Capítulo
3
No Beco
Diagonal
Laura nem pensou duas vezes e logo entrou
pela passagem. Seus olhos não paravam um só segundo,
parecia que queria olhar tudo ao mesmo tempo. Começou
a andar e olhar as lojas com vontade de comprar tudo que via
pela frente! Havia muitas pessoas circulando de um lado para
outro, muitos de preto, com roupas estranhas....todos bruxos!
Laura se beliscou para ter certeza de
que não estava sonhando. Sentia-se como se tivesse entrado
dentro do livro Harry Potter...
Continuou caminhando e parou em frente
à loja de Artigos de Qualidade para Quadribol....viu
uma vassoura lindíssima...queria comprar e sair voando....
Mas não poderia perder a oportunidade,
queria comprar algumas coisas. Então foi até o
Gringotes e trocou quase todo dinheiro que tinha na bolsa, não
era muito, mas dava para se divertir um pouco.
Primeiro entrou na loja do Sr. Olivaras..
- Bom dia, Senhorita!
- Bom dia, Sr. Olivaras! Quero uma varinha.
- Deixe-me tirar suas medidas. - Ele
pegou a fita e começou a medir Laura. - Com que mão
a Senhorita segura a varinha?
- Direita.
- Vamos ver....tenho aqui uma "pelo
de unicórnio - freixo, 23 cm", experimente!
Laura pegou a varinha e tremeu toda,
cheia de emoção e sacudiu um pouquinho a varinha
para lançar algum feitiço. Neste momento saiu
da varinha um raio forte e Laura caiu para trás e se
assustou. Normal, pois era a primeira vez na sua vida que ela
pegava uma varinha, e foi bem desastrosa!
- Oh, não - disse o Sr. Olivaras
- com certeza não é essa, deixe me ver.....que
tal essa "cordas de coração de dragão
- freixo, 18 cm"
Laura tentou outra vez, mas também
foi um desastre.
- Também não. Um momento
só..... - O Sr. Olivaras foi até o fundo da loja,
subiu numa escada e pegou a caixa mais empoeirada que tinha.
- Aqui: "pena de fênix, sequóia, 18 cm".
Deve ser esta, vá com suavidade....
Laura sentiu um arrepio e pega a varinha,
balançou com suavidade.....Saíram luzes coloridas
da varinha, muito brilhantes..
- É essa, com certeza!!! Mas....estranho.....de
onde a senhorita é?
- Bem....eu....venho de longe, muito
longe!
- Não importa, é que essa
varinha .....é a mesma do.....bem, deixa prá lá!
Bobagens!
Laura achou estranho o comentário,
mas não se importou, saiu da loja radiante, estava realmente
nas nuvens. Estava tão aérea que nem via por onde
andava....e acabou esbarrando num bruxo que vinha caminhando
apressadamente na direção contrária.
- Perdão, Senhorita.
- Não foi nada.... - e Laura ,
ao ouvir aquela voz aveludada e forte, novamente arrepiou-se
e ergueu o olhar para ver o rosto daquele homem.
Mas ele já tinha virado de costas,
fazendo voar sua longa capa. Laura olhou para os cabelos pretos,
razoavelmente compridos e estranhamente sebosos e falou:
- Ei, Senhor! - Ele se virou rapidamente,
fazendo com que novamente sua capa voasse e olhou para Laura....e
ela sentiu um calor subindo pelo seu corpo.....era ele.... -
P...p...p...Prof. Snape?
- Sim, sou Snape. A senhorita me conhece?
Laura sempre foi enlouquecida pelo Prof.
Snape, o professor de Poções de Hogwarts. Era
seu personagem preferido do livro...."mas não é
um personagem...é real!" - Laura pensava. Suas pernas
ficaram bambas e teve que respirar fundo antes de falar....estava
quase com falta de ar, tamanha sua emoção ao ver
na sua frente, ao vivo e a cores, aquele homem.
- Pessoalmente não conhecia, mas
já....digamos...ouvi falar muito a seu respeito.
- Ouviu falar de mim? Onde? Aquela louca
da Rita Skeeter ousou publicar algo sobre mim no "Profeta
Diário"? - Falou com
um olhar assassino.
- No "Profeta Diário"?
Não, com certeza não foi lá que li a seu
respeito.
- Então onde? - Ele estava com
uma expressão assassina misturada com curiosidade, revirou
os olhos e cruzou os braços.
- Bem.....não é tão
simples explicar....é uma longa história.....
- Gostaria de saber, mas estou com pressa,
fica para outro dia...
- Antes de o senhor ir embora, eu queria
lhe pedir uma coisa... - já que Laura chegou até
aqui, não custava arriscar mais um pouquinho. Queria
conhecer Hogwarts.
- Então fale rápido.
- Eu gostaria muito de, se possível,
conversar com Dumbledore. - Laura começava a criar algumas
idéias na sua mente e Dumbledore era mais fácil
de se conversar do que Snape. Ele tinha muito mais paciência,
e poderia ajudar a concretizar uns planos.
- Dumbledore? Para que?
- É um assunto particular.
- Humpf! - Snape a olhou com desconfiança
- Bem, estou indo me encontrar com ele na Florean Fortescue.
Aliás, ele está me esperando já ha algum
tempo, por isso estou com pressa. Vamos logo.
- Sim! Agora mesmo!
- Qual seu nome?
- Meu nome é Laura Steen - Ela
ainda não tinha dito que era trouxa. Snape nem falaria
com ela se soubesse!
Chegaram na Florean Fortescue, a sorveteria
do Beco Diagonal. Dumbledore estava sentado se deliciando com
uma enorme taça de sorvete.
- Severo! Vejo que foi rápido
com suas compras! Nem me deu tempo de terminar meu sorvete.
Quer me acompanhar?
- Não, obrigado - Snape não
era muito fã de sorvetes - Tem uma pessoa que quer lhe
falar. - E ele apontou para Laura. - Srta. Steen.
- Ah....traga ela aqui.
Laura chegou perto de Dumbledore. Parecia
realmente que tudo não passava de um sonho, estava ao
lado de Snape e Dumbledore, era inacreditável! E ele
também era exatamente como descrito no livro e até
usava aqueles óculos de meia-lua.
- Olá Srta. Steen, sente-se! Aceita
um sorvete? Este de limão é ótimo!
- Obrigada Sr. Dumbledore, eu adoraria
um de chocolate. - E o sorvete prontamente apareceu na frente
de Laura, que levou um susto.
- Sente-se, Severo! Vai ficar aí
de pé por quê? - Dumbledore olhou novamente para
Laura e lançou aquele olhar que passou por toda a alma
dela....pareceu que lia todos os seus pensamentos, e disse:
- A senhorita não é daqui, é?
- Não, venho de outro país,
mais precisamente do Brasil.
- Brasil! Interessante! É difícil
ver bruxos brasileiros aqui em Londres. Aliás, faz uns
30 anos que não me encontrava com um! - Ele falava tudo
aquilo, mas parecia que sabia de tudo.
- Bem....na verdade.... - Laura olhava
para Snape e para Dumbledore, sabia que não poderia esconder
por muito tempo, respirou fundo e tomou coragem - não
sou uma bruxa, sou trouxa.
Snape fez um olhar assassino e falou:
- Trouxa! Como entrou aqui? Isso não
pode ser verdade, vamos ter que rever a segurança.
- Espere, Severo, deixe-a falar.... -
Dumbledore, como sempre, tinha toda a paciência do mundo.
- Eu entrei pelo Caldeirão Furado.
- Como sabia? - Snape ficava cada vez
mais nervoso - Alguém lhe disse? Quem lhe deixou entrar?
Como enxergou o bar? Ele tem uma proteção antitrouxa!
- Calma, Severo, deixe que termine a
história!!
- A história é um pouco
longa....
- Tudo bem, temos tempo, pode contar. - Dumbledore se ajeitou
na cadeira para ouvir Laura começar a falar, enquanto
Snape estava com um olhar querendo degolar Laura.
- Eu sempre fui fã dos livros
do Harry Potter, então....ops! - Laura, em um impulso,
deixou escapar sobre os livros.
- Livros? Livros de Harry Potter? Era
só o que faltava!- Snape olhou com uma expressão
mais furiosa ainda para Dumbledore e Laura. - Não sabia
que a Celebridade de Hogwarts estava escrevendo livros....Que
história é essa, Alvo?
- Depois lhe explico, Severo.....continue,
Laura. - Dumbledore parecia que sabia dos livros.
Laura não se incomodava nem um
pouco com todo aquele mau humor de Snape. Na verdade achava
até engraçado. "Rowling descreveu tão
bem Severo Snape": Laura pensava e tentava controlar o
riso.
- Bem, lá explica tudo como funciona,
só que até hoje eu pensava que tudo não
passava de ficção....Até que, passeando
pelas ruas de Londres, avistei o bar e entrei. Sabia como proceder
para que a passagem se abrisse e, como não tinha uma
varinha, peguei uma caneta, pedi a ajuda de Merlim, fiz um pensamento
forte e bati três vezes.....e vim parar aqui! Simples!!!
- Como? Com uma caneta? Uma trouxa! Impossível!
- Snape estava que não se agüentava mais de tanta
raiva.
- Srta. Steen - Dumbledore falava calmamente
- tem algum parente bruxo?
- Não, com certeza! São
todos trouxas.
- Mas vejo que tem poder mágico.
Se não tivesse, não teria nem enxergado o bar
e muito menos entrado aqui no Beco Diagonal.
- É, pensei nisso, mas realmente
meus parentes são todos trouxas..
- Interessante - Dumbledore fazia cara
de pensativo. - Talvez a senhorita tenha conhecido algum bruxo
e, ele lhe deu alguma poção milagrosa - neste
momento Snape olhou para Dumbledore e fez uma cara de nojo -,
ou fez algum feitiço ou até o sangue de vocês
se misturaram.....
- Que eu saiba, nunca conheci nenhum
bruxo de verdade - Laura ficou curiosa com a história
que poderia ter por trás disso, mas resolveu mudar de
assunto - Dumbledore, gostaria de lhe perguntar uma coisa.
- À vontade - ele sorria.
- Sei que as aulas em Hogwarts começam
em setembro e....gostaria...se possível, principalmente
agora que existe alguma possibilidade de eu ter algum mísero
poder mágico, de estudar lá, ou, pelo menos, que
me permitisse conhecer....
- Ridículo! - Snape, que tinha
ficado um pouco calado tentando controlar sua raiva, explodiu!
- É, parece mesmo que a senhorita
tem alguma dose de sangue mágico, teríamos que
verificar a origem....mas não é só isso
que precisaria para entrar em Hogwarts. Desculpe, mas qual a
sua idade?
- Tenho 25 - disse ela com voz desanimada.
- Ela não tem idade para estudar
lá, Alvo. Os alunos do primeiro ano entram com 11, você
sabe - Snape argumentou contra Laura. Ele tinha certeza de que
estava agredindo verbalmente Laura. Ela já esperava por
essa reação dele.
Laura pensava: "Quanto mais furioso
ele fica....mais lindo...mais sensual....Estou ficando cada
vez mais louca por esse homem!"
- Bem, depois de verificarmos a questão
do seu sangue, teríamos que pedir uma autorização
do Ministério da Magia - Dumbledore falava olhando para
Laura e Snape.
- Sim, mas as duas coisas me parecem
bem difíceis!! Não sei nem por onde começar.
- A senhorita aceitaria fazer um exame
de sangue? Precisamos saber detalhes. Esse é o primeiro
passo.
- Claro!!
- Severo, vamos até o Caldeirão
Furado e lá coletamos uma amostra do sangue da Srta.
Steen.
Durante o exame, Snape teve que tocar
em Laura. Segurou firmemente no braço dela com uma de
suas mãos. Com a outra pegou sua varinha e lançou
um feitiço que fez um pequeno corte no dedo indicador
de Laura.
- Aaaaaiiiiii! - Laura gemeu, mais para
fazer uma "ceninha" para ele, porque nem sentiu dor.
- Bruxos precisam ter muita coragem,
senhorita - Snape falou sarcasticamente enquanto pegou um vidrinho
e coletou algumas gotas do sangue de Laura.
Laura, aproveitou que ele estava bem
perto, e olhou nos olhos de Snape. Eram negros e profundos,
com certeza escondiam muitos segredos. Também sentiu
o perfume dele, que era maravilhoso, provavelmente uma mistura
de ervas.
A cada minuto que passava ao lado de
Snape, Laura ficava mais e mais atraída por ele. Já
estava ficando difícil esconder o desejo que sentia.
Quando terminou de coletar as gotas de
sangue, ainda segurando o braço de Laura, pegou novamente
a varinha e lançou um feitiço que cicatrizou o
dedo dela.
Snape estava tão furioso com tudo
isso que nem notou nada em Laura. Tentava se controlar, não
queria discutir com Dumbledore, ainda mais na frente de uma
trouxa, mas não agüentava mais aquele assunto.
- Pronto. Agora terei que levar para
análise. Isso leva algum tempo.
- Tenho certeza de que em dois dias você
consegue a resposta, não é, Severo? - quis confirmar
o Prof. Dumbledore.
- Sim, dois dias são suficientes
- Snape estava emburrado.
- Então teremos que aguardar.
Volte aqui no Caldeirão Furado daqui a dois dias que
já teremos a resposta. E, dependendo disso, veremos a
sua situação em relação ao Ministério.
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