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Capítulo
Cinco Da sacada do décimo segundo andar, Felipe avistou quando um Corolla XEi cinza estacionou em frente ao prédio. Papai! O dia de sábado era sempre um dia especial para Felipe, pois era o dia que seu pai ia buscá-lo para passear. Instantes depois, a campainha tocou e o menino abriu a porta e pulou nos braços de Daniel. − Papai! − E aí, garotão, como estão as coisas por aqui? − Jóia, papai. − E na escola? − Tudo jóia também. Pra onde vamos hoje? Daniel sorriu. − Você é quem sabe. O menino pensou por apenas um segundo. − Quero ir ao Parque do Ibirapuera. − Por que não vamos ao clube de tênis? O vovô deve estar lá. − Prefiro ir ao parque. Daniel colocou o menino no chão. − Tudo bem. Então, vá lá vestir um bermudão, um tênis e uma camiseta, como o papai. Hoje está muito quente. Felipe deu uma boa olhada no pai. − O.k., papai! Já volto. Assim que o menino virou as costas, uma mulher alta e loura, usando um chambre rosa, apareceu na sala e questionou: − Aonde vão hoje? − Ao Ibirapuera – respondeu Daniel, que continuava parado ao lado da porta. − Tome cuidado com ele. Ouvi falar que recentemente seqüestraram uma criança lá. − Você sabe que não há porque se preocupar. − A única coisa que eu sei é que vocês homens são muito distraídos. Daniel fingiu não ouvir. Sabia que Célia, desde a separação, há quase um ano atrás, vivia arrumando motivos para tirá-lo do sério. A verdade era que Célia, por ainda não ter se conformado com a separação, tornara-se ainda mais imprevisível do que sempre fora. Por isso, ora ela tratava Daniel com completa indiferença e frieza, ora com dedicação e amizade. Mas no fundo ela reconhecia que a
culpa da separação fora muito mais dela do que dele. Afinal, apesar de Daniel
sempre ter sido muito calmo e carinhoso, ela sempre se sentira insegura e
descontente, nunca valorizou a vida privilegiada que levava. Reconhecer isso,
porém, não fazia com que Célia mudasse seu jeito de ser. − Aproveitando... – continuou ela,
depois de se sentar no confortável sofá branco e cruzar as pernas compridas e
elegantes. – Você já depositou o dinheiro da pensão? Consultei a minha conta
corrente ontem e não achei nada. Daniel não fora convidado a
sentar, mas mesmo que fosse, não conseguia mais se sentir à vontade no
apartamento que um dia fora seu. Por isso, continuou parado no mesmo lugar. − Fiz a transferência ontem à
noite. Com certeza, o valor aparecerá em sua conta na segunda-feira. − Ainda bem. Estou precisando do
dinheiro para fazer umas compras para o Felipe. Sem comentários!, pensou Daniel, consciente de que quase todo o dinheiro que dava, Célia
gastava consigo mesma. − Ah! Já ia esquecendo! – tornou
ela novamente. – O valor da mensalidade do colégio aumentou mais de quinze por
cento este ano... − Eu já sei. O boleto seguiu lá pra
casa. Antes de desviar os olhos para
Daniel, Célia examinou as unhas que fizera a menos de uma semana e lembrou que
tinha que agendar um horário com a manicure e com a esteticista. − Pedi para a escola mandar os
boletos diretamente para sua casa para evitar atrasos no pagamento, afinal
sempre tenho que aguardar o depósito para realizar o pagamento. − Sempre fiz os depósitos com pelo
menos três dias de antecedência, Célia. Não havia motivos para... – Mas Daniel parou
de falar, preocupado que aquele assunto levasse a uma nova discussão, como
aconteceu da última vez que fora buscar o filho. – Deixa para lá. Talvez seja
melhor que os boletos sigam mesmo direto lá pra casa, assim posso controlar os
pagamentos. Sentindo-se insultada, Célia
jogou os cabelos brilhantes como ouro para trás e perguntou: − Você não está querendo dizer que
eu não pago as mensalidades, está? Por Deus,
pensou Daniel, que mulherzinha
encrenqueira! − Não estou querendo dizer coisa
alguma, além do que disse. Ela ia dizer mais alguma coisa, porém
Felipe reapareceu e salvou a pele de Daniel. − Vamos, papai. − Vamos! – respondeu ele,
verdadeiramente aliviado. Adriana abriu as janelas de seu
quarto e contemplou com alegria o sol e o céu azul límpido. Estava feliz porque
Roberto havia viajado na sexta-feira à noite para Ourinhos, interior de São
Paulo, para analisar uma obra, e só voltaria na segunda à tarde. Ah, que dia magnífico para passear!, disse a si mesma, enquanto se dirigia para o
quarto de sua filha. − Vamos, querida, acorde. Vamos
passear! A menina levantou-se de um salto. − Passear?! – Aquela palavra era
mágica. – Onde? Onde? − Humm... – Adriana fingiu-se
pensativa. – Que tal irmos a um parque e depois ao Shopping para pegar um
cineminha? Também podemos comer um lanche no Bob’s ou no McDonald’s, o que
acha? A menina bateu palmas. − Oba, oba! − E aí, topas? − Topo!! − Então vá logo tomar seu banho
enquanto eu arrumo as coisas. Não quero perder um minuto a mais do que o
necessário. Não era preciso pedir mais de uma
vez, a menina correu em direção ao banheiro. Minutos depois, Adriana e Letícia,
ambas de shorts e camiseta, penduraram a bicicleta no carro e seguiram para o Ibirapuera. Feliz, Adriana batucava no
volante ao mesmo tempo em que dirigia. Ela adorava dirigir, mas fazia muito
tempo que Roberto não permitia que ela dirigisse e muito menos que saísse
sozinha com a filha. Contudo, naquele sábado, as coisas seriam diferentes. Completamente
diferentes, prometeu a si mesma. Letícia ainda não tinha
discernimento suficiente para entender por que a mãe estava tão contente, mas
isso era o que menos importava naquele momento. O importante era que a mãe
estava feliz, e ela também. Afinal, iam passear juntas e fazer um monte de
coisas legais!, pensou, enquanto a mãe aumentava o volume do som do carro e
cantava Livin’la Vida Loca com Ricky Martin. Após dar algumas voltas com Letícia
na garupa da bicicleta, Adriana levou a filha até os brinquedos. E enquanto a menina
se divertia, junto a outras crianças, ela, sentada em um banco ali perto, refletia
sobre a própria vida. Entretanto, antes que a tristeza
estragasse seu dia, ela decidiu: Não!
Hoje eu não vou pensar no Beto e nem em nada que me faça lembrá-lo. Não vou! Um sorriso então voltou a
iluminar o seu rosto, principalmente quando avistou um amigo, um grande amigo.
Ele aproximava-se rapidamente e estava bonito, naturalmente bonito, de óculos
escuros, bermuda e camiseta. − Dani?! − Dri?! Num impulso, ela se levantou e se
jogou nos braços dele. Logo em seguida se arrependeu. Não era mais uma menina
de quatorze anos. Ao contrário disso, era uma mulher feita... e casada. − Oh, me desculpe, Dani! Ele não respondeu. Simplesmente a
puxou de volta para si e a envolveu em seus braços. − Creio que ainda não seja proibido
um primo abraçar uma prima. Ela sorriu. E, por um instante,
apenas um instante, se deixou ficar envolvida nos braços de Daniel. − Que surpresa encontrar você por
aqui – disse ele, quando enfim se sentaram no banco. − Eu vim trazer minha filha para
brincar e respirar um pouco de ar puro. − Eu também trouxe o meu filho. − E onde ele está? − Está ali. – Daniel apontou para
um garotinho branquinho, de olhos verdes e cabelos castanhos. – E sua filha,
onde está? Coincidentemente, Letícia brincava
junto ao filho de Daniel. Adriana apontou a garota de longos cabelos castanhos. − Acho que não vamos precisar
apresentá-los. Obviamente, Daniel notou que Adriana
parecia mais alegre, mas não compreendeu por que a cada dez segundos ela
lançava olhares para trás. Será que ela estava aguardando por alguém? − Ela é tão linda quanto você. Na
verdade, é a sua cara. − Obrigada. Seu garoto também é
muito parecido com você. − Todo mundo diz isso... E o seu
marido? Ele não veio? Instintivamente, ela olhou mais
uma vez para trás. − Não. Ele foi viajar. Volta só
segunda-feira à tarde. − Que bom! – Daniel falara sem
pensar. – Desculpe, eu... eu não quis dizer isso. Ela fitou-o por um segundo, antes
de cair na gargalhada. − Claro que quis. As faces do rosto de Daniel
ficaram vermelhas no mesmo instante. E Adriana lembrou que ele sempre fora
tímido, desde criança. − Estava só brincando, Dani. Ele soltou uma pequena risada. − Eu sei. Com ar pensativo agora, Adriana olhou
para frente por alguns instantes. Depois, comentou subitamente: − É esquisito... − O que é esquisito? − Faz tanto tempo... tanta coisa
mudou e, de repente, cá estamos nós dois... com nossos filhos... Eles parecem
conosco quando éramos crianças, não parecem? − Parecem. – Daniel também estava olhando
para frente e pensando exatamente na mesma coisa. – Por que nunca entrou em
contato, Dri? Adriana ficou em silêncio por um
momento. − Não é tão simples responder a
essa pergunta, Dani. Mas... eu... eu nunca me senti como parte integrante da
família. Sempre fui como uma estranha no ninho. Daniel estava agora com os olhos
fixos no rosto de Adriana. Nunca imaginara que ela se sentisse dessa forma. − Por que nunca me contou que se
sentia assim? Ela lançou-lhe um olhar rápido. − Talvez porque doesse muito. Eu
não conseguia compreender, naquela época, por que o vovô, a vovó e sua mãe me
tratavam com uma certa indiferença. Mas depois que a verdade veio à tona, e,
sobretudo, depois da morte da mamãe Filomena, eu compreendi que todos já
desconfiavam que o papai... que eu... Ela fez uma pausa. Ainda doía
bastante. − Dri, não precisa falar disso, se
não quiser. − Não. Tudo bem. Eu quero falar. Foi
um baque descobrir que eu não era filha legítima da mamãe Filomena. Eu a amava demais.
Mas muito mais difícil foi descobrir que era filha de uma prostituta beberrona.
– Ela tentou sorrir diante da própria piada. – Levei muito tempo para aceitar
isso, e para perdoar o papai também. Mesmo assim, quando ele decidiu mudar-se de
São Paulo e se afastar da família, eu respeitei sua decisão, porque eu o amava,
apesar de tudo. Ela fez uma nova pausa. − Eu sei que é difícil entender,
Dani. Mas meu pai preferiu assim. A família da mamãe o magoara demais. Daniel compreendia, sim, como Adriana
se sentia, por isso colocou a mão discretamente sobre a dela e limitou-se a
dizer: − Senti muito a sua falta. − Em também, Dani – e respirou aliviada.
– Eu também senti muito a sua falta. Letícia e Felipe aproximaram-se
de repente e, como se tivessem combinado, puxaram os pais. − O que foi, filha? – perguntou
Adriana, curiosa. − Queremos ver os patinhos. − Patinhos?! − Tem um lago aqui perto – explicou
Daniel. − Bem, então vamos lá ver. A manhã passou rapidamente,
principalmente para Letícia e Felipe que adoraram passear, brincar e correr
juntos. − O que estava pensando em fazer
agora à tarde? – perguntou Daniel, algum tempo depois, quando seguiam
calmamente para o estacionamento. − Pensei em levar a Lê ao shopping
e pegar um cineminha. − É uma boa opção – disse Daniel,
ao mesmo tempo virando-se para o filho. – O que acha, Felipe? Vamos acompanhar
as garotas a um cinema? O menino sorriu satisfeito. − Vamos nessa! − E para qual shopping vocês
pretendem ir? – voltou a perguntar Daniel. − Ah, eu... – Adriana hesitou –
nós... − O que foi? Não quer companhia? − Não, não é isso – respondeu
Adriana. – É que... Bem... Letícia deu um puxão na mão de
Adriana e quase implorou: − Ah, mamãe, vamos, vamos. − De qualquer forma, eu precisava
dar um pulinho em casa e trocar de roupa. Afinal, não fica legal ficar
desfilando no shopping de shorts e camiseta. Com esse belo par de pernas vai realmente chamar atenção, pensou Daniel. − Então vamos combinar o seguinte:
eu também vou para casa trocar a minha roupa e a do Felipe, que por sinal está
bem sujinha, e passo na sua casa... − Não! Na minha casa, não. Daniel arqueou uma sobrancelha. − Só não quero dar margem à fofoca
de vizinhos. Você sabe, né? – tentou explicar Adriana. – Sou uma mulher casada. − Nesse caso, eu posso esperá-la em
outro lugar. Quando Adriana tornou a hesitar, Letícia
puxou novamente sua mão. − Ah, mãezinha. Ela olhou para a filha e para
Felipe. É, era mesmo difícil resistir àqueles dois pares de olhinhos que
aguardavam uma resposta positiva sua. − Tá, tudo bem. – Mas ela continuava
preocupada. – Nos encontramos daqui a duas horas aqui. − Tem certeza que não quer que
eu...? − Não, não. Aqui está ótimo. Daniel olhava ansioso para seu
relógio quando um táxi parou quase à sua frente. Não esperava que Adriana e
Letícia viessem de táxi, mas também não especulou o motivo. − Desculpe o nosso atraso. − Não tem problema algum. – Ele
esperaria quanto tempo fosse preciso, embora Felipe já estivesse agoniado ao
seu lado. – Vamos? − Vamos. Ela fez um esforço para relaxar. Afinal,
não estava fazendo nada de errado, disse a si mesma, enquanto Daniel acomodava
as crianças no banco de trás do carro, afivelava seus cintos. − Pra onde nós vamos? − Eu ia fazer a mesma pergunta –
disse ele, após dar a partida. – Alguma preferência? − Não exatamente. Mas quanto mais
longe melhor. Ela procurou dar um tom divertido
a sua fala, mas Daniel não pôde deixar de notar o nervosismo por trás de seu
sorriso. − Está tudo bem, Dri? Parece um
pouco tensa. − É impressão sua. Está tudo ótimo. Não era impressão, Daniel tinha
certeza disso. Mesmo assim, durante os mais de vinte quilômetros que percorreu
para chegar a Santo André, ele não tornou a tocar nesse assunto. Até porque era
quase impossível conversar qualquer coisa séria com a algazarra que as crianças
estavam fazendo no banco de trás. Ele elevou a voz para perguntar
se Adriana lembrava do quanto era sapeca quando menina e recebeu como presente
um sorriso espontâneo. − Claro que lembro. Eu era de fato
uma capetinha. Era bom vê-la sorrir de novo,
pensou Daniel, enquanto relembravam um monte de coisas engraçadas da infância
em comum. Adriana começou a relaxar pouco a pouco, mas foi somente quando Daniel
estacionou o carro no shopping que ela conseguiu relaxar por completo. E ela permaneceu sorrindo facilmente
durante todo o tempo em que desfilava pelo shopping ao lado de Daniel, como se
fossem um mero casal passeando com seus filhos. Depois, levaram as crianças no Bob’s
e comeram enormes sanduíches e batatinhas fritas, enquanto continuavam relembrando
o passado. A seguir, foram ao Playland e no final da tarde enfrentaram a imensa
fila da bilheteria para assistir a um filme que Letícia e Felipe escolheram. E uma vez dentro da sala mal
iluminada do cinema, discretamente, Daniel segurou a mão de Adriana e entrelaçou
os dedos, como fazia quando criança. Ela estremeceu com o contato, mas não
retirou a mão. Já era quase meia-noite e meia quando
Daniel estacionou o carro a alguns metros da casa de Adriana. − Obrigada, Dani. Foi um dia
maravilhoso. − Pena que passou tão rápido –
comentou ele, após dar uma olhada de relance para o banco de trás e confirmar
que Letícia e Felipe estavam dormindo. − É verdade. Daniel sentia vontade de tocá-la,
sentia tanto que seus dedos chegavam a comichar. Não conseguiu se conter e
roçou um dedo delicadamente pelo rosto dela. − Então, por que não marcamos um
novo encontro para amanhã? Nossos filhos iriam adorar. Ela estava descontraída, feliz.
Fazia tempo que não se sentia assim. Mas, de repente, a expressão de seu rosto
se fechou. − Eu sei. Mas... − O que foi? Já tem algum
compromisso? − Não, não. − Então, por que não? − É que meu marido pode voltar de
viagem. − Você disse que ele só voltaria na
segunda-feira à tarde. − Foi o que o Beto me disse, mas
ele é um homem cheio de surpresas. Ela falou em tom jovial, mas
Daniel notara a transformação em sua expressão. − Dri, é impressão minha ou você
tem medo do seu marido? Ela se espantou com a pergunta e
recuou para trás. − Por que está perguntando isso? Instinto, intuição, Daniel não
saberia dizer. − Porque às vezes você parece um
passarinho assustado. − Oh, eu não... – ela deu um
sorriso nervoso – eu não sabia que passava essa impressão. − Desculpe, eu não queria deixá-la
embaraçada, mas... eu preciso muito que saber: Você é feliz com seu marido? − Feliz? Será que alguém é completamente
feliz nesse mundo? − Você não respondeu à minha
pergunta. Ela correu os olhos pela rua
arborizada e tranqüila, antes de observar a própria casa, um sobrado branco de
janelas amplas e telhas vermelhas que se destacavam com elegância por trás do
muro alto, cuja reforma exigira todo o empenho do marido, mas ela pudera
expressar seu gosto ao cuidar pessoalmente de toda a decoração. − Acho que não poderia pedir mais
do que já tenho. O Beto é simplesmente louco por mim. − Não foi isso que perguntei – insistiu
Daniel, um pouco impaciente. Ele precisava muito saber. − Desculpe, Dani, mas já está
tarde. Eu preciso entrar. − Dri – ele pegou-a pelo queixo e girou
o rosto em sua direção –, você não respondeu a nenhuma de minhas perguntas. Adriana conseguiu manter a voz
sem alteração, embora, no fundo, sentisse vontade de encostar a cabeça no peito
de Daniel e desabafar todas as suas mágoas. − Dani, por favor, não vamos
estragar um final de dia tão maravilhoso, tá legal? − Tudo bem. – A última coisa que Daniel
queria era estragar aquele dia. – Então, você me liga amanhã? Ela tinha receio de que Roberto
tivesse colocado grampos nos telefones de casa, mas, antes que pudesse recusar,
Daniel pegou uma caneta e um bloquinho de rascunho no porta-luvas, anotou um
número de telefone e insistiu: − Por favor, não me negue o prazer
de ter mais um dia como esse. Adriana sorriu delicadamente,
antes de guardar o pequeno papel na bolsa. − Está bem. Eu ligo. Daniel tornou a roçar o dedo
delicadamente pelo rosto de Adriana, enquanto tentava conter o desejo quase
desesperado de envolvê-la em seus braços e beijá-la. − Já fazia muito tempo que eu não
me sentia tão feliz, Dri. E eu... Adriana sentiu o coração disparar,
quando as mãos de Daniel deslizaram para sua nuca, e ele se aproximou
lentamente. −
...Mal posso esperar pelo dia de amanhã. O rosto de Daniel estava muito próximo agora, tão próximo que Adriana podia sentir até o calor de sua boca. Mas, antes que ela conseguisse esboçar qualquer reação, ele depositou um beijo terno em sua testa e se afastou. Adriana suspirou aliviada, embora, por um breve e atordoado momento, que
ela mal conseguiu compreender, mas que tratou de reprimir, seu coração tenha
desejado que ele a envolvesse em seus braços e a beijasse, como fizera há muito
tempo atrás. −
Eu também, Dani. Eu também. [Continua no próximo capítulo...]
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