capacidade que é significativamente
maior do que outros métodos. Por exemplo, um cabo de dois fios tem
um parâmetro de distância de largura de banda de 1Mhz/Km, um
cabo coaxial tem 20 Mhz/Km, e a fibra ótica tem 400 Mhz/Km. O sinal
é emitido a partir de microchips compostos por materiais semicondutores
que transmitem sinais com comprimentos de onda perto dos infra-vermelhos.
Os detectores de luz de sílica são usados para receber os
sinais e converter os raios luminosos nos pulsos eléctricos '0'/'1'
originais que são usados no terminal, computador ou modem.
Há vários
métodos para transmitir os raios luminosos através da fibra:
multimodo com índice degrau, multimodo com índice gradual
e monomodo.
Fibra
Ótica Multimodo com Índice Degrau
Foi
o primeiro tipo a surgir e é também o mais simples. Na fibra
multimodo com índice degrau, o núcleo e o cladding estão
claramente definidos. O núcleo é constituído de um
único tipo de material (plástico, vidro), ou seja, tem índice
de refração constante, e tem diâmetro variável,
entre 50 e 400 mm. Os raios de luz refletem no cladding em vários
ângulos, resultando em comprimentos de caminhos diferentes para o
sinal. Isto causa o espalhamento do sinal ao longo da fibra e limita a
largura de banda do cabo para aproximadamente 35 Mhz.km. Este fenômeno
é chamado dispersão modal. A atenuação é
elevada (maior que 5 dB/km), fazendo com que essas fibras sejam utilizadas
em transmissão de dados em curtas distâncias e iluminação.
fig. 4 - fibra ótica
multimodo com índice degrau
Fibra
Ótica Multimodo com Índice Gradual
Num desenvolvimento melhor, chamado multimodo com índice gradual,
a interface núcleo/cladding é alterada para proporcionar
índices de refração diferentes dentro do núcleo
e do cladding. Os raios de luz viajam no eixo do cabo encontrando uma grande
refração, tornando baixa sua velocidade de transmissão
. Os raios que viajam na direção do cabo tem um índice
de refração menor e são propagados mais rapidamente.
O objetivo é ter todos os modos do sinal à mesma velocidade
no cabo, de maneira a reduzir a dispersão modal. Essa fibra pode
ter larguras de banda de até 500 Mhz.km. O núcleo tem, tipicamente,
entre 125 e 50 mm e a atenuação é baixa (3 dB/km),
sendo por esse motivo empregada em telecomunicações.
fig. 5 - fibra ótica
multimodo com índice gradual
.
Fibra
Ótica Monomodo
A fibra monomodo vai um passo à frente. O tamanho do núcleo,
8 micrometros (µm) de diâmetro, e o índice núcleo/cladding
permite que apenas um modo seja propagado através da fibra., conseqüentemente
diminuindo a dispersão do pulso luminoso. A emissão de sinais
monomodo só é possível com laser, podendo atingir
taxas de transmissão na ordem de 100 GHz.km, com atenuação
entre 0,2 dB/km e 0,7 dB/km . Contudo, o equipamento como um todo é
mais caro que o dos sistemas multimodo. Essa fibra possui grande expressão
em sistemas telefônicos.
.
fig. 6 - fibra ótica
monomodo
Transmissores Óticos
São responsáveis
por converter sinais elétricos em sinais óticos que irão
trafegar na fibra. A fonte ótica é modulada pela sua intensidade,
através da variação da corrente elétrica injetada
no gerador ótico. A fonte ótica é um semicondutor,
e pode ser de dois tipos:
-
LED (Light-Emitting Diode) utiliza o
processo de fotogeração por recombinação espontânea.
São utilizados em sistemas de comunicação que exijam
taxas de transferência menores do que 100 a 200 Mbits/s.
-
Diodo LASER (Light Amplification by
Simulated Emission of Radiation) utiliza o processo de geração
estimulada de luz.
Diferenças Funcionais entre LEDs e LASERs
|
Características
|
Laser
|
LED
|
|
Potência Ótica
|
alta
|
baixa
|
|
Custo
|
alto
|
baixo
|
|
Utilização
|
complexa
|
simples
|
|
Largura do Espectro
|
estreita
|
larga
|
|
Tempo de Vida
|
menor
|
maior
|
|
Velocidade
|
rápido
|
lento
|
|
Divergência na Emissão
|
menor
|
maior
|
|
Acoplamento na Fibra Monomodal
|
melhor
|
pior
|
|
Sensibilidade a Temperatura
|
substancial
|
insignificante
|
|
Taxa de Dados
|
alta
|
baixa
|
|
Modo
|
multimodo ou monomodo
|
multimodo
|
|
Distância
|
longa
|
pequena
|
Receptores Óticos
Também chamados de fotodetectores,
são responsáveis pela conversão dos sinais óticos
recebidos da fibra em sinais elétricos. Devem operar com sucesso
nos menores níveis de potência óticas possíveis,
convertendo o sinal com um mínimo de distorção e ruído,
a fim de garantir o maior alcance possível.
Os fotodetectores mais
utilizados são os fotodiodos, e os mais comuns são PIN
e APD (Avalanche PhotoDiode).
Diferenças Funcionais entre Fotodiodos PIN e APD
|
Características
|
PIN
|
APD
|
|
Sensibilidade
|
menor
|
muito maior
|
|
Linearidade
|
maior
|
menor
|
|
Relação Sinal/Ruído
|
pior
|
melhor
|
|
Custo
|
baixo
|
alto
|
|
Vida Útil
|
maior
|
menor
|
|
Tempo de Resposta
|
maior
|
menor
|
|
Variação das Características
conforme a Variação
|
menor
|
maior
|
|
Circuito de polarização
|
simples
|
complexo
|
Comparação das Fibras Óticas e dos Fios de Cobre
É instrutivo comparar a fibra com o cobre.
A fibra tem muitas vantagens. Para começo de conversa, ela pode
gerenciar larguras de banda muito mais largas do que o cobre. Apenas essa
característica justificaria seu uso nas redes de última geração.
Devido à baixa atenuação, os repetidores só
são necessários a cada 30Km de distância, o que em
comparação com o cobre, representa uma economia seignificativa.
A fibra também tem a vantagem de não ser afetada por picos
de voltagem, interferência magnética ou quedas no fornecimento
de energia. Ela também está imune à ação
corrosiva de alguns elementos químicos que pairam no ar e, conseqüentemente,
adapta-se muito bem a regiões industriais.
Por mais estranho que possa parecer, as companhias
telefônicas gostam da fibra por outra razão: ela é
fina e leve. Muitos dos dutos de cabo atuais estão completamente
lotados, de modo que não há espaço para aumentar.
Além da remoção, e subseqüente substituição,
do cobre por fibras deixar os dutos vazios, o cobre tem um excelente valor
de revenda para as refinarias especializadas, pois trata-se de um minério
de altíssima qualidade. Além disso, a fibra é mais
leve que o cobre. Mil pares trançados com 1 Km de comprimento pesam
8t. Duas fibras têm mais capacidade e pesam apenas 100Kg, reduzindo
de maneira significativa a necessidade de sistemas mecânicas de suporte,
cuja manutenção é extremamente cara. Nas novas rotas,
as fibras têm preferência por terem um custo de instalação
muito mais baixo.
Por fim, as fibras não desperdiçam
luz e dificilmente são interceptadas. Por essas razões, trata-se
de uma alternativa muito mais segura contra possíveis escutas telefônicas.
A razão para que a fibra seja melhor do que
o cobre é inerente às questões físicas subjacentes
a esses dois materiais. Quando os elétrons se movem dentro de um
fio, eles afetam um ao outro e, além do mais, são afetados
pelos elétrons existentes fora do fio. Os fótons de uma fibra
não afetam um ao outro (não têm carga elétrica)
e não são afetados pelos fótons dispersos existentes
do lado de fora da fibra.
Vale lembrar, no entanto, que a fibra é uma
tecnologia nova, que requer conhecimentos de que a maioria dos engenheiros
não dispõem. Como a transmissão é basicamente
unidirecional, a comunicação bidirecional exige duas fibras
e duas bandas de freqüência em uma fibra. Finalmente, as interfaces
de fibra são mais caras do que as interfaces elétricas. No
entanto, todos sabemos que o futuro das comunicações de dados
em distâncias significativas pertence à fibra.
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Por José
Aparecido Xavier de Souza