Capítulo
15
Presente
de Natal antecipado
Chegou dezembro. Era uma
fria manhã de sábado, durante o café da
manhã, Laura recebeu uma coruja. Havia duas cartas e
um pacote.
Os alunos que sentavam próximo
a Laura ficaram muito curiosos para saber o que havia no pacote.
Parecia um presente.
Laura sempre tinha a mania de abrir os
pacotes primeiro...era difícil resistir! Mas, desta vez,
parecia que alguém gritava ao seu ouvido, dizendo para
antes de qualquer coisa ler as cartas. Era sua intuição
que parecia avisar alguma coisa. Resolveu fazer o que sua intuição
mandava.
A primeira era de Patrik, perguntando
as novidades da escola. Era uma pequena carta. Ele não
era de escrever muito. A outra era de Tio Ben e Cristy que dizia
o seguinte:
"Querida Laura:
Como estão seus estudos? Escreva nos contando tudo!
Estamos lhe enviando, junto com esta carta, um pacote. É
seu presente de Natal. Estamos mandando agora, pois não
conseguimos resistir.
Fomos até a livraria e compramos logo que foi lançado.
É o sexto livro da série: 'Harry Potter e o Príncipe
Bastardo'. Está até autografado pela autora!
Esperamos que tenha gostado da surpresa!
Com saudades
Ben e Cristy"
Laura arregalou os olhos e engoliu a
seco. Eles sabiam que Laura adorava esses livros, por isso se
adiantaram para enviar o presente. Ela agradeceu mentalmente
a sua intuição. Fechou a carta e colocou-a em
cima do pacote. Continuou a tomar seu café, enquanto
pensava no que iria fazer.
Kelly não resistiu ao ver que
Laura não iria abrir o pacote e perguntou:
- Você não vai abrir Laura?
O que é? Estou curiosa!!
- Er....Não posso abrir aqui...
- Porque? É algo misterioso? Algum
livro proibido?
As palavras de Kelly caíram como
um peso na cabeça de Laura. Ficou mais nervosa do que
estava. Respirou fundo e respondeu:
- Não é nada misterioso
ou proibido, Kelly. É só o meu diário.
- Então o que é que tem?
Muita gente tem diário!
- Mas não gosto que as pessoas
vejam.
- Tudo bem, então. - Kelly ficou
emburrada e virou para o lado para conversar com Malfoy.
Laura, logo que terminou o café,
saiu da mesa e foi para seu quarto pensar no que iria fazer.
Deveria entregar o livro para Dumbledore, mas ele não
estava. Ele foi passar uma semana em Londres. Não seria
apropriado guardar no seu quarto. Kelly era muito curiosa. Só
restava uma alternativa: levar para Snape.
- Com licença, professor. Posso
entrar?
- O que deseja agora, Srta. Steen? -
Snape estava com um péssimo humor, como sempre.
- Estou com um problema sério...
- Não sou a pessoa indicada para
resolver problemas femininos. Procure a Profª. McGonagall.
- Não é esse tipo de problema,
é outra coisa bem pior.
- E porque acha que eu posso ajudar?
- Só Prof. Dumbledore ou o senhor
podem fazer algo a respeito, mais ninguém nessa escola.
- O que é então?
- Eu recebi uma carta hoje durante o
café. Junto veio um presente de Natal antecipado....
- Me procurou para reclamar de um presente?
Eu tenho muito o que fazer, senhorita....não me faça
perder tempo!
- Não é um simples presente.
Olhe com seus próprios olhos e vai entender. - Laura
entregou o pacote ainda fechado para Snape.
- Ainda não abriu? É alguma
bomba?
- De certa forma é uma bomba....mas
não explode. Pode abrir! - Disse Laura sorrindo.
Snape rasgou o papel e leu o título
em voz alta:
- "Harry Potter e o Príncipe
Bastardo"....O que significa isso? - Snape estava com vontade
de assassinar alguém, de tanta raiva. Entregou o livro
de volta para Laura.
- Esse é o sexto livro da série.
Acabou de ser lançado e meus tios trouxas me mandaram
de presente.
- Eles não deveriam ter enviado
esse tipo de presente para cá. Não falou isso
para eles?
- O que o senhor queria que eu dissesse?-
Laura argumentava com ironia - Que vim estudar em Hogwarts?
Que seria colega de Harry Potter? ...Professor! ...Para eles
Harry Potter e o mundo bruxo não existe. Harry é
apenas um personagem de histórias infantis!
Snape suspirou e cruzou os braços.
Andou de um lado a outro rapidamente, bagunçando os cabelos.
Pensou e disse:
- A senhorita não pode ficar com
esse livro aqui na escola. - Snape falou seriamente
- Isso eu sei!
- Então, queime-o! Depois a senhorita
compra outro quando voltar para Londres.
- Não posso. Está autografado
pela autora. Não poderia explicar para meus tios quando
voltasse.
- Então, o que quer que eu faça?
Quem sabe a senhorita aproveita a situação e faz
uma tarde de leitura em grupo no Salão Principal com
os alunos de Hogwarts? - Ele estava irado e seus cabelos ficaram
completamente bagunçados.
- Professor, não seja irônico!
Eu não quero isso!! Eu seria expulsa do mundo bruxo!
Só vim lhe pedir que esconda o livro prá mim até
o final do ano letivo.
Snape pensou por um momento...seria uma
oportunidade de finalmente ler o livro, mesmo que seja o sexto....
- O que diz nesse livro? - Disse Snape
um pouco mais calmo, ajeitando os cabelos.
- Eu não sei. Como o senhor viu, eu sequer havia aberto
o pacote.
- Não tem nem idéia?
- É a continuação
dos outros. Deve contar como foi o sexto ano de Harry aqui em
Hogwarts. O que ele descobriu, se esteve ou não em contato
com você-sabe-quem, namoradas, brigas com professores,
essas coisas.
- Brigas com professores? - Snape ficou
curioso...
- Bom....é que....os outros livros
comentavam sobre os desentendimentos com ...certos professores...
- Por exemplo? - Snape levantou uma sobrancelha
e encarou Laura. Sabia mais ou menos do que ela estava falando,
mas queria ter certeza.
- Profª. Umbridge, por exemplo.
- Laura disse com um tom sarcástico.
- Mais algum? - Snape falou com ironia.
- Eu preciso mesmo falar, professor?
Não acha que é óbvio demais!! Desde o primeiro
livro fala da inimizade entre o senhor e Harry!!
- Como? Então esses livros falam
de mim? Quem autorizou? - Snape voltou a ficar com o olhar assassino.
- Todos os livros falam a seu respeito.
Das discussões de vocês dois e coisas do tipo.
Mas, infelizmente, não sei como a autora ficou sabendo
de tudo. - Laura tentava controlar o máximo que podia
suas palavras, mas já estava difícil....ele sabia
conduzi-la a falar o que não queria. Ou será que
queria?
- Sonhos....foi o que Alvo disse. Ela
ficou sabendo de tudo através de sonhos. - Falou Snape
com um tom de desprezo. Mas, ainda curioso, perguntou: - O que
mais sabe?
- Sobre os cinco primeiros livros sei
tudo. Posso me lembrar de cada detalhe dos livros. Li cada um
pelo menos umas cinco vezes, sem falar nos filmes...
- Filmes? Que filmes?
- Já fizeram três filmes.
Cada um corresponde a um dos livros.
- Explique isso melhor... - Snape sentou
numa cadeira próxima a Laura.
- É simples, professor. Fizeram
um filme do que é contado nos livros. Por exemplo: no
primeiro livro mostra quando Harry foi deixado na porta da casa
dos tios trouxas, ainda bebê. Depois conta como foi quando
recebeu as cartas de Hogwarts. A sua chegada aqui na escola,
o Chapéu Seletor e assim por diante. Três filmes,
cada um corresponde a um livro e cada um a um ano de Harry aqui
em Hogwarts.
- E o que mostra daqui de Hogwarts?
- Mostra muita coisa. Não é
Hogwarts, é outro castelo que, com efeitos especiais,
ficou bem parecido. Conseguiram até fazer as escadas
móveis!
- Mostra os alunos, fantasmas e os professores?
- Todos os professores, fantasmas e alguns
alunos.
- Então eu....
- Sim....o senhor aparece nos filmes,
um ator faz o papel de Professor Snape.
- Um ator trouxa me imitando? Eu não
acredito! - Snape levantou-se da cadeira e começou andar
de um lado a outro, nervoso. - É ridículo! Humilhante!
- Nem tanto.... - Laura sorriu - O senhor
está sendo muito bem representado. Escolheram, na minha
opinião, o melhor ator do Reino Unido.
- Humf! - Snape estava odiando tudo,
mas também muito curioso. - E...ele se parece comigo?
- Nos filmes ele está muito parecido:
cruel, sarcástico, inteligente, charmoso. - Snape olhou
com surpresa para Laura, mas ela continuou - Fisicamente não
se parece muito, apesar de ter uma voz macia e marcante como
a sua, olhos e cabelos claros. Mas, quando ele veste a roupa
adequada, faz a maquiagem e coloca a peruca....fica perfeito!
- Imagino.... - disse Snape muito sarcástico.
- Peruca!!! É ridículo!
- O senhor não pode falar....não
viu! - Laura sorria enquanto falava.
- Muito bem, então. - Snape já
estava sem jeito, resolveu mudar de assunto. - Eu guardo o livro
para a senhorita.
- Obrigada, professor.
- Mas.....a senhorita permite que eu
leia?
Laura engoliu a seco....sabia que ele
iria lhe pedir isso, mas tinha um certo receio de como ele reagiria....Não
tinha nem idéia do que J. K. Rowling havia escrito no
livro.
- Pode.....pode sim, mas....
- Mas?
- Sinceramente, acho que seria melhor
se o senhor tivesse primeiro lido os outros cinco. - Era a única
idéia que veio na mente de Laura naquele momento.
- Por que? Se os livros contam como foram
os anos de Harry aqui em Hogwarts, eu, como estava aqui, devo
saber como foi, não?
- Teoricamente sim, mas acredito que
os livros tenham algumas informações que o senhor
desconhece.
- Por exemplo?
- Pensamentos de Harry, coisas que aconteceram
em momentos que o senhor não estava presente...
- Entendo. - Snape respirou fundo e finalmente
resolveu perguntar: - Então me diga, onde posso conseguir
esses outros livros para ler?
- Pode comprar em qualquer livraria trouxa.
- Ah...sim.... Onde eu acho uma "livraria
trouxa"? - disse Snape fazendo uma careta e revirando os
olhos.
- Em Londres existem várias! Existe
até uma que fica bem ao lado do Caldeirão Furado.
Acredito que aquela deverá ter todos os livros a venda.
- Agradeço a informação.
Pode ir agora, senhorita.
Laura saiu da sala se sentindo um pouco
culpada. Será que falou demais? "De qualquer modo,
ele iria ficar sabendo algum dia..." pensou.
Snape ficou bem impressionado com tudo
que Laura lhe disse. Nem se deu ao trabalho de guardar o livro.
Sentou-se confortavelmente no sofá e começou a
ler. Estava muito ansioso para saber o que aquela autora falava
do mundo bruxo.
Não saiu da sala nem para as refeições,
ficou "mergulhado" no livro. Estava pasmo em ver tudo
que estava escrito. O livro falava dos alunos, com seus nomes
e casas, falava dos comensais, professores, da floresta proibida,
do Ministério da Magia, de Lord Voldemort....tudo era
dito abertamente!!!
Às vezes Snape parava a leitura
por uns momentos e reclamava que a autora defendia muito Potter.
"Coitadinho do Potter.....que idiota essa mulher!"
pensava.
Snape estava "devorando" o
livro. Queria ver se ela falava algo a seu respeito. Até
o momento só havia citado o seu nome. Num certo momento
ele parou de ler e começou a rir sozinho. J. K. Rowling
estava contando como eram as aulas de poções e
de como eram humilhados e castigados Potter e Neville...
Quando estava quase no final do livro,
Snape deu um pulo do sofá e jogou o livro no chão.
Finalmente achou o que estava procurando. A autora falou algo
a seu respeito...uma coisa que nunca poderia ser mencionada,
nem no mundo bruxo. O trecho que fez Snape querer matar a autora
com suas próprias mãos (como se já não
a quisesse vê-la morta!), contava que Lily Evans tinha
um irmão chamado PERSEUS EVANS e que, trocando as letras,
resultava no nome do professor odiado por Potter: SEVERUS SNAPE.
Ele andou de um lado a outro na sala
sem saber o que fazer. Pensou primeiro em falar com Dumbledore,
mas ele ainda não havia chegado de viagem. Resolveu falar
com Harry. Estava com muita raiva. Mas deveria falar com cautela,
em hipótese alguma poderia mencionar a maneira que descobriu
que ele sabia de tudo.
- Mandou me chamar, professor?
- Sente-se Potter. Temos um assunto sério
a tratar. - Snape estava com um olhar diabólico.
- O que é? Fiz algo errado? -
Harry tentava controlar sua voz, mas estava com um pouco de
medo de Snape.
- Você sempre faz tudo errado!
Porque não se limita a cuidar de seus estudos, em vez
de ficar bisbilhotando a vida alheia? - Falou olhando nos olhos
de Harry, quase pulando no pescoço do garoto.
- O que quer dizer? - disse afastando
um pouco o corpo de perto de Snape.
- Mais uma vez ficou investigando a minha
vida... - Snape deu meia volta e ficou um pouco mais afastado.
- Eu não...
- Não? Então como ficou
sabendo do meu verdadeiro nome? E sobre minha irmã? Será
que ela veio do "além" para lhe contar a verdade?
- Foi sem querer...
- Sempre diz essa mesma frase, Potter!
- Eu só queria saber mais sobre
a minha mãe...não imaginava que....o senhor é
meu tio...
- Quero que esqueça o que descobriu!
Esqueça que sou irmão de sua mãe, meu nome,
enfim, esqueça tudo que sabe a meu respeito! Ordeno que
não pronuncie uma só palavra a meu respeito com
ninguém!
- Eu não vou falar nada...
- E lembre-se sempre: sou apenas....preste
atenção: APENAS seu professor, nada além
disso.
Harry abaixou a cabeça com lágrimas
nos olhos. Estava se segurando para não chorar. Não
queria que Snape percebesse o que estava sentindo.
- Agora pode ir, Potter.
Snape ficou pensativo..."se esse
livro fala isso a meu respeito, o que será que é
dito nos outros?" Ele ficou preocupado, curioso e com muita
raiva. Sentia ódio de Harry, de J. K. Rowling, de Lily,
de Laura, de todos!
Na terça-feira chegou Dumbledore. Assim que Snape terminou
de dar suas aulas, foi logo falar com ele.
- Severo, como foi essa semana? Alguma
novidade?
- A semana não foi nem um pouco
agradável, Alvo.
- O que aconteceu?
- Vou lhe contar tudo, desde o início:
... - Snape falou sobre o presente que Laura recebeu e o que
leu no livro. - Como vocês permitiram que Potter ficasse
sabendo disso?
- Ele é esperto demais, Severo....eu
sinto muito.
- Mencionaram num livro, Alvo! Todos
os leitores trouxas sabem do meu verdadeiro nome. Percebe o
risco que estou correndo? O que faremos a respeito?
- A única coisa que podemos fazer
é continuar mantendo o máximo de sigilo possível.
Ninguém no mundo bruxo pode ficar sabendo, principalmente
Voldemort.
- Se ele ficar sabendo, estou morto....duplamente
morto! Não terei mais nenhum dia de paz! Ele já
está atrás de mim pelo fato de eu não ser
mais um comensal da morte, imagina se descobre isso...
- Não se preocupe tanto, Severo.
Se ele ficar sabendo, pode ser que use você para pegar
mais facilmente Harry. Afinal, você é o tio dele!
- Não gosto de me lembrar deste
detalhe. Se Petúnia morre....serei o responsável
por ele...
- Outra coisa, Alvo...preciso ler os
outros livros.
- Você não desiste, heim?
- disse Dumbledore rindo.
- Claro! Se aquela louca escreveu isso
a meu respeito no sexto livro, imagina o que ela deve ter dito
nos outros cinco!
- Você tem razão. De qualquer
forma, é melhor saber exatamente o que os trouxas conhecem
do nosso mundo. Me diga, como pretende conseguir esses livros?
- A Srta. Steen disse que posso comprá-los
numa livraria trouxa. Existe uma que fica ao lado do Caldeirão
Furado. Estou pensando em ir até lá.
- Tudo bem, mas não acho prudente
que vá sozinho.
- Qual o problema?
- Você não sabe lidar com
trouxas, Severo. Sequer entende como funciona o dinheiro deles!
- E o que sugere, Alvo? Pretende ir comigo?
- disse Snape ironicamente.
- Eu? Não....também não
tenho jeito com trouxas. - Dumbledore sorriu. - Sugiro que leve
a Srta. Steen. Ela entende de trouxas e conhece tudo sobre os
livros também. É a pessoa mais indicada para fazer
isso.
- Era só o que me faltava....
- Snape ficou emburrado.
- Poderiam ir no próximo sábado.
Ninguém notaria a falta de vocês, pois é
dia de visita a Hogsmeade.
- Como quiser, Alvo. Vou falar com ela,
então.
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